11 de junho de 2012
Rio+20
O mundo está adoentado, e o causador dessa enfermidade é o seu inquilino, conhecido como homus sapiens, ou o homem sábio. Nem tanto, as fotos não mentem, e a poluição vai desde o espaço sideral, com suas parafernálias abandonadas, até a baia da Guanabara, bela e poluída, que necessitará de uns trinta anos para se tornar limpa, conforme nos entregou a natureza. A Rio+20, é sucessora da ECO-92, que tem como meta o desenvolvimento sustentável, como saída para diminuir o lixo, em todos os quadrantes. Os sólidos são depositados no universo, na terra, no ar e no mar. Há quem afirme, que os mandatários mais poderosos, tendem a não estarem presentes, tomando como exemplos, a chefe do governo alemão - Angela Merkell, Barack Hussein Obama. A primeira envolvida com a crise européia, e o segundo; bastante preocupado com a reeleição. Há um cheiro de fracasso no ar da Rio+20. Pois, em momentos bicudos - leia-se crise financeira - a questão ambiental certamente ficará em segundo plano, igual tratamento, se dá aos processos culturais. Esses huguenotes, francos, anglos, germânicos e outros, não cuidaram das suas matas, e muito menos dos seus mananciais. Não há registro, de uma campanha por parte deles, na direção de (re)florestar ou acabar com o lixo “sanitário”, contaminador dos lençois freáticos. É sempre bom lembrar a “Carta do Cacique Seattle”, que é conseqüente e atemporal.
31 de maio de 2012
Beethoven
Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Eis um adágio popular cujo o remetente é a dramaticidade da (in)decisão; em quaisquer setores da atividade humana. A dúvida nem sempre é uma madrasta, poderá ser atitudinalmente acertada. A sabedoria poderá se hospedar na descrença, ou não. Não se conhece a cronologia, muito menos a validade dessa permanencia. Tal qual um castelo de areia, que se esvai por uma (in)esperada onda do mar. Alguns sábios dizem que o “cavalo só passa uma única vez encilhado” , caso não o cavalgue, ele vai embora. O estado d’alma de quem “perdeu o único corcel”, não é dos mais confortáveis, mas o tempo, eficaz antídoto faz milagre. No contraponto, as culpas purgam incessantemente, daí o purgatório. No andar de baixo, a geena aguarda as almas que desembarcam aos borbotões, combustível indispensável para manter acesa a fogueira. Nesse contexto, o compositor Beethoven(1770/1827), já totalmente surdo, versejou, no quarto e último movimento - Ode a alegria - em sua derradeira nona sinfonia - ele assim vaticinou: “ Quem já conseguiu o maior tesouro/ De ser amigo de um amigo/ Quem já conquistou uma mulher amável/ Rejubile-se conosco/ Mesmo se alguém conquistar apenas uma alma/ Uma única em todo o mundo./ Mas aquele que falhou nisso/ Que fique chorando sozinho " Há um indicativo no ar, que desenha um esboço na construção do (des)encontro - igual ao vôo cego de um falcão - para não se escutar, o silencio da solidão, de quem nunca o desejou. O destino é arrebatador, mesmo num viver modorrento; ele atua feito uma febre rotineira; que arde todas as tardes - quando os pássaros se recolhem aos seus ninhos - como uma irrevogável punição.
27 de maio de 2012
Frederico Chopin
Ele nasceu em 1810, na Polonia de Karol Wotyla, ou do inolvidável João Paulo II. Morreu precocemente aos trinta e nove anos, de tuberculose. Enquanto viveu, compôs obras que se eternizaram no tempo. A familia dêle fugiu da perseguição política, e se instalou em Paris. Chopin, pelo amor demonstrado ao país que o acolheu, foi adotado pela França, tal qual o compositor germânico Jorge Häendel (1686/1759) foi pela Inglaterra. A mãe dele era culta, e o encaminhou desde cedo, a estudar as partituras de Bach, e os clássicos vienenses. Em Paris recebeu elogios de Franz Liszt e Roberto Schumann, e logo se estabeleceu como professor. Teve vários romances, dos quais o mais longo, foi com a irrequieta escritora George Sand, pseudônimo de Aurora Dupin. Sua música repercutiu nos grandes centros urbanos de então - Londres e Leipzig – e em Paris, certamente. Segundo os estudiosos, ninguém se dedicou tanto ao piano, igual a êle. As suas composições são variadas, desde as valsas, baladas, impromptus(improvisações), as polonaises, rondós, mazurcas, até as composições para piano e orquestra. Foi admirado pelo ineditismo, na exploração dos recursos do teclado do seu instrumento preferido. Eis a declaração do Jornal La France Musicale “.... as obras dele são sutis e de textura simples, e repletas de suavidade e leveza, quando preludia o piano...” Sua harmonia musical, faz bem a alma de quem o escuta, desde as baladas, até os concertos. As mãos de Chopin eram mágicas, e estão reproduzidas sobre a lápide, em Paris onde repousa para sempre.
