5 de setembro de 2016

Teresa Fênix (oitava parte)

O estado de saúde do Chefe agravou sobremaneira. Os médicos intensivistas(se há alguém que realmente lutam para ressuscitarem,  os pacientes na curva da morte, são esses bravíssimos profissionais) conseguiram retirar o Chefe do estado crítico e gradualmente se recuperou. Ulisses no rápido percurso entre Caracas e o Panamá, desceu do avião, passou pela aduana incólume  e  estava no saguão do aeroporto internacional de Tocumen, à procura  de um táxi. Percebeu logo que o Panamá é um país colorido, verdadeiro e bonito caleidoscópio . Homens e mulheres com roupas estampadas, cores berrantes,  até nos ônibus pintados por fora e por dentro. Dos coletivos se ouviam o merengue, ritmo  de origem caribenho. Povo alegre e sorridente numa mistura de etnias, quase igual ao Brasil. Ulisses se encantou. Eis que de repente apareceram três homens vestidos de camisetas nas cores preto e vermelho. Pensou assim: deve haver um time panamenho com as mesmas cores do Clube de Regatas Flamengo.  Encorajou-se e perguntou aos jovens: essas cores são de um time do Rio de Janeiro. Em uníssono responderam: nosotros somos todos flamenguistas. Esse é o Brasil, exportador de cultura também  nos desportos.  


Teresa Fênix (oitava parte a)


 Maga Psicológica sensível ao estado do filho, agora também homicida,  em breve irá a julgamento. Ela contratou um advogado da região com larga experiência na criminal, como os causídicos do ramo dizem. Passaram-se alguns anos,  e o julgamento aconteceu. No  tribunal do júri o placar foi de sete a zero. Ele foi condenado a dezenove anos de reclusão. Retornou ao casulo penitenciário, sem a patente de chefe. Na condição de tísico em  recuperação, mantinha-se fora das manifestações no interior da prisão. Parecia estar em fim de carreira. Mas raciocinava diariamente como fugir daquele inferno em que se meteu. Sempre  se colocando como  um injustiçado pela sociedade. A evasão dessa vez, segundo ele, deveria alcançar o exterior.

4 de setembro de 2016

Teresa Fênix ( sétima parte)

Na nova penitência(arrependimento, remorso por pecado cometido) ou penitenciária (lugar para se arrepender) ao contrário é uma escola de perversidades com os requintes das maldades. É dessa forma que a sociedade se organizou. É assim mesmo, sem conformismo. O que fazer? A   Bastilha (1789) foi pior do que Carandiru (2002)? Ou são iguais, respeitando o tempo e espaço? O Chefe estava no seu sweet,sweet home, pois foi eleito verdadeiramente o chefe desse pequeno grande aglomerado. Nessa nova patente poderia gozar de alguns privilégios, tais como: roupa lavada, preferência no uso do sanitário, receber donativos(biscoitos, iogurtes e tolhas trazidos pelos familiares dos liderados  do Chefe)  até os privilégios na promiscuidade sexual, a mesma da qual foi vítima. Além de usar furar a fila do parlatório. A vida transcorria normalmente na instituição penal. Até que o Chefe, segundo alegou  em legítima defesa,  mata o desafeto dele, durante o banho de sol. Vai parar na solitária, a antecâmara do inferno. Durante vários dias permaneceu  num cubículo minúsculo, e contraiu uma pneumonia galopante. O bacilo de Koch se instalou nos pulmões do Chefe, que baixou hospital. Creio serem as prisões um modelito da geena terrestre. Há quem não acredite, no contexto místico, anulando a realidade. O Chefe entrou em estado pré-comatoso. E a vida começou a sorrir para o  Ulisses. Conquistou o prêmio de viajar para o|Panamá ( 30 dias, com direito a  aulas de xadrez ministradas por mestres internacionais)  com todas as despesas pagas)  por ter sido campeão numa disputa sulamericana no programa patrocinado pela OEA - Organização dos Estados Americanos -  "O xadrez e a  juventude". Devidamente  autorizado por Teresa Fênix , embarcou no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro no voo  noturno, com escala em Caracas. Ulisses arranhava grego, apreendido  na convivência com Pitacus Teodorakys. De espanhol nada entendia. Praticaria  pela primeira vez o "portunhol" mais o jogo de cintura brasileiro. No Aeroporto Simon Bolivar(1783/1830) em Caracas, para fazer a conexão para a cidade do Panamá, quase a perdeu. O locutor que anunciava as saídas e partidas das aeronaves, falava o espanhol muito rapidamente, e também parecia estar com um ovo cozido boca, como dizia o escritor  Artur da Távola(1936/2008) do espanhol verbalizado na América Latina. O escritor acrescentava que a única exceção é o espanhol boliviano,  de pronúncia mais compreensível.  E nos intervalos tocava os rock-boleros em castelhano de Roberto Carlos. Ulisses impaciente, foi ao balcão da empresa aérea e falou em grego. Foi um milagre, pois havia um helênico que residia vários anos na Venezuela, e trabalhava no aeroporto. Assunto resolvido, e Ulisses conseguiu embarcar, para a terra do Comandante Omar Torrijos(1929/1981).

