O Brasil equivocadamente optou pela a malha rodoviária, em detrimento da malha ferroviária. O mundo civilizado, escolheu o transporte ferroviário e alguns poucos países, o transporte aquaviário. Nos Estados Unidos da América do Norte, a ferrovia corta pelos quatro pontos cardeais, bem como na Europa. A mala ferroviária do Brasil está em torno de 30 mil km, contudo, fatiado com duas bitolas de 1 m e 1,5. Uma ausência da mais simplória inteligência, ora pois, deveria ter sido de uma única bitola os trilhos, como facilitadora das conexões. Os caminhões a cada dia maiores e incômodos, congestionando as vielas das pequenas cidades desse Brasil de Monteiro Lobato. Esses veículos imensos, deveriam descarregar as mercadoria, em depósitos numa área industrial edificada pelo poder público local, e os comerciantes em camionetes abasteceriam as respectivas lojas, se dirigindo ao local acima citado. O asfaltamento "milagroso" promotor de votos, para os dirigentes políticos de plantão, recebem cobertura asfáltica de qualidade questionável, cobrindo os paralelepípedos verdadeiros drenos das águas pluviais, o que essa cobertura não o faz. Há algo que não é republicano, como disse o ex-Senador árabe-gauchesco Pero Simon: o poder legislativo através das emendas, fazem doações, eis uns exemplos surreais: "doação" de um avião/ambulância, ou uma retroescavadeira e/ou patrol. Quando essa máquina sofre uma grave pane, o orçamento do conserto compromete o orçamente municipal dos pequeninos municípios do Brasil, e depois "cobram" os votos "devidos" por essa excrescência que de nada, é republicana, está práxis está a pertencer aos países abaixo da linha do Equador, é o conhecido "toma lá, dá cá". E la nave va ! Salve Federico Fellini.
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13 de abril de 2023
Trem
31 de dezembro de 2016
Teresa Fênix - 25a.parte
O Chefe mandou recado para a mãe, que o visitasse com urgência. O mensageiro agudizou a importância da presença da Maga Psicológica, e passou-lhe uma imensa agonia, provocando-lhe uma extra-sístole, pois era portadora de uma severa cardiopatia. Maga Psicológica tomou os remédios costumeiros, e depois de um intervalo se sentiu mais confortável. Numa manhã ensolarada, de sombrinha estampada, com passos curtos, foi a rodoviária, e comprou passagem e embarcou num daqueles ônibus sem ar condicionado, mas aguentou firme até chegar ao destino. Ao chegar no presídio, a costumeira fila estava longa demais. Diante do desconforto, abordou a agente penitenciária e invocou a mais recente idade de 60 anos, e questionou a fila especial para idosos. Foi imediatamente atendida. No encontro com o Chefe, o diálogo foi rápido e objetivo por parte do filho-meliante. Disse secamente a mãe, estar precisando de muito dinheiro com urgência. E que ela procurasse o pai dele. Caso ele se negasse a atender o pleito, fez-lhe ameaça, dizendo a Maga Psicológica, que o pai estaria correndo risco de vida. Uma tragédia anunciada, ou não. Maga Psicológica ficou atônita, e a sensação de ter perdido a ponta da corda. Apoplética, deu início ao um choro convulsivo, em seguida caminhando trôpegamente foi embora, e sequer despediu-se do rebento. A mãe do Chefe de ascendência teutônica, possuía no DNA, vestígios que incitavam-na a lutar, mesmo sabendo das intempéries pesadas a serem enfrentadas.
22 de dezembro de 2016
Teresa Fênix (24a.Parte)
Teresa
Fênix introjetou o drama entre o primeiro amor, e a outra realidade exógena, pelo menos, enquanto o Chefe estivesse internado no presídio. Nessa dicotomia, ia balebando
entre o céu e o inferno, ambos terrestres. Na busca da sobrevivência,
contava com ajuda bissexta do pai, para dar-lhe suporte mínimo,
considerando as crônicas dificuldades. Nas ruas mornas da pequena cidade, todos se conheciam de vista, pelo menos. Teresa Fênix usava uma
bicicleta doada pelo grego. Numa dessas incursões, encontrou
o Comandante, e aproveitando a coincidência pediu-lhe cesta básica. Diante do pedido (irritado, perguntou a si mesmo: o que fazer?) e lembrou como chegou até a mesma cidade de Teresa Fênix. E o fato
transitou nos mecanismos cerebrais da memória. Eis o relato: em
1933, o vapor mercante de bandeira grega, incendiou-se na costa do Espírito
Santo. Sobreviveram 27 tripulantes, dentre eles o pai de Theodorakys Pitacus, que
era o comandante do vapor cujo nome
estava registrado na Capitania dos Portos, como Konstanti. Theodorakys Pitacus tal qual o pai, se matriculou na Escola de Marinha Mercante
em Atenas. Como oficial, singrou os sete mares, e por curiosidade quis conhecer onde o
ex-Primeiro Oficial do Konstanti, primo do pai dele, tinha morado. Havia a informação que teria lecionado
química, numa escola pública no extremo sul, do cambaleante estado do Espírito Santo. Theodorakys Pitacus resolveu sentar praça, na pequena cidade, até que ventos fortes o conduzissem para outros mares. Talvez por ser errante (in)consciente, poder-se-ia remeter ao Comandante holandês da ópera Navio Fantasma adaptada por Richard Wagner(1813/1883) ao navegante grego. Segundo a lenda, o marujo holandês estava condenado a navegar, todavia a cada 7 anos, poderia ancorar na costa para tentar encontrar o amor dele, caso contrário, voltava aos oceanos. O timoneiro grego talvez estivesse a coexistir com uma dualidade, na busca de uma vida familiar, ou desafiar os limites da existência humana.
