O incenso se entrelaça com a história da humanidade. É uma resina de cor
esbranquiçada que brota no caule da “árvore de copal”. Essas árvores são
originadas nas terras áridas da península arábica próxima a Omã, na divisa com
o Iêmen. Alguns desses arvoredos possuem mais de quinhentos anos, e um dos locais da produção artesanal do incenso, chama-se Dophar. O incenso é também conhecido como
olíbano. Foi nessas imediações que se inspirou no instigante conto “As mil e
uma noites de Sherazade”. O incenso já
foi cotado igual ao ouro, pela escassez e a grande distância para se atravessar o deserto,
um imenso território separando os
mercados consumidores. O incensação é de multiuso, pois é utilizado em quase todas
as religiões, e também pela prática da magia, e para referenciar as diversas divindades. Os cristãos primitivos usavam o incenso nas reuniões junto as catacumbas. A lenda afirma que o aroma do incenso agrada a Deus, e
antepassados. Confira ou não o "bilhete".
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2 de setembro de 2015
13 de abril de 2015
São Jorge guerreiro
São Jorge é da Capodócia, que fica na atual Turquia. Todavia São Jorge pertence aos brasileiros, ingleses, russos, portugueses e de tantas outras nações do mundo. A crença de São Jorge aqui chegou pelos portugueses, e por imposição se transformou na Bahia de Jorge Amado, pelos braços dos orixás do candomblé, incorporado em Oxóssi, e pelos pretos velhos da umbanda no Rio de Janeiro é Ogum. É o sincretismo afro-brasileiro dentro do misticismo, que é um mix das crenças, as quais se debitam aos colonizadores que impediam os escravos cultuassem a mística deles trazida da mãe África. São Jorge é conhecido como Santo guerreiro. Na República da Rússia é padroeiro e a imagem dele está brasão nacional, tal qual na Inglaterra, no pavilhão britânico. Em Portugal o Castelo de São Jorge é uma das atrações de Lisboa. As homenagens destacam-se em personalidades importantes, como George Washington, primeiro presidente dos Estados Unidos George Orwell, famoso escritor, e o compositor teuto-ingles George Handell. E por aqui nas terras puris, o craque de futebol, George Vigneron. Há quem afirme que São Jorge ressuscitou trezenos mortos e salvou a filha de um rei das garras do dragão, na cidade de Selem na Líbia. São Jorge foi preso e torturado e depois decapitado, no dia 23 de abril de 303, que é feriado no Rio de Janeiro. Salve São Jorge guerreiro, saravá !
8 de novembro de 2014
A cigana e a mão esquerda
Compartia algumas vezes com Olimpio José de Abreu, a mesma mesa do bar que pertencia ao Hotel Argentina, que fica no Flamengo - Rio de Janeiro, e faziam companhia, Heitor Polo, George Pires Chaves, Moniz
Aragão pai do Jimmy, Vilmar Soter e outros.
Eram tertúlias de agradáveis diálogos.
Numa ocasião Olimpio contou-me que uma cigana quiromante abordou-lhe no Largo do Machado, e ofereceu-lhe
“serviços místicos” para ler a mão dele. Ele perguntou a “sacerdotisa da quiromancia “ se poderia ler a mão esquerda . A
quiromante respondeu-lhe, que a mão esquerda não se lê. Essa narrativa do amigo
foi armazenada no - arquivo implacável
da modesta memória desse cronista que lhes escreve – até que deparei-me com uma
cigana no mesmo Largo do Machado, reduto de um dos segmentos desses nômades, que interrompeu meus passos,
e de chofre disse-me: posso ler a sua mão? O relato do amigo Olímpio, como num apertar de uma tecla imaginária, veio-me a mente
a estória da “ sacerdotisa da quiromancia”. Disse a cigana que a mão esquerda
estava disponível para ser lida. Ela afirmou que não se lê a mão esquerda. Insisti
para saber a razão, em se negar ler mão canhota. Emudecida se afastou dando por encerrado o
diálogo. Perseverei indo atrás dela, para dirimir a dúvida, foi quando num sussurro quase inaudível, disse-me: a mão esquerda,
é a do diabo.