Teresa Fênix (sexta parte A)

Alguns anos se passaram,  cerca de seis ou sete anos, e durante esse intervalo, Tereza Fênix, reavaliou a opinião dela e passou a apreciar timidamente a leitura, talvez influenciada pelo namorado grego.  O filho, Ulisses enveredou-se pelos caminhos difíceis das ciências exatas, ao estudar as leis das probabilidades. Tornou-se um respeitado enxadrista, e aprendeu a cozinhar esporadicamente pratos da culinária mediterrânea. O Chefe foi encontrado e preso numa fazenda abandonada no interior das Minas Gerais, na região de Conceição do Mato Dentro Trocou tiros de revólver com os meganhas, mas foi dominado por João Máximo, baiano, umbandista e   capitão-do-mato. Curiosamente, pelo ineditismo e  honraria, era possuidor de ficha limpa na corporação. O Chefe abatido pela detenção, declarou que somente foi descoberto porque não cumpriu obrigação que lhe foi encomendada pelos orixás, na última "gira" acontecida no terreiro do Caboclo Boiadeiro, no  dia dezessete do mês de agosto. Dessa vez o Chefe foi para a Casa de Detenção próxima a BR 262, acusado de tráfico pesado de drogas, talvez um Pablo Escobar(1949/1993) do Cartel de Medelin? No contexto da narrativa, sempre se indaga porque os Estados Unidos é o maior consumidor de cocaína do mundo, junto com a velha Europa?  Como a droga penetra em territórios com  vigilantes insones: drones, satélites rastreadores, cães farejadores, e  lasers. Melhor ouvir Amy Winehouse(1983/2011) interpretando Garota de Ipanema dos  cariocas Tom Jobim(1927/1994) e Vinicius(1913/1980). Na nova cela prisional, ele chegou "cheio de moral", pois dessa vez,  não foi detido por ter desferido porradas numa  mulher. Na sua nova moradia, um catre,  um surrado colchonete, latrina e roupas estendidas. A realidade é mesma. Muitos internos num exíguo espaço físico. 

3 de setembro de 2016

Teresa Fênix (quinta parte)