17 de dezembro de 2016
Teresa Fênix - 23a. parte
Ulisses entrou em alfa, mergulhando numa reflexão para sair da sinuca de bico, na qual se encontrava. Combinou com a namorada que precisava da clausura do quarto do hotel, para pensar. Tão logo se sentiu seguro da decisão, imediatamente foi a casa de Maria Guadalupe. Fez um longo relato sobre a vida dele, e confidenciou fatos a panamenha que guardava à sete chaves. E meio sem jeito, com tamanha timidez disse que a amava, e não desejava voltar ao Brasil(por tempo indeterminado). E de súbito, propôs-lhe se casarem. Ela quase desmaiou. Não sabia se ria ou se chorava. Atônita, adiantou-lhe que os pais dela não concordariam, pelo tempo tão exíguo de conhecimento. Ulisses tenso, disse-lhe que o casamento resolveria a permanência no Panamá. Ele se desesperava na possibilidade da família dela, levantar a menor suspeita que estivesse se comportando como oportunista. Afirmou a namorada, ser o tempo o grande aliado dele. Maria Guadalupe, tomou a decisão de lutar para a aceitação daquela decisão intempestiva, contudo sincera. Resolveram comemorar o acontecimento, degustando um galeto no Fry Chicken. Maria Guadalupe sorria, e de repente, séria. A dúvida invadia-lhe o raciocínio, se a família concordaria ou não.
30 de novembro de 2016
Teresa Fênix (22a.parte)
Ulisses usinava pensamentos em progressões geométricas, até que viu uma revista na banca de jornal, cuja página aberta e no canto direito abaixo, o pequeno anúncio: teste vocacional gratuitamente. Falou consigo mesmo: vou me submeter. As mensagens do grego vieram na memória dele, que sempre lhe dizia, ser importante ter conhecimento da filosofia, para melhor indicar conceitos sobre a vida, e do mundo, que parece estar atravessando o Rubicão. Mesmo seguindo carreira profissional no campo das ciências exatas, reconhecer as crenças, lendas e os códices ontológicos que norteiam a humanidade. Absorver práticas holísticas, na interação com as diversas fases da estratificação social. Foi ao local indicado pelo anúncio e se inscreveu para se submeter ao teste. Permaneceu durante um bom tempo, respondendo as perguntas. Após uma semana, foi lhe informado o resultado. Ele recebeu por escrito, e com ajuda de Maria Guadalupe, na leitura interpretativa na linguagem hispânica, indicou-lhe a vocação recaindo para física, química e engenharia em geral. Ficou decepcionado, pois Ulisses torcia que o exame inclinasse parcialmente para o viés da área humana, pois estava gostando de ler "A República" de Platão, e planejava conhecer outros ícones da filosofia, estava embutida uma simplória homenagem ao Comandante Pitacus Theodorakys.
22 de novembro de 2016
Teresa Fênix ( 21a.parte)
Ulisses a cada dia vivido no Panamá, aumentava o afeto por Maria Gualupe em proporções geométricas. E de quebra passou a se interessar bastante pela cultura panamenha. Adotou o traje das elegantes e confortáveis guayaberas. Às vezes ficava em alfa para refletir o futuro. A mãe instável, pela convivência com Chefe, que sob efeito da droga a espancava e privava-lhe a liberdade. Ainda menor, muitas dessas cenas foram presenciadas por Ulisses. O grego por quem nutria carinho paterno, não avançou no relacionamento com Teresa Fênix. Mesmo abstraindo a gama de informações e conceitos consolidados, a egolatria dela não permitia que os corações se encontrassem. Ulisses se sentia fragilizado. Buscava uma vida alternativa, com traços qualitativos. Intuía na possibilidade de modificar o seu modus vivendi. Não imaginava as barreiras a serem enfrentadas num país estrangeiros. Uma delas é a pronúncia da língua hispânica na América Latina, por ser falada muito rapidamente parece terem um ovo na boca, atrapalhando a inflexão dos fonemas(como comentou certa vez o escritor Artur da Távola, todavia reconheceu ser na Bolívia, o castelhano mejor hablado). Com tempo dominaria a linguagem do poeta chileno Pablo Neruda(1904/1973). A saída de se casar, talvez fosse a mais factível forma de permanecer naquele país, legalmente. Ulisses de então, era muito jovem. E sua mãe ao saber, talvez viajasse até Ulisses para impedir a possível união. Como bom enxadrista, se pôs a pensar.