25 de maio de 2012
I hope so
Os eqüinos pastam solenemente nos gramados das praças, e em outros logradouros públicos. Revelar-se-á uma fotografia instigante, se se acionar a imaginária máquina-do-tempo. A surpreendente foto, remete ao inicio dos anos 406, na Idade Antiga, no tempo de Átila, rei dos hunos. Diz a lenda que por onde o seu cavalo pasava não nascia nenhuma vegetação. Mas os cavalos daqui, não são os mesmos de Átila. Os daqui, depositam seus dejetos no passeio público, e de tanto repetirem a mesma coisa, poderão se tornar patrimonio público. Para complementar, eles desfrutam de palatáveis gramíneas plantadas na Praça das (ex)Mangueiras, que podem ser de diversos tipos: esmeralda, Sto.Agostinho e outras. Um descaso que poderia ser sanado, junto com as matilhas nômades de cães vira-latas. Eles vagam, e infectam as ruas, "esvaziando seus intestinos" nas vias públicas. Não há mistério para promover a proteção dos cidadãos, e nem dos animais. “I hope so”
19 de maio de 2012
A França xenófoba
A França é a quinta economia do mundo, e a segunda da Europa. Nas eleições realizadas recentemente, os franceses elegeram François Hollande como seu presidente, pelos próximos cinco anos. O partido socialista venceu o conservador Nicolas Sarkozy por uma pequena margem de votos. A crise do euro, nada mais é, do que uma conhecida especulação financeira. Os títulos em geral, não correspondem o equivalente em moeda corrente. A Itália, Grécia, Espanha e agora a França votam contra os dirigentes atuais, que no entendimento popular são os responsáveis pela crise. Nikolas Sarkozy foi acusado durante a campanha eleitoral, de ter sido subordinado a Angela Merkell, chefe do governo alemão. Também pesou a suspeita, de que no último pleito tenha recebido robusta ajuda financeira do bérbere Muahmar Al Khadafi, na época, ditador da Libia. Segundo alguns analistas do matutino Paris Match, o ex-presidente, não desenvolveu uma política econômica para atender os interesses dos franceses. Tratou os patricios de origem argelina como franceses de segunda categoria. O resultado, não tardou: ele foi derrotado nas eleições. A França, como todos sabem, tem na sua gênese um nacionalismo, que beira ao “fundamentalismo pós-moderno“, em contraponto ao registro da história, que revela as invasões exploradoras das riquezas, e do povo das nações africanas. E o neocolonialismo europeu, continua ativo na África. A França foi a maior potência estrangeira no continente africano, tendo espoliado os seguintes países: Argelia, Marrocos, Tunisia, Mauritania, Mali e mais oito nações co-irmãs. Esse é o retrato, da atual França xenófoba, que é a mesma que asilou Pablo Picasso, por ocasião da guerra civil espanhola(1936/39)

Imagem: randy_harris via Photopin CC
27 de abril de 2012
Roberto Carlos, settanta uno
No dia 15 de julho de 1953, aconteceu uma das festas magnas da cidade de Mimoso do Sul, localizada no extremo-sul espiritossantense. Após dezessete anos, inspirado, assim versejou o poeta Orlando Martins:

Imagem: jocluis via Photopin CC
E dessa quadra se originou o hino oficial da cidade. No dia acima citado, o rei Roberto Carlos cantou e encantou a todos que o assistiram. Ele estava com doze anos, e infelizmente a sua perna direita já tinha sido amputada pelo trem em Cachoeiro do Itapemirim, quase em frente ao inesquecível cinema Broadway, numa manhã de domingo do dia 29 de junho de 1947 – dia de São Pedro. Era de costume Roberto Carlos passar as férias escolares na modesta – Mimosa, salve Mimoso do Sul – com a sua bem-aventurada tia – Antonica Moreira Luz – irmã da sua mãe, Lady Laura. No tempo e no espaço, há quem afirme, contudo, ainda carecendo de documentação comprobatória, que o rei tenha nascido em Santo Antônio, distrito desse condado. Os pais do rei casaram-se no distrito supracitado, de acordo com a certidão do cartório local. Há verdadeiras chances de ele ter vindo ao mundo nas terras do bucólico Santo Antônio, até porque Lady Laura e seus numerosos familiares são todos da região. Cachoeiro do Itapemirim,tornou-se a segunda alternativa, quando ela casou-se com o relojoeiro Robertino Braga. Aguardamos uma outra versão à moda "Dan Brown", para esclarecer o fato, ou não. Quem poderia colaborar na elucidação desse "imbróglio" teria sido a sua mãe, que viajou ao zênite, e, em vida, nunca foi questionada sobre o assunto. Enquanto isso, por serem tantas as emoções, ainda na validade, o mais popular cantor brasileiro, comemora, as suas, setenta e uma primaveras. Parabéns Roberto Carlos!
Salve Mimoso do Sul,
Cidade-mulher,
Eterno amor
De quem aqui vier!

Imagem: jocluis via Photopin CC
E dessa quadra se originou o hino oficial da cidade. No dia acima citado, o rei Roberto Carlos cantou e encantou a todos que o assistiram. Ele estava com doze anos, e infelizmente a sua perna direita já tinha sido amputada pelo trem em Cachoeiro do Itapemirim, quase em frente ao inesquecível cinema Broadway, numa manhã de domingo do dia 29 de junho de 1947 – dia de São Pedro. Era de costume Roberto Carlos passar as férias escolares na modesta – Mimosa, salve Mimoso do Sul – com a sua bem-aventurada tia – Antonica Moreira Luz – irmã da sua mãe, Lady Laura. No tempo e no espaço, há quem afirme, contudo, ainda carecendo de documentação comprobatória, que o rei tenha nascido em Santo Antônio, distrito desse condado. Os pais do rei casaram-se no distrito supracitado, de acordo com a certidão do cartório local. Há verdadeiras chances de ele ter vindo ao mundo nas terras do bucólico Santo Antônio, até porque Lady Laura e seus numerosos familiares são todos da região. Cachoeiro do Itapemirim,tornou-se a segunda alternativa, quando ela casou-se com o relojoeiro Robertino Braga. Aguardamos uma outra versão à moda "Dan Brown", para esclarecer o fato, ou não. Quem poderia colaborar na elucidação desse "imbróglio" teria sido a sua mãe, que viajou ao zênite, e, em vida, nunca foi questionada sobre o assunto. Enquanto isso, por serem tantas as emoções, ainda na validade, o mais popular cantor brasileiro, comemora, as suas, setenta e uma primaveras. Parabéns Roberto Carlos!
17 de abril de 2012
Moral pública
O poder judiciário começa a dar sinais sobre o julgamento do "mensalão". Pois se pretende julgar esse volumoso processo, antes do início das tratativas oficiais para as eleições, para se escolher prefeitos e vereadores em todo o país. A informação veio do ministro Ayres de Brito, de acordo com a sua entrevista, num importante matutino carioca. Na próximo dia dezenove do corrente, o ministro será empossado como presidente da mais alta corte de justiça do Brasil. O Supremo tem demonstrado sintonia com a sociedade, quando acatou a Lei da Ficha Limpa, uma iniciativa - genuinamente popular. Esse comportamento do Judiciario, em atender as reivindicações da sociedade civil, é fruto da democracia na sua plenitude, e que foi conquistada pelo povo brasileiro. É preciso fazer justiça , pois o mensalão, foi uma manobra inescrupulosa, na compra dos votos de alguns parlamentares, com o dinheiro público, para votarem matérias de interesse do então governo. Confia-se na imparcialidade dos magistrados, pois no imaginário popular, esse segmento simboliza os bons costumes e a moral pública.
