A pesquisa sobre a luta do estrangeiro, vindo para o Brasil, na condição de colono é por demais difícil, pelas ausências de documentos disponibilizados nos museus e/ou centros históricos e culturais. Com relação a memória do período da escravidão, o ministro Rui Barbosa, determinou a incineração de toda a documentação oficial, esse fato notório, por envergonhar o mundo, pois o Brasil foi um dos últimos países a abolir, o maior trauma história da terra brasilis. O Império disponibilizou aos imigrantes as terras não ocupadas ou devolutas, como incentivo a essa nova mão-de-obra. Essa doação não aconteceu com os escravos, nem nenhuma outra medida carregada de humanismo, para os escravos que ao conquistarem a liberdade. O Império e nem a República Velha(1889/1930), implantou uma política pública para acolher os ex-escravos. Àqueles vindos do exterior para substituírem a mão de obra escrava abolida, foram melhor recebidos pelo establishment da época.A essa diáspora interna afro brasileira, acrescenta-se os refugiados da Guerra de Canudos (1896/1897) na Bahia, instalados no Rio de Janeiro, nos morros cariocas, dando origem as favelas, hoje contando com mais de dois milhões de habitantes aproximadamente. Essa sub-condição aumentou o preconceito racial, e lançou os afrodescendentes aos subempregos e concomitantemente a repressão agiu perversamente sobre os libertados das torturas do senhor dos engenhos e os asseclas deles. A capoeira, virou luta de defesa pessoal dos ex-escravos perseguidos.
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1 de julho de 2020
18 de dezembro de 2016
Os curumins sofrem
Príncipe da poesia brasileira, essa titulação, foi outorgada pela ABL –
Academia Brasileira de Letras - ao poeta Olavo Bilac(1865/1918). No poema “Língua
Portuguesa”, de autoria bilaquiana,
eis os seguintes versos iniciais: A última flor do Lácio, inculta e bela/És a
um tempo, esplendor e sepultura”. O continente americano do sul, acrescentando-se
o Caribe e suas ilhas, sem contar o México, foram todos estuprados pelos espanhóis. O único a falar português,
herança do colonizador, além da sífilis, e que foram iguais aos hispânicos, é o Brasil do índio
Tibiriça. Esse é o mesmo Portugal, velho sabujo dos ingleses. A igreja católica muito mais pecadora do que
santa, com os seus jesuítas, no
início da colonização do do Brasil de Ary Barroso(1903/1964), tentaram uma
improvisada e positiva pedagogia lingüistica através de um sincretismo semântico, com a linguagem
tupi e o idioma do colonizador. A metodologia fluiu com sucesso. E a
comunicação foi facilitada entre os índios e os ibéricos. Até que a coroa
lusitana, tomou conhecimento e proibiu com fuzilamento os infringentes. Se
história tivesse sido outra, talvez Olavo Bilac tivesse escrito assim: És a um
tempo esplendor e belezura, ou nada disso..contudo, jamais a lúgubre sepultura, ou é? E com certeza teríamos uma linguagem mais
popular, com menos normas e regras. E os conflitos lusófonos, não existiriam com o conservador Portugal. Agora
não tem mais jeito, os curumins sofrem.
14 de dezembro de 2016
Evaristo Arns
Ele morreu ontem em São Paulo. Foi bispo da
Igreja católica progressista. Estudou durante cinco anos na famosa Sorbonne em Paris,
onde se doutorou em letras e línguas clássicas. Declarou que aprendeu mais com os
pobres do que na Sorbonne. A igreja católica na sua organização possui cerca de
170 ordens religiosas, e Dom Evaristo Arns pertencia a Ordem dos Franciscanos.
Ao receber o cargo de Arcebispo de São Paulo, vendeu o Palácio Episcopal destinado a ser residência
dele, e construiu 1200 centros comunitários na periferia de São Paulo. Na ditadura militar
enfrentou o general presidente de plantão nos anos 1970, de fala mansa, contudo com firmeza, reivindicou o fim da tortura e julgamento para os
acusados. Era irmão da abnegada Zilda Arns, morta no terremoto do Haiti, em
2010. Foi amigo do Papa Paulo VI, e perdeu espaço, quando a corrente dos progressistas católicos
se enfraqueceram enquanto tendência nas hostes do Vaticano. E por último foi o idealizador do livro Brasil: Nunca Mais, que
trata dos desaparecidos na ditadura militar que durou lamentavelmente 18 anos, de ausência de liberdade de
expressão. Ele transcendeu o lado contemplativo da mística religiosa, e
corajosamente se colocou ao lado dos oprimidos. Evaristo Arns, é a parte mais consequente
da história do Brasil.