21 de novembro de 2016
Teresa Fênix 20a.parte)
O Comandante Pitacus Theodorakys, tomou conhecimento que Teresa Fênix passava por necessidade famélica, tal informação aconteceu, quando lhe foi apresentado ao cunhado dela, apelidado de Carlinhos da Nicinha, sabedor do affair havido com a Teresa Fênix. No diálogo, lamentou que o namoro do Comandante não foi à frente, pois de longe o admirava, por possuir amigos em comum, que o avaliam ter o Comandante, um bom conceito da vida e do mundo. O cunhado falou ao grego, que Teresa Fênix tinha retornado ao antigo namorado. Carlinhos da Nicinha, adiantou que ela está a precisar do apoio familiar, e talvez de terapia psicanalítica(rejeitava médicos psiquiatras, segundo Teresa Fênix, eles a entupiam de remédios, causando-lhe sonolência e raciocínio lento). O grego era sabedor que em outras circunstâncias, o pai dela, foi inteiramente relapso, deixava-lhe faltar alimentação. Existiu uma sinergia na conversa com Carlinhos da Nicinha. O cidadão de origem helênica sempre solidário, a chamou pelo celular. E num breve diálogo, prometeu-lhe mandar uma cesta básica alimentar. Ela agradeceu. Não se importou quando ela disse ter passado uma noite, com o ex-namorado numa pousada na aprazível Iriri (balneário preferido do Comandante). Assim inquiriu o grego no silêncio da memória: "a intenção dela foi provocar ciúme, ou a sensação de me sentir cornuto? Teria sido uma retaliação, pelo fato não ter pago o frete da mudança? E complementou: o intento caiu na escuridão do espaço sideral. Nesse caso, me sinto Zorba, O grego"
20 de novembro de 2016
Teresa Fênix ( 19a.parte)
Por ser essa nação continental, indígena e afrodescendente, com hemácias lusitanas, e abaixo da linha equatorial, poder-se-á remeter a frase atribuída ao Maestro Tom Jobim( 1927/1994): "O Brasil não é para principiantes". A burocracia existe pelos portugueses(que se sentem os melhores clones dos ingleses) quer para dar estabilidade ao manganos do serviço público, quer para evitarem o peculato. Quo simplicitor ordo, eo melior( quanto mais simples a ordem, tanto melhor). E praticando essas babaquices, surgem os despachantes, estelionatários et caterva. Nos presídios, os estelionatários, comumente de unhas feitas, cabelos bem cortados e trajados à moda esporte fino, são os mais simpáticos de todos os internos. Enquanto apenados, conseguem quase de imediato audiência com o diretor do presídio. Solícitos verbalizam os curricula vitae, e se disponibilizam para trabalharem nas instâncias, como a biblioteca, escritório,gabinete dentário e outras atividades laborais leves. Serviço braçal: neca de pitibiriba. Gentis, prestativos e falam suavemente. Professores que desenvolveram didáticas para a freguesia da penitenciária. O Chefe localizou o mais sábio de todos os malandros. Foi ao Oráculo de Delfos da prisão. Era conhecido como Dotô Denis. Recebeu o Chefe no gabinete do dentista, onde era auxiliar, no dia da limpeza do consultório. Usou a cadeira e mesa e despachou como profissional do crime como assim o era. Acertaram que falsificaria o alvará de soltura, com papel timbrado e assinatura falseada do servidor maior do judiciário. Deveria entregar o documento durante as férias do diretor. O preço do serviço foi caríssimo. Mas o Chefe pressionaria a mãe e o pai (sempre) ausente.
