27 de abril de 2019

O Papa-capim


Papa- capim
Sporophila nigricollis

O nigricollis significando a cor negra, podendo  tratar-se do colero “paulista”, assim conhecido no sul  do Espírito Santo, sendo atualmente,  numa evolução lingüística,  cognominado com  o homônimo de “baiano”.  Existe ainda o colero  “gravatinha”, lembrando a clássica gravata borboleta. O habitat desse pássaro tão pequenino, contudo dotado de  pulmões e cordas vocais afinadas, são os capinzais, campo, e a mata úmida. Esses encantadores passarinhos alimentam-se de pequenas sementes. Medem em torno de 112mm,  e constroem ninhos em forma de tigela aberta e pequena. Destacam-se com uma máscara preta na cabeça, estendendo-se até o mento(queixo) e o peito. Seu cântico é harmônico e agradável aos tímpanos.

8 de março de 2019

Dia Internacional da mulher

Certa vez uma experimentada psicóloga, lá pelos "anos de chumbo", me dizia, ser a mulher junto com o índio e o negros, os mais segregados segmentos da sociedade. Essa seguidora de Freud, naquela época possuía um ancho acervo de pacientes, com as quais dedicou uma escuta qualitativa. Vaticinou corretamente, como numa quiromancia psicanalítica , eis os feminicídios aumentando em proporções alarmantes. A igreja é muito responsável por essa maldita herança, defendida por Tertuliano(600 c.), pois a igreja   sempre tratou a mulher como um ser inferior, e a culpava ter parte com o diabo. A mulher é o maior símbolo da humanidade, pois ela tem  o dom mágico,  de revelar  a luz.  A discriminação por ela sofrida é promovida pelo machismo, e pelo  moralismo hipócrita mantido pela classe dominante. Ser mulher é uma honra  para os homens de bem. Ser mulher,  é ser como Teresa de Calcutá, Malala, Maria da Penha,  Ruth Cardoso, Maria Ortiz, Antonica Moreira Luz, Zilda Arns  e tantas outras. Todos os  dias, são dias  das mulheres.

29 de agosto de 2018

Teresa Fênix 52a.Parte

A magia para os indivíduos cosmopolitas, acostumado a procedimentos lógicos, torna-se difícil (ou não), a compreensão de  métodos não conservadores de pensar ou de proceder . Se sabe que alguns segmentos,  acreditam numa forma  de "magia simbólica". É característico que "os sinais, símbolos, códices e palavras mágicas, podem exercer a partir deles,  os mesmos  efeitos que lhe é atribuído,   e a  força dos deuses, reconhece por si só,  essas  imagens e atua de forma correspondente(Harless,1858). Navegar na incerteza, ainda é uma alternativa provisória.O batráquio,  somente se exercita no salto constante,  pela imperiosa necessidade de se alimentar dos insetos incautos. O grego as vezes se sentia um sapo.  Era mister saber,  como mover as pedras no imaginário tabuleiro de  xadrez, ora  apresentado.  Buscou o negrume da antecâmara melancólica e mística, a  sala de não estar(as vezes) As convicções filosóficas nem sempre lhe faziam companhia irrestrita. Como  a fé dos monges,  muitas das vezes elas  escafedem-se.  "Por mares nunca dantes navegados" na poesia épica do vate lusitano Luiz Vaz de Camões, esse sentimento do desconhecido tomou-lhe conta, parecia-lhe estar atravessando uma situação inédita, absurda e com franjas de uma  dramaturgia angustiante.Na saída, algo inusitado aconteceu, pois Teresa Fênix, apareceu na sala do atendimento, e com voz fora do lugar, olhou seriamente para o grego, e nada disse. Era um olhar devorador. O grego não se abalou. E se recolheu no seu(dele) lar,doce lar...

