Teresa
Fênix introjetou o drama entre o primeiro amor, e a outra realidade exógena, pelo menos, enquanto o Chefe estivesse internado no presídio. Nessa dicotomia, ia balebando
entre o céu e o inferno, ambos terrestres. Na busca da sobrevivência,
contava com ajuda bissexta do pai, para dar-lhe suporte mínimo,
considerando as crônicas dificuldades. Nas ruas mornas da pequena cidade, todos se conheciam de vista, pelo menos. Teresa Fênix usava uma
bicicleta doada pelo grego. Numa dessas incursões, encontrou
o Comandante, e aproveitando a coincidência pediu-lhe cesta básica. Diante do pedido (irritado, perguntou a si mesmo: o que fazer?) e lembrou como chegou até a mesma cidade de Teresa Fênix. E o fato
transitou nos mecanismos cerebrais da memória. Eis o relato: em
1933, o vapor mercante de bandeira grega, incendiou-se na costa do Espírito
Santo. Sobreviveram 27 tripulantes, dentre eles o pai de Theodorakys Pitacus, que
era o comandante do vapor cujo nome
estava registrado na Capitania dos Portos, como Konstanti. Theodorakys Pitacus tal qual o pai, se matriculou na Escola de Marinha Mercante
em Atenas. Como oficial, singrou os sete mares, e por curiosidade quis conhecer onde o
ex-Primeiro Oficial do Konstanti, primo do pai dele, tinha morado. Havia a informação que teria lecionado
química, numa escola pública no extremo sul, do cambaleante estado do Espírito Santo. Theodorakys Pitacus resolveu sentar praça, na pequena cidade, até que ventos fortes o conduzissem para outros mares. Talvez por ser errante (in)consciente, poder-se-ia remeter ao Comandante holandês da ópera Navio Fantasma adaptada por Richard Wagner(1813/1883) ao navegante grego. Segundo a lenda, o marujo holandês estava condenado a navegar, todavia a cada 7 anos, poderia ancorar na costa para tentar encontrar o amor dele, caso contrário, voltava aos oceanos. O timoneiro grego talvez estivesse a coexistir com uma dualidade, na busca de uma vida familiar, ou desafiar os limites da existência humana.
22 de dezembro de 2016
18 de dezembro de 2016
Os curumins sofrem
Príncipe da poesia brasileira, essa titulação, foi outorgada pela ABL –
Academia Brasileira de Letras - ao poeta Olavo Bilac(1865/1918). No poema “Língua
Portuguesa”, de autoria bilaquiana,
eis os seguintes versos iniciais: A última flor do Lácio, inculta e bela/És a
um tempo, esplendor e sepultura”. O continente americano do sul, acrescentando-se
o Caribe e suas ilhas, sem contar o México, foram todos estuprados pelos espanhóis. O único a falar português,
herança do colonizador, além da sífilis, e que foram iguais aos hispânicos, é o Brasil do índio
Tibiriça. Esse é o mesmo Portugal, velho sabujo dos ingleses. A igreja católica muito mais pecadora do que
santa, com os seus jesuítas, no
início da colonização do do Brasil de Ary Barroso(1903/1964), tentaram uma
improvisada e positiva pedagogia lingüistica através de um sincretismo semântico, com a linguagem
tupi e o idioma do colonizador. A metodologia fluiu com sucesso. E a
comunicação foi facilitada entre os índios e os ibéricos. Até que a coroa
lusitana, tomou conhecimento e proibiu com fuzilamento os infringentes. Se
história tivesse sido outra, talvez Olavo Bilac tivesse escrito assim: És a um
tempo esplendor e belezura, ou nada disso..contudo, jamais a lúgubre sepultura, ou é? E com certeza teríamos uma linguagem mais
popular, com menos normas e regras. E os conflitos lusófonos, não existiriam com o conservador Portugal. Agora
não tem mais jeito, os curumins sofrem.