26 de agosto de 2014
Folia de Reis
Quanto mais ou tanto mais se informa, chega-se a conclusão de que nada se sabe. Ou seja: " tudo que sei, é que nada sei". Aliás, o remetente dessa máxima filosófica, é Sócrates que viveu em Atenas há 400 anos, antes da era cristã. “A cultura não tem a ver com o conhecimento. A cultura e o conhecimento não são a mesma coisa. A cultura antecede ao conhecimento.” São afirmativas do poeta inglês T.S.Elliot. O conhecimento é uma forma superior nas relações do homem com a natureza, enquanto que a cultura é indispensável à própria vida do homem sobre a terra, é a cultura que estabelece as condições de diferença na sobrevivência. Para corroborar parcialmente o acima citado, dezenas de Folias de Reis, no último sábado e domingo, apresentaram em Muqui (ES), um espetáculo cromático, lúdico e uma rica demonstração cultural, de cunho diversificado, quer na indumentária simbólica, quer nos princípios do sincretismo afro-religioso. A etnia sobressaia desde os “palhaços” de olhos azuis, seguidor de uma tradição familiar, aos mestres com a melhor sabedoria apreendida, assimilada pela beleza do atavismo, néctar universal que alimenta o folclore.
11 de agosto de 2014
Cristo Redentor e curiosidades
Cristo, o Redentor, é aquele que redime ou reabilita, em quem Nele crê. Esse é o dogma. O monumento do Cristo
Redentor de Mimoso do Sul, extremo sul do Espírito Santo, foi construído, em 1982,
por Antonio Francisco Moreira, que era da simpática cidade vizinha de
Guaçui(ES), terra do ator Fernando Torres. Erigiu outros "cristos", como o de Colatina e de Itaperuna no
Estado do Rio. Antonio Francisco Moreira, há cerca de 3 anos, numa
queda de bicicleta veio a morrer. Curiosamente era convictamente ateu. E, em contraponto, o Cristo Redentor do Rio de Janeiro, datado de
1920, teve a sua construção gerenciada por um judeu – Heitor Levy – que
durante as obras civis se converteu ao catolicismo e selou no concreto
– na altura "coração" do Cristo Redentor - uma
oração, com os nomes dos seus familiares. Tal como o ator agnóstico - Nelson Xavier - representando o médium Chico Xavier, e que durante as filmagens sobre a vida do mesmo, se converteu a doutrina kardecista. Há algo no ar além dos aviões de carreira.
6 de janeiro de 2013
Buda é Siddharta Gautama
Buda nasceu na India no séc. VI/V a.C. Foi um príncipe, que vivia como se fosse numa redoma de vidro, fora da realidade, era a liturgia da realeza. Casou-se com uma prima que lhe deu um filho. Entediado com a vida palaciana; aos 29 anos abandonou o luxo e se transformou num mendigo. Experimentou o lado mais amargo da vida. A partir desse aprendizado, atingiu a iluminação, que é o mais alto grau da espiritualidade. Dai em diante conquistou adeptos, e o budismo espalhou-se inicialmente, pelo extremo Oriente. E todo o mundo tomou conhecimento, dos ensinamentos de Buda. No Brasil são 240 mil seguidores. Segundo o futuro Dalai Lama, que incorpora o espírito de Kalu Rinpoche, um "botsawa" - espírito de luz - nos seus vinte e poucos anos; afirma ser o budismo uma filosofia e não religião. Há controvérsias. O jovem e futuro Dalai Lama é modernoso, pois está conectado com nas suas redes sociais da internet. Aos dezoito anos, o jovem mestre deu o grito de liberdade e fugiu do monastério e viveu seis meses na Tailandia. Foi em direção a esbórnia. Adentrou na vida, dita mundana. Manteve relações sexuais, e provou da marijuana. E postou no you Tube, uma mensagem bombástica: denunciou ter sido vítima de abuso sexual por parte de alguns monjes que envergonham os ensinamentos Buda, Hare Krishna e tantos outros budistas. Superado o trauma, retornou ao internato monasterial. Há muitas cortinas de fumaças, que aos poucos estão se diluindo... religiosos da igreja na católica Irlanda, praticavam a ignóbil pedofolia. Certa vez um experiente professor, numa conversa reservada, adiantou que a libidinagem, é tão antiga quanto a prostituição. Por ter vivido na Europa, relatou que nos palácios, mesmo guardados com soldados, e com altíssimas grades, se praticavam atos sexuais, entre as grades. As seitas, doutrinas, religiões, sociedades secretas e quaisquer outras, por serem dirigidas pelo homem, consequentemente estão sujeitas a graves desvios, poder-se-á encontrar provas de atos e atitudes inenarráveis; em outras instituições; tais como, a perversidade sexual; da qual foi vítima o jovem monge Kalu Rinpoche, lider do budismo tibetano,