6 de novembro de 2016
Teresa Fenix (18a.parte)
Naquele verão, os rios voadores (cursos de ares atmosféricos) vieram em grandes proporções, trazendo nuvens pesadas (cumulus nimbus) da região amazônica. Na época foram muitas centenas de milímetros de chuva. A região onde se encontrava o Chefe, respingou muita água. As enchentes tornaram uma constante, e invadiram as galerias das águas pluviais e dos esgotamentos sanitários. Ambos subterrâneos. Todo o trabalho foi jogado por terra. A lama invadiu o túnel cavado pelos homens do Chefe. A depressão foi geral. O Chefe afirmou para os companheiros de cela, que precisava de paz interior para maquinar nova estratégia de fuga. A prisão por si só, é uma antecâmara do inferno. Nada de ressocializão. Há uma ausência de tudo. É a resposta que a sociedade encontrou para os criminosos. Os dias são lentos e entediados. Habitam-na mãos leves, e outras mãos manchadas de sangue. Nas prisões, a lei considera a fuga um direito do presidiário. Ou seja, a tentativa de fuga (não havendo intercorrência delituosa) no geral não altera o tempo da reclusão. As motivações condenatórias são diversificadas. O estelionatário pode ser possuidor(sem saber) da praxis metacognitiva, como método de pensar. Quase sempre é metido a ser autodidata e sedutor nas abordagens que se fizerem necessárias. Enfim, muitas das vezes os estelionatários são por demais sagazes e velhacos. Sabedor das traquinagens desses embusteiros, o Chefe por ter uma cabeça multitarefa, vislumbrou mentalmente caminhos escusos para tentar evadir-se novamente do presídio. A cadeia não tem como não ser um variado
valhacouto.
valhacouto.
3 de novembro de 2016
Teresa Fênix ( 17a.parte)
Ulisses refletiu durante um bom tempo, se deveria pedir socorro financeiro ao Comandante grego. E decidiu arriscar a receber um não. Enviou pela mãe o pedido. Ela lhe respondeu que não pediria ao ex-namorado. Teresa Fênix demonstrou uma nítida má vontade, feito a claridade solar. Ulisses tomou coragem, reuniu parcas economias e ligou para o Comandante grego. Ao receber o pedido, adiantou a Ulisses, não ter no momento a verba pedida. Mas correria atrás para socorrer o jovem, estando ele num país amigo, mas distante do lar doce lar. Ulisses relatou a namorada dele, as dificuldades em conseguir permanecer no Panamá. Resolveu se divertir, visitando lugares turísticos, degustando comidinhas panamenhas (o que lhe fez ganhar alguns quilos) ouvindo e dançando merengue(ritmo animado- primo do mambo - tocado no Caribe). Se surpreendeu ao ouvir Roberto Carlos cantando em castelhano ( há quem afirme que o rei do cancioneiro do ritmo rock/bolero, tenha nascido em Santo Antonio do Muqui, extremo sul do espiritossantense, a conferir - é o bordão usado pelo jornalista sergipano - Ancelmo Gois). Isso mitigava a saudade de casa.O calor panamenho é respeitável. E o relevo geográfico da capital, é plano, facilitando a mobilidade. Depois de dois longos dias, foi agraciado com a notícia positiva do Comandante. Exultante resolveu comemorar levando-a para um lanche noturno num local da moda.O professor de Ulisses o admirava sobremaneira. Ulisses matutava projetos arrojados, ao ponto de não mais voltar ao Brasil.
26 de outubro de 2016
Teresa Fênix (16a parte)
Teresa Fênix estabeleceu grave discussão com o namorado grego, por conta do aumento da frequência dos cultos religiosos durante o dia, acompanhado de cantorias e falatórios. Isso o incomodava, bem como os vizinhos da cabeça de porco. Ele não podia ler, e refletir sobre textos de Kant ou Deleuze. O resultado do conflito foi a mudança imediata de casa. Teresa Fênix repentinamente contratou o frete de um pequeno caminhão diesel. Resolveu morar num bairro conhecido como Vai e Volta. O topônimo era sugestivo. A volta dela não era a expectativa do ex-namorado. Dois dias se seguiram, quando o dono do caminhão da mudança bateu na porta de Theodorakys Pitacus, para cobrar o frete. Ele não pagou. O cobrador atendia pelo apelido de Tônza. Discutiram asperamente, e quase se atracaram. O timoneiro grego abatido pelo vexame promovido por Teresa Fênix, e munido de um passaporte diplomático da ONU - Organizações das Nações Unidas - partiu para a Delegacia de Polícia local. E relatou a autoridade de plantão o fato ocorrido entre ele e o Tônza. O comandante de Longo Curso (porque navegou ou sabe empreender viagens transoceânicas) estava no cadastro de reserva para operações especiais da ONU. Dava-lhe essa competência por ter atravessado duas vezes o dificílimo Estreito de Magalhães, sem acontecer sequer um incidente naval. Todos os comandantes que atravessam-no, são registrados numa organização internacional. A polícia marcou a data para acareação dos envolvidos, incluindo Teresa Fênix. Nas contradições que quaisquer seres humanos podem se envolver, Theodorakys Pitacus, se arrependeu de não ter quitado o serviço do frete, diante da aporrinhação causada por conta de uma pecúnia de baixo valor. Mesmo tendo a nítida consciência de mais um pequeno golpe de Teresa Fênix.