Após sete meses o delegado intimou via oficial de justiça (sempre sisudos e nada gentis), Teresa Fênix recebeu a intimação para depor  no departamento da "puliça", como consequência do questionamento "moral" da Maga Psicológica. Diante do Chefe da  "Puliça", que após os cumprimentos de praxe, onde a autoridade somente murmura um bom dia emprenhado de má vontade. E deu início ao interrogatório: A senhora está sendo acusada de manter relacionamento, digo namoro, com o seu vizinho? Sim, respondeu Teresa Fênix. E continuou a autoridade: A senhora tem tido comportamento não recomendável,  quando está com o seu namorado diante do seu filho? A interrogada respondeu-lhe: não. Qual a profissão e nome do seu namorado? Retrucou-lhe dizendo ser o namorado um ex-capitão de longo curso da Marinha Mercante grega, e informou tratar-se do Comte. Pitacus Theodorakys, da Ilha de Delos (até hoje é proibido nascer ou ser enterrado na sagrada Delos, onde nasceram Apolo e Ártemis, ambos filhos de Zeus, segundo a mitologia grega) e naturalizado brasileiro. Adiantou que nas horas vagas ele ensina ao meu filho a jogar xadrez, o idioma helênico e traços da cultura da Grécia de Homero. A autoridade encerrou o depoimento com a seguinte narrativa: "Vou arquivar o processo, pois não há  como imputar-lhe culpabilidade face ao seu depoimento". A sogra ouviu todo o depoimento em silêncio. Entrou emudecida e saiu calada. Num outro momento, Teresa Fênix comentou para a professora particular de Ulisses, sobre a decisão do delegado. A mestra era tratada pelo carinhoso apelido de Professora Candinha, que  não acreditou de imediato nas informações da mãe de Ulisses, pela dificuldade do entendimento  dos agentes da lei, que por carência do conhecimento da  ontologia, antropologia e sociologia, não conseguem perceber os dramas do cotidiano da vida.  Maga Psicológica desapareceu do dia a dia na vida de Teresa Fênix e do neto. Até ouvir no noticiário que o Chefe estava na cúpula de uma imensa rebelião no Monte Líbano. Foram inevitáveis os  confrontos entre os militares e os rebelados.  O Chefe aproveitou a confusão e fugiu. Teresa Fênix enfrentou discussões intermináveis sobre religião, com o comandante Pitacus. Ele era agnóstico e dizia que o deus existia dentro de cada um ou não. Que no templo, os mercadores da fé, pregavam sem conhecerem teologia(pode ser possível). Teresa Fênix, não sustentava o diálogo, pela ausência de conhecimento. E perdia a compostura.

Teresa Fênix (quarta parte)

Maga Psicológica saiu encucada da última visita feita ao filho. E resolveu visitar um sobrinho dela, ex-agente dos cárceres mineiros, para saber a opinião dele a respeito das prisões. O sobrinho se chamava Ediel dos Anzóis, e relatou a tia serem as prisões barra pesada. Aconselhou-a  ter cuidados com as amizades que o Chefe poderia ter no Monte Líbano. O Chefe sempre está a mandar recado a mãe dele, pelos pombos-correio,  solicitando mais e mais dinheiro, para resgatar despesas assumidas. Ulisses visitou a avó paterna. Tal foi a surpresa, pois ela quer levar Ulisses para visitar o Chefe. Teresa Fênix argumentou não concordar em permitir o filho ir a uma penitenciária. E ponto final. O advogado do Chefe resolveu a pedido do cliente,  solicitar a justiça a autorização do menor visitar o pai. O juiz  em tempo hábil vetou a pretensão do Chefe. A sogra foi a casa da nora,  e verbalizou muitos impropérios impublicáveis. Tereza Fênix, não titubeou e registrou queixa na puliça. Depois retirou-a pedido do Ulisses. Mas a sogra, barraquera de plantão foi a chefatura de puliça e acusou a nora de não ter vida digna, pois está namorando o vizinho. Isso não é um bom paradigma familiar para o Ulisses, vaticinou a sogrinha. Esses expedientes usados para fazer valer essa ou aquela opinião, ou o direito de ser ou de ter, em todos habitam controvérsias. A prisão são espaços próprios reservados pelo Estado, para recolher  indivíduos  que esperam julgamento, condenados ou inocentes(a justiça é passiva de erros). O que ocorre nos seus interiores são um mistério ou não. O interno deveria trabalhar e descontar o tempo na penalização. 