14 de dezembro de 2012
O jongo - parte 2
Há uma interação interdependente entre o lúdico e o místico, em se tratando do jongo. No lado místico, conta-se que aquele que tem "vista forte", ou seja; um iniciado com a patente próxima de um Obá (sábio em Iorubá); dizem que durante uma roda de jongo, é possível plantar à meia-noite no terreiro uma muda de bananeira. E durante a madrugada, ela cresce e produz frutos que eram distribuidos entre os presentes. A festa-mística dos jongueiros, é composta por uma fogueira e diversas tochas espalhadas. Ao lado, ergue-se uma barraca de bambu para a dança dos casais, ao rítmo do calango; e ao som de uma sanfona de oito baixos e pandeiro. Silenciosamente, à meia noite a negra mais velha, talvez a mais sábia, sai da barraca e caminha lentamente em direção ao terreiro de "terra batida". É o momento solene, de acender a fogueira e formar a roda. Ela se benze entre os tambores sagrados, e pede licença aos pretos velhos que já se foram rumo ao zênite, para iniciar os trabalhos. Canta o primeiro ponto, que é o de abertura. Todos respondem, cantando alto e batendo palmas num clima de alegria. Os tambores rufam. Nas fogueiras, assam-se na brasa a batata doce, milho verde e amendoim. Bebem cachaça, caldo de cana quente ou café, nas noites de frio intenso. O jongo é também uma festa, sobremaneira animado e só termina ao raiar do dia. No amanhecer saudam o dia, com um "saravá a barra do dia". Dia 13 de maio é uma data consagrada dos pretos-velhos. Os jongueiros dançam descalços, vestidos com roupas do dia a dia. É uma dança de roda e de umbigada. A umbigada se dá de longe. No jongo da Serrinha existe um passo que se chama "tabiá", que é uma pisada forte com o pé direito, curiosamente, tal qual os indios da região do Xingu, na festa do Quarup.
10 de dezembro de 2012
O Jongo - parte 1
É muito provável que o samba tenha a sua paternidade creditada ao jongo. A dança do jongo se concentrou nos morros cariocas antes do surgimento do samba, porque na abolição da escravatura, a colonia não reservou sequer pequenas glebas para os ex-escravos. Em nome da preservação desse patrimonio cultural, em 1960 foi criado o Jongo da Serrinha, em Madureira no Rio de Janeiro. Seu incentivador, foi o mestre Darcy Monteiro, profundo conhecedor da prática dessa dança, carregada com fortes tinturas místicas e respeitáveis mistérios. Criou-se uma Escola de Jongo, que inicialmente foram matriculadas 500 crianças, e jovens de diversas idades até o limite de 21 anos. Além das aulas de dança e da música do jongo, há do estudo do afro-primitivo, se ensina capoeira angolana, maculelê, teatro, artes plásticas e cidadania. O jongo, conhecido também como caxambu, veio do Congo e de Angola. Eles eram bantos, que são membros do grupo linguístico nígero-congolês oriental. Esses escravos foram enviados para as fazendas de café no Vale do Paraiba(RJ), Minas Gerais e São Paulo. Há informações que o jongo se estendeu até ao Espirito Santo. No passado somente os mais velhos podiam entrar na roda para dançarem. Os líderes eram necessariamente rígidos, por exemplo: na passagem das "mirongas" (segredos) e ao informar os fundamentos dos pontos. Os cânticos do jongo são simbólicos, pois é uma linguagem cifrada, exigindo uma boa experiencia para decodificá-los. Os jongueiros são verdadeiros poetas-feiticeiros, que se desafiam na roda do jongo. É a disputa das sabedorias entre as duplas. Com o poder das palavras e uma forte concentração, buscavam encantar o outro, por meio da poesia dos seus pontos. Aquele que recebesse um ponto enigmático, deveria decifrá-lo na hora e respondê-lo imediatamente( a esse fato dá-se o jargão: desacatar o ponto). Caso não consiga responder "a tempo e a hora", ficará enfeitiçado, "amarrado", podendo desmaiar, e a perdre a voz. E para agravar, se embrenhará na mata, e não saberá como retornar. Até vir a morrer. Há quem sustente, que atualmente esses fatos não se repetem. A conferir. O jongo é uma dança atávica. Pertence aos pretos velhos escravos, do povo da cativeiro, e por conseguinte pertence a " linha das almas".