5 de agosto de 2018

Teresa Fenix - 51a.parte

Numa manhã do mês  de agosto, no  inverno  tropical, o grego se levantou e  teceu lentamente  o sonho da noite anterior. Conhecia  a técnica da mnemônica como facilitadora do processo interpretativo da memória. Por certo a mensagem do sonho não era assim tão relevante, mas intuía em interpretar as ideias e imagens  criadas durante a viagem do sono. O foco principal segundo ele, foi retornando de navio à Grécia, e a  embarcação fez água e soçobrou. O grego ficou "bolado" com esse louco devaneio. Não surtou, mas ficou desconfortável. Talvez  um acidente aéreo, não lhe causasse tanto espanto. A real tragédia do  Titanic veio imediatamente na cabeça dele, lembrando do filme   sob a direção de James Cameron em  1998. Num átimo, o  marinheiro saiu de bicicleta pela estrada vicinal em direção a Crimeia, indo visitar uma experimentada jogadora do  tarô, um baralho de  78 cartas  coloridas, e  com figuras simbólicas. Ir ao encontro do místico, não eliminaria   os incômodos "grilos", todavia lhe parecia um leve conforto. A Xamã respondia  pelo nome de Anaili, indicada pelo amigo Deusdedit Utrecht Dutra. Ela  estava atendendo um  cliente, e não o recebeu  de imediato. Esperou cerca de quarenta  minutos,tendo sido  convidado a  sentar-se numa elegante e legítima  cadeira chippendale. Tímido,  como sempre diante das pessoas não conhecidas, adentrou e começou a narrar o sonho para a maestrina do ocultismo. A Xamã, lhe ouviu atentamente. E  repentinamente murmurava frases,   como por exemplo: Oh Ely Ely ! Falava em aramaico: Oh Deus, Deus !  A sessão transcorria sem intercorrências. As palavras inesperadas da protagonista do mistério foram duras.Disse-lhe ao grego estando a precisar tomar decisão. Não fraquejar diante da Teresa Fenix. E disse um verso de uma musica do compositor Edu Lobo: "toma decisão tá na hora, lança o seu saveiro no mar".


15 de julho de 2018

Teresa Fênix - 50a. Parte

Pressentir o encerramento de um ciclo de vida, é confrontar com  o popular   aforismo: "se ficar o bicho pega, se correr o bicho come".  Num paradigma mais ousado,  para o comandante retornar ao torrão natal ou para Grécia de Diógenes,  é como    estivesse  repetindo a travessia comandando um navio, no  perigosíssimo   Estreito de Magalhães (ele havia experimentado a tensa, todavia foi uma  exitosa aventura marítima) tendo a probabilidade de  naufragar. Raciocinava dentro e fora da filosofia dita clássica, se  lembrando  do arquiteto e flautista Paulo Pena Firme(in memorian), ao lhe dizer entre um trago e outro de uma uca(*) honesta, vinda de Salinas,  que o "homem volta às origens".  Não  dizia comungar dessa assertiva, contudo a dúvida quase sempre lhe acolhia. Tocava em frente. A vida dele era mergulhar nas coisas prazerosas e conhecidas, como visitar a casa rural  de um  amigo, residente no Barro Branco, um   pintor, e respeitado  restaurateur de painéis, naves de igrejas e outros. Gentil e importante artista . O nome   é Deuseli Utrecht, contudo nasceu por essas   terras   Puris. Depois de amargar uma breve cadeia injustamente, vítima de um ardil  entre um graduado funcionário da justiça e a então ex-mulher, resolveu  viver na clausura bucólica. Estava a esculpir há anos uma réplica em tamanho adulto,  de São Francisco de Assis. O Comandante apreciava a arte, e a belíssima  obra do amigo foi por ele reconhecida, mas todavia, de  olhar horizontal, parecia estar a ver distantes  paisagens. Mas sempre admirou os impressionistas como Van Gogh e Gauguin.  Ir embora em definitivo, custava-lhe uma posição única(talvez irreversível) e cujo gradiente estava difícil de ser estabelecido. É provável que nas  andanças empreendidas  pelo Capitão,  ganhava (ou perdia) tempo, procrastinando (ou não)  o dia D partir. Rememorava a dramaturgia de Sófocles, pois o oráculo afirmou  que Édipo Rei  mataria o pai dele,  e se  casaria com a mãe, Jocasta. E o destino foi  consumado,  no imagético cenário pensado por Sófocles. Édipo Rei, fugiu da  tragédia pessoal,  tentou mudar o curso do rio, ao se transformar num ser errante, mas não  teve êxito. O Comandante se via no retrovisor dessa história, intuía uma partida em direção ao mar Mediterrâneo. Nos momentos budísticos, passavam-lhe nuvens passageiras outras mais lentas, a lhe dizer, a não tentar mudar a interpretação   semiótica das imagens do espaço sideral. O enfrentamento é inexorável.