6 de abril de 2012
O numeral sete
O poeta Vinicius de Moraes, demonstra ser simpático ao setenarismo, no seu poema: A mulher que passa: tem sete cores nos seus cabelos/sete esperanças na boca fresca. Os números carregam desde a antiguidade, enígmas e misticismos. Para dar partida a importância esotérica deste numeral, de inicio corresponde aos sete dias da semana, aos sete planetas, aos sete graus da perfeição, às sete esferas celestiais, as sete pétalas da rosa e mais alguns setenários , que para os egípcios é o símbolo da vida eterna. Cada período lunar dura sete dias, os quatros (número 4, também perfeito) períodos do ciclo, que é igual a 4 X 7, fechando o processo.. Filon, filósofo judeu, no séc. I dC, observa que a soma dos sete primeiros números (1+2+3+4+5+6+7) = a 28, ou seja, ao mesmo resultado . As voltas praticadas pelos muçulmanos, em torno da Meca, são sete. Na lenda antiga, o céu tem seis planetas, e o sol é o sétimo, e está no centro. O setenário resume igualmente a totalidade da vida moral, acrescentando as três virtudes teologais – fé, esperança e caridade – mais as quatro virtudes cardeais: prudência, temperança, justiça e a força, num somatório de sete. O arco-iris, é composto de sete cores, sendo o branco a síntese de todas as demais. E as sete notas musicais. Sete é a chave do apocalipse, onde aparece quarenta vezes: sete igrejas, sete estrelas, sete espíritos de Deus, sete selos, sete trombetas, sete trovões, sete cabeças, sete pestes, sete reis. Sete é o número dos céus búdicos, de Sidarta Gauthama. O árabe Ibn Sina ( Avicena, 980/1036) descreve os “sete arcanjos príncipes dos sete céus”, que são os guardiães de Henoc e remetem aos sete Rishi védicos(indianos). Eles habitam as sete estrelas da Grande Ursa(deusa mãe), com as quais os chineses relacionam as sete aberturas do corpo humano, as sete aberturas do coração. Observe que o Ioga, conhece os sete centros sutis, a saber, seis chakras e o sahasrârapadma. Quarenta e nove ( 7X7) é o número do Bardo, ou poeta. O estado intermediário, que se segue a morte, entre os tibetanos, dura quarenta e nove dias, dividido em sete períodos de sete dias. Acredita-se que as almas japonesas permanecem quarenta e nove dias sobre o teto das casas. A Bíblia cita o número sete em diversas ocasiões. No Velho Testamento aparece setenta vezes, o que passa ser um número mágico. Sete são os céus onde habitam as ordens angelicais, castiçais de sete braços, sete espíritos que repousam sobre o tronco de Jessé. Salomão construiu o templo em sete anos ( 1Rs 4,35). Os minaretes da Meca de Maomé são sete.Pela própria transformação que inaugura, o número sete passa a ter um poder extraordinário: quando da tomada de Jericó, sete sacerdotes, que levavam sete trombetas, deviam no sétimo dia, dar sete voltas em torno da cidade; Eliseu espirrou sete vezes, e a criança ressuscitou (2Rs 4,35). Um hanseniano se banhou sete vezes no rio Jordão e saiu curado ( Rs 5,14). O justo cairá sete vezes e se levantará ( Pr 24,16). Sete animais puros de cada espécie serão salvos do dilúvio. José interpretou o sonho, de sete vacas magras e sete vacas gordas, como sete anos de fatura e sete anos de dificuldades. Sete é um numeral querido pela aritmética bíblica. Sete significa sempre a perfeição, o que a gnose denomina a pléroma, como “o que está completo”. No apocalipse 5,5, Cristo é o Leão de Judá, que venceu de tal maneira, que pode abrir o livro e desatar os sete selos. Sete configura a conclusão do mundo, e a plenitude dos tempos. Santo Agostinho, filho de Santa Mônica, indica ser o sete, medidor do tempo da história, que é o tempo da peregrinação terrestre do homem. O castelo de "Barba Azul", no corpo do texto da ópera húngara de Béla Bartok, existem sete quartos. E numa outra ópera de Wagner - O Navio Fantasma - o comandante norueguês Daland, a cada sete anos ele desembarca em terra, para encontrar uma mulher para ser-lhe fiel até a morte. A missa de sétimo dia vigorou até recentemente. Eis outra curiosidade: sete vezes fui casada/ sete homens conheci/ E juro por fé de Cristo/ Inda estou como nasci. Essa quadra de origem nordestina, remete a sagrada escritura, a seguinte história: Sara filha de Ragüel, se casara sete vezes, e seus maridos foram mortos por amodeu (diabo) nas noites nupciais. Exorcizado por Tobias, que em seguida a desposou. Isso aconteceu há sete séculos antes de Cristo.
Referências: Guia da Ópera, Jeanne Suhamy, p.198,Ed.L&PM Pocket, Dicionário de Simbologia, Manfred Lurker,Ed. Martins Fontes.
26 de março de 2012
Rio+20
Em 1992, o Brasil sediou a maior cúpula mundial sobre o meio ambiente. Daqui a dois meses se inaugura, após 20 anos, da conhecida Eco-92, a Rio+20, patrocinado pela ONU, Organização das Nações Unidas. A finalidade é discutir e propor soluções diante das grandes chagas mundiais, a saber: a erradicação da miséria, a defesa do meio-ambiente, segurança alimentar, escassez da água, saude pública, e saneamento básico. Esse debate se dará com oitenta chefes-de-estado, 120 delegações e ONGS. Isso totaliza aproximadamente, cerca de 50.000 visitantes, na busca de despertar uma cultura empresarial sustentável. As pesquisas indicam que cada individuo produz em média um quilo de lixo/dia . O lixo, incorporou uma nova nomenclatura, e se convencionou a chamá-lo de residuos sólidos . E a prática da separação e reciclagem desses resíduos, por aqui, infelizmente é quase zero . Diante do fato, eis um bom exemplo:/ Na Alemanha de Wolfgang Goëthe, se reaproveita quarenta por cento dos resíduos sólidos. E uma certa empresa germanica, registrou o espetacular movimento de 13,3 milhões de euros, reciclando resíduos . Esse é um bom filão de negócios ainda adormecido, e que a classe empresarial desconhece. É também necessário que cada cidadão e cidadã, conscientes, não colabore com a poluição. As futuras gerações certamente agradecerão . Pense nisso !
19 de março de 2012
Desastres ecológicos.
Em novembro de 2011, houve um gravíssimo derramamento de óleo na Bacia de Campos. Foram despejados em alto mar, cerca de dois mil barris de óleo. Esse acidente foi provocado pela americana Chevron, batizada anteriormente como: "Standart Oil of California", conhecida com uma das 7 irmãs - as maiores exploradoras - de petróleo no mundo. Em 1938, descobriu a maior reserva de petróleo do mundo na Arabia Saudita. Mais à frente, fundiu-se com a Texaco. É considerada a maior pesquisadora em energia geotérmica do mundo. Um novo vazamento ocorreu, no dia quatro de março, do ano em curso. Há uma pergunta no ar : má fé ou incompetencia ? A empresa adiantou que foram somente cinco litros de óleo derramados. O contraponto, veio através da vistoria executada pela Marinha de Guerra, que calculou, cerca de 1 km, de óleo espalhados no oceano. Diante da gravidade, os diretores da empresa estão proibidos de deixarem o país. Algumas ações foram ajuizadas pelo poder público. Os técnicos suspeitam que na exploração, se produziu uma pressão bem maior, do que a área poderia suportar. E eles não possuem tecnologia disponível, para conter vazamentos. As autoridades brasileiras, no primeiro acidente, deveriam ter procedido uma severa varredura na Chevron. Eis a praxis, há muito vigente nas hostes governamentais: depois da porta arrombada, se providencia o cadeado ! E vai mais além: afirmaram os especialistas, que esse segundo vazamento, poderá ter sido uma conseqüência do primeiro, que não foi cimentado corretamente. Mais uma razão, para o governo federal se empenhar , que os royalties do petróleo, não podem ser repartidos igualmente aos estados. Pois, nos momentos dos acidentes, infelizmente, não acontecerá nenhuma solidariedade. Os ônus dos desastres ecológicos, caberão tão somente, aos estados produtores de petróleo.
