Drones são aviões aéreos armados, e não tripulados, que são
catapultados para o mundo afora, de um
local “top secret” no território do Tio Sam. Essa parafernália, de longo alcance, é considerada a mais pós-moderna “high-tech,”
- serve para espionar e matar - pessoas reconhecidas no critério
americano, como terrorista, e às vezes os mísseis matam crianças e outros, além do alvo principal. No mundo as
crises se repetem em ciclos, e no momento
morrem nas manifestações na
Venezuela, e na longínqua Criméia - onde tropas militares russas foram mobilizadas - vota-se pela independência da
Ucrania. As motivações de todos os
conflitos belicosos são econômicas, desde o maior conquistador de todos os tempos - Genghis Khan - (sec.XIII) até a guerra do
Vietnam (1965/1975). E há uma semana, uma nova tensão internacional no ar (ou na terra), trata-se do
sumiço, nos radares, do avião Boeing 777, da Malásia,
um dos "tigres asiáticos" no plano econômico, que está
deixando as autoridades de “cabelos em pé”.
Na era da cibernética, “nada desaparece, quando se quer realmente encontrar”. Para descobrirem o paradeiro do jato 777 da Boeing, os submarinos de propulsão nuclear procederiam varreduras no fundo dos mares, e os drones poderiam praticar um serviço humanitário,
se fossem lançados para rastrear o voo 370 da Malasian Airlines, desaparecido, com 239 pessoas, nas florestas vietnamitas, Cazaquistão, Turcomenistão, Afeganistão e outros tãos...
Quem viver verá.
16 de março de 2014
24 de fevereiro de 2014
Matipó
Pouco sei da família
paterna, quase nada... uma lamentável
lacuna, um vazio. Alguns não
desejam nada saberem da sua genealogia.
Registro esse desinteresse em muitos, que assim indagam: para que saber dos
ancestrais de Treviso, Damasco, Benin, Maputo ou do Algarve?
Respeita-se a opinião.
Embrenhei-me numa pesquisa nos cartórios, qual nada, era a igreja católica, o notário público, que historicamente sempre foi aliada da
classe dominante, até aos dias atuais. Omitiu durante os 350 anos de
escravatura. Ao garimpar, fui informado que os registros de nascimento e óbito
estavam sob a guarda da paróquia de Boa Vista, hoje Apiacá. Ao chegar no local, acompanhado da Marcia,
recebeu-me um padre de origem huguenote,
das terras de Mauricio de Nassau.
Circunspecto no primeiro momento, todavia, tomei coragem e inquiri-lhe sobre os boers ( holandeses que instalaram a mais perversa segregação
racial do mundo, na África de Mandela): porque tanta desumanidade com o povo
negro sul-africano? Ele não titubeou, respondendo que os boers acreditavam que
os negros eram ascendentes de Caim, que matou Abel o irmão dele. Por isso os negros foram amaldiçoados, e daí a punição. O padre não
esboçou nenhum gesto de apoio aos boers. Essa justificativa surreal, jamais
tinha tomado conhecimento, anterior ao
padre huguenote me afiançar. Iniciei a
busca num robusto livro manuscrito, se
encontrava o nome do meu avô. Senti-me numa situação como estivesse literalmente procurando uma agulha no
palheiro. Até que deparei-me com a seguinte observação: “ o creoulo fulano de tal, foi morto em.... “. Os negros não
possuíam registros de nascimento e nem de óbito. Meu avô era negro. Quando se
registrava, com a alcunha pejorativa de “creoulo”, era um negro alforriado, ou um “negro de alma branca”. Raros são os afro descendentes que conseguem saber o nome do bisavô. Os negros não
existiam nos compêndios oficiais, e foram considerados como “peças”,
verdadeiras unidades de produção. Para o meu regozijo, recentemente encontrei
uma parenta legítima e gentil – Lélia Machado
- e continuo a caminhada, dessa em vez em Matipó, nas terras do alferes e heroi Joaquim José da Silva Xavier.
19 de fevereiro de 2014
Taquarim (parte 2)
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Descobrir devagarinho, com se estivesse tecendo um samburá. Igual percorrer uma dezena de quilometros, a pé, de Mimoso do Sul para o Barro Branco (tabatinga) na busca de varas lineares de bambu, dito chines, que depois de tratada ao fogo, solta uma substancia semi-oleosa. Em seguida, limpando-a com um tecido velho e seco. Isso feito, estará pronta e mais resistente a bravura de um piau-tres-pintas, e para finalizar, recebe seus apetrechos, ou seja : linha, chumbo e anzol. A busca desse caniço, é através da via férrea, ora caminhando sobre os trilhos, tal qual um equilibrista de circo no horizontal arame, ora pelos dormentes, na cadencia de uma marcha quase-castrense, pois a distancia dos dormentes nos trilhos é muito pequena, obrigando o caminhante a dar passos curtos e precisos. Essa viagem já foi empreendida há alguns anos. É uma andança observadora feito um jornalista vibrador, que o editor-chefe lhe confiou uma matéria sobre " o taquarim e suas finalidades" - para publicar na seção latina do New York Times.