Teresa Fênix (terceira parte)

Tereza Fênix recebeu inesperadamente a  visita de Maga Psicológica, na função de relatora do preocupante  estado do filho, inspirador de cuidado médico, pois estava na unidade de tratamento dito intensivo. A sogra começou a proferir insultos dirigidos a nora, a qual não aguentando pediu-lhe que se retirasse. Tereza Fênix chorou. Chorou copiosamente, lamentando ter escolhido o Chefe como marido. Mas nesse momento egípcio, era melhor, levantar sacudir a poeira,  e dar a volta por cima. A luta é contínua.  Buscou   uma explicadora para o pequeno Ulisses,  era  bom aluno em matemática, no entanto  em português, geografia, biologia  e história, grafava expontâneo, o Nilo nasce na Amazônia, pistilo era um pássaro, e os vikings descobriram o Brasil(pode ser, mas não é oficial). Teresa Fênix foi  na casa da  professora aposentada, que ouvia o Bolero de Ravel, e na  parte musical  mais agudizada, onde a orquestra tocava na plenitude todos os instrumentos, e   a professora não ouvia o chamamento. Tereza Fênix acostumada com o som  caipira, dito universitário, com pitadas do  rock and roll, se encantou com Maurice Ravel(1875-1937) e ouviu toda a obra desse francês, imortalizado pela arte da música erudita. Ao término,  foi recebida pela mestra e combinaram, preço, dia e hora para ministrar as  aulas particulares. Tereza Fênix acreditava na mística da fé, e por isso se entregou as mantras, com a esperança de maior conforto interior. O Chefe saiu do estaleiro, e costurado retornou ao Monte Líbano. Foi para uma cela, cujo os internos eram menos agressivos. Maga Psicológica foi visitar o filho num domingo. As filas eram imensas, e mãe do recalcitrante bebeu todas no dia anterior, de ressaca,   acordou fora do horário. Ela foi ao início da fila indiana, e tentou subornar uma mulher. A desconhecida denunciou em voz alta, a intenção da Maga Psicológica, que foi chamada atenção  pela agente carcerária. E a mãe do Chefe foi a última e entrar no Monte Líbano. A genitora encontrou o filho corado e bem humorado. Assim pensou a mãe: tão efusivo ele está, será que tem entorpecente na prisão?  O Chefe apresentou alguns companheiros, como se fossem velhos amigos. Dois deles eram estelionatários, gentis, como se fossem alunos do Instituto Rio Branco. Eram autodidatas na interpretação do cipoal das leis do Código Penal. Na ocasião, disse a  mãe dele que o causídico do Chefe deveria ajuizar recurso assim e/ou assado. A mãe deu-lhe um bom dinheiro, todavia o Chefe disse ser insuficiente para quitar compromissos assumidos, senão poderia ser  maltratado como da primeira vez, ou o pior poderia acontecer.

 

2 de setembro de 2016

Teresa Fênix (segunda parte)

O Chefe levou  catilipapos da puliça, que como agente da lei, aprecia fazer justiça com as próprias mãos, repetindo as agressividades do meliante. Com esse procedimento, relembra a barbárie da Idade Média, em moda em pleno século 21. Em seguida o Chefe foi algemado, jogado no camburão e conduzido ao Monte Líbano, que não é o aprazível clube muito bem localizado no Leblon, o mais caro bairro do Rio de Janeiro. Ou não é  gentil  Líbano, onde as parreiras libanesas se curvam diante dos visitantes. Esse Monte Líbano, é o presídio em Cachoeiro do outrora caudaloso rio Itapemirim (pedra pequena em tupi) onde abriga, hospeda ou deposita os culpados e inocentes, diante da cegueira conveniente  da justiça que serve e protege a classe dominante e seus subservientes, desde a existência da humanidade. Após as providências inócuas da burocracia, teve a cabeça raspada ( evita a proliferação dos pilhos),  uniformizado e numerado, fazendo lembrar do filme o "Homem de Alcatraz", protagonizado pelo ator Burt Lancaster(1913/1994). E foi para a cela superlotada e promíscua. Os internos já sabiam quem era o mais recente morador da Seção prisional 1313. Há uma "camaradagem" entre os agentes carcerários e os apenados. Por ter agredido uma mulher, o Chefe foi estuprado pelos companheiros da unidade carcerária. O Chefe  deu entrada no hospital com hemorragia anal.Tereza Fênix não foi informada pelo que aconteceu. Se tivesse sido, diria maternalmente(esquecendo dos hematomas e das dores do  ombro esquerdo retorcido pelo Chefe): coitadinho.  Maga Psicológica foi ao hospital visitar o filho único, como consequência de um affair ocorrido com um conhecido e rico cabouqueiro na região.