12 de março de 2012
Nepotismo à vista
Novamente o poder legislativo na berlinda. Mais uma vez, a imprensa recentemente apurou, que cerca de treze senadores, empregam parentes e, ou amigos nos seus gabinetes. São considerados funcionários-fantasmas, pois lá no Senado federal não aparecem para trabalhar. Curiosamente, um deles estava se aprimorando, os seus saberes, num curso de extensão na Espanha. É o conhecido nepotismo, que em latim, nepotis, nepto significa, “sobrinho filho de sobrinho”. E tem mais: oito desses sanguessugas, estão sendo investigados, e outros já foram condenados pelos tribunais, a devolverem verbas publicas, quando exerceram cargos públicos. Não há critérios por parte do poder público, quando preenche esses cargos de confiança. Infelizmente, isso ocorre nos três poderes, no legislativo, judiciário e executivo. Numa democracia, ressalta-se a importância da liberdade de imprensa, e a sua responsabilidade, quando apura os fatos que envolvem os desvios das verbas publicas, e a postura ética dos seus agentes. É preciso que cada cidadão, se organize nas suas associações de moradores, entidades de classe, ou em outras instancias legais, para reivindicar uma melhor qualidade de vida, e cobrar dos seus representantes a prestarem contas das suas atividades. Certamente, dias melhores virão...
8 de março de 2012
Mulher: todos os dias
As mulheres, congratulo-as, pelo dia de hoje e todos os demais. Pelo encontro das águas que provocam, e todas desaguam nos sete mares. A água, irmanada à terra, é feminina. Pela capacidade do milagre de dar a luz, e criar seus rebentos com o amor incomparável da mãe... e isso ocorre com todas as marias, de todos os continentes. Ser mulher, é armazenar a intensa energia do afeto, e pois só ela ilumina os labirintos da vida, e decifra os enígmas das paixões (in)contidas. A mulher é a caverna, a casa que acolhe o guerreiro exangue, é a rainha das anfitriãs. A casa é o colo materno. Ela proporciona o calor e a proteção nas intempéries. É o côncavo, vaticinando o convexo. Michelangelo personificava a noite por meio de uma mulher ( Capela do túmulo dos Médicis, Florença). É a mãe, a terra que fertilizada pelo orvalho e pela chuva, lhe gera frutos. Há uma tradição nômade a vigorar até aos nossos dias, assim: " é a única ponte segura e reconhecida para os seus descendentes". Na morte, o ser humano retorna segunda a lenda, à sua mãe. A lua é a contrapartida celeste da mãe terra . A mulher é par, o céu, a luz e a vida.
6 de março de 2012
As Malvinas
O arquipélago das Malvinas, para os argentinos e Falklands para os ingleses. Essas ilhas são reclamadas pela Argentina, por se considerar herdeira, das colônias da coroa espanhola. Estão localizadas na parte austral desse país. Há controvérsias. A Inglaterra ocupa essas ilhas desde 1833. Num conflito armado em 1982, a marinha inglesa derrotou as forças navais argentinas, afundando o cruzador General Belgrano, e o saldo foi de, 649 soldados argentinos mortos, contra 255 britanicos. Há quem afirme haver combustíveis fósseis, leia-se petróleo na região . Os historiadores, sempre afirmam que toda guerra tem motivações econômicas. A presidente Cristina Kirchner, do pais vizinho insiste em invadir militarmente essas ilhas. E tenta envolver os paises do Mercosul, em especial o Brasil. Há quem afirme, que o povo argentino somente se une, em função de atos viris de civismo. E por isso, se provoca outro conflito. Se tal intenção for verdadeira, repetirá o fiasco , empreendido por um "alcoolizado" general portenho, que logo após o conflito bélico, foi preso e condenado . É preciso bom senso, nesses momentos delicados, pois a guerra só produz sofrimentos, e em seguida, lágrimas em profusão.
5 de março de 2012
CINEMA PARADISO E JOSÉ MARIA DE OLIVEIRA
O cinema é um marco no processo de vida daqueles que vivenciaram Mimoso do Sul de 1953, data da inauguração do Cine Teatro São José, até ao final da década de 60, aproximadamente, quando se inicia a primeira diáspora. A maioria foi em direção ao Rio de Janeiro, depois alhures. A ausencia de perspectivas começa a cortar a própria carne. A cidade começa a perder os seus valores, incorporados em personagens paradigmáticas, tal como José Maria de Oliveira entre outros, que em 1953 com uma visão de modernidade inaugura o Cine Teatro São José, tal qual o Cinema Paradiso, localizado numa pequena cidadezinha - Giancaldo - no interior da Itália, que foi tema de um belíssimo filme, dirigido por Giuseppe Tornatore. Tal fita conquistou o Oscar na categoria de melhor filme estrangeiro em 1989. José Maria é Giuseppe Tornatore, foi o diretor de um profícuo processo cultural, até quando pode resistir. Foi generoso e intrépido, sonhou e tornou realidade, numa pequena cidade, um cinema e teatro para um povo, que pela proximidade, respirava os ares culturais bafejados pela então capital federal, Rio de Janeiro. Era um momento impar, para a região nesse período, uma respeitável produtora de café. Ele foi um "apoena" (em tupi-guarani, é aquele que enxerga ao longe )...Cultura não é saber quem foi Max Weber, ou Karl Marx ou qual a diferença entre josé germano e/ou gênero humano. Essa correlação é inócua. A sua Paris, poderá ser em São Pedro do Itabapoana, depende de você e das suas circunstâncias. Isso não é uma apologia ao hermetismo, muito pelo contrário. De todas as definições sobre cultura, eis uma muito interessante : " ...