22 de outubro de 2016
Teresa Fênix (Parte 15)
Ulisses declarou amor incondicional a Maria Guadalupe, nesse dia, estavam tomando sorvete no centro da capital, para abrandar o perverso verão panamenho. Sem rodeios se disse apaixonado por ela. Maria Guadalupe não esperava a atitude eruptiva e romântica de Ulisses. Ela permaneceu calada por alguns minutos. Ele expectava algum gestual da recente namorada. Tipo, uma concordância ou não. O tempo para ela se manifestar, lhe parecia longo demais. Ela deu-lhe um beijo e disse-lhe: estoy enamorada también. Ulisses começou a ver estrelas e constelações. Em três dias deveria viajar para o Brasil. Ele não queria retornar, pelo menos no tempo exigido de acordo com as regras do prêmio. Se não viajasse dentro da exigência contratual, deveria pagar do próprio bolso o custo da passagem e hospedagem, e revalidar o visto de permanência. Eis a questão. Ele se dirigiu a legação diplomática brasileira. E estava fechada. Era feriado no Brasil. Só lhe restava 72 horas para resolver o imbroglio da prorrogação por trinta dias, menos o tempo despendido oficialmente no Panamá. E no outro dia retornou a Embaixada, que estava fechada, pois dessa vez era feriado panamenho. Tenso e desorientado, inexoravelmente, precisaria de dinheiro. A quem solicitar essa grana? A mãe Teresa Fênix? Mais fácil ver um gnomo brotando na terra, do que a mãe dele concordar com a dilatação da estada, ou enviar grana(quase sempre sem dinheiro). No último dia pela manhã foi a Embaixada (havia o risco de não conseguir o visto, e ser deportado), e foi recebido por um funcionário do Itamaraty, com aparência sonolenta e mal humorada. O servidor público brasileiro informou que o visto de permanência é com o Departamento de Estado, no setor Imigração. Tomou um táxi e no setor indicado deu entrada em formulário oficial o pedido. Ulisses depois de esperar cerca de uma hora, recebeu a boa notícia do servidor panamenho: o visto seria concedido ainda naquele mesmo dia na parte da tarde. Faltava o dinheiro para bancar a passagem e hospedagem. Conversou com a namorada, que ligou para casa, e os pais dela concordaram hospedá-lo pelos dias permitidos. A pendência do dinheiro para comprar a passagem continuava.
9 de setembro de 2016
Teresa Fênix (sexta parte B)
Os dias modorrentos
iam se passando. E a perturbação cotidiana da Maga
Psicológica, discutindo sempre em voz alta nos corredores do modestíssimo
prédio onde moravam Ulisses, Teresa Fênix e o grego. Esse pequeno conglomerado, tinha similaridade com as
hospedarias cariocas, nominadas como cabeça de porco. Por último Maga Psicológica denunciou Teresa Fênix ao Conselho Tutelar, por negligenciar no estudo de Ulisses, o qual estava apresentando notas baixas em português, história e geografia. Na compensação, em matemática era nota máxima. Os mecanismos superiores mentais, diante das disjuntivas existenciais não impedia o raciocínio cartesiano. A alcaguete foi à fundo no expediente do denuncismo, tendo sido necessário se constituir um advogado. Zeca tão logo soube do caso, solidário, acompanhou a filha dele ao Conselho Tutelar, nos primeiros dias primaveris. A atendente era graduada pelo Serviço Social, solícita deu início a anamnese social e psico-antropológica dirigida a mãe e ao filho. E no final, a conclusão da técnica não viu nada que acolhesse a delação. Recomendou a genitora de Ulisses, que a aula particular nem sempre é suficiente. Se faz necessário a mãe ser coadjuvante do filho na tarefa da pesquisa e dos trabalhos escolares. Mais uma vez a Maga Psicológica deu com os burros n'água.
Teresa Fênix (13a.parte)
Teresa Fênix mantinha o relacionamento com Pitacus Theodorakys, todavia as contendas verbais aumentavam a cada dia. O grego era ateu, e ela participava numa dessas igrejas de inspiração neo-pentencostal, cuja prática do dízimo é compulsório. E semanalmente havia o exorcismo. Nesses dias uma infernal gritaria, saindo pelas pequenas e poderosas caixas de sonoras, talvez, com mais cem decibéis, ecoando na vizinhança. Um flagrante desrespeito. O diabo infalivelmente retornava de 7 em 7 dias. (O companheiro dela achava que essa religião, remetia ao tempo das Inquisições comandadas pelo Santo Ofício). Tereza Fênix tentou mudar-se para o apto do capitão de longo curso, mas foi rechaçada. O desnível cultural era tão nítido quanto a claridade solar. Eis o mistério do amor.O grego gostava por demais de Ulisses, pois o via promissor pela inteligência demonstrada nos mínimos detalhes (sem deixar de ser criança). Teresa passou a contrair pequenas despesas, no somatório pesava no bolso, da vida modesta do Pitacus Theodorakys. A casa dela estava sempre visitada pelos ditos evangélicos, quer nas orações (acompanhada de fartos lanches), quer em conversas inócuas, segundo pensava o namorado dela. Teresa Fênix ganhou alguns quilos, diante da vida sem atividade física. Sedentária se negava a caminhar ou entrar para uma fitness. Aguardava a benevolência financeira do namorado, para se submeter a uma intervenção cirúrgica.