17 de dezembro de 2016
Teresa Fênix - 23a. parte
Ulisses entrou em alfa, mergulhando numa reflexão para sair da sinuca de bico, na qual se encontrava. Combinou com a namorada que precisava da clausura do quarto do hotel, para pensar. Tão logo se sentiu seguro da decisão, imediatamente foi a casa de Maria Guadalupe. Fez um longo relato sobre a vida dele, e confidenciou fatos a panamenha que guardava à sete chaves. E meio sem jeito, com tamanha timidez disse que a amava, e não desejava voltar ao Brasil(por tempo indeterminado). E de súbito, propôs-lhe se casarem. Ela quase desmaiou. Não sabia se ria ou se chorava. Atônita, adiantou-lhe que os pais dela não concordariam, pelo tempo tão exíguo de conhecimento. Ulisses tenso, disse-lhe que o casamento resolveria a permanência no Panamá. Ele se desesperava na possibilidade da família dela, levantar a menor suspeita que estivesse se comportando como oportunista. Afirmou a namorada, ser o tempo o grande aliado dele. Maria Guadalupe, tomou a decisão de lutar para a aceitação daquela decisão intempestiva, contudo sincera. Resolveram comemorar o acontecimento, degustando um galeto no Fry Chicken. Maria Guadalupe sorria, e de repente, séria. A dúvida invadia-lhe o raciocínio, se a família concordaria ou não.
15 de dezembro de 2016
Adega Pérola
Cumulus nimbus, nuvens
plenas de água, que por fenômeno climatológico se soltam como chuva, e irrigam, fertilizam,
limpam e saciam a sede da humanidade. Dizem que a flora é a moldura da terra,
como se fosse a madeixa dela. A chuva goteja, pinga, filtra e inunda. Os
ribeirinhos correm velozmente para o rio maior, e diluem-se num outro, e se
misturam na água salgada, e nos sete mares perde o seu paladar original para sempre. Chove copiosamente, à cântaros, a canivetes na
terra dos índios puris, primos dos avá-canoeiros. Na chuva assim, os
passarinhos se ausentam, bem como o encantador beija-flor. Com a umidade, as asas molhadas ficam
pesadas, e comprometem a aerodinâmica dos voos. Os riachos golfam sem parar. Então o nível da água sobe, sorrateiramente. E invade a
cama, as roupas, os retratos da família, os livros de autoria de Jorge Amado, Jorge Luis Borges e Tchecov. Perdem-se memórias. Ela se repete, de quando em vez, até tornar-se igual o mal de Alzheimer. Jorge Alberto, índio aculturado, meu amigo, e contumaz frequentador da
Adega Pérola, ensinou que não há enchentes nas florestas, acontecem as cheias que fazem parte da fenomenologia regional.
14 de dezembro de 2016
Evaristo Arns
Ele morreu ontem em São Paulo. Foi bispo da
Igreja católica progressista. Estudou durante cinco anos na famosa Sorbonne em Paris,
onde se doutorou em letras e línguas clássicas. Declarou que aprendeu mais com os
pobres do que na Sorbonne. A igreja católica na sua organização possui cerca de
170 ordens religiosas, e Dom Evaristo Arns pertencia a Ordem dos Franciscanos.
Ao receber o cargo de Arcebispo de São Paulo, vendeu o Palácio Episcopal destinado a ser residência
dele, e construiu 1200 centros comunitários na periferia de São Paulo. Na ditadura militar
enfrentou o general presidente de plantão nos anos 1970, de fala mansa, contudo com firmeza, reivindicou o fim da tortura e julgamento para os
acusados. Era irmão da abnegada Zilda Arns, morta no terremoto do Haiti, em
2010. Foi amigo do Papa Paulo VI, e perdeu espaço, quando a corrente dos progressistas católicos
se enfraqueceram enquanto tendência nas hostes do Vaticano. E por último foi o idealizador do livro Brasil: Nunca Mais, que
trata dos desaparecidos na ditadura militar que durou lamentavelmente 18 anos, de ausência de liberdade de
expressão. Ele transcendeu o lado contemplativo da mística religiosa, e
corajosamente se colocou ao lado dos oprimidos. Evaristo Arns, é a parte mais consequente
da história do Brasil.