aguardem: O Jongo (2)
aguardem: O Jongo (2)
2 de novembro de 2012
São Jorge
Na época traumática da escravatura brasileira; não era permitido professar quaisquer crenças que não fosse a católica, religião oficial do colonizador. Consequentemente a prática do sincretismo afro-religioso era proibido, e diante do veto imperial, os escravos rebatizaram seus ícones místicos; escamoteados sob o manto dos santos da época.
Ogum, entidade da Umbanda e do Candomblé, diante da rigorosa proibição, passou a ser cognominado no Rio de Janeiro de São Jorge, sendo que na Bahia é Santo Antonio, e curiosamente em Cuba, é São Pedro. A história remete à existência de São Jorge, na Turquia, na região da Capadócia, onde ele teria vivido e praticado um ato heróico e milagroso: o resgate de uma mulher das garras de um dragão.
No centro do Rio de Janeiro a igreja de São Jorge, no Campo de Santana, é sobremaneira concorrida, principalmente em 23 de abril, data santificada e feriado municipal na Cidade Maravilhosa. Jorge foi decapitado na cidade de Lida, Palestina por volta do ano de 303 dC. O seu feito correu o mundo, e desde então, a sua popularidade é alta. É aclamado nas liturgias católica, anglicana e ortodoxa. É "santo protetor" na Inglaterra, Portugal, Georgia, Catalunha e Lituania. Em sua homenagem, eis alguns homônimos: Jorge Washington, primeiro presidente dos Estados Unidos, e os escritores: o inglês Jorge Orwell, e o saudoso baiano Jorge Amado, um "Obá", iniciado nos terreiros de Menininha do Gantois. É um profundo conhecer da cultura e dos mistérios da Bahia. Para acrescentar, São Jorge é patrono da Cavalaria do Exército Brasileiro. Por ausência de provas o Santo Ofício ressuscitado, leia-se a Santa Sé, "cassou-lhe" a patente de santo. Contudo no imaginário coletivo, continua "vivo" para multidões que acreditam no seu poder milagreiro.
Pesquisa:
Os santos de cada dia - J.Alves - Ed.Paulinas
São Jorge - Rizzardo da Camino - Ed.Eco
6 de abril de 2012
O numeral sete
O poeta Vinicius de Moraes, demonstra ser simpático ao setenarismo, no seu poema: A mulher que passa: tem sete cores nos seus cabelos/sete esperanças na boca fresca. Os números carregam desde a antiguidade, enígmas e misticismos. Para dar partida a importância esotérica deste numeral, de inicio corresponde aos sete dias da semana, aos sete planetas, aos sete graus da perfeição, às sete esferas celestiais, as sete pétalas da rosa e mais alguns setenários , que para os egípcios é o símbolo da vida eterna. Cada período lunar dura sete dias, os quatros (número 4, também perfeito) períodos do ciclo, que é igual a 4 X 7, fechando o processo.. Filon, filósofo judeu, no séc. I dC, observa que a soma dos sete primeiros números (1+2+3+4+5+6+7) = a 28, ou seja, ao mesmo resultado . As voltas praticadas pelos muçulmanos, em torno da Meca, são sete. Na lenda antiga, o céu tem seis planetas, e o sol é o sétimo, e está no centro. O setenário resume igualmente a totalidade da vida moral, acrescentando as três virtudes teologais – fé, esperança e caridade – mais as quatro virtudes cardeais: prudência, temperança, justiça e a força, num somatório de sete. O arco-iris, é composto de sete cores, sendo o branco a síntese de todas as demais. E as sete