Teresa Fênix (12a. parte)
O Chefe em plena atividade, cavava o túnel com 17 colaboradores, em diversos horários estratégicos, para não levantar quaisquer suspeitas. Os pepinos eram frequentes, desde uma tubulação abandonada, até os terrenos pantanosos. Haviam discussões de cobrança, tipo, de quem ralava mais, e os morcegadores. Essas práticas nas disputas individuais, irritava bastante o Chefe. A tarefa avançava, apesar das barreiras. O Chefe em dado momento animou o grupo de detentos, afirmando estarem próximos do objetivo. Aconteceu o inusitado, numa das costumeiras visitas aos internos: o agente penitenciário encontrou um martelete, na bolsa de uma mulher. Ela era esposa de um dos membros da construção do túnel da fuga. Ameaçado de morte, o servidor público arregou, e entubou o fato. O grupo de condenados ficou grilado, e aumentaram as medidas de segurança. O Chefe discorria um decálogo diariamente, contendo atitudes proibidas de serem tomadas. A tarefa continuou, dessa vez intensificada, por contas das chuvas do verão que se avizinhavam.
7 de setembro de 2016
Teresa Fênix ( 11a.parte)
Teresa Fênix viu através das redes sociais, a foto de uma tica caribenha com o filho dela. Ficou atônita. O jovem filho nas garras de uma gringa, assim pensou a mãe, meio que desesperada. Um amor eruptivo e abrasador nascido daquele encontro. A tica se chamava Maria de Guadalupe, de origem mexicana. O tempo passava rapidamente. É sempre assim...quando desejamos que o relógio do tempo pare ou atrase. Apaixonado, Ulisses levou Maria de Guadalupe para o hotel. E deram início ao romance num curto espaço do tempo. Maria Guadalupe era formada em letras no idioma espanhol. Ficou sabendo serem os passatempos preferidos, o teatro, literatura e o vôlei. E se preparava para concorrer aos testes do mestrado em Cognição e Linguagem na UENF(Universidade Estadual do Norte Fluminense). Ulisses exultante, desejou-lhe boa sorte diante do desafio universitário. E o romance continuou entre flores e sonhos. Maria de Guadalupe o levou na residência e apresentou-lhe os pais dela. Professores do terceiro grau, ele ministrava aula de matemática e a mãe de arte contemporânea. A mãe nascida na cidade do México discorreu sobre a pintura de Portinari(1903/1962), em especial o mural - Guerra e Paz - de autoria do mestre nas dependências da ONU. O pai da pequena Maria de Guadalupe quis saber de Ulisses sobre o xadrez e as estratégias. Enveredaram num diálogo sobre o esse antigo jogo. Em seguida Ulisses foi convidado a disputar uma partida com o panamenho, de nome Juan Carlos Ortega. Maria Guadalupe ficou preocupada. Parecia-lhe um confronto de inteligências (des)necessário. A partida durou três longas horas. Ulisses deu-lhe um cheque mate. Foi saudado pelo professor Ortega e esposa, de nome Maria Echeverria. A filha do casal respirou aliviada.
Teresa Fênix ( décima parte)
No terceiro ou quarto dia, Ulisses começou a treinar o idioma hispânico. Nas tratativas que manteve no comércio em geral, quer na busca de livros sobre xadrez, ou na compra de uma guayabera, traje típico da América Central, começou a gostar do castelhano. Gradualmente ia arranhando a língua do escritor Miguel de Cervantes (1547/1616). E se animou tanto, ao adquirir um livreto sobre as expressões de cortesia em espanhol. Ao chegar exaurido de um passeio, encontrou no hotel uma correspondência, por parte do diretor cultural do governo panamenho, convidando o jovem brasileiro, para um evento de música e dança do folclore daquele país amigo. Estreando a elegante guayabera de cor branca, foi a festa. Cumprimentou timidamente as autoridades locais, ouviu discursos entediados, e depois das apresentações dos corais, em seguida as danças típicas regionais. Após um brevíssimo intervalo, uma afinadíssima orquestra caribenha tocou os rítmos merengues, rumbas e mambos. Ulisses foi convidado pra dançar com uma tica panamenha. E muito se divertiu.