29 de agosto de 2016

Tereza Fênix (primeira parte)

Tão logo a conheci, numa oportunidade, indaguei-lhe se apreciava a leitura. Respondeu-me sem cerimônia: não gostava  de ler. E justificou reafirmando ser o livro algo entediado. O filho menor, está  indo para o mesmo caminho a passos largos. Fez coro diante da  revelação bombástica  da mãe dele, ao dizer: tal mãe, tal filho.
 O pai graduado na ciência cibernética, está interno numa clinica de reabilitação para dependentes químicos. A química enquanto ciência  levou a pecha na nomenclatura dessa atividade suicida . A personagem será tratada como Teresa Fênix , e o filho como Ulisses. No momento Teresa Fênix trava briga judicial pois a pensão alimentar, é de valor aquém das necessidades do filho pré-adolescente. E a avó paterna, responde pelo codinome de Maga Psicológica,  reivindicadora em  dividir a  educação do menor. Eis as  dramaticidades (talvez) universais. Conflitos que ocorrem no cotidiano da terra brasilis, abaixo da linha do Equador, podendo fazer  diferença ou não. Teresa Fênix apareceu de uns tempos para cá, macambúzia deixando transparecer que poderia estar deprimida, fruto das contendas existenciais  enfrentadas. A Antonieta é a mãe de Teresa Fênix  separada do pai, cujo apelido é Zeca. Antonieta colocou a filha  para fora da casa materna, forçando-a a alugar um simplório apartamento. Ela  teve a  ajuda do Zeca para o pagamento do aluguel. Nesse andamento operístico com desenhos teatrais, o  analista de sistema, é conhecido como Chefe na Clínica de reabilitação. Está na iminência de receber alta. Se tal ocorrer, possivelmente Teresa Fênix ampliará o seu leque de problemas, pois está separada do Chefe muito antes da internação. Maga Psicológica  "trabalha a cabeça" do Ulisses para o pai dele, reatar com Tereza Fênix, que aparentemente não deseja reeditar,  maus tratos cometidos no passado recente pelo Chefe. O tempo é implacável, e o analista de sistema,  finalmente conquistou a "alta médica". E no primeiro dia liberto do Gulag tupiniquim, usou droga e foi preso após espancar  Tereza Fênix, e sequestrou o filho por treze longos dias.  A pequena rua, de casas reformadas, com os tradicionais "puxadinhos" de gosto discutível,(a necessidade faz o batráquio pular),  foi notícia a agressão do Chefe nos pasquins locais. Essas crises existenciais e intestinas, não são inéditas na cultura brasileira,  e acontecem em todas os níveis  da estratificação social. O Chefe foi julgado e recebeu uma severa pena.



20 de agosto de 2016

Olimpíada Carioca

As competições deveriam ser tratadas com cerimônia, por serem consideradas instrumento de dominação das elites. Foram doze  os  Césares  que utilizaram essa peça de marketing, conhecida como panis et circenses , ou pão e circo. Essa propaganda enganosa é utilizada até aos nossos dias. Os atores por ausência de politização se prestam como protagonistas na busca das luzes de neon, que poderá significar rios de euros...ou eclipsados por um pífio desempenho. Há também o agravante do dopping, que são poderosas drogas, absurdamente ministrados aos atletas para uma melhor performance. Os usuários considerados culpados, através de exames laboratoriais, tem os título cassados, e caem em desgraça na mídia. Durante a guerra fria (1945), patrocinada pela URSS, Cuba, EUA , Inglaterra e França,os blocos soviéticos e o americanos do norte disputavam as Olimpíadas como propaganda dos respectivos modelos político/econômicos adotados por eles. Era a contenda entre Adam Smith X Karl Marx. Nesta festa desportiva, saltam aos olhos, pelas imensas dificuldades enfrentadas, por alguns concorrentes brasileiros (e de outros continentes como a África e América hispânica), que na ausência de oportunidades, abraçam as alternativas apresentadas e se aprimoram nos treinamentos para alcançarem o podium. Uma minoria consegue sucesso, como se fosse uma mágica mística. Venceram os obstáculos, como a jovem de comunidade carente – a judoca dourada Rafaela Silva – da Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, que está mais para a "cidade do diabo", quer pela violência, quer pelas precárias condições de vida, sem contar os tiroteios. Rafaela Silva é uma heroína, tal qual o jovem baiano Izaquias Queiroz de Ubaitaba, perto da paradisíaca praia de Itacaré, que transformou o sonho em realidade, ao conquistar três medalhas na modalidade - canoagem - nessa Olimpíada carioca e quase universal. O investimento na Olimpíada foi caríssimo (quarenta bilhões de reais, fora a possível taxa extra). Com o retorno financeiro, fruto do trade turístico, o resultado apurado jamais será contingenciado para o setor educacional, pois a educação não reverte em voto. É público e de larga notoriedade que o primeiro mundo se construiu, pelo braço forte do conhecimento, através das pesquisas tecnológicas desenvolvidas nas Universidades. Uma curiosidade: recentemente num plebiscito, a pequena e rica Suécia rejeitou sediar a Olimpíada. Porque? Abaixo da linha do Equador, quase tudo se opera com mais dificuldade. As conclusões mais percucientes são livres e imponderáveis.