(*) cachaça                                                             

3 de junho de 2018

Teresa Fênix - Parte 49a.


O que fazer, diante de tantas disjuntivas inesperadas? E reverberadas altissonantes sobre o afeto mais nobre? Jungir   é mais confortável,  como ouvir o solo de clarineta numa tarde,  quando o sol cheio de cansaço se dirige  lentamente ao ocaso. Chega lembrança do poeta carioca Vinicius de Moraes, no Soneto da Fidelidade, livro de poesia quase esquecido - numa estante improvisada de tábuas de eucalipto - presente de um amigo da marinha mercante brasileira, para o auxiliar no aprendizado do idioma do Lácio, e  na penúltima estrofe assim versejou o vate: Quem sabe a solidão, fim de quem ama. Aparentemente um paradoxo. Pois quem ama deveria ter a compensação da companhia. É o pedágio emocional por ter amado? Ou nada amou? Conjecturas gregas, com vernizes dos trópicos. E os dias modorrentos iam se passando. No modesto inverno, se juntava a alguns poucos amigos a beberem vinho de uvas tintas oriundos possivelmente  do Chile ou Argentina. Comiam queijo banhado com azeite grego (ele tinha algumas garrafas  compradas pela internet) e apreciava quibe cru com pão árabe.  Tinha conflitos com a rotina. E para suavizar a atitude dele, gentilmente rejeitava convites para ingressar em sociedades secretas ou não. Além de todas as ilações, se preocupava com as parcas economias, segundo as contas dele,  poderiam sustentá-lo por mais  dois anos. Ele começou timidamente a desenhar a Carta Náutica para retornar para as ilhas gregas. Estava literalmente meditabundo.

31 de maio de 2018

Teresa Fênix 48a. Parte

Teresa Fênix engordou muito, mais do que esperava, e dizia para algumas amizades, atribuindo a  ansiedade,  que havia tomado-lhe  conta. E se alimentava mais do que  necessário. Parecia   estar  grávida. E passou a caminhar, como parte  dos indivíduos ávidos a perderem peso, e melhorar  a condição física,  pelas ruas quase desertas da cidade. No inverno essa prática diminuía, principalmente quando a "chuva de horta" como falam os habitantes da região, molhava o uniforme, e o tênis encharcavam-se  nas pequenas poças d'água. Assim era parte da rotina de Teresa Fênix. Sem contudo esquecer o  seu comandante Nemo.Numa dessas caminhadas encontrou-se com Elza,  ex-auxiliar doméstica do marinheiro. E travou-se um diálogo assim: Olá Teresa ! Oi (um oi seco) respondendo-lhe  meio a contragosto, pois sempre desconfiou ser a Elza  uma fofoqueira contra ela. Mas enganou-se. Afirmou-lhe que o comandante gostava muito dela. E desistiu, pela inconstância  de Teresa de Fênix. O comandante dizia para Elza, que Teresa Fênix era apaixonada por um policial. Ela respondeu-lhe, que era verdade, todavia, há muito descurtiu  o gendarme. E convocou a Elza para colaborar no canjerê para retornar aos braços do comandante. Elza era uma veterana mãe-de-santo do candomblé. Aliás toda família da Elza  foi iniciada na religião de matriz africana, cuja a saudação é  saravá !

5 de maio de 2018

Teresa Fênix - Parte 47a.