Teresa Fênix ( décima parte a)
E aqui na terra de Ari Barroso ( 1903/1964), o Chefe iniciou o plano de fuga, conseguindo os mapas subterrâneos para localizar as galerias pluviais e do esgotamento sanitário. Tal proeza em ter esse mapeamento, foi via a mãe do braço direito do Chefe, cuja a comadre trabalha no órgão público. Estudou detidamente todas a geografia do subsolo, para escolher onde seria o ponto zero, para a construção da rota de fuga. Inteligência cartesiana não lhe faltava. Elegeu os comparsas que estariam nessa ousada empreitada. Sob o código islâmico (quem delatar, morrerá) deu início a obra. Nas visitas dos familiares, recebiam as encomendas, tais como ferramentas (de pequeno porte) pilhas para lanternas, ventiladores e outros apetrechos.
Teresa Fênix ( décima parte a)
E aqui na terra de Ari Barroso ( 1903/1964), o Chefe iniciou o plano de fuga, conseguindo os mapas subterrâneos para localizar as galerias pluviais e do esgotamento sanitário. Tal proeza em ter esse mapeamento, foi via a mãe do braço direito do Chefe, cuja a comadre trabalha no órgão público. Estudou detidamente todas a geografia do subsolo, para escolher onde seria o ponto zero, para a construção da rota de fuga. Inteligência cartesiana não lhe faltava. Elegeu os comparsas que estariam nessa ousada empreitada. Sob o código islâmico (quem delatar, morrerá) deu início a obra. Nas visitas dos familiares, recebiam as encomendas, tais como ferramentas (de pequeno porte) pilhas para lanternas, ventiladores e outros apetrechos.
6 de setembro de 2016
Teresa Fênix ( nona parte)
Na época era presidente do Panamá, Manuel Noriega, (hoje se encontra preso na França), simpático, afrodescendente, de sorriso tímido, e rosto bichiquento. O alter ego do presidente Manuel Noriega, atendia pelo nome de Lemgruber, cachoeirense, íntimo das magias, alquimias e se dizia babalorixá, talvez nas horas de folga. Ulisses tomou conhecimento que o acima referido Presidente entregaria um prêmio extra ao mesmo. O Comitê da OEA, não se opôs e tal ocorreu num amplo espaço publico e cultural na área central da capital panamenha. Também o enxadrista foi convidado pelas autoridades oficiais para visitar as eclusas do Canal do Panamá (1914) onde se realiza a travessia dos navios do oceano Atlântico para o Pacífico. (O pintor impressionista Paul Gauguin (1848/1903) de avó materna peruana, curiosamente trabalhou na construção dessa monumental obra de engenharia). Ulisses ficou impressionado com o enchimento de água nas eclusas (pelo desnível dos oceanos), cuja extensão são setenta e sete quilômetros. O que marcou Ulisses foi a alegria contagiante do povo panamenho, e como eles sabiam sobre o Brasil, e ele nada sabia sobre o país que lhe acolhia. Ele chegou a conclusão ser o panamenho, admirador dos brasileiros. Aliás toda a América que fala espanhol, trata-nos como pueblo hermano. No hotel, pela manhã o café da manhã, um verdadeiro almoço. Carne de porco, guloseimas de milho, cachorro quente, café, leite e variados acepipes. Esse costume alimentar, creio ser alguma influência norte-americana. As lojas eram imensas, com produtos diversificados e estrangeiros. Como se fosse a cidade um mega free shopping. Ulisses ligava para Teresa Fênix no Brasil, afim de saber das novidades. E uma notícia o entristeceu-lhe bastante foi saber sobre a morte de Maisbela (cadela de estimação). Ulisses chorou baixinho no quarto do hotel. Maisbela fazia-lhe companhia quando insone, pensando na vida torta do pai dele. E na (im)possível oportunidade de revê-lo. Maisbela foi importante na vida dele, que não mais necessitou de tomar ansiolíticos para dormir. Os animais tem uma linguagem própria, além do instinto. As pesquisas são incessantes na busca de desvendarem esse códices dos animais. Creio haver uma simbiose entre o homem e o animal.
5 de setembro de 2016
Teresa Fênix (oitava parte)
O estado de saúde do Chefe agravou sobremaneira. Os médicos intensivistas(se há alguém que realmente lutam para ressuscitarem, os pacientes na curva da morte, são esses bravíssimos profissionais) conseguiram retirar o Chefe do estado crítico e gradualmente se recuperou. Ulisses no rápido percurso entre Caracas e o Panamá, desceu do avião, passou pela aduana incólume e estava no saguão do aeroporto internacional de Tocumen, à procura de um táxi. Percebeu logo que o Panamá é um país colorido, verdadeiro e bonito caleidoscópio . Homens e mulheres com roupas estampadas, cores berrantes, até nos ônibus pintados por fora e por dentro. Dos coletivos se ouviam o merengue, ritmo de origem caribenho. Povo alegre e sorridente numa mistura de etnias, quase igual ao Brasil. Ulisses se encantou. Eis que de repente apareceram três homens vestidos de camisetas nas cores preto e vermelho. Pensou assim: deve haver um time panamenho com as mesmas cores do Clube de Regatas Flamengo. Encorajou-se e perguntou aos jovens: essas cores são de um time do Rio de Janeiro. Em uníssono responderam: nosotros somos todos flamenguistas. Esse é o Brasil, exportador de cultura também nos desportos.