é um conjunto de realidades regionais, que incorporadas, são importantes coadjuvantes na formatação da cidadania dos indivíduos. " Ele sem saber vaticinou, pois estava ungido do empreendedorismo em 1953. Participativo na atividade esportiva, entusiasta do esporte, destaque para o futebol. Foi um abnegado desportista, e presidente do Independente Atlético Clube. Ele ousou e chegou ao podium. A Rádio Nacional, era o must naqueles tempos, e única midia. Seus artistas eram a maximização do sucesso. A TV Tupi estava recém nascida em 1950. Em dado instante, resolveu contratar o mais famoso âncora dessa dessa emissora - Renato Murce - considerado hoje, legenda da radio-difusão brasileira. Para os mais jovens, mal comparando, o similar atual, talvez Pedro Bial, com severas restrições. Renato Murce, acumulava a função de apresentador e seu diretor. De eclética criatividade, o seu primeiro programa de calouros, era conhecido como "Papel Carbono ". A "entourage" desembarcou em Mimoso do Sul, para abrilhantar a inauguração do Cine e Teatro São José. E quem eram esses ilustres artistas ? Um deles, talvez não soubesse, que carregava uma imensa responsabilidade artística aos 16 anos de idade . Anos se passaram, e ele foi convidado, visitou a Rainha Elizabeth no Palácio Buckingham, e para a realeza compôs uma peça musical para violão e orquestra. Chamava-se Baden Powell de Aquino, violonista de sucesso internacional, que morou na França durante vários anos, tendo nascido na quase vizinha Varre-e-Sai. Outra grande estrela de sucesso, foi a cantora Carminha Mascarenhas, junto com o ator Pato Preto da Rádio Tupi, e a intérprete Eliana, entre outros. José Maria foi para o zênite. Era riquíssimo de filhos e de espírito, morreu pobre. Legou-nos bons exemplos, tendo sido coadjuvante na educação daqueles que respiraram cultura por ele veiculada. Sem medo de errar, a fase de ouro de uma vida, é a infanto-juvenil. É nela que mais se apreende. Foi-nos proporcionado desde a aventura-drama do inesquecível filme Ben-Hur, até o espetacular suspense de Psicose. Dirigido pelo mestre Alfred Hitchcock, com Anthony Perkins. Alguém disse: ..."quem não conhecer a sua história, estará obrigado a repetí-la, e se tal ocorrer será uma farsa "
4 de março de 2012
A queridinha ( segunda parte )
Eremildo, era o marido de Joana D'Arc. Não tinha profissão definida, e os familiares dela montaram-lhe uma quitanda, para ganhar o pão-de-cada-dia. O casal não pagava aluguel, pois morava de favor na casa da sogra, num "puxadinho" construido pelos cunhados, que pela responsabilidade, conquistaram uma melhor posição na comunidade. A quitanda não tinha horário para abrir. Eremildo assistia filmes até altas horas da madrugada. Gostava das películas picantes, melhor dizendo, eram fitas pornôs. Para acordar de manhã, era um suplicio. Alguns fregueses reclamavam, pois abria o seu negócio muito tardiamente. Eremildo começou a se interessar por Gracinha - babá da filha do seu cunhado - ela era graciosa e muito jovem. Começou a cortejá-la, contudo não recebia nenhuma contrapartida positiva, por parte dela. O assédio continuou, e por diversas vezes abordou a jovem pájem. Certo dia, Eremildo encheu-se de coragem, e agarrou-lhe à força, tentando violentá-la.   Gracinha, desvencilhou-se do agressor, e em seguida denunciou-o junto a familia de Joana D'Arc. De nada adiantou. A reclamação, foi considerada uma denúncia vazia. Imediatamente "panos quentes" foram colocados pela Eleutéria, e filhos. Estarrecidas, as noras assistiam a farsa. A serviçal, foi estereotipada de mentirosa, oportunista e invejosa. E o prestigio dele sequer foi arranhado, por ter assediado uma menina de menor idade. E a vida transcorria sem intercorrencias, como se fosse um capitão-de-longo-curso, num mar de almirante. E para o coroamento desse união, a sua mulher engravida-se. Hosana, glória e júbilo. Todavia, ele não desistiu da prática de seduzir. E numa tarde de um inverno rigoroso, na boca da noite, eis que uma retardatária freguesa, foi em busca de temperos básicos. A cliente ao entrar na birosca de Eremildo, num ato repentino agarrou-a agressivamente. A vítima, se chamava Luanda, que lutou bravamente. Todavia, não resistindo a força dele, foi vencida caindo por terra, sem sentidos. Ele a possuiu sexualmente, se revelando um abjeto necrófilo. O farsante foi à rua e pediu por socorro, no qual foi prontamente atendido. Moradores afluiram e aplicaram à vítima alcool canforado, friccionando-lhes os pulsos. O efeito foi imediato. Luanda recobrou os sentidos e foi-se embora. Por se sentir envergonhada, e aviltada, resolveu guardar a sete chaves a ocorrencia. O tempo, relógio implacável da vida, indicou que Luanda estava grávida. Não existia exame de DNA na época. Luanda, reuniu suas forças e relatou tudo para Eleutéria, que não acreditou na versão da mesma. Igual expediente usado com a Gracinha. Joana D'Arc vociferou, dizendo que existia uma perseguição ao marido dela. E os irmãos apoiaram-na. Mais uma vez, ele safou-se, e passou a se sentir acima do bem do mal. Um verdadeiro semi-deus no Olimpo. E para atenuar a sua culpa, foi visitar um pastor, casado com uma das suas tias, no interior de Goiás. Luanda não se conformava, com o descaramento dele e dos familiares da Joana D'Arc. A filha de Luanda nasceu, num parto normal, sem nenhum problema. Resignada, aceitou a sua missão em silêncio, como se esperasse o veredicto de um impossível julgamento. Após tres anos, numa tarde madorrenta de domingo, a pequena Chora Morena, foi sacudida inesperadamente pelas sirenes da ambulância e da viatura da polícia, ambas vindas da cidade vizinha. Os moradores viram saindo da casa de Eleutéria, numa maca, um corpo de homem, coberto por um lençol branco e tisnado de sangue. E uma mulher de cor caucasiana, exangue e cabisbaixa,e amparada por policiais, caminhava lentamente, em direção ao autómovel dos gendarmes. Era Maria do Carmo, uma das noras de Eleutéria. Tendo sido abordada pelo garanhão, travou uma ferrenha batalha física, e levou a melhor, ferindo-lhe de morte com uma faca de cozinha. Joana D'Arc a queridinha, desesperada avançava sobre Maria do Carmo, chamando-lhe de assassina. Maria do Carmo, foi absolvida pela unimidade dos jurados. Antes do julgamento, o marido dela pediu o divórcio. Maria do Carmo é zeladora numa escola de monges zen-budistas. A filha, cujo o nome é Esperança, vive com a avó materna.