26 de julho de 2016

Fernando Brito



Wingsuit – homem alado ou  homem-falcão. Essa é a modalidade desse esporte de altíssima precisão. Conheci diversos birds-men ou homens que rasgam os céus, dentre eles o experiente esportista - Fernando Brito – que foi  Capitão de Fragata da Marinha do Brasil, e bravamente atravessou a estreita fenda que separa Os Pontões, cuja largura é de dez metros ou menos, e a altura em torno 1280m.  Esse esporte é praticado por cinquenta homens e duas mulheres.   Fernando Brito, com quem mantive uma breve e rica convivência, foi seguido nessa espetacular travessia, por outro homem pássaro – Gabriel Lott – da Coordenadoria de Operações Especiais da Policia Civil do Rio de Janeiro. Depois de ter saltado em inúmeras oportunidades da Pedra da Gávea, no Rio de Janeiro, Fernando Brito foi traído pelo acaso da atividade, que   o vitimou em  abril de 2016. Em homenagem ao pioneiro a praticar o  wingsuite n’Os Pontões, vários outros homens pássaros estão empreendendo pequenas romarias, praticando o wingsuit n’Os Pontões, para   homenagearem  Fernando Brito.   Lá no maciço siderúrgico acima citado, as famílias ítalosanamarinenses e outras nacionalidades tais como as famílias de Valmir Domingues Freitas, Lázaro Ravani, Francino Mazza, e filhos, destaque para o Marcos que será o primeiro conceiçuense a saltar de paraquedas,   das rochas bem desenhadas.   Marcos Pastor, Roberto Santos e Douglas Prucoli,  recepcionaram e  hospedam graciosamente esses homens voadores. Fernando Brito poderá ser visto através da mais brilhante estrela, da constelação de Orion no firmamento acima d’Os Pontões preferencialmente nas noites luas cheias.

5 de julho de 2016

George Harrison



Recentemente assisti pelo You Tube um concerto para homenagear o beatle George Harrison(1943/2001), onde além do filho dele, o guitarrista Dhani Harrison, participou o  discreto Eric Clapton amigo do homenageado, e os beatles Paul MacCartney e Ringo Starr, além de outros músicos. Foi uma belíssima apresentação com back voice, metais, cordas, percussões e outros instrumentos. A abertura foi de uma orquestra indiana típica, que tocou músicas de inspiração budistas ou harekrishianas. Essas músicas remetem a viagem  que os The Beatles empreenderam a Índia de Mahatma Ghandi, na busca do transcendental ou equivalente. A necessidade do ser humano é abissal para encontrar o nirvana por aqui, ou lá ( não sei onde). E o contato parece ter influenciado esse inglês de Liverpool, cuja a origem é  a mesma do puritano Oliver Cromwell(1599/1658), e mergulhou nas sabedorias místicas indianas e morreu talvez acreditando nas mágicas mantras. Essa fraqueza filosófica ocorre nos mais variados segmentos sociais, destaque para as chamadas celebridades, como o  boxer campeoníssimo Cassius Clay que se auto-rebatizou como Muhammad Ali, e abraçou a religião muçulmana, e  de igual teor foi o cantor Cat Steve, conhecido desde  um dos Rock in Rio, evento musical que ocorre no Rio de Janeiro há algum tempo. Outros seguem o caminho do ateísmo ou da prática agnóstica. Enfim as buscas são muitas, em diversas direções das verdades (im)ponderáveis.