Já se sabia na boca miúda que o comandante era ateu. Com certeza um curioso das atividades esotéricas, tal qual um amigo dele, cuja  origem  judaica, sendo  russo da vertente  esquenazi, que  após longos anos em  praticar a cabala( lado místico do judaísmo) resolveu frequentar os terreiros de religiões de matrizes africanas. O grego ficou intrigado, sobre o recado de Teresa Fênix, ao ameaçar em colocar o nome dele na boca do sapo, para fazer-lhe reatar com ela. Ele quis conhecer como se operava tal manobra para se produzir  mal a alguém. Pesquisou exaustivamente pelas redes sociais, e depois foi ao encontro das poucas pessoas conhecidas, e  ligadas a Umbanda ou ao Candomblé. Ouviu e anotou  a história e a  ritualística de ambas religiões. Todos àqueles  depoentes o convidaram para participar de uma gira da Umbanda, onde se prevalece os pretos velhos, Maria Padilha e outras entidades. O  experimentado marinheiro ouviu atentamente as orientações daqueles obás de plantão. Um deles afirmou ser ele médium de alta sensibilidade. Devendo desenvolver essa mediunidade, ou seja, lhe foi recomendado a frequentar terreiros. Ele nada dizia, era uma boa escuta, como devem ser os psicólogos mais eficazes. O comandante  agradeceu gentilmente, o aprendizado transmitido de gerações em gerações, pela oralidade por  homens que preservavam uma importante cultura  oriunda da África. Nos momentos de reflexão, o homem do mar,  preferia ouvir como sempre, a música  Zorba o grego, e dançava.

1 de maio de 2018

Dia do trabalhador


O Muro de Berlin construido em 1961,  dividia a Alemanha de Wolfgang Von Goethe, e foi derrubado em 1989, e trás o   estereótipo da vergonhosa  atitude dos principais vencedores da Segunda Guerra Mundial(1939/1945) a saber Estados Unidos, Rússia e Inglaterra, que “leiloaram” a Europa. A queda do Muro de Berlin se creditam   a Glasnost (transparência) e Perestroika(reestruturação) que são políticas públicas oficiais de Mikail Gorbachov(1985/1991) para a então União Soviética, e  acrescenta-se a globalização da economia, que enfraqueceram  sobremaneira o movimento sindical mundial que tinha  seus pés plantados no mundo dito  “socialista”, através da ex-União Soviética,  que se dissolveu num mar de corrupção e  denúncias confirmadas de assassinatos em massa. O dia do trabalhador há muito tem o seu brilho ofuscado, ou os sindicatos estão a perder a sua importância.  O sistema capitalista não é  nenhuma  oitava maravilha, pois pune severamente os mais despossuídos, ou àqueles sem eira e nem beira. As Universidades Federais são para os riquinhos, e o preconceito racial e econômico(esse é o mais perverso)  continuam. As prisões na sua maioria recebem os  pobres, negros e prostitutas. A justiça serve um bom cardápio a classe dominante.  Ao trabalhador é preciso dar-lhe a oportunidade de  escolas profissionalizantes para o Brasil enfrentar as constantes demandas do rotulado  primeiro mundo. Se assim procedermos, a organização da classe trabalhadora será uma consequência(desde que seja desatrelada do Estado),   e   possivelmente  tenhamos menos presídios. O Doutor Anísio Teixeira ícone nacional da educação, vaticinou: “Sem educação não há solução”.