notas musicais. Sete é a chave do apocalipse, onde aparece quarenta vezes: sete igrejas, sete estrelas, sete espíritos de Deus, sete selos, sete trombetas, sete trovões, sete cabeças, sete pestes, sete reis. Sete é o número dos céus búdicos, de Sidarta Gauthama. O árabe Ibn Sina ( Avicena, 980/1036) descreve os “sete arcanjos príncipes dos sete céus”, que são os guardiães de Henoc e remetem aos sete Rishi védicos(indianos). Eles habitam as sete estrelas da Grande Ursa(deusa mãe), com as quais os chineses relacionam as sete aberturas do corpo humano, as sete aberturas do coração. Observe que o Ioga, conhece os sete centros sutis, a saber, seis chakras e o sahasrârapadma. Quarenta e nove ( 7X7) é o número do Bardo, ou poeta. O estado intermediário, que se segue a morte, entre os tibetanos, dura quarenta e nove dias, dividido em sete períodos de sete dias. Acredita-se que as almas japonesas permanecem quarenta e nove dias sobre o teto das casas. A Bíblia cita o número sete em diversas ocasiões. No Velho Testamento aparece setenta vezes, o que passa ser um número mágico. Sete são os céus onde habitam as ordens angelicais, castiçais de sete braços, sete espíritos que repousam sobre o tronco de Jessé. Salomão construiu o templo em sete anos ( 1Rs 4,35). Os minaretes da Meca de Maomé são sete.Pela própria transformação que inaugura, o número sete passa a ter um poder extraordinário: quando da tomada de Jericó, sete sacerdotes, que levavam sete trombetas, deviam no sétimo dia, dar sete voltas em torno da cidade; Eliseu espirrou sete vezes, e a criança ressuscitou (2Rs 4,35). Um hanseniano se banhou sete vezes no rio Jordão e saiu curado ( Rs 5,14). O justo cairá sete vezes e se levantará ( Pr 24,16). Sete animais puros de cada espécie serão salvos do dilúvio. José interpretou o sonho, de sete vacas magras e sete vacas gordas, como sete anos de fatura e sete anos de dificuldades. Sete é um numeral querido pela aritmética bíblica. Sete significa sempre a perfeição, o que a gnose denomina a pléroma, como “o que está completo”. No apocalipse 5,5, Cristo é o Leão de Judá, que venceu de tal maneira, que pode abrir o livro e desatar os sete selos. Sete configura a conclusão do mundo, e a plenitude dos tempos. Santo Agostinho, filho de Santa Mônica, indica ser o sete, medidor do tempo da história, que é o tempo da peregrinação terrestre do homem. O castelo de "Barba Azul", no corpo do texto da ópera húngara de Béla Bartok, existem sete quartos. E numa outra ópera de Wagner - O Navio Fantasma - o comandante norueguês Daland, a cada sete anos ele desembarca em terra, para encontrar uma mulher para ser-lhe fiel até a morte. A missa de sétimo dia vigorou até recentemente. Eis outra curiosidade: sete vezes fui casada/ sete homens conheci/ E juro por fé de Cristo/ Inda estou como nasci. Essa quadra de origem nordestina, remete a sagrada escritura, a seguinte história: Sara filha de Ragüel, se casara sete vezes, e seus maridos foram mortos por amodeu (diabo) nas noites nupciais. Exorcizado por Tobias, que em seguida a desposou. Isso aconteceu há sete séculos antes de Cristo.
Referências: Guia da Ópera, Jeanne Suhamy, p.198,Ed.L&PM Pocket, Dicionário de Simbologia, Manfred Lurker,Ed. Martins Fontes.