10 de dezembro de 2016
África
O mundo seria preto & branco sem a África. E a música seria oca, feito maracujá sem semente. Como viver sem as composições de Zé Keti(1921/1999) e Thelonius Monk(1917/1982), representando respectivamente o samba e o jazz? Instiga-me a citações como Bessie Smith(1894/1930 e Clementina de Jesus(1901/1987). Todo o caleidoscópio das canções: alegria e melancolia, vem do continente africano. As etnias são verdadeiras alegorias de cores variegadas e remetidas ao espetáculo das Escolas de Sambas, Quase 400 anos de herança africana e indígena, ambas vivas, apesar do insensato poder público. Guardadas as recomendadas proporções, ao citar Harvard, Oxford ou Manitoba, enquanto história da cultura popular, brasileira carregada de crenças, lendas e outros vetores para coadjuvar nas interpretações ontológicas(onde pouco sabemos), há um rico conhecimento depositado pelos atavismos indígenas/africanas, carecendo de pesquisa pura. Nada se sabe da África, a não ser parcialmente sobre a sofrida escravidão, inventada e mantida pelo homem, (ser perverso vestido de fraque e chapéu côco). O continente africano é denso, pois são trinta milhões de quilômetro quadrados. A diversidade cultural é incomparável, destaque para a arte mística e mítica, e seus cânones. Máscaras, estatuetas em terracota, tambores e tantos outros símbolos, são os fetiches da nação africana. As gravuras rupestres incrustadas nas maciços siderúrgicos, significa pista para pesquisar a origem, os costumes desse mágico, poético e colorido território. A nós da terra brasilis, onde corre as hemácias africanas, ignoramos a gênese do colonizado. Viemos do Benin, Angola e alhures. Oruku ni mi Africa(em iorubá: me chamo África).
16 de outubro de 2016
Mimoso do Sul(sede) e sua difícil identidade cultural
Pesquisar, escarafunchar a
identidade cultural de uma comunidade não é das mais fáceis tarefas. É mister
ser percuciente e paciente. No caso específico, na região o “grande mapa da
mina” se encontra no livro do historiador Grinalson Medina – Páginas da nossa
terra - o qual é edição única. É similar ao legendário Pergaminho do Mar Morto da
Ordem dos Templários. Se o marco zero foi o Porto fluvial da Vila da
Limeira(onde estudou o médico sanitarista e premiado José Coelho dos Santos) conhecida
também como Cachoeira do Inferno, refletindo em Ponte do
Itabapoana, que foi a primeira sede de Mimoso do Sul, permito-me remeter a existência então
Coletoria Federal ou o longevo Bloco do
Marujo, que no passado encantou os carnavais de Ponte do Itabapaoana. Nada mais a acrescentar até a data atual, como viés cultural
mais denso. Aproximadamente trezentos anos depois o primeiro posseiro se
instala em 1837 em São Pedro do Itabapoana que se consolidou e vicejou galgando a status
Vila, até a tomada pelas armas em 02/11/1930. Daí o declínio da Vila, com a larga diáspora em direção aos
centros urbanos mais desenvolvidos. A vida cultural sãopedrense é interrompida. Os ícones
fundadores de São Pedro, e seus familiares são compulsoriamente expulsos.