A memória guardou tudo, assim me parece, pois ao andar, abria-se feito uma grande cortina de um teatro mambembe, cheio de luz. A moldura verdejante se apresenta, filha da mãe natureza, e cercada pelo bucolismo, e ouvia-se os cânticos dos bem-te-vis, o arrulhar das rolinhas ou o pio dos inhambus. Inesperadamente uma nascente de água cristalina. Saciava a vontade incontida de beber muita água. Um pouco de descanso, e logo retornava a " a caminhada do bambu chines". Alguns o chamam de taquarim, taquara, espécie de bambu. Os pés já começavama a doer, e o sol castigava, pois era o mes canicular de janeiro.A chegança no Barro Branco, foi uma festa. Foi como encontrar um pequeno oásis. As inúmeras touceiras dos taquarins, na margem direita do rio - eis um belo taquaral, produzindo sombra e água fresca. Empreender esse pequenino périplo, é tão lúdico quanto caminhar pelo calçadão de Ipanema em direção ao Arpoador, ouvindo as opiniões Mauricio Dias sobre legendário Raimundo Faoro. Ou quiçá, perambular a esmo pelo Quartier Latin. Enfim, algumas varetas de taquarim foram decepadas, e suficientes para serem preparadas, rumo ao rio piscoso rio Itabapoana.
12 de fevereiro de 2014
Homo sapiens e o amor
Há princípios que dignificam o grau de civilidade de um povo.
Como por exemplo: não matar e não furtar. A convivência
social harmônica, se faz através do tempo, com a manutenção de algumas regras
pétreas imutáveis e irrevogáveis. Infelizmente,
nem sempre essas normas do bom relacionamento são seguidas, e todo o mundo é sabedor das transgressões. A bem
da verdade - o homo sapiens ainda está em fase de aprimoramento – e
creio que essa “quarentena” vai demorar. Do outro lado do rio, no sentido único do
viés emocional, uma flor matinal sombreava
uma mensagem, mais ou menos assim: ...” avalia-se a inteligência de um indivíduo, pela quantidade de incertezas que ele é capaz de suportar...” de
Immanuel Kant ( 1724/1804). E essa pérola filosófica está a merecer
considerações, no campo das incertezas, sem contudo vincular a arrogância de
ser mais ou menos inteligente, se me for permitida a presente interpretação. O “sabe
tudo”, segundo Sócrates (filósofo grego 400 a.C), afirmou que: “ tudo que sei, é
que nada sei”...dai o aforisma de Kant, quanto a incerteza. Ora pois, se percebe que no ato do aprendizado, é constado que pouco se sabe. E ainda se acrescenta, os enigmas da vida, sendo o amor um
misterioso viés, que navega (des)orientado pelos sete mares. Nada se pode
concluir, em se tratando de uma matéria
controversa. Mas, intuir, é possível de se fazer. O amor é fruto da complexidade das relações
humanas, e por isso, poder-se-á justificar ser o êle,
uma busca tão fundamental, quanto da liberdade, como fonte inspiração para tornar a vida mais
lúdica.
8 de fevereiro de 2014
Uma luta contínua
O mundo atravessa um novo ciclo, com o aparecimento da
internet. E a ferramenta das redes sociais serve para organizar os protestos. A consequência são o espoucar das bombas, corre-e-corre e a polícia nos calcanhares dos
manifestantes, (alcunhados de
vândalos, iguais aos bárbaros europeus - visigodos
e ostrogodos – que derrubaram o longevo
império dos césares) e nesse palco beligerante, eis que um cinegrafista foi ferido, e veio lamentavelmente a morrer. O foco,
é a contrariedade quando do aumento das passagens no transporte urbano, na
cidade de São Paulo. Não bastando o poder público ser atavicamente autoritário, o
setor acima citado, construiu um poderoso cartel, com representantes (vereadores e deputados estaduais) nas casas
legislativas, até porque alguns empresários do setor, são suspeitos de financiarem as campanhas eleitorais de candidatos em todos os
níveis. É provável que essa prática seja encontrada em outras capitais do país.
A luta do homem para manter a sua dignidade enquanto cidadão é constante desde
a Revolução Francesa (1789-1799) até ao genocídio (1994) de Ruanda, onde oitocentos
mil pessoas da etnia tutsi foram mortos, dentre elas muitas crianças e idosos. A maioria das mulheres foram estupradas, pelos hutus, etnia rival. E pasmem, mais uma vez: com a participação da classe dominante, leia-se: França, EUA, Inglaterra, FMI, Banco Mundial, ONU et caterva. Sob o símbolo da dignidade, se trava doze guerras civis em diversos países em território da mãe África, e a grande
mídia nada noticia. A luta é permanente, em todos os quadrantes do planeta, quer na
manifestação carioca, quer na resistência do povo sírio. Isso pode significar, que a
liberdade do homem é uma luta contínua. A história é implacável, e todos esses fatos serão por ela julgados.