10 de dezembro de 2016
África
O mundo seria preto & branco sem a África. E a música seria oca, feito maracujá sem semente. Como viver sem as composições de Zé Keti(1921/1999) e Thelonius Monk(1917/1982), representando respectivamente o samba e o jazz? Instiga-me a citações como Bessie Smith(1894/1930 e Clementina de Jesus(1901/1987). Todo o caleidoscópio das canções: alegria e melancolia, vem do continente africano. As etnias são verdadeiras alegorias de cores variegadas e remetidas ao espetáculo das Escolas de Sambas, Quase 400 anos de herança africana e indígena, ambas vivas, apesar do insensato poder público. Guardadas as recomendadas proporções, ao citar Harvard, Oxford ou Manitoba, enquanto história da cultura popular, brasileira carregada de crenças, lendas e outros vetores para coadjuvar nas interpretações ontológicas(onde pouco sabemos), há um rico conhecimento depositado pelos atavismos indígenas/africanas, carecendo de pesquisa pura. Nada se sabe da África, a não ser parcialmente sobre a sofrida escravidão, inventada e mantida pelo homem, (ser perverso vestido de fraque e chapéu côco). O continente africano é denso, pois são trinta milhões de quilômetro quadrados. A diversidade cultural é incomparável, destaque para a arte mística e mítica, e seus cânones. Máscaras, estatuetas em terracota, tambores e tantos outros símbolos, são os fetiches da nação africana. As gravuras rupestres incrustadas nas maciços siderúrgicos, significa pista para pesquisar a origem, os costumes desse mágico, poético e colorido território. A nós da terra brasilis, onde corre as hemácias africanas, ignoramos a gênese do colonizado. Viemos do Benin, Angola e alhures. Oruku ni mi Africa(em iorubá: me chamo África).
30 de novembro de 2016
Teresa Fênix (22a.parte)
Ulisses usinava pensamentos em progressões geométricas, até que viu uma revista na banca de jornal, cuja página aberta e no canto direito abaixo, o pequeno anúncio: teste vocacional gratuitamente. Falou consigo mesmo: vou me submeter. As mensagens do grego vieram na memória dele, que sempre lhe dizia, ser importante ter conhecimento da filosofia, para melhor indicar conceitos sobre a vida, e do mundo, que parece estar atravessando o Rubicão. Mesmo seguindo carreira profissional no campo das ciências exatas, reconhecer as crenças, lendas e os códices ontológicos que norteiam a humanidade. Absorver práticas holísticas, na interação com as diversas fases da estratificação social. Foi ao local indicado pelo anúncio e se inscreveu para se submeter ao teste. Permaneceu durante um bom tempo, respondendo as perguntas. Após uma semana, foi lhe informado o resultado. Ele recebeu por escrito, e com ajuda de Maria Guadalupe, na leitura interpretativa na linguagem hispânica, indicou-lhe a vocação recaindo para física, química e engenharia em geral. Ficou decepcionado, pois Ulisses torcia que o exame inclinasse parcialmente para o viés da área humana, pois estava gostando de ler "A República" de Platão, e planejava conhecer outros ícones da filosofia, estava embutida uma simplória homenagem ao Comandante Pitacus Theodorakys.