Retiraram o chão desses munícipes. O caldo cultural não foi “incorporado” pelos
estrangeiros de origem itálica e nem pelos filhos deles. Em 1930 a sede se
transfere pela imposição dos fuzis, para o então distrito de Mimoso. O município progride
com os cafezais abundantes, e bons preços de mercado. A construção da via férrea(1896),
provocou transmigrações difusas. Não se permitiu consolidar uma cultura com
franjas atávicas, que se transformasse num processo cultural permanente. No distrito de Conceição do Muqui há suaves confirmações culturais quando a comunidade se organiza bissextamente nas atividades simbolizadas pela culinária, dança e coral ítalosanmarinenses. No outro festejado distrito de Santo Antônio do Muqui (a mais eficaz preservação da tradição da região) desde As Pastorinhas de inspiração místico-religiosa, passando pelo Jaguará, reverenciado pela cabeça de burro estilizada, Saci Perêre, de domínio nacional, juaboi, pai joão e mãe maria e o morcegão, o chupa-sangue dos bovinos, dança italosanmarinense, e outras manifestações, onde se amálgama as etnias indígena-luso-afrodescendente e por último a etnia ítalosanmarinense Em Mimoso do Sul (sede) abre-se exceção para as Folias de
Reis, que resistem bravamente, em torno de oito agremiações. Mimoso do Sul, foi brilhante no setor educacional, tendo a escola pública local, orgulho daqueles que usufruíram do ensino de altíssima qualidade, em diversas décadas
passadas. Pode ser um fio condutor, poder-se-á ser aprofundado. Tal como herança do povo de origem sírio e libanesa, desde a gastronomia até os rituais religiosos, de indicativo maronita. Descortinar
e alimentar as culturas ora vigentes, como o caxambu, primo do jongo (de onde se origina o samba) preservado na
Serrinha em Madureira(RJ), poderá se empreender um garimpo, quiçá poder-se-á despertar o inconsciente coletivo regional. Ao olhar os extremos d'Os
Pontões, poderá encontrar nos céus conceiçuenses o corajoso e competente Comandante Lott
praticando wingsuit, e na estrela mais brilhante são os olhos esverdeados do Comandante Brito. As festas juninas
no passado foram marcadas no idioma de Rosseau. Partes
das músicas eram orquestradas, e as outras da Bossa-Nova e da Música Popular Brasileira também. O Rio de Janeiro, a segunda
cidade de todos nós, tem no samba a maior riqueza cultural brasileira. Parafraseando o poeta mangueirense Nelson Sargento: o samba agoniza mas não morre. E Dona América distrito ao lado do Rio de Janeiro, há suspeitas de ter sido um quilombola. O poder público ignora a dar prioridade investigativa ontológica, pois lhe falta cultura historicista. Abaixo da linha do Equador, a via crucis é barra pesada.
9 de outubro de 2016
Teresa Fênix Parte 14
A mãe de Ulisses passou a dar mais atenção aos assuntos referentes, aos deveres escolares de casa. Passou a estudar em parceria com o filho. O resultado desse esforço demorou a vir. Após alguns meses, o menor passou a apresentar boletins com boas notas. Na disciplina matemática, o desempenho do Ulisses era modelar. Sempre conquistava a nota máxima. Talvez haja um rasgo genético, pois o pai de Ulisses, sempre apresentava boas notas nas chamadas ciências exatas. . O grego fazia a parte dele, narrando as tragédias gregas para Ulisses, e com olhar petrificado ouvia a saga individual de Édipo rei (Freud (1856/1939) se valeu de algumas tragédias de Sófocles para interpretar algumas complexidades da psiquê). Fazia questionamentos estonteantes ao mestre de plantão. O interesse pela história helênica era uma constante. Pois sempre estava a solicitar ao grego, mais informações sobre a terra dele. Que a cada dia que se passava, desanimava-o em manter o relacionamento com Teresa Fênix. Theodorakis receava que se rompesse o relacionamento, talvez viesse proibir o contato com o pequeno Ulisses. Carpe diem (aproveite o dia), dizia o grego em latim para Ulisses quando usava por demais os games do computador. Para que serve a história? Questionou de chofre ao Capitão da Marinha Mercante grega. Respondeu ao Ulisses que há várias teorias para explicar a história como ciência. A tarefa do historiador é contar o passado da humanidade. Revelar como era a vida naquele espaço de tempo, e todos os desdobramentos. E desenhar o seu desenvolvimento desde o passado mais antigo possível, até aos dias atuais. Ulisses bebia as palavras do mestre. Falou ao Ulisses que a Grécia dentro do seu período mais criativo se deve a três mil anos a.C. até ao século II d.C. Por ser banhado pelo Mediterrâneo ( médio), e exibia o velho mapa-mundi localizando o país. Repassava conhecimento pacientemente ao aluno, tão holístico quanto possível. Poder-se-á dizer que a Grécia é uma civilização mediterrânea.
