20 de agosto de 2017

Teresa Fênix - 38a. Parte

A barra do Chefe começava a pesar por carregar a culpa de ter morto o pai, pelas mãos de um assassino frio e de aluguel, um ser desprezível que o Chefe contratou para a abjeta tarefa. As alucinações se intensificaram e os outros   hóspedes começam a se incomodar com os gritos dele durante a madrugada, os quais perturbavam o sono dos demais,  e as discussões esperadas se iniciaram. Os mais exigentes queriam que ele fosse para outra cela, e os mais serenos mitigavam o incômodo. O  núcleo duro da facção criminosa da prisão se reuniu e decidiu  transferir o Chefe para outro compartimento prisional. Foi lotado no gabinete dentário, um local para os peixes do Chefe dos carcereiros, pois o interno deveria manter o consultório limpo e na contrapartida,  poderia dormir no consultório. É possível que tal prerrogativa passava ao largo da diretoria do presídio.   Um oásis no deserto da criminalidade.Na época esse espaço era disputadíssimo e  custava um bom dinheiro. O Chefe se sentiu prestigiado, mas  os devaneios noturnos  não cessaram. Sem se alimentar, estava se  candidatando  a uma anorexia. Fumava diariamente três a quatro maços de cigarro e   estava  magérrimo. A limpeza do consultório estava sendo negligenciada. As reclamações eram frequentes por parte do dentista.

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