22 de novembro de 2016
Teresa Fênix ( 21a.parte)
Ulisses a cada dia vivido no Panamá, aumentava o afeto por Maria Gualupe em proporções geométricas. E de quebra passou a se interessar bastante pela cultura panamenha. Adotou o traje das elegantes e confortáveis guayaberas. Às vezes ficava em alfa para refletir o futuro. A mãe instável, pela convivência com Chefe, que sob efeito da droga a espancava e privava-lhe a liberdade. Ainda menor, muitas dessas cenas foram presenciadas por Ulisses. O grego por quem nutria carinho paterno, não avançou no relacionamento com Teresa Fênix. Mesmo abstraindo a gama de informações e conceitos consolidados, a egolatria dela não permitia que os corações se encontrassem. Ulisses se sentia fragilizado. Buscava uma vida alternativa, com traços qualitativos. Intuía na possibilidade de modificar o seu modus vivendi. Não imaginava as barreiras a serem enfrentadas num país estrangeiros. Uma delas é a pronúncia da língua hispânica na América Latina, por ser falada muito rapidamente parece terem um ovo na boca, atrapalhando a inflexão dos fonemas(como comentou certa vez o escritor Artur da Távola, todavia reconheceu ser na Bolívia, o castelhano mejor hablado). Com tempo dominaria a linguagem do poeta chileno Pablo Neruda(1904/1973). A saída de se casar, talvez fosse a mais factível forma de permanecer naquele país, legalmente. Ulisses de então, era muito jovem. E sua mãe ao saber, talvez viajasse até Ulisses para impedir a possível união. Como bom enxadrista, se pôs a pensar.
21 de novembro de 2016
Teresa Fênix 20a.parte)
O Comandante Pitacus Theodorakys, tomou conhecimento que Teresa Fênix passava por necessidade famélica, tal informação aconteceu, quando lhe foi apresentado ao cunhado dela, apelidado de Carlinhos da Nicinha, sabedor do affair havido com a Teresa Fênix. No diálogo, lamentou que o namoro do Comandante não foi à frente, pois de longe o admirava, por possuir amigos em comum, que o avaliam ter o Comandante, um bom conceito da vida e do mundo. O cunhado falou ao grego, que Teresa Fênix tinha retornado ao antigo namorado. Carlinhos da Nicinha, adiantou que ela está a precisar do apoio familiar, e talvez de terapia psicanalítica(rejeitava médicos psiquiatras, segundo Teresa Fênix, eles a entupiam de remédios, causando-lhe sonolência e raciocínio lento). O grego era sabedor que em outras circunstâncias, o pai dela, foi inteiramente relapso, deixava-lhe faltar alimentação. Existiu uma sinergia na conversa com Carlinhos da Nicinha. O cidadão de origem helênica sempre solidário, a chamou pelo celular. E num breve diálogo, prometeu-lhe mandar uma cesta básica alimentar. Ela agradeceu. Não se importou quando ela disse ter passado uma noite, com o ex-namorado numa pousada na aprazível Iriri (balneário preferido do Comandante). Assim inquiriu o grego no silêncio da memória: "a intenção dela foi provocar ciúme, ou a sensação de me sentir cornuto? Teria sido uma retaliação, pelo fato não ter pago o frete da mudança? E complementou: o intento caiu na escuridão do espaço sideral. Nesse caso, me sinto Zorba, O grego"
20 de novembro de 2016
Teresa Fênix ( 19a.parte)
Por ser essa nação continental, indígena e afrodescendente, com hemácias lusitanas, e abaixo da linha equatorial, poder-se-á remeter a frase atribuída ao Maestro Tom Jobim( 1927/1994): "O Brasil não é para principiantes". A burocracia existe pelos portugueses(que se sentem os melhores clones dos ingleses) quer para dar estabilidade ao manganos do serviço público, quer para evitarem o peculato. Quo simplicitor ordo, eo melior( quanto mais simples a ordem, tanto melhor). E praticando essas babaquices, surgem os despachantes, estelionatários et caterva. Nos presídios, os estelionatários, comumente de unhas feitas, cabelos bem cortados e trajados à moda esporte fino, são os mais simpáticos de todos os internos. Enquanto apenados, conseguem quase de imediato audiência com o diretor do presídio. Solícitos verbalizam os curricula vitae, e se disponibilizam para trabalharem nas instâncias, como a biblioteca, escritório,gabinete dentário e outras atividades laborais leves. Serviço braçal: neca de pitibiriba. Gentis, prestativos e falam suavemente. Professores que desenvolveram didáticas para a freguesia da penitenciária. O Chefe localizou o mais sábio de todos os malandros. Foi ao Oráculo de Delfos da prisão. Era conhecido como Dotô Denis. Recebeu o Chefe no gabinete do dentista, onde era auxiliar, no dia da limpeza do consultório. Usou a cadeira e mesa e despachou como profissional do crime como assim o era. Acertaram que falsificaria o alvará de soltura, com papel timbrado e assinatura falseada do servidor maior do judiciário. Deveria entregar o documento durante as férias do diretor. O preço do serviço foi caríssimo. Mas o Chefe pressionaria a mãe e o pai (sempre) ausente.