3 de outubro de 2016
Lordes e senadores
O novo prefeito da maior cidade da América do Sul, disputou
e conquistou a vitória no primeiro turno,
nas eleições municipais(2016) de São Paulo, capital. Nas entrevistas afirma que não é político,
mesmo tendo sido eleito por uma agremiação política.
Diz ser um gestor, e reafirma sistematicamente que não é político. Polis em
grego é cidade, político é o gerente da cidade, é o síndico, prefeito, governador, presidente e/ou primeiro ministro. No
sistema democrático (governo do povo e para o povo) fazem parte do sistema político o Executivo, Judiciário e o Legislativo, que é a casa criadora das leis, votadas nas câmaras
dos vereadores e deputados federais e as assembleias estaduais e o senado federal. Os personagens que ocupam esses espaços são votados periodicamente.
Não há alternativa exceto nas ditaduras civis ou militares.
Existem duas modalidades de governo: presidencialismo e o parlamentarismo, que é
muito comum na Europa. O preconceito em relação a classe política, se me
permitem, cabe ressaltar que todos os parlamentares veem da sociedade. Se tal
ocorre, o parlamento é o espelho dessa mesma sociedade. O Brasil infortunadamente não é um país com altos
índices de politização. Contudo deve-se continuar votando livremente. Aliás, abaixo
da linha do Equador tudo é mais complicado. Os ingleses dizem que os primeiros
500 anos, são os mais difíceis para se estabelecer o estado de direito em um país.
E o Brasil nesse nesse contexto é dente de leite. Depois da Segunda Grande Guerra Mundial (1945)
a Europa foi arrasada. A Alemanha mais severamente destruída(como se esperava). A reconstrução do Velho Continente se
deveu aos parlamentos, onde atuam os deputados, lordes e senadores.
22 de maio de 2016
Navalha Solingen
Estava a dirigir mon
petite voiture ( modesto, contudo valioso aprendizado de francês e ou inglês ministrados em colégio público no interior capixaba há anos) e diversas digressões iam e voltavam igual a um boomerang australiano, tomando por exemplo,
os costumes aqui na terra brasilis, tal qual o chapéu de aba curta usado pelo famoso sambista Zé Keti (1921/1999). O
dente encapado de ouro. Unha longa do dedo mindinho. Colar com São Jorge de bom tamanho, camisa semiaberta. Anéis em ambas mãos. Sapatos lustrados de duas cores. Cabelo cortado à moda príncipe Danilo. Calça branca e larga, de linho meio amassado. Ou os mais desleixado, calçando mocassim(sem salto) que pertencia a malandragem. No passado esse
tipo de pisante, era fácil de se retirar dos pés para se defender da navalhada desferida por uma Solingen, cujo fio é um dos melhores do mundo. As vezes o palito correndo celeremente de um
extremo ao outro da boca. Enfim são diversos gestuais praticados pelo povo de
origem ameríndia, europeia e ou africana. Hábitos cultivados pelo povo, não
merecem nenhum tipo de julgamento, ou crítica. A cultura é a referência maior de
uma nação. Billy Blanco, Bezerra da Silva, Moreira da Silva e Tom Jobim foram usuários de chapéus panamá, e de roupas alvas
e amarrotadas pelo uso. Pierre Trudeau ex-premier do Canadá apreciava receber
chefes de estado calçando sapatos brancos sem meia e blazer sem gravata. Toda essa etiqueta, de se usar terno e gravata a uma temperatura de quarenta graus centígrados à sombra, para se apresentar as autoridades, tem origem lusitana. Esse comportamental é originado em Portugal que se
considera até hoje, como se fosse uma sub-Inglaterra. Desde o traje passeio completo, e as tratativas
exageradas quer na escrita e na verbalização, quer na indumentária, está a copiar o país europeu
que mais invadiu o mundo E ainda dizem: God save the queen.
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