30 de junho de 2011
Arcanjos
Na simbologia místico-religiosa, os arcanjos estão acima dos anjos, ditos comuns. Nos escritos apócrifos, há sete espíritos diante do trono de Deus. Aliás o número sete, convive entre as seitas, doutrinas e congêneres. Os anjos seguem uma hierarquia na simbologia. Os serafins e querubins povoam o imaginário popular. Na arte bizantina, período de 330 a 1453, do império romano no oriente, distinguem-se os anjos somente pelos nomes, e os caracterizam como soberanos, e são vestidos de túnicas, faixas e sandálias vermelhas, e muitas das vezes, com o globo imperial.Pelo lado ocidental, os arcanjos, se apresentam com uma diferenciação. Miguel portando uma lança, e Gabriel um espelho, através do qual, interpreta as ordens divinas. Rafael, com uma caixa de medicamentos. Uriel, com espada e fogo. Salatiel representado numa oração. Barachiel com uma rosa, como símbolo da benção divina. Jehudiel, coroa e chicote. No sínodo de Laodiceia, na segunda metade do século IV, o Vaticano, reconheceu somente, Miguel,Rafael e Gabriel, e posteriormente inclui-se Uriel. Os mais importantes são: Miguel e Gabriel, esse último carrega um bastão como atributo, que é uma referencia, a função de mensageiro de Deus. Gabriel é visto nas imagens e gravuras, com um bouquet de lírios, como o porta-voz da anunciação. A presença de Miguel e Gabriel ao lado do trono de Maria, significa o principio e o fim da Salvação. Segunda a tradição judaica, Gabriel é associado ao fogo, e Miguel a água. Miguel,que é de altíssima patente cristã, pois,seu nome quer dizer: “Aquele, como Deus”, é defensor do povo em tempos de angústia. E Rafael, que em hebraico quer dizer, cura divina, é o anjo protetor por excelencia. Rafael era um andarilho, sempre com o seu cajado, e carregava no seu bornal, o fel de peixe, com o qual curou a cegueira de Tobias. Por isso é patrono dos médicos. Gabriel ditou as récitas para o profeta Maomé no ano 610 dC., e daí originou-se o Alcorão, a biblia muçulmana, e que junto com os judeus e cristãos, são considerados os “povos do livro”, pela vinculação histórico-religiosa entre eles, quer no velho ,quer e no novo testamento.
1 de abril de 2010
Vida, morte e ressureição de Cristo.
A definição de paixão no aspecto religioso, segundo, o Dicionário Caldas Aulete, é o martírio de Jesus Cristo, por extensão, é uma grande mágoa. Pai, Filho e Espírito Santo são uma única pessoa, aliás uma só divindade - onipresente, oniciente e onipotente - sendo que Jesus Cristo feito homem nasceu, do ventre de uma mulher judia - Maria - pelo milagre do Espírito Santo. Jesus Cristo, consequentemente é judeu. As inscrições na cruz - I N R I - traduzido do latim, significa : Jesus de Nazareno Rei dos Judeus. Maria e sua mãe Ana, e suas irmãs estavam orando numa sinagoga, quando recebeu o anúncio que seria mãe do Messias, e que seu marido seria José, o operário que foi mais tarde canonizado, por acreditar no milagre na Virgem Maria, que gerou e deu a luz ao menino Jesus ! Deus encarna numa criança muito pobre. A história do Natal é clara a esse respeito. A família escolhida para o nascimento de Jesus Cristo, não dispõe de dinheiro para pagar um alojamento, ou seja, está praticamente sem teto – Jesus Cristo – nasce num estábulo, entre bois e burregos. Este fato tem consequencias incalculáveis : é um evidente exemplo de que a vida das pessoas humildes, no seu mundo do dia-a-dia, podem ter um significado respeitoso e elevado. O nascimento de Jesus Cristo é marcado por uma constelação de astros extremamente rara e significativa, uma conjunção, uma união dos planetas Júpiter e Saturno, de modo que os cientistas-astrônomos da época, a saber : os reis Magos, Gaspar, Belchior e Baltazar, que são guiados por essa imensa estrela, até a manjedoura, e entrega-lhes as oferendas, o incenso, ouro e mirra ( resina vegetal de cheiro adocicado) Ele e a sua família, sofrem todas as implacáveis perseguições possíveis, começando por Herodes, então conquistador e preposto do Cesar. Em certo momento, mandou assassinar todas as crianças, na esperança criminosa, que uma dessas crianças poderia ser o Messias, que segundo o Roma, poderia modificar o "status quo" ora vigente. Diante desse fato, a família sagrada