29 de abril de 2018

O Futebol

O futebol como motivador de atitudes variadas no campo sócio/antropológico, na terra brasilis, é algo  muito instigante.Está a merecer pesquisa pura aplicada ao segmento que absorve esse esporte de forma quase mística.  George, líder dos  Vigneron de origem franco-huguenote, não titubeou e organizou-se para  esposa dele desse a luz ao filho caçula (Jorginho) no estado do Rio de Janeiro, em função do topônimo fluminense, àqueles nascidos nesse estado. Eles eram torcedores do Fluminense Football Club (grafia inglesa). Numa vitória do Vasco da Gama,  campeão de terra e mar(remo), poderia ter sido batizado de Ipojucan, tendo sido salvo pela minha mãe, que não aceitou a imposição paterna. Muitos se chamam de Pelé ou Pelezinho. Talvez de Edson Arantes, Arthur Antunes(Zico), o grande craque Mané Garrinha, Nilton Santos, Bebeto, Castilho, Píndaro e Pinheiro. Mesmo o futebol tendo sido inventado pelos ingleses, o swing desse esporte está aqui abaixo da Linha do Equador, com os brasileiros e otros hermanos latino-americanos, tenham essa certeza. A derrota do Brasil contra a Alemanha, ainda engasga feito a temida espinha de traíra. Nesse andamento allegro ma non troppo, a memória viaja até ao calçadão de  pedras portuguesas entre Copacabana e o Leme. Naquele momento mágico,  o  tricolor Artur da Távola(in memoriam) e amigos,   acompanhados por músicos de  uma animada bandinha, ou charanga, dentre tantas, era mais uma dessas campanhas políticas. Nesse simplório evento,  a música da charanga era o mote. Eis que o encontro surpreendente e agradável ao avistar   Paulo Roberto Ramos,  tricolor de carteirinha e amigo de infância, from Mimoso do Sul(ES).  Ele  estava acompanhado do amigo Pedro Carlos N. Carneiro. Diante do inesperado,   disse ao maestro: por favor o Hino do Fluminense! Os dois  Paulo se confraternizaram pelo mesmo time,   e em seguida  tocamos em frente a caminhada.

24 de abril de 2018

Numa quinta-feira outonal.

Manhã de outono, numa caminhada, chega  o cheiro das flores silvestres,  se despertando, quase frio e quase memória a registrar a flora pujante. Eis o legado  dos mais importantes, repassado ao homem (que faz a guerra e suja a floresta). Mas elevo o pensamento ao deparar-me com a flor do sugestivo fruta/pão, a baleeira copada é indicativa de boa terra, oitis semeados pelos pássaros, sapucaia, o impenetrável palmito iri,   jaqueira-cravo, bambu gigante e chinês, hibisco, candiúva, jenipapo, mangueira, frondosa sibipiruna, jambo vermelho, ingá, paineira, imbaúba, angico vermelho, pitangueira,pau-pereira, mamoeiro,cambotá, pupunha, jabuticabeira, cedrinho, amoreira,banana d'água, ipê amarelo,fedegoso, graviola, guanandi,chibatão, pingo de ouro,  jamelão,sapucaia,figo, laranja Bahia, mixirica, pinha,pau-brasil, coqueiro,abacate, cedrinho, lírio, mogno africano, guaraná(morrendo, não sabemos a motivação), pau d'alho, cabiúna, goiabeira, araça, castanheira, ficus,  eucalipto citriodora, laranja lima, limão galego e branco, palmito amargo, pupunha, açaí,  carrapeta e  taboa. Eis a natureza nua. E a  selva de pedra não fez falta. Bioma invejável  e apreciado por um olhar atencioso, com poderosas e imagéticas lentes. E  a conclusão do  entendimento,   o quanto se deve proteger e preservar a mãe terra. Incluindo as águas escassas e finitas, como fonte e aprendizado da vida.Os valores da convivência no campo, onde a florescência do bucólico, dá a sensação da alegria de viver, tão nítida como a claridade solar.É sempre bom lembrar, que o dia de amanhã, possa ser mais promissor do que o de  ontem.