6 de novembro de 2016
Teresa Fenix (18a.parte)
Naquele verão, os rios voadores (cursos de ares atmosféricos) vieram em grandes proporções, trazendo nuvens pesadas (cumulus nimbus) da região amazônica. Na época foram muitas centenas de milímetros de chuva. A região onde se encontrava o Chefe, respingou muita água. As enchentes tornaram uma constante, e invadiram as galerias das águas pluviais e dos esgotamentos sanitários. Ambos subterrâneos. Todo o trabalho foi jogado por terra. A lama invadiu o túnel cavado pelos homens do Chefe. A depressão foi geral. O Chefe afirmou para os companheiros de cela, que precisava de paz interior para maquinar nova estratégia de fuga. A prisão por si só, é uma antecâmara do inferno. Nada de ressocializão. Há uma ausência de tudo. É a resposta que a sociedade encontrou para os criminosos. Os dias são lentos e entediados. Habitam-na mãos leves, e outras mãos manchadas de sangue. Nas prisões, a lei considera a fuga um direito do presidiário. Ou seja, a tentativa de fuga (não havendo intercorrência delituosa) no geral não altera o tempo da reclusão. As motivações condenatórias são diversificadas. O estelionatário pode ser possuidor(sem saber) da praxis metacognitiva, como método de pensar. Quase sempre é metido a ser autodidata e sedutor nas abordagens que se fizerem necessárias. Enfim, muitas das vezes os estelionatários são por demais sagazes e velhacos. Sabedor das traquinagens desses embusteiros, o Chefe por ter uma cabeça multitarefa, vislumbrou mentalmente caminhos escusos para tentar evadir-se novamente do presídio. A cadeia não tem como não ser um variado
valhacouto.
valhacouto.
4 de novembro de 2016
O passageiro que não bateu palmas.
Na estação do metrô no Largo da Carioca, conhecido como Tabuleiro da Baiana há várias décadas, no confortável vagão desse trem subterrâneo, ar condicionado em pleno funcionamento, eis que surge um clarinetista e um guitarrista, carregando um amplificador portátil, para dar suporte sonoro a suave guitarra de base. Um breve anúncio com sotaque hispânico, indicava que tocariam. E quase todos os passageiros atentos, aguardando a apresentação dos artistas mambembes. Logo o instrumento de sopro deu início ao mavioso solo, me fazendo lembrar do livro "Solo de clarineta" de Érico Veríssimo(1905/1975). Próximo de mim, um sério passageiro não se movia. Não acompanhava o ritmo, quer com pé, quer com a mão desocupada. Sério permaneceu, e assim continuou. No You Tube a múscia Take five - um jazz melífluo:o sax alto é do autor, piano com o maestro Brubeck, J.Morelo na bateria e Eugene Wright no contra-baixo, com mais de vinte milhões de acessos. O desconhecido não mexeu sequer nenhum músculo da face. E no final não bateu palmas. Essa obra musical jazzística, foi gravada em 1959, é de autoria Paul Desmond, doador dos direitos autorais de todas as composições dele para a Cruz Vermelha. No término da apresentação, os simpáticos músicos passaram o chapéu. E a grande maioria colaborou. O passageiro sisudo, deu-lhes a maior contribuição aos artistas itinerantes(o mecenas de plantão contribuiu com cem reais). Há pessoas surpreendentes. A recomendação é não (pré e nem pós) julgá-las. Desci do metrô na Estação Botafogo, e no Bar do Hotel Argentina (sem o Nonato, garçom que servia ao Olimpio José de Abreu e outros amigos) depois de muitos anos abstêmio, pedi ao barman um cowboy do J.W. Black. O pensamento viajou pelos sete mares. De todos esses mares, um deles foi o bar onde me encontrava. E cantarolei baixinho Take five, lembrando-me do passageiro que não bateu palmas.
3 de novembro de 2016
Teresa Fênix ( 17a.parte)
Ulisses refletiu durante um bom tempo, se deveria pedir socorro financeiro ao Comandante grego. E decidiu arriscar a receber um não. Enviou pela mãe o pedido. Ela lhe respondeu que não pediria ao ex-namorado. Teresa Fênix demonstrou uma nítida má vontade, feito a claridade solar. Ulisses tomou coragem, reuniu parcas economias e ligou para o Comandante grego. Ao receber o pedido, adiantou a Ulisses, não ter no momento a verba pedida. Mas correria atrás para socorrer o jovem, estando ele num país amigo, mas distante do lar doce lar. Ulisses relatou a namorada dele, as dificuldades em conseguir permanecer no Panamá. Resolveu se divertir, visitando lugares turísticos, degustando comidinhas panamenhas (o que lhe fez ganhar alguns quilos) ouvindo e dançando merengue(ritmo animado- primo do mambo - tocado no Caribe). Se surpreendeu ao ouvir Roberto Carlos cantando em castelhano ( há quem afirme que o rei do cancioneiro do ritmo rock/bolero, tenha nascido em Santo Antonio do Muqui, extremo sul do espiritossantense, a conferir - é o bordão usado pelo jornalista sergipano - Ancelmo Gois). Isso mitigava a saudade de casa.O calor panamenho é respeitável. E o relevo geográfico da capital, é plano, facilitando a mobilidade. Depois de dois longos dias, foi agraciado com a notícia positiva do Comandante. Exultante resolveu comemorar levando-a para um lanche noturno num local da moda.O professor de Ulisses o admirava sobremaneira. Ulisses matutava projetos arrojados, ao ponto de não mais voltar ao Brasil.
26 de outubro de 2016
Teresa Fênix (16a parte)
Teresa Fênix estabeleceu grave discussão com o namorado grego, por conta do aumento da frequência dos cultos religiosos durante o dia, acompanhado de cantorias e falatórios. Isso o incomodava, bem como os vizinhos da cabeça de porco. Ele não podia ler, e refletir sobre textos de Kant ou Deleuze. O resultado do conflito foi a mudança imediata de casa. Teresa Fênix repentinamente contratou o frete de um pequeno caminhão diesel. Resolveu morar num bairro conhecido como Vai e Volta. O topônimo era sugestivo. A volta dela não era a expectativa do ex-namorado. Dois dias se seguiram, quando o dono do caminhão da mudança bateu na porta de Theodorakys Pitacus, para cobrar o frete. Ele não pagou. O cobrador atendia pelo apelido de Tônza. Discutiram asperamente, e quase se atracaram. O timoneiro grego abatido pelo vexame promovido por Teresa Fênix, e munido de um passaporte diplomático da ONU - Organizações das Nações Unidas - partiu para a Delegacia de Polícia local. E relatou a autoridade de plantão o fato ocorrido entre ele e o Tônza. O comandante de Longo Curso (porque navegou ou sabe empreender viagens transoceânicas) estava no cadastro de reserva para operações especiais da ONU. Dava-lhe essa competência por ter atravessado duas vezes o dificílimo Estreito de Magalhães, sem acontecer sequer um incidente naval. Todos os comandantes que atravessam-no, são registrados numa organização internacional. A polícia marcou a data para acareação dos envolvidos, incluindo Teresa Fênix. Nas contradições que quaisquer seres humanos podem se envolver, Theodorakys Pitacus, se arrependeu de não ter quitado o serviço do frete, diante da aporrinhação causada por conta de uma pecúnia de baixo valor. Mesmo tendo a nítida consciência de mais um pequeno golpe de Teresa Fênix.
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