22 de maio de 2016

Navalha Solingen



Estava a dirigir mon petite voiture ( modesto, contudo valioso aprendizado de francês  e ou inglês ministrados em colégio público no interior capixaba há anos)  e diversas digressões  iam e voltavam igual a um boomerang australiano, tomando  por exemplo, os costumes aqui na terra brasilis, tal qual o chapéu de aba curta  usado pelo famoso sambista  Zé Keti (1921/1999). O dente encapado de ouro. Unha longa do dedo mindinho. Colar com São Jorge de bom tamanho, camisa semiaberta. Anéis em ambas mãos. Sapatos lustrados de duas cores. Cabelo cortado à moda príncipe Danilo. Calça branca e larga,  de linho meio amassado. Ou os mais desleixado, calçando mocassim(sem salto)  que pertencia a malandragem. No passado esse tipo de pisante, era fácil de se retirar dos pés para se defender da navalhada  desferida por uma  Solingen, cujo  fio é um dos melhores do mundo. As vezes o palito  correndo celeremente de um extremo ao outro da boca. Enfim são diversos gestuais praticados pelo povo de origem ameríndia, europeia e ou  africana. Hábitos cultivados pelo povo, não merecem nenhum tipo de julgamento, ou crítica. A cultura é a referência maior de uma nação. Billy Blanco, Bezerra da Silva, Moreira da Silva e Tom Jobim foram usuários de chapéus panamá,   e de  roupas alvas e amarrotadas pelo uso. Pierre Trudeau ex-premier do Canadá  apreciava receber chefes de estado calçando sapatos brancos sem meia e blazer sem gravata. Toda essa etiqueta, de se usar terno e gravata a uma temperatura de quarenta graus centígrados à sombra,  para se apresentar as autoridades,  tem origem lusitana. Esse comportamental é originado em Portugal que se considera até hoje, como se fosse uma sub-Inglaterra. Desde o traje passeio completo, e as  tratativas exageradas quer na escrita e na verbalização, quer na indumentária, está a copiar o país europeu que mais invadiu o mundo E ainda dizem:  God save the queen.

1 de maio de 2016

Cupim



Caminhando por uma estrada de chão (no contexto paranóico, é preciso perder peso), na terceira caminhada empreendida encontrei um minúsculo túnel construído pelos operários cupins. É sabido que esses insetos se alimentam da madeira, e se instalam nas árvores, nos móveis e em noutros locais, e os destroem. Ao ver os pequeninos túneis, numa rápida atitude acabei com a passagem dos cupins. Eles se confundiram e bateram cabeça, pois se locomovem fazendo curvas suaves e longas trilhas lineares.  Ficaram atônitos diante da destruição. No dia seguinte voltei pelo mesmo trajeto, e notei que os pequeninos túneis estavam todos reconstruídos. Uma obra de arte cujo vetor pode ser a nanotecnologia da sábia natureza. Na empírica observação  os cupins edificam a obra deles por dentro, como se fossem os tatus mecânicos construtores  dos metrôs na Europa. A família dos cupins é numerosa, destacando-se os cabeça-de-negro, cabeça-de-saúva, das árvores, das casas, das folhas, de madeira, de monte, de montículo, murundu e outros. Diante da lição de vida dos cupins, pela tenacidade da reconstrução, persistentes no objetivo, que é a busca da alimentação, como integrante do fator do equilíbrio do ecosistema, talvez a  pesquisa pura sobre os cupins, revele a função natural desse inseto no planeta terra, que é infinitamente mais destruído pelo homem, do que pelos isópteros (cupins).