" Qualquer semelhança , é mera coincidencia "
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A queridinha (primeira parte)
Joana D’Arc, assim se chamava a moçoila. Uma das protagonista de uma dramaturgia de inspiração ítalo-tupiniquim, ocorrida há décadas, próximo a Açucena-Branca, uma pequena vila pertencente as alterosas mineiras, onde se registrava baixíssimas temperaturas. O local é conhecido pelo simplório topônimo de Chapéu de Palha. A grafia correta do seu nome, se baseia na leitura quase compulsória, nos antigos almanaques da Capivarol ou do fortificante Biotonico Fontoura. Essas publicações existiram há quase cinqüenta anos, e chegavam nos mais longínquos rincões desse Brasil continental. Era uma espécie de enciclopédia-guia, onde continham informações úteis a vida rural. Citava as fases da lua, para orientar algumas plantações, receitas fitoterápicas, dados biográficos de personagens históricos, anedotas e outras matérias. Numa casa modesta, morava Eleutéria, que durante a sua gravidez, leu no almanaque e admirou, ao saber da vida da heroina e santa, Joana D’Arc(1412/1431). Após dar a luz, e no ato do registro de nascimento da filha, levou pessoalmente o almanaque, para que o escrivão o copiasse “ipsis litteris”, que passou a ser o nome da menina recém-nascida. Joana D’Arc ao nascer, já tinha outros dois irmãos. Eleutéria sempre foi a maestrina desse pequeno clã familiar. O marido, era um homem pacato e passivamente aceitava as determinações autoritárias e dissimuladas da esposa. A matriarca, com sua mão-de-ferro, fez ver a toda a familia, que a filha seria sempre a preferida de todos. Claro que houve um consenso geral. Há mães e ou pais, que instrumentalizam os filhos em geral, para serem ou fazerem coisas que os mesmos não lograram êxitos, durante seus trajetos de vida. Talvez fosse, o caso de Eleutéria. Os desejos de Joana D'Arc, dentro das (im)possibilidades eram atendidos através da sua mãe, poderosa e protetora. Os irmãos tornaram-se adultos, e em seguida começaram a trabalhar nas lavouras existentes na região. Partes das remunerações de ambos, eram prazerosamente doadas a mãe, que se destinava as despesas pessoais da irmã. Ela tinha um comportamento de "riquinha", e as tarefas iniciadas, desde a lavagem de louças, até roupas para serem passadas, jamais eram conclusas. Os irmãos se casaram. E Joana D’Arc se sentiu no desejo de imitá-los. Estava cansada da donzelice. No amor, é preciso alguma sagacidade na escolha , diziam os antigos. Poderá ser uma falácia, enquanto receita de felicidade. Ou não. Há controvérsias. Ela não titubeou, e "providenciou" um namorado. E o período de relacionamento foi curto, e num pequeno lapso de tempo, contrairam-se núpcias. Eleutéria apoiou incondicionalmente a decisão do enlace. A situação financeira era precária, pois um dos seus irmãos, tinha se submetido a uma delicada operação intestinal, na qual dispendeu toda a pequena economia familiar. A solução foi a de vender os suínos, e caprinos e uma mula de trabalho. A casa foi pintada, meio que reformada, e fez-se a quermesse do enlace. O marido escolhido por Joana D’Arc, revelou-se imediatamente avesso ao trabalho, e periculosamente um sedutor de plantão. Pois, era dono do seu tempo, para arquitetar seus planos.
Continua na segunda Parte de "A queiridnha"
Continua na segunda Parte de "A queiridnha"
6 de fevereiro de 2012
Greve.
É difícil, porém toda a greve deveria estar temperada, de pouca emoção e muita razão. Pois, o mais difícil de uma greve não é deflagrá-la, é sair-se dela. As lideranças desejam ampliar a credibilidade da categoria. E se saírem de mãos vazias, significa, que os líderes do movimento fracassaram no seu intento. Se faz necessário habilidade na condução do processo, de uma paralização. E, em se tratando, de policiais-militares - categoria essencial - e impedida por lei de fazer greve, a questão torna-se por demais delicada. O Brasil recentemente, elegeu e reelegeu um sindicalista, como presidente da república, que liderou, e apoiou durante vários anos, diversas greves no país. Consequentemente, a praxis da greve, não é desconhecida da sociedade brasileira. Há um cheiro de demagogia no ar ! A direção sindical deve saber, que o primeiro “mandamento”, é esclarecer a população os motivos da paralização, e se possível, conquistando a simpatia pelo movimento. Em seguida, denunciar as velhas promessas não cumpridas, pelo governo baiano. O movimento paredista, deveria ter realizado, preliminarmente, por exemplo: operação-tartaruga, diminuir o efetivo, do policiamento ostensivo e outros expedientes. Contudo, jamais poderiam deixar, a população desprotegida, à mercê dos bandidos. A situação é muito desconfortável, pois o turismo na Bahia é mais intenso no verão. Com a ausência da segurança pública, se ausenta também o turista ! Isso vai gerar um prejuízo geral. No frigir dos ovos, quem paga a conta, é sempre o povo em geral. Que o Senhor do Bonfim, ilumine, as partes envolvidas !
24 de janeiro de 2012
Túnel do tempo
Creio que o mundo todo, carrega no imaginário popular, tipos interessantes, surrealistas e outros. No interior, esses personagens são mais presentes, pois, interagem de perto com a comunidade. Os fatos e seus atores, habitam o insconsciente coletivo, tendo a memória ( que se perde ) como testemunha, relatando aos descendentes, os contos que se supõem, passam de geração a geração. Na década de 1960 em diante, uma personagem quase folclórica, de nome Etelvina, conviveu entre essas terras, onde passou, presume-se, o jesuita José de Anchieta em direção a Reritiba, hoje Guarapari. Daí, a vem a lembrança dos versos: Etelvina, acertei no milhar, ganhei 500 contos, não vou mais trabalhar... como cantou Moreira da Silva. A Etelvina daqui, possuia um apelido, era conhecida jocosamente, como : Kalil morreu, e urubu comeu. Kalil, era uma alusão a um imaginário “namorado”, que nunca existiu. Quando assim era chamada, em quaisquer ambientes, irritada dizia os palavrões mais arrepiantes possíveis. Hoje os ditos "palavrões" estão (des)moralizados, não produzem o efeito como no passado, nem tão longínquo. Contemporaneo da Etelvina, foi o Puxavante, que claudicava da perna esquerda, e era da cor do ébano. De baixa estatura, possuia um porte físico atarracado e era quase corcunda. Nas noites, se abrigava sob as largas portas da estação ferroviária. A sua cama era uma folha de jornal. Se alguém o provocasse, chamando-o, de Puxante ladrão de galinha. Ele não xingava, contudo, partia para cima, e com um mediano e roliço porrete para agredir o sujeito, que se não corresse, apanhava igual pandeiro na mão de Aleixo. O comunicador Hilton Abi-Rihan conta, que certa vez, Puxante vagando pelas ruas, nas altas horas da madrugada, falou para si mesmo : se eu achar uma moeda, prometo, doarei para a N.Senhora na gruta. Eis que de repente a encontrou depositada entre o meio-fio e o calçamento. E retrucou : a gente não pode nem brincar. No fim da sua vida, Puxavante, velho e adoentado, foi amparado pela generosa Nasle Acha, e sua filha Adélia e a governanta Leocádia. O outro personagem , de fácil memória, era o Sabugo Temperani, esquálido e de boa estatura, com algumas cicatrizes na face, parecendo serem sequelas de varicela ou catapora. A mãe dele, atendia pelo bizarro apelido de Raposa, e morava no Alto San Sebastian. Sabugo possuía um olhar misterioso, igual ao de Norman Bates do filme – Psicose - película de terror, interpretado por Anthonny Perkins e dirigido pelo mestre da sétima arte - Alfred Hitchcock. Sabugo Temperani, andava noturnamente, e causava medo na molecada. As mães, diziam mais ou menos assim : meu filho,se você não se alimentar, vou chamar o Sabugo. Nos dias atuais, não é uma praxis educacional recomendada, mas era assim que funcionava. Curiosamente, chegou a trabalhar na construção da usina hidrelétrica local, pois sabia ler e uma invejável caligrafia. O canteiro de obras, ficava num lugar conhecido como "mata-fome", pela quantidade imensa de lambaris, que são as piabinhas, que fritas, e acompanhadas com angu mole, é uma iguaria da melhor qualidade e atual, dentro dos padrões dietéticos: uma proteina e um único carboidrato Certo dia Sabugo Temperani, que não dava a mínima importancia para dinheiro ( seu pagamento ficava na empresa, e não o recebia. Se alimentava e dormia no local do trabalho). numa certa manhã, saiu com o seu bornal a tira-colo, e desapareceu nas estradas da vida, talvez sem destino. Ou foi para Katmandu. E por último, nada melhor do que rememorar, outro tipo, cujo o apelido era Papo Amarelo. Por ser beato, certa ocasião, acompanhando uma procissão, na qual os fiés entoavam cânticos litúrgicos. Eis que um gaiato, no na pasagem do cortejo, o chamou em alto e bom som: Papo Amarelo. Impávido, continuou caminhando, e o respondeu no mesmo tom do hino religioso, e sem desafinar, solfejou :” Bendito, louvado seja, Papo Amarelo, é a puta que pariu ...”