Teresa Fênix (oitava parte a)
Maga Psicológica sensível ao estado do filho, agora também homicida, em breve irá a julgamento. Ela contratou um advogado da região com larga experiência na criminal, como os causídicos do ramo dizem. Passaram-se alguns anos, e o julgamento aconteceu. No tribunal do júri o placar foi de sete a zero. Ele foi condenado a dezenove anos de reclusão. Retornou ao casulo penitenciário, sem a patente de chefe. Na condição de tísico em recuperação, mantinha-se fora das manifestações no interior da prisão. Parecia estar em fim de carreira. Mas raciocinava diariamente como fugir daquele inferno em que se meteu. Sempre se colocando como um injustiçado pela sociedade. A evasão dessa vez, segundo ele, deveria alcançar o exterior.
Teresa Fênix (oitava parte a)
Maga Psicológica sensível ao estado do filho, agora também homicida, em breve irá a julgamento. Ela contratou um advogado da região com larga experiência na criminal, como os causídicos do ramo dizem. Passaram-se alguns anos, e o julgamento aconteceu. No tribunal do júri o placar foi de sete a zero. Ele foi condenado a dezenove anos de reclusão. Retornou ao casulo penitenciário, sem a patente de chefe. Na condição de tísico em recuperação, mantinha-se fora das manifestações no interior da prisão. Parecia estar em fim de carreira. Mas raciocinava diariamente como fugir daquele inferno em que se meteu. Sempre se colocando como um injustiçado pela sociedade. A evasão dessa vez, segundo ele, deveria alcançar o exterior.
4 de setembro de 2016
Teresa Fênix ( sétima parte)
Na nova penitência(arrependimento, remorso por pecado cometido) ou penitenciária (lugar para se arrepender) ao contrário é uma escola de perversidades com os requintes das maldades. É dessa forma que a sociedade se organizou. É assim mesmo, sem conformismo. O que fazer? A Bastilha (1789) foi pior do que Carandiru (2002)? Ou são iguais, respeitando o tempo e espaço? O Chefe estava no seu sweet,sweet home, pois foi eleito verdadeiramente o chefe desse pequeno grande aglomerado. Nessa nova patente poderia gozar de alguns privilégios, tais como: roupa lavada, preferência no uso do sanitário, receber donativos(biscoitos, iogurtes e tolhas trazidos pelos familiares dos liderados do Chefe) até os privilégios na promiscuidade sexual, a mesma da qual foi vítima. Além de usar furar a fila do parlatório. A vida transcorria normalmente na instituição penal. Até que o Chefe, segundo alegou em legítima defesa, mata o desafeto dele, durante o banho de sol. Vai parar na solitária, a antecâmara do inferno. Durante vários dias permaneceu num cubículo minúsculo, e contraiu uma pneumonia galopante. O bacilo de Koch se instalou nos pulmões do Chefe, que baixou hospital. Creio serem as prisões um modelito da geena terrestre. Há quem não acredite, no contexto místico, anulando a realidade. O Chefe entrou em estado pré-comatoso. E a vida começou a sorrir para o Ulisses. Conquistou o prêmio de viajar para o|Panamá ( 30 dias, com direito a aulas de xadrez ministradas por mestres internacionais) com todas as despesas pagas) por ter sido campeão numa disputa sulamericana no programa patrocinado pela OEA - Organização dos Estados Americanos - "O xadrez e a juventude". Devidamente autorizado por Teresa Fênix , embarcou no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro no voo noturno, com escala em Caracas. Ulisses arranhava grego, apreendido na convivência com Pitacus Teodorakys. De espanhol nada entendia. Praticaria pela primeira vez o "portunhol" mais o jogo de cintura brasileiro. No Aeroporto Simon Bolivar(1783/1830) em Caracas, para fazer a conexão para a cidade do Panamá, quase a perdeu. O locutor que anunciava as saídas e partidas das aeronaves, falava o espanhol muito rapidamente, e também parecia estar com um ovo cozido boca, como dizia o escritor Artur da Távola(1936/2008) do espanhol verbalizado na América Latina. O escritor acrescentava que a única exceção é o espanhol boliviano, de pronúncia mais compreensível. E nos intervalos tocava os rock-boleros em castelhano de Roberto Carlos. Ulisses impaciente, foi ao balcão da empresa aérea e falou em grego. Foi um milagre, pois havia um helênico que residia vários anos na Venezuela, e trabalhava no aeroporto. Assunto resolvido, e Ulisses conseguiu embarcar, para a terra do Comandante Omar Torrijos(1929/1981).
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