PS.: Se desejar melhor contextualizar a matéria acima, por favor, veja o filme "Hotel Ruanda".
PS.: Se desejar melhor contextualizar a matéria acima, por favor, veja o filme "Hotel Ruanda".
1 de fevereiro de 2014
"Vale o escrito"
Ouço numa tarde de verão, algumas interpretações de músicas altissonantes, a referência é para o virtuose das cordas - Rafael Rabelo - encapsulado no seu violão-alado, partiu inesperado e
precocemente, em direção a mais brilhante esfera celestial. Quem sabe está a
dedilhar para os astros, asteróides e extraterrenos ou não? O fato é que, nesse
instante imagético, místico e campesino, convivo com o calor tropical, mais
famoso nesse inicio de 2014, com árvores a produzir boas sombras,
e um riacho a correr suave, e
manso feito o sol poente, quer no Arpoador, quer no pico da siderúrgica Estrela
Dalva, uma das torres símbolo das montanhas imponentes, e enfeitadas pelas flores silvestres e cachoeiras. Lá do alto da Estrela Dalva
pode-se avistar o veleiro alteroso singrando o mar alto, permitindo-se rememorar os
barquinhos-de-papel, enquanto brinquedo
de criança, e empreende-se "outras viagens". E o olhar se perde, e se encontra, dessa vez entre a vegetação de um
açude, e se faz presente ( infortunadamente, fotografado somente pela retina) a ação transformadora da natureza, na insígnia do ninho semi-ovalado,
construído de varetas e forrado de folhas, com três ovos de tamanho médio, repousados e prometendo o nascimento das avezitas do Martin-pescador. O ninho desse pássaro
compõe o cinturão ciliar da pequena lagoa, e localiza-se somente há uma distância de um metro e meio, da água. A nidificação está na condição de - hóspede - da candiubá, arbusto
nativo da região sudeste. O Martim-pescador, veste uma plumagem
pluri-cromática, que são cores impressionistas, harmônicas e encantadoras. Imagine-se os
pequenos Martim, pela proximidade do espelho d’água, muito cedo serão treinados
a mergulharem, como - atividade primeira da sobrevivência - ao localizarem, como
suas “poderosas lentes” os cardumes encontrados nas inundações lacustres. Os vizinhos e compridos arvoredos, conhecidos popularmente como imbaúbas, - cecropia purpurascens - são testemunhas desse relato. Contudo, “vale o escrito".
13 de janeiro de 2014
O sabiá-laranjeira
Ao se
apreciar o sabiá, e o seu mavioso cântico, a brasilidade remete: “ Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá, as aves que
aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá” é a abertura da consagrada poesia – Canção do Exílio – de Gonçalves Dias (Coimbra,1843). Mas o desejo (in)contido, é o de narrar sobre
o “Turdus
rufiventris” ou o sabiá-laranjeira, habitante das matas, caatingas, campos e cidades
ajardinadas. Em 2002, por decreto, o sabiá-laranjeira passou a ser oficialmente a ave símbolo do Brasil. Desde
1966, ela já ocupava como ave-símbolo, na
terra dos bandeirantes. De coloração geralmente parda, ou pardo-avermelhada, e
são por demais populares, pela beleza do
canto. Veste uma plumagem pardacenta no dorso, e ferrugínea no abdome. Há
algumas lendas sobre a mesma, como por exemplo: há quem afirme, que se o “bicho-homem” raptar o filhote e o confinar na gaiola, a
sabiá-laranjeira fêmea, ministra-lhe
um veneno, e o mata. A sabiá-mãe o prefere morto, do que enjaulado. Essa é a estória através da oralidade, passando para as futuras gerações. As crenças que povoam o imagético do
coletivo, ocorrem em quaisquer partes do mundo.
A fêmea é responsável pela construção do lar, ou seja do ninho. O formato são quase sempre
esféricos, e profundos. O material utilizado tem os seguintes componentes: raízes,
musgos, barro e outros. As paredes dos ninhos
são espessas, para melhor se protegerem.. São doze dias de
incubação, e os ovos são verde-azulados. A fêmea é pouco maior do que o macho,
que (en)canta no período reprodutivo, antes do amanhecer e ao anoitecer, para
atrair a fêmea, e demarcar o território. O canto do sabiá-laranjeira permanece até dois minutos, e vida útil dele, pode
atingir trinta anos. Na exposição de motivos enviadas ao então presidente, para torná-la a ave símbolo