20 de janeiro de 2012
A minha rua
A rua onde morei, durante a minha infancia e parte da juventude, foi meu mundo mágico e particular. É sabido que o interior, é o mais rico espaço para ter uma divertida e bem vivenciada infancia. Lá atrás, começaram os primeiros desenhos da cidadania, na socialização, aprende-se o respeito ao outro. Nessa fase, se dá o surgimento das fantasias e descobertas surpreendentes. O lúdico, é o abre alas na escala de prioridades, a ser desfrutado intensamente. Os mergulhos nos rios, esses são inolvidáveis. A retina arquivou muitos fatos interessantes, um deles era o Eca, um apelido familiar. Sujeito habilidoso, tomou a decisão de passar filmes à bordo de um cansado projetor, numa tela improvisada, num terreno desocupado. De pai lusitano, o qual vivia constantemente, assoviando canções de Póvoa de Varzim, perto do Porto. Um portugues de poucas palavras, baixa estatura, e não abandonava seu indefectível chapéu. Morreu sem saber que foi um artista-benfeitor. Salazarista convicto, Fernando Cardoso de Oliveira, por aqui arribou no Porto do Rio de Janeiro, no dia dois de maio de 1910, a bordo do vapor Barcelona. Os vizinhos o chamavam cerimoniosamente de "Seu Cardoso". Enfim, um doutor "honoris causa”. Construia com engenho e arte, a maxambomba, ou carrosel, para a alegria da petizada. O espírito argentário não preponderava. Os ingressos eram baratíssimos. Tempos de ser, e não de ter. E para completar, na sua residencia, instalado na parede frontal da sala, um curioso relógio cuco. Uma graça, pois, em diversas oportunidades esperava completar a hora-cheia, para ver a portinhola se abrir, e o pássaro- mecânico, emitir seu cântico. À direita de onde residia, morava um casal elegante. Ela, Elcir Bicudo, bonita, simpática e sempre trajada com esmero. Em contrapartida, ele Wilson Pessanha, seu marido, garboso, sempre com os sapatos engraxadíssimo e cabelo bem alinhado, e untado com a então famosa brilhantina: madeiras do Oriente. Um verdadeiro dândi. E o caminhão da cor vermelha e marca Reo, para ganhar o pão de cada dia . Rogerinho, filho manhoso, quase uma retrêta, reside há muito na Holanda, com Dona Isabel. É um violonista de alta categoria, pois estudou violão clássico na Espanha. E tem mais, a filha Valéria, atualmente vivendo, na outrora terra dos ferozes indios goitacazes. Os piques-esconde eram noturnos, e se misturavam todos, meninos e meninas. A primeira e saborosa manteiga que degustei, era proveniente do leite das vaquinhas da Ilha de Jersey, e quem as processava era o casal Normanda e Seu Doca. A poucos passos, a fábrica do gostoso guaraná Brotinho, o melhor refrigerante do mundo. Alcebíades Gomes, era o seu diretor-presidente. Antes da fábrica do guaraná, uma casa se metamorfoseava num pequeno clube doméstico. Na casa da Dona Ruth e Antoninho, haviam luvas de boxe, jogos de botões, ping-pong, xadrez, e um volei. E os meninos eram bons alunos, todos no dimunitivo, Marquinhos e Paulinho. O caçula dos homens, Carlos Alberto, depois, o "rebatizaram" de Beto Suê. Eram também frequentadores, Edson Yasegy, Miltinho, Julio e muitos mais. Do outro lado, num quintal com muitas árvores frutíferas, destacava-se o abio, de polpa muito doce e ciquento. Essa frutífera, pertencia a Dona Mariinha, casada com o Seu Raimundo, um experiente motorista, ou melhor dizendo: um chauffeur de praça. Vizinha da dona Mariinha, a professora Gilda Brandão, foi uma das primeiras professoras desse condado, orientou com têmpera e retidão as suas filhas. No seu pequeno pomar, um frondoso pé de pinha, ou fruta-do-conde, o qual "visitava" com alguns amigos, nas noites iluminadas da lua cheia! "Vis-à-vis" o Educandário Santa Isabel (externato e internato), por lá estudei por um curto lapso de tempo, nele tive a grata satisfação de conviver com o Andiara Moreira Luz, Mandi e/ou Didi, Luis Carlos Pinto, entre outros contemporâneos. O Educandário era quase um quartel, sob o comando de uma madre, dita, superiora. As religiosas eram introspectivas e feias. Eram da ordem do mal humor. E a caridade, um dos pressupostos do santo e teólogo Agostinho, nelas, certamente, não habitavam essa virtude. Todavia, o Educandário, movimentava o local, pois recebia jovens estudantes, que chegavam das cidades da circunvizinhança. Elas causavam curiosidade nos rapazes da cidade, na esperança de um conhecimento e quiçá um futuro namoro. Desse cenário fazia parte um boiadeiro, que para ser notado, transformava essa via pública, numa praça de touros, como se fosse a Espanha de El Cordobés. O cavaleiro quase sempre estava entre os condutores do gado. E fazia malabarismos para sensibilizar o público feminino. Enfrentava as vacas bravias, e mordia-lhes o rabo, e outros sabidos truques quase o herói tropical.
