16 de outubro de 2016

Mimoso do Sul(sede) e sua difícil identidade cultural




Pesquisar, escarafunchar a identidade cultural de uma comunidade não é das mais fáceis tarefas. É mister ser percuciente e paciente. No caso específico, na região o “grande mapa da mina” se encontra no livro do historiador Grinalson Medina – Páginas da nossa terra -  o qual é edição única. É similar ao legendário Pergaminho do Mar Morto da Ordem dos Templários. Se o marco zero foi o Porto fluvial da Vila da Limeira(onde estudou o médico sanitarista e  premiado José Coelho dos Santos) conhecida também  como  Cachoeira do Inferno, refletindo em Ponte do Itabapoana, que foi a primeira sede de Mimoso do Sul, permito-me  remeter a existência então Coletoria Federal ou o longevo Bloco do Marujo, que no passado encantou os  carnavais de Ponte do Itabapaoana. Nada  mais a acrescentar até a data atual, como viés cultural mais denso. Aproximadamente trezentos anos depois o primeiro posseiro se instala em 1837 em São Pedro do Itabapoana que se consolidou e vicejou galgando a  status Vila, até a tomada pelas armas em 02/11/1930. Daí o declínio  da Vila, com a larga diáspora em direção aos centros urbanos mais desenvolvidos. A vida cultural sãopedrense  é interrompida. Os ícones fundadores de São Pedro, e seus familiares são compulsoriamente expulsos. Retiraram o chão desses munícipes. O caldo cultural não foi “incorporado” pelos estrangeiros de origem itálica e nem pelos filhos deles. Em 1930 a sede se transfere pela imposição dos fuzis, para o então distrito de Mimoso. O município progride com os cafezais abundantes, e bons preços de mercado. A construção da via férrea(1896), provocou transmigrações difusas. Não se permitiu consolidar uma cultura com franjas atávicas, que se transformasse num processo cultural permanente. No distrito de  Conceição do Muqui há suaves confirmações  culturais  quando a comunidade se organiza bissextamente nas atividades simbolizadas pela culinária, dança e coral ítalosanmarinenses. No outro festejado distrito de Santo Antônio do Muqui (a mais eficaz preservação da tradição da região)  desde As Pastorinhas de inspiração místico-religiosa, passando pelo Jaguará, reverenciado pela cabeça de  burro estilizada, Saci Perêre, de domínio nacional,  juaboi,  pai joão e  mãe maria e o  morcegão, o  chupa-sangue dos bovinos, dança italosanmarinense,  e outras manifestações, onde se amálgama as etnias indígena-luso-afrodescendente e por último a etnia ítalosanmarinense   Em Mimoso do Sul (sede) abre-se exceção para as Folias de Reis, que resistem bravamente, em torno de oito agremiações. Mimoso do Sul, foi brilhante no setor educacional, tendo a escola pública local,  orgulho daqueles que usufruíram do ensino  de altíssima qualidade, em diversas décadas passadas. Pode ser um fio condutor, poder-se-á  ser aprofundado.  Tal como   herança do povo de origem  sírio e libanesa, desde a gastronomia até os rituais religiosos, de indicativo maronita. Descortinar e alimentar as culturas ora vigentes, como o caxambu, primo do jongo (de onde se origina o samba) preservado na   Serrinha em Madureira(RJ), poderá  se empreender um garimpo, quiçá poder-se-á despertar o  inconsciente coletivo regional. Ao olhar os  extremos  d'Os Pontões,  poderá encontrar nos céus conceiçuenses  o corajoso e competente Comandante Lott praticando wingsuit, e na estrela mais brilhante são os olhos esverdeados do Comandante Brito. As festas juninas no passado foram marcadas no idioma de Rosseau. Partes das músicas eram orquestradas, e as outras da Bossa-Nova e da Música Popular Brasileira também. O Rio de Janeiro, a segunda cidade de todos nós, tem no samba a maior riqueza cultural brasileira. Parafraseando o poeta mangueirense Nelson Sargento: o samba agoniza mas não morre. E Dona América distrito ao lado do Rio de Janeiro, há suspeitas de ter sido um quilombola. O poder público ignora  a dar prioridade investigativa ontológica, pois lhe falta cultura historicista. Abaixo da linha do Equador, a via crucis  é barra pesada.