17 de abril de 2018

Dona Ivone Lara


Maria Callas está para ópera, assim como    Dona Ivone Lara está para o samba. Sem receio de errar, o samba é a arte musical de maior expressão da cultura brasileira. Dona significa no simbolismo cultural, como se fosse Dama ou Majestade, a sabedoria do sambista, não lhe permite ser narcisista, melhor dizendo “metido a besta”, em nominar Ivone Lara de majestade ou dama do samba, em vida. No Império Serrano, que é uma das   academias do Samba, onde Dona Ivone Lara é considerada uma  compositora de altíssimo prestígio, e um invejável acervo musical de sambas de raiz  que já está no inconsciente coletivo  do povo brasileiro. Gravou o primeiro disco em 1970, através de Sargenteli e Adelzon Alves. Dona Ivone Lara nasceu em Botafogo, no Rio de Janeiro há 97 anos. Teve aulas de canto com Lucília Villa-Lobos, esposa do compositor Heitor Villa-Lobos, que  elogiava a voz dessa sambista. Foi atriz no Sitio do Pica Pau Amarelo, no papel de Tia Anastácia. Freqüentou a  Serrinha em Madureira, berço do jongo, que é a semente do samba.  Naquela ocasião conheceu os compositores Mano Décio da Viola e Silas de Oliveira,  ambos ícones do samba. Dona Ivone Lara viajou ao espaço sideral para ser  a sexagésima estrela da Constelação de  Andrômeda,  a partir de  16 de abril de 2018, por decisão de todos os orixás.

15 de abril de 2018

Teresa Fênix 46a. parte ( Omi nibu,Omi jéjé)

"Promessa é dívida" assim reza a crendice  por essas terras dos irmãos tupis, tamoios, avá-canoeiros, crenaques, tuxás, tremembés  e tantos outros irmãos(negado pelas elites; onde são mais de 150 línguas faladas dos troncos das famílias tupi-guarani, macro-jê, caribe,aruaque e arauá, tucano, ianomâni, macu e outros *);   que Teresa Fênix numa certa  sexta-feira, lua cheia e 7 de agosto, se preparou para ir ao Terreiro do Caboclo Rompe Mato. Toda de branco,  exceção para a  calcinha vermelha em homenagem a Pomba Gira, onde guardou rente a perseguida o papel escrito com o nome completo do Comandante grego, longos brincos de cigana, cabelos presos, cordão de ouro com a efígie de São Jorge de Capadócia e  bebeu bons goles de uca curtida na carqueja. Na hora de sair, inesperadamente surgiu a vizinha e perguntou onde ela iria toda emperequetada. A pergunta foi  de sacanagem, pois sabia ser o conjunto da  indumentária pertencer ao ritual das religiões de matrizes africanas, pois era calejada filha de santo, vinda dos terreiros onde ecoavam os sonoros atabaques da Bahia de Todos os Santos. Teresa Fênix pediu-lhe para adiantar o assunto, por estar atrasada para a gira do Candomblé. A visita inesperada falou ter consultado os Orixás, sobre o Grego, e  mais de uma entidade garantiu, ter ele a proteção pela frente de Ogum e na retaguarda Obaluaiê; ele tem o corpo fechado(no Benin, e confirmado na terra do Obá Jorge Amado) e qualquer despacho para atingí-lo  poderá retornar em dobro para o autor(a). Teresa Fênix ficou "bolada". Sentou-se  numa cadeira e desancou a chorar.  Choro alto e convulsivo, parecendo ter incorporado algum espírito.E depois entoou os Orin(cânticos em Yorubá, do candomblé), assim: Omi nibu, Omi jéjé ( mãe das águas profundas, mãe das águas calmas **). 

* Indios do Brasil/Julio Cezar Mellati (edusp) 
** Órun Àiyé/ José Beniste ( Ed.Bertrand Brasil)

