23 de setembro de 2015

Champruca




Casas de tolerância e da mãe-joana, rendez-vous, bordel e dezenas de nomenclaturas e por fim a surreal Champruca, que funcionou em Mimoso do Sul (ES), cujo a longa culminância se deu nos anos 1950/1960. João, mais conhecido como Mandi, nadador exímio, quando na juventude prestava favores domésticos - as doadoras do prazer - para resgatar roupa, utensílios e outros objetos que caiam acidentalmente no rio Muqui do Sul. A cafetina era  Maria,  mãe de Jupira, ambas vieram de Itaboraí no Estado do Rio. As prostitutas é uma das antigas atividades profissionais. Desde  Madalena, onde se recaí suspeitas, até   a  cortesã  Marie Duplessis que foi amada por  Alfred Musset e Franz Liszt, que inspirou Verdi na Ópera La Traviata  (a extraviada) A casa  do sol nascente era alegre e triste funcionava uma   eletrola que tocava os Long Play dos cantores da época, destaque para Carlos Alberto, Anysio Silva, Ângela Maria, Perez Prado, Cauby Peixoto, Gardel(tangos do compositor L.Pera) e Nelson Gonçalves. Os acepipes  e os óleos etílicos ou  os paratis estavam sob a direção, do Sebastião Carne de Porco, homem corpulento de sorriso fácil, todavia se aborrecia quando uma conta há muito permanecia espetada na prateleira, e o devedor não se manifestava. As cocottes estavam simbolizadas pela Alice nascida na Barreirinha, Letícia de olhos azuis da cor do mar,  nascida em  Campos dos Goytacazes e  Nena de corpo esguio, esporadicamente prestava serviço na mais próxima congênere da Champruca, denominada de Sabiá localizada em São João do Lagarto ou Muqui. Virava e mexia aparecia uma ou outra cortesã como a Geralda.  As cortesãs eram conscientes em se tratando da saúde, pois nas segundas-feiras frequentavam o Posto de Saúde local para serem examinadas pelo médico de plantão. Um fato curioso: enquanto morei na rua Uruguai, Tijuca - Rio de Janeiro -  numa manhã ensolarada de dia útil, indo para o basquete avistei uma mulher de vestido estampado, pulseiras e colares (quase uma gitana), junto a portaria do edifício frontal. Fixei o olhar e reconheci a cromática Alice. Certamente ela não me identificou,  uma atitude natural. Mas adiantou-me  estar aguardando um antigo prócer do comércio de Mimoso do Sul(ES), que havia fixado residência no Rio,  e que na ocasião lhe doaria um presentinho. A polícia dava suas (in)certas na Champruca, considerada uma alfurja,  mas nada além das brigas entre os caftens enciumados e clientes, fatos acontecidos nas zonas do chamado baixo meretrício, outrora espalhadas pelo Brasil afora. Mais uma curiosidade antropológica: nunca soube onde se encontrar a zona do alto meretrício.  Certa vez um antigo freguês da Champruca, na privacidade da cópula, acompanhado de uma  cocotte,  alguém bateu fortemente à porta do quarto, e pergunta com voz tonitruante: Geralda taí ? O assíduo cliente enfurecido gritou: Tá, mas tá ocupada. E o interlocutor  encerrou o diálogo, mas com suavidade, quase inaudível, e respondeu: volto mais tarde. Era uma casa do prazer.

O sonho



Sigmund Freud (1856/1939) pai da psicanálise, escreveu um livro que é um tratado, cujo o título é “ A interpretação dos sonhos”, uma matéria de alta complexidade que nos dias  atuais,  ainda quebra a cabeça dos pesquisadores. Sonhar não é proibido. Como por exemplo, sonhar ser campeão  mundial de xadrez ou sonhar em ser feliz junto à mulher amada, e tantas outras atividades mentais cujo mecanismo seja onírico.  Eis uma outra citação  universal:  o sonho venceu a Segunda Guerra Mundial (1939/45), que em dado longo momento histórico parecia impossível vencer as forças eixo, compreendida pela  Alemanha, Itália e Japão. O sonho é parte integrante da vida. O sonho e a poesia originam-se no mesmo colo materno do inconsciente. Todos sonham, todavia alguns negam, outros perseveram, esses  carregam no  alforje, a coragem. E possuem largas chances de serem atendidos. Os cegos são dotados de altíssima sensibilidade, contudo há àqueles que veem, mas não distinguem, tais quais àqueles que negam o sonho, esses tangenciam nas franjas da idiotice.

8 de setembro de 2015

Flora Medicinal



Existiu no coração do centro do Rio de Janeiro, à Rua Sete de Setembro, próximo a avenida Rio Branco –  até nos dias atuais, há uma placa de cobre chumbada no chão da calçada -   com a seguinte inscrição: “aqui funcionou a Flora Medicinal do Rio de Janeiro”. A referida Flora se tornou nos tempos modernos em Natura, cujos balcões de madeira de lei foram despachados para o Museu de São Pedro do Itabapoana.  O fundador da Flora Medicinal foi o médico José Monteiro da Silva, de Mimoso do Sul(ES);  e o  gerente dele, foi o Capitão Ascânio Fernandes, pai da Dona Neném ou Maria Josefina Fernandes Navarro, hoje ostentando quase cem anos, estando lúcida e orientada. José Monteiro da Silva não teve filhos e era irmão do Cel. Gervásio Monteiro da Silva. Ambos eram casados, cujas mulheres eram irmãs, a saber: Joana de Rezende e Maria Josefina de Rezende, mãe de Maria do Carmo Leite, que foi casada com Vitor Leite, pai de Gil Leite que casado com Leonice que deu-lhe os filhos Marli, Vera, Carlos Alberto(Bebeto) e a poetisa Lia Leite. Ambos descendem do Capitão José Ferreira, dono majoritário  das terras do município supracitado, desde o bucólico São Pedro do Itabapoana. Quem desconhecer a sua história estará obrigado a repeti-la, e se tal ocorrer será uma farsa.

2 de setembro de 2015

O incenso



O incenso se entrelaça com a história da humanidade. É uma resina de cor esbranquiçada que brota no caule da “árvore de copal”. Essas árvores são originadas nas terras áridas da península arábica próxima a Omã, na divisa com o Iêmen. Alguns desses arvoredos  possuem mais de quinhentos anos, e um dos locais da produção artesanal do incenso, chama-se Dophar. O incenso é também conhecido como olíbano. Foi nessas imediações que se inspirou no instigante conto “As mil e uma noites de Sherazade”.  O incenso já foi cotado igual ao ouro, pela escassez e a  grande distância para se atravessar o deserto, um imenso território  separando os mercados consumidores. O incensação é de multiuso, pois é utilizado em quase todas as religiões, e também pela prática da magia, e para referenciar as diversas divindades. Os cristãos primitivos usavam o incenso  nas reuniões junto as  catacumbas. A lenda afirma que o  aroma do incenso agrada a Deus, e  antepassados. Confira o "bilhete" ou não!