foge para o Egito. Jesus Cristo, inicia a prática de um série de milagres, como por exemplo, ele expulsa os vendilhões do templo, cura um paralítico, ressuscita Lázaro, e, quando nas Bodas de Caná, ao acabar o vinho, providencia a imediata reposição do estoque. Acalma as tempestades, exorcisa alguns demônios barulhentos, do corpo de um louco, e os transfere a uma manada de porcos, que, na seqüência, cometem um suicídio coletivo. E caminha sobre as águas. Jesus Cristo é batizado no rio Jordão, pelo politizado profeta João Batista, e quando tal aconteceu o ceú se abriu e uma pomba pousou...e uma voz proclamou : “ És o meu filho amado, com quem sinto alegria “. E o Messias reuniu uma dúzia de seguidores à sua volta, e passou-lhes mensagens. Eram os irmãos : Pedro e André, e Jacó, João, eram todos pescadores. Mateus, um cobrador de impostos, Felipe, Bartolomeu, Tadeu e Simão e o outro Jacó, Tomé, mais tarde foi chamado de incrédulo. E por último, J u d a s I s c a r i o t i s. Os fariseus, ou melhor, osjudeus radicais, esperavam um messias, que eles pudessem controlar os seus atos e atitude. Essa esperança tornou-se uma obsessão para os judeus, e passou a ser a principal bandeira do partido dos fariseus. Eles não podiam permitir dentro dessa intransigência, que um pobre peregrino, no caso Jesus Cristo se autodenominasse. Então, armou-se uma urdida intriga política, e os sumos sacerdotes judeus, enviaram espiões para provocá-lo nas reuniões. .Os espiões infiltrados, maliciosamente, perguntaram ao Filho de Deus : “És a favor em pagarmos impostos aos sujos romanos ? “ E Jesus Cristo, percebendo o ardil , tomou a moeda com a efígie de César, olhou-a. e disse: Daí a César o que é de César, e virou a moeda do outro lado, e afirmou : E a Deus o que é de Deus. E assim livrou-se do drama de tornar-se alvo dos judeus e dos romanos.Nessa resposta, baseia-se o cristianismo nos tempos atuais, sobre o relacionamento entre a Igreja e o Estado. Na Santa Ceia - Jesus Cristo - para facilitar as coisas para os judeus-ortodoxos, resolveu ir a Jerusalém para Páscoa judaica, conhecida como Pessach. Era um local perigoso para Jesus Cristo freqüentar. Estava correndo risco de vida. Mas o Messias não se intimidou e seguiu o seu destino. Ao entrar na cidade de Jerusalém, tornou-se um enorme triunfo popular. Converteu a Santa Ceia em memória ao êxodo do Egito, em um ritual no qual ele mesmo é a vítima : o vinho é o seu sangue, e o pão seu corpo. Ele substituiu a lembrança do êxodo por esse ritual, do seu próprio sacrifício. Jesus Cristo pressentia a morte. A Santa Ceia, fornece uma dramática idéia de traição: “Um de vós me trairá “ diz Jesus.Todos ficam estupeafatos. Mas como ? Quem faria isso ? Murmuram todos. Aquele a quem darei agora um pedaço de pão, me trairá “ Diz Jesus, dando um pedaço de pão a Judas Iscariotis. Jesus fica vagando entre as oliveiras, insone, com os seus pressentimentos sombrios, sendo que os seus seguidores, que ainda não são apóstolos, não ficaram solidários na angustia de Jesus Cristo, e todos foram dormir...Nesse meio tempo, chega a polícia secreta de Poncio Pilatos, e Judas Iscariotis, numa combinação com a guarda romana, beija Jesus Cristo na face. Essa é a senha para identificá-lo diante dos militares. Judas é remunerado com fartas moedas por ter alcaguetado Jesus Cristo. Pedro é o único que enfrenta os policiais e corta a orelha de um deles. Os demais fogem apavorados, numa atitude covarde. Os sumos sacerdotes judeus torturaram Jesus Cristo e o submete a um ferrenho interrogatório. Depois de um injusto julgamento, o consideram culpado por sacrilégio. Os judeus entregam Jesus Cristo ao seu aliado, Poncio Pilatos, e também o acusam de agitação contra os romanos, bem como, um comportamento prejudicial ao partido majoritário, e de manchar os ideais do povo por ter alegado, ser o rei dos judeus. E Poncio Pilatos, pergunta-Lhe : Tudo isso é verdade ? E Cristo lhe responde : Sim, o meu reino não é deste mundo. Um louco inofensivo, diz Poncio Pilato. E como a sua manicure acaba de lhe trazer uma bacia d’água, para refrescar-lhes as mãos, disse : Lavo as minhas mãos na inocência. De acordo com os costumes,o povo poderia escolher um dos condenados, para livrar Cristo da morte,e então Poncio Pilatos, apresentou a proposta, a um público de maioria judaica, para escolherem entre o inofensivo Jesus Cristo, e um criminoso de alta periculosidade, de nome Barrabás. E os judeus votaram para libertar Barrabás. E Jesus Cristo foi morto na cruz , e pronunciou as suas sete últimas frases, antes de subir aos céus. Eí-las:
A primeira frase do Cristo na cruz agonizante, clama pelo perdão, o perdão é a essência do cristianismo, sem perdão não há paz na terra. E Jesus Cristo disse : Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. Na segunda afirmativa, Cristo nada pede a Deus-Pai. Também não lhe pede que se arrependa, por tudo que aconteceu...e espera que seja aceita a sua sorte. Hoje, não amanhã. O paraíso não é para amanhã . A vida é o eterno presente de cada um de nós. E assim falou Jesus Cristo: .Em verdade lhe digo que hoje estarás comigo no Paraíso. A terceira sentença, eis uma interpretação mais atual, licença para dizer-lhes, é o fundamental valor humano, quando diz : Mulher, eis aí o teu filho ! É o valor humano gritando mais alto. O valor humano de Jesus, era para a sua mãe. E o valor humano de João que Jesus Cristo lhe passa, é para ficar com a sua mãe, Maria. João era órfão de mãe. Não se pode viver sem mãe. A ti João, que foste meu discípulo amado, dou-te agora a tua mãe, para teres uma vida plena .Não se pode viver sem mãe,sem amor. Jesus propõe a Maria sua mãe, que perfilhe-o. Que grandeza de alma nessa nobre atitude. E Jesus Cristo, se dirige a João e a sua mãe Maria e fala: Mulher, eis aí teu filho. E a quarta palavra de Jesus Cristo : Deus meu, Deus meu, porque me abandonaste. Jesus é um homem pleno, completo e divinizado. Esse é um clamor de angustia. Sente que fracassou na sua missão, e revela a profundeza do seu coração com essas palavras. É um caminho de realização da divinização, da infinidade dentro de cada um de nós, em sermos um pouco Ele, e por isso nenhum homem será feliz, senão descobrir esse núcleo infinito que bate no seu coração, - um núcleo infinito- que só é realizado em parte e muito imperfeitamente no amor, a quinta-essencia , a máxima do cristianismo. O quinto pronunciamento de Jesus Cristo, é repleto de humanismo e simplicidade, quando diz: tenho sede. Essa sede é física, fisiológica que significa o tormento da paixão. Ele teve sede e humanamente, não teve nenhum constrangimento em dizer dessa necessidade. A penúltima frase de Cristo na Cruz, ou seja a sexta frase, e assim falou : Está tudo consumado ! Tudo está feito ! Chegou ao fim. Eis a última e derradeira palavra : Pai, nas tuas mãos entrego meu espírito. Ao falar Pai, Jesus Cristo ultrapassa todo o desespero, e serenamente diz : .” entrego meu espírito “ Ele revela a sua personalidade única, que existe em cada um de nós. Entrega-se livremente : a liberdade é o máximo valor do homem...” .nas tuas mãos entrego meu espírito “ . Sentiu-se abandonado, e agora tenta dizer mais uma vez : Há algo superior em mim. O ser humano é divino, mas não é Deus. E são passados vinte séculos, e seus ensinamentos continuam a influenciar multidões em todo o mundo. Após a morte de Jesus Cristo, uma antiga prostituta, cujo o nome é Madalena, e duas outras mulheres retiram o cadáver da cruz e lavam-no, ungem-no e colocam-no no túmulo da família de um homem rico – Jose de Arimatéia – Em seguida fecham o túmulo com uma laje de pedra. Os sumos sacerdotes judeus, temiam que os seguidores de Cristo roubassem o corpo de Jesus Cristo e depois alegariam que o mesmo ressuscitou. E colocaram vigias junto ao seu túmulo. No entando, quando Maria e Madalena chegaram a sepultura de Jesus Cristo, e não o encontro. A cripta estava vazia. Perguntou-se a um jardineiro sobre o sumiço do corpo de Cristo, e assim respondeu : Maria ! Então ela reconheceu a voz de Cristo ressuscitado. Mais a frente apareceu para os discípulos entre os quais, Tomé, que teve que tocar nas suas recentes chagas, para ter a certeza de que era o Cristo ressuscitado. Depois de catorze dias, reuniu seus apóstolos numa montanha e deu-lhes a incumbência de divulgar seus ensinamentos e desapareceu numa nuvem luminosa. Esse foi o dia da ascensão. Aleluia.
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