23 de março de 2018

Teresa Fênix 45a. Parte

Teresa Fênix rides again, em direção ao filho de Zeus. Impassível passou ao largo das investidas para retornar o romance, onde o amor inexistia. O Comandante, teve um breve diálogo assim: Porque tem me evitado, o meu Comandante? Porque orgulho e preconceito? Ele então respondeu: " Vaidade e orgulho são coisas diferentes, embora as palavras sejam usadas como sinônimos. O orgulho tem mais a ver com nossa opinião a respeito de nós mesmos, a vaidade com que desejamos que os outros pensem de nós." Lembrou o marinheiro grego de um trecho do clássico "Orgulho e Preconceito" da britânica  Jane Austen. Teresa Fênix  ainda insistia sobre o preconceito, pois ela se sentia pobre materialmente, e o julgava ser rico. O grego nada respondeu. Uma outra tentativa, de  cunho mais sério ou não, pois se  tratava de  uma conhecida  de ambos, indo  a casa dele, na função de pombo-correio, e naquele momento  repassava o filme:("Minha amada imortal" uma película  biográfica de Beethoven, que faz (des)acreditar que o compositor  teve ou não teve um grande amor),  e a mensageira foi logo dizendo: " ela mandou dizer o seguinte: se você não voltar pra ela, o seu nome  vai parar na boca do sapo-boi". E foi-se embora com passos céleres.O interlocutor ficou atônito. Todavia não acreditava em cangerê ou congênere.

18 de março de 2018

Teresa Fênix - 44a. parte

Maga Psicológica, durante a permanência  no hospital, ela fez diversas amizades, dentre elas, com  uma  voluntária de nome Macilea Castelo,  que prestava serviço a uma Casa de Recuperação de Dependentes químicos e outros. Ela se entusiasmou,  e com a saúde recuperada, passou a dar plantões na casa acima citada. Na condição de servir àqueles que tentavam se livrar da dependência, como o alcoolismo, drogas pesadas e outros, Maga Psicológica, ia tocando a vida dela,  se sentindo útil ao próximo nesse novo contexto de vida,   falava na "boca miúda",  que  se lembrava do filho, vitima de um  severo  vício.  Doar serviço para comunidade despossuída de condições, e com dependentes abandonados pelos familiares,   é uma atitude das mais meritórias. Entre os internos, um deles chamou-lhe atenção, pois se parecia com o filho dela. Essa transferência de afetividade é praticada em outras ocasiões, para mitigar  sofrimentos  ainda presentes. O irmão  nímico (de alma), era um simpático afrodescendente cujo apelido era Pingola, e pelos anos 1960, gozava da amizade do Ricardo Ferreira Martins, mais conhecido por Kiko, amigo do Comandante Grego.  O  benfeitor do Pingola, num certo momento, Pingola foi agraciado com uma cadeira de engraxate na praça central, tendo como companheiros de profissão, o  Senhor Augusto, que ambulava com uma só perna e o filho  Expedito, mais a companhia do jovem Leonídio morador do Alto San Sebastian. Pingola mesmo tendo recebido, a cadeira de engraxate, roupas e alimentação do amigo do grego,chegou a  praticar um ou dois furtos na casa do Kiko. Pingola  inesperadamente sumiu, e anos mais tarde, se soube estar trabalhando como gari em Cachoeiro do Itapemirim. E tinha sido morto numa contenda, foi esfaqueado, vindo a óbito (como diz a corporação médica). Maga Psicológica, ao saber desse desfecho fatal com o Pingola, não resistiu  e morreu de infarto, aos 87 anos.

12 de março de 2018

Teresa Fênix 43a.parte

Repetir  o filme -  Zorba o grego - no sofrido projetor,  soava-lhe como uma eclesia dos valores helenos, e se sentia  transportado  num processo esotérico, imagético até a terra de Zeus, das deusas Atenas e  Afrodite, a primeira da guerra, a outra do amor. O Capitão de longo curso, inúmeras vezes era convidado para frequentar cultos protestantes neopetencostais, e  por último passou a receber convites para cultos de matrizes africanas. Se sentia inclinado a conhecer  a mística oriunda da África. Contudo, não se sentia atraído na busca de um deus para  se religar, religião. A curiosidade era o som agudizado  da  percussão, produzida pelos atabaques, a coreografia das danças, cânticos e a ritualística, que somente conhecia de documentários e livros. O Comandante era possuidor de uma sólida convicção agnóstica. No pensamento dele, nenhuma doutrina,seita,Um eterno aprendiz. religião, sociedade secreta ou crença popular, carregada de misticismo ou não, o levaria a professar quaisquer uma delas. Era um livre pensador. E nada mais.