9 de setembro de 2016

Teresa Fênix (12b parte)



Os dias modorrentos  iam se  passando. E a perturbação cotidiana  da Maga Psicológica, discutindo sempre  em voz alta nos corredores do modestíssimo prédio onde moravam Ulisses, Teresa Fênix e o grego. Esse pequeno conglomerado, tinha similaridade com as hospedarias cariocas,  nominadas como cabeça de porco. Por último Maga Psicológica denunciou Teresa Fênix ao Conselho Tutelar, por negligenciar no estudo de Ulisses, o qual estava apresentando notas baixas em português, história e geografia. Na compensação,  em matemática era nota máxima. Os mecanismos superiores mentais,  diante das disjuntivas existenciais não impedia o raciocínio cartesiano.  A alcaguete foi à  fundo no expediente do denuncismo, tendo sido necessário se constituir um advogado. Zeca tão logo soube do caso, solidário, acompanhou a filha dele ao Conselho Tutelar, nos primeiros dias primaveris.  A atendente era graduada pelo Serviço Social, solícita deu  início a anamnese social e psico-antropológica dirigida a mãe e ao filho. E no final, a conclusão da técnica não viu nada que acolhesse a delação. Recomendou a genitora de Ulisses, que a aula particular nem sempre  é suficiente. Se faz necessário a mãe ser coadjuvante do filho na tarefa da  pesquisa e dos trabalhos escolares.  Mais uma vez a Maga Psicológica deu com os burros n'água.

Teresa Fênix (13a.parte)

Teresa Fênix mantinha o relacionamento com Pitacus Theodorakys, todavia as contendas verbais aumentavam a cada dia. O grego era ateu, e ela participava numa dessas igrejas de inspiração neo-pentencostal, cuja prática do dízimo é compulsório. E semanalmente havia o exorcismo. Nesses dias  uma infernal gritaria,  saindo pelas pequenas e poderosas caixas de sonoras, talvez, com mais cem decibéis, ecoando  na vizinhança. Um flagrante desrespeito. O diabo infalivelmente retornava de 7 em 7 dias. (O companheiro dela achava que essa religião, remetia ao tempo das Inquisições comandadas pelo Santo Ofício).  Tereza Fênix tentou mudar-se para o apto do capitão de longo curso, mas foi rechaçada. O desnível cultural era tão nítido quanto a claridade solar. Eis o mistério do amor.O grego  gostava por demais de Ulisses, pois o via promissor pela inteligência demonstrada nos mínimos detalhes (sem deixar de ser criança). Teresa passou a contrair pequenas despesas,  no somatório pesava no bolso, da vida modesta do Pitacus Theodorakys. A casa dela estava sempre visitada pelos ditos evangélicos, quer nas orações (acompanhada de fartos lanches), quer em conversas inócuas, segundo pensava o namorado dela. Teresa Fênix ganhou alguns quilos, diante da vida sem atividade física. Sedentária se negava a caminhar ou entrar para uma fitness. Aguardava a benevolência  financeira do namorado, para se submeter a uma intervenção cirúrgica.

Teresa Fênix (12a. parte)

O Chefe em plena atividade,  cavava o túnel  com 17 colaboradores, em diversos horários estratégicos, para não levantar quaisquer suspeitas. Os pepinos eram frequentes, desde uma tubulação abandonada, até os terrenos pantanosos. Haviam discussões de cobrança, tipo, de quem ralava mais, e os morcegadores. Essas práticas nas disputas individuais,  irritava bastante  o Chefe. A tarefa avançava, apesar das barreiras. O Chefe em dado momento animou o grupo de detentos, afirmando estarem próximos do objetivo. Aconteceu o inusitado, numa das costumeiras visitas aos internos: o agente penitenciário encontrou um martelete, na bolsa de uma mulher.   Ela era esposa de um dos membros da construção do túnel da fuga. Ameaçado de morte, o servidor público arregou, e entubou  o fato. O grupo de condenados ficou  grilado, e aumentaram as  medidas de segurança. O Chefe discorria um decálogo diariamente, contendo atitudes proibidas de serem tomadas. A tarefa continuou, dessa vez intensificada, por contas das chuvas do verão que se avizinhavam.