16 de janeiro de 2016

O trovador Paulo Pinheiro Freitas



MIMOSO DO SUL

NAS ÁGUAS E ARRROIOS RESPLANDECENTES,
NUM MILAGRE DE LUZES E DE CORES.
PELAS MANHÃS SUBLIMES E RADIOSAS,
HÁ CRIANÇAS BRINCANDO NOS TEUS BOSQUES
E EM TEUS JARDINS VIVEM SORRINDO AS ROSAS
PARA A FESTA DE RÚTILAS ABELHAS
- AS ROSAS DESLUMBRANTES E VERMELHAS.
CIDADE DOS ARROIOS E DOS PÁSSAROS !

O autor nascido em Rio Novo do Sul(ES)., diplomou-se em 1924 na Faculdade Nacional de Direito no Rio de Janeiro, tendo percorrido diversas cidades capixabas como servidor público, de alta retidão moral e ética.  É membro da Academia Espiritossantense de Letras. Eis mais uma trova desse grande vate:

Aquela formosa imagem
Que eu julgava estar bem perto
Foi apenas uma miragem
Nas areias do deserto

A vida é feita de dor
De tristeza e sofrimento
Tudo que vive de amor
Sempre termina em tormento

As quadrinhas mais bonitas
E perfeitas que componho
São pelos anjos escritas
E ditadas pelo sonho

Éolo



Éolo, deus do vento,  deu a Ulisses um alforje que guardava todos os ventos. O deus que lhe presenteou, alertou-o que o bornal jamais deveria ser aberto. Na tumultuada viagem marítima que empreendia, era um indicativo para chegar seguro ao destino, a cidade de Ítaca. Penélope mulher dele, esperava por dez longos anos, segundo a narrativa épica do escritor Homero no livro - Odisseia -  que viveu 500 a.C. Durante o trajeto, num cochilo de Ulisses, os marinheiros curiosos - na expectativa de encontrarem ouro -  no alforje, o abriu. O mar se revoltou e Ulisses voltou à estaca zero. A curiosidade é uma anti-virtude, mas é também uma grandeza, pois a pesquisa é coadjuvada pelo espírito curioso do cientista. Alexandre Fleming (1881/1955) encontrou a penicilina, ao espirrar sobre uma lâmina. Esse revolucionário antibiótico salva milhares de vidas. Outro caso de curiosidade à moda marinheiros de Ulisses ocorreu-me quando ganhei um  trenzinho de corda, em um natal. Com trilhos, e quando acionado soltava uma pequena fagulha pela chaminé por cima da casa de máquinas. Utilizei demais o pequeno e inteligente brinquedo, pois a ferrovia e os trens são parte do meu inconsciente. A minha felicidade durou pouco, com chegada de um querido primo que alertou-me, pois estava a dar pouca corda no mecanismo. Meu primo ao me corrigir a rodar a chave, quebrou o meu passatempo.

9 de janeiro de 2016

Trovões



Numa avaliação existencialista, a  esperança pode até ser uma propaganda enganosa. Mas abrir mão dela é divorciar-se do mundo. A vida é um prêmio. Sócrates (400 a.C) abriu mão dessa  premiação, pois  havia  o recurso no julgamento dele,  em pedir perdão  ao Conselho de Sentença Grego. Se tivesse procedido assim, talvez teria se   livrado da morte. Não o fez. E dignou-se a beber a cicuta. O sofrimento humano é mitigado através do circo,  seitas, doutrinas, religiões e outras, calcado na expectativa de uma outra vida muito melhor. Há controvérsias. Por serem dogmáticas  e sabujas,  essas instâncias místicas não enfrentam a realidade de frente. Historicamente se omitiram durante os trezentos anos da escravidão no país, e nas demais nações  escravagistas. Mas essa matéria, não é bem recebida em alguns setores da sociedade. Esquecendo os descalabros do passado, surgem nos vetores midiáticos, robustas notícias sobre corrupção pelos sete mares. Todas capitaneadas - nos últimos doze anos -  pelo  brazilian government establishment.  Coexistir com esses fatos, é como assistir um filme de terror,  numa noite de tempestade com descargas atmosféricas,  e sons  tonitruantes.  

10 de dezembro de 2015

Sanhaço Azul ou thraupis sayaca






Onde morei, e  estou a morar, existe uma mangueira no quintal com mais de meio século, sombreando e doando mangas espadas anualmente. E que mangas. Estou sempre as colhendo nas manhãs dos outonos. Segundo o médico ortomolecular Helion Póvoa o organismo precisa de açúcares como primeira refeição, exceto os diabéticos. E ele recomenda a frutose, sendo que as mangas, pitangas ou amoras,  as minhas preferidas. Outro dia, reservei quatro manguitas numa tigela, e as coloquei na lateral do tanque de roupas.  Em seguida  fui comprar alguns pães, o que raramente o faço. E no retorno, as mangas estavam sendo bicadas por dois sanhaços, ambos azulados. Um casal? Talvez. Os sanhaços não são dissimulados. Assumidamente ariscos e vigilantes. E o instinto do pássaro conectou a minha intenção, pois passei a deixar as mangas na tigela, e transformaram-se em comensais cotidianos. O habitat dessas aves não são tão somente,  as combalidas matas secundárias.   Os sanhaços são antrópicos, quer dizer, vítimas das modificações provocadas pelo homem no meio ambiente,  os tornaram adaptáveis aos espaços urbanos. Essas aves  põem três ovos brancos, meio esverdeados, com pintas e traços marrons. Incubados pela fêmea por doze a catorze dias, e com vinte dias começam a ensaiar os primeiros voos. 




 

7 de dezembro de 2015

Pano de fundo



Escrever não é algo fácil. Narrar para muitos, então é mais difícil ainda. Os corações e mentes são diferenciados, pois a humanidade é plural, e assim deve ser. A herança helênica, que é a democracia -  significa governo do povo, e para o povo -  essa presunção deságua na pluralidade universal. Essa é a convicção. Funcionando ou não, a democracia é a máxima utilizada pelo mundo ocidentalizado. No mais, é o império das abjetas  ditaduras.  No momento surgem a veloz proliferação das  religiões, seitas e doutrinas. Inúmeras, e todas inexoravelmente dogmáticas. No Oriente Médio, Paris, California e n’África, matam e morrem sob o manto da mística, como pano de fundo. A lição da Segunda Guerra Mundial, ainda não foi  apreendida.  Claudicando, caminhamos.