20 de janeiro de 2016

Chico Buarque



Um poeta de altíssima sensibilidade. Inserido há muito na discografia brasileira, pois pertence a quaisquer galerias da arte da literatura ou da música popular. É assim que o vejo desde os festivais da música popular brasileira. Sergio Buarque de Holanda, pai do poeta, com largo conhecimento da sociólogia  brasileira, tendo lançado - Raízes do Brasil - livro obrigatório nas  faculdades do ramo. No início da década de 1930, se aventurou como editor do jornal "O Progresso" de Cachoeiro do Itapemirim no Espírito Santo.  Isto posto, a  ascendência do compositor é de boa cepa intelectual. Chico Buarque foi exilado na Itália durante a ditadura militar de 1964. Período de exceção que não deixou saudades.  Diante do mar de corrupção que assola o país (em proporções e sofisticações jamais registradas)  nos últimos doze anos, o poeta tem defendido equivocadamente as teses do atual governo, contra às evidências. No rastro dessas digressões, a posição do vate não macula a irretocável obra artística e literária que legou ao povo brasileiro. A democracia outorgar-lhe a garantia de pensar e agir como lhe aprouver. A  história é implacável.

16 de janeiro de 2016

O trovador Paulo Pinheiro Freitas



MIMOSO DO SUL

NAS ÁGUAS E ARRROIOS RESPLANDECENTES,
NUM MILAGRE DE LUZES E DE CORES.
PELAS MANHÃS SUBLIMES E RADIOSAS,
HÁ CRIANÇAS BRINCANDO NOS TEUS BOSQUES
E EM TEUS JARDINS VIVEM SORRINDO AS ROSAS
PARA A FESTA DE RÚTILAS ABELHAS
- AS ROSAS DESLUMBRANTES E VERMELHAS.
CIDADE DOS ARROIOS E DOS PÁSSAROS !

O autor nascido em Rio Novo do Sul(ES)., diplomou-se em 1924 na Faculdade Nacional de Direito no Rio de Janeiro, tendo percorrido diversas cidades capixabas como servidor público, de alta retidão moral e ética.  É membro da Academia Espiritossantense de Letras. Eis mais uma trova desse grande vate:

Aquela formosa imagem
Que eu julgava estar bem perto
Foi apenas uma miragem
Nas areias do deserto

A vida é feita de dor
De tristeza e sofrimento
Tudo que vive de amor
Sempre termina em tormento

As quadrinhas mais bonitas
E perfeitas que componho
São pelos anjos escritas
E ditadas pelo sonho

O trenzinho



Éolo, deus do vento,  deu a Ulisses um alforje que guardava todos os ventos. O deus que lhe presenteou, alertou-o que o bornal jamais deveria ser aberto. Na tumultuada viagem marítima que empreendia, era um indicativo para chegar seguro ao destino, a cidade de Ítaca. Penélope mulher dele, esperava por dez longos anos, segundo a narrativa épica do escritor Homero no livro - Odisseia -  que viveu 500 a.C. Durante o trajeto, num cochilo de Ulisses, os marinheiros curiosos - na expectativa de encontrarem ouro -  no alforje, o abriu. O mar se revoltou e Ulisses voltou à estaca zero. A curiosidade é uma anti-virtude, mas é também uma grandeza, pois a pesquisa é coadjuvada pelo espírito curioso do cientista. Alexandre Fleming (1881/1955) encontrou a penicilina, ao espirrar sobre uma lâmina. Esse revolucionário antibiótico salva milhares de vidas. Outro caso de curiosidade à moda marinheiros de Ulisses ocorreu-me quando ganhei um  trenzinho de corda, em um natal. Com trilhos, e quando acionado soltava uma pequena fagulha pela chaminé por cima da casa de máquinas. Utilizei demais o pequeno e inteligente brinquedo, pois a ferrovia e os trens são parte do meu inconsciente. A minha felicidade durou pouco, com chegada de um querido primo que alertou-me, pois estava a dar pouca corda no mecanismo. Meu primo ao me corrigir a rodar a chave, quebrou o meu passatempo.

9 de janeiro de 2016

Trovões



Numa avaliação existencialista, a  esperança pode até ser uma propaganda enganosa. Mas abrir mão dela é divorciar-se do mundo. A vida é um prêmio. Sócrates (400 a.C) abriu mão dessa  premiação, pois  havia  o recurso no julgamento dele,  em pedir perdão  ao Conselho de Sentença Grego. Se tivesse procedido assim, talvez teria se   livrado da morte. Não o fez. E dignou-se a beber a cicuta. O sofrimento humano é mitigado através do circo,  seitas, doutrinas, religiões e outras, calcado na expectativa de uma outra vida muito melhor. Há controvérsias. Por serem dogmáticas  e sabujas,  essas instâncias místicas não enfrentam a realidade de frente. Historicamente se omitiram durante os trezentos anos da escravidão no país, e nas demais nações  escravagistas. Mas essa matéria, não é bem recebida em alguns setores da sociedade. Esquecendo os descalabros do passado, surgem nos vetores midiáticos, robustas notícias sobre corrupção pelos sete mares. Todas capitaneadas - nos últimos doze anos -  pelo  brazilian government establishment.  Coexistir com esses fatos, é como assistir um filme de terror,  numa noite de tempestade com descargas atmosféricas,  e sons  tonitruantes.