Uma outra vizinha, com a qual tive uma pequena, porém prazerosa convivencia, possuia uma numerosa filharada, era a dos Fontanellas. A viuva Dona Margarida, lider natural, vinda de Marapé, os criou com denodo e amor. Um deles, José enquanto padre, pela vocação e sabedoria, prestou inestimáveis serviços ao Estado do Vaticano. Uma outra familia, tinha vindo de Belém do Pará, com vários filhos. Pela amizade travada com os filhos Paulo e Carlos, provei uma guloseima industrializada, cujo o nome era mandiopã, por sinal, bem saborosos esses biscoitos mandiopã, que pela fonética, poderá ter fortes laços com a mandioca, que insistem em chamá-la de aipim. E os Monteiro de Barros? Que descendem do Barão de Paraopeba. Chic hem ? Se transformaram em exímios doceiros, com destaque para a internacional Goiabada Vera. Dona Zizi, lider inconteste dos Monteiro de Barros , está a merecer um capítulo à parte. Os filhos gemeos, José Cesário e Carlos Orlando, eram idênticos, e todos os confundiam. Inesperadamente, pela primeira vez surge uma camionete Studbaker, de cor preta. Pertencia a um agrônomo do então , Fomento agrícola, órgão do poder público. Na década de 60, a modesta cidade, foi seriamente castigada, por uma severa enchente. Foi a maior de todas as inundações, registradas na altiva Mimoso do Sul. As águas subiram silenciosas e rápidas. Apoplexia e impotencia geral, diante da imensa inundação. Os prejuízos foram incalculáveis, pois todos os moradores eram humildes, e viviam enganando as dificuldades. A enchente penetrou no prédio do Fomento, e se misturou com os defensivos agrícolas, envenenando-a. Existia um grande movimento, para se salvar móveis e utensílios dos moradores. Usavam-se barcos, e homens que nadavam buscando ajudar àqueles mais necessitados. E nessa manobra, um deles era o jovem estudante Ronaldo Silva, exímio nadador, que ao mergulhar, não voltou com vida. Pairou a suspeita, de que teria ingerido algumas golfadas, das águas contaminadas pelos agrotóxicos. Num gesto de solidariedade, os padres estrangeiros - vindos da terra das mais belas tulipas negras - abriram as portas da igreja para acolher os desabrigados. Outro fato marcante, foi quando o do rio-Muqui do sul foi desviado, tirando-lhe uma curva, para aprimorar a fluencia do seu curso. Os caminhões começaram o aterramento. Os enormes GMC's, carregavam nas suas básculas, imensas quantidades de terra. E um deles era dirigido pelo Moacir Rangel recém chegado de Campos, e o seu auxiliar, Hélio Arara. Participar desses eventos, foi um inenarrável privilégio, meio que, uma sonhadora filmagem, sob a direção do mestre Federico Fellini. Existiam dois campinhos de futebol, sendo um pequeno e o outro, maior. As peladas eram diárias e imperdíveis. Os mais velhos sempre desvalorizando os jovens peladeiros. Contudo, a vida era bela. Mangueiras seculares, em nome do progresso foram erradicadas impiedosamente. Nem o pé de manga-rosa, foi poupado. A rua da qual estou me referindo, se chama Doutor José Coelho dos Santos (1863/1923), negro, médico, filho do Mestre Silvestre - escravo alforriado - de São Pedro do Itabapoana. Deputado Estadual por duas vezes, tendo assumido o Governo do Estado na condição, de Presidente da Assembléia Legislativa do Espírito Santo. Graduou-se na Universidade do Brasil, na capital, Rio de Janeiro. Foi o primeiro da turma, e conquistou o premio Torres Homem. Enguanto médico, lutou bravamente no combate a peste bubônica, que se alastrou em Campos(RJ) após a inundação do rio Paraíba, em 1903. Foi membro correspondente da Academia Francesa de Medicina. Pertenceu ao Grande Oriente do Brasil - Loja Maçonica Ordem e Progresso. Iniciado tal qual, o genio da música erudita, Wolfgang Amadeus Mozart. Sinto-me honradíssimo de ter residido numa rua, cujo o homenageado foi esse ínclito personagem, que infortunadamente continua anônimo nesse Brasil de Machado de Assis. "Não digam que isso é passado. Passado é o que passou. Se não passou, foi o que ficou na memória ou no bronze da história " de Ulisses Guimarães.
11 de janeiro de 2012
E as enchentes se repetem
O mundo todo, é vítima das enchentes. Algumas são tão violentas, que destroem uma cidade, e apagam as memórias, documental e patrimonial e artística. Em 2011, morreram 918 pessoas, e 215 estão desaparecidas. Tudo isso aconteceu na região serrana, no estado do Rio de Janeiro. Os rios e riachos, não possuem mais, a vegetação ciliar nas suas margens, que é a sua natural proteção, infelizmente elas foram destruídas. É preciso de verdade, preservar a natureza. E uma maior consciência do destino do lixo, produzido por cada um de nós. É sabido que o lixo entope os bueiros, e polui os mananciais de água. O primeiro mundo, leia-se os Estados Unidos e a Europa, dizimaram todas as suas florestas. Eles desmataram imensas glebas de terras. E não se tem notícia, de que eles começaram uma campanha de reflorestamento. Os estudiosos afirmam, que poderiam ter aproveitado as planicies para a agricultura e pecuária, evitando esse retumbante desastre no meio-ambiente. Assim sendo, não é difícil concluir, que o segmento rural, é muito maior do que o necessário, para suprir o fornecimento alimentício. Consequentemente, os governos subsidiam "a peso de ouro" todos os produtos e sucedaneos agro-pastoris. Caso não o façam, as propriedades rurais tornar-se-ão inadimplentes. Isto posto, é bem provável acontecer, um gigantesco êxodo rural, gerando desemprego e um robusto inchaço nas cidades. Com poderes economicos-financeiros abastados, há séculos, eles sustentam essa fantasia construida pelo sistema. Por aqui, as migrações internas - verdadeiras diásporas - fazem parte da sociologia brasileira, infortunadamente "subsidiada" pela ausencia , de uma séria e responsável politica pública rural. Esse erro histórico, remonta a abolição da escravatura, onde o poder público na época, não planejou uma política para realocar um volumoso contingente de mão-de-obra que seria disponibilizado. O império preferiu, a emigração dos ítalos-teutonicos de olhos azuis . Contudo, os escravos libertos, ficaram por aí ! E estão por aí, até hoje.
Vira e mexe, eles são vítimas de imensas inundações, provocados por intensas chuvas, que não tem por onde escoarem, e nem as matas para mitigar, a fúria das águas. É sempre bom lembrar, que é dever de cada cidadão, deixar um mundo melhor, para as futuras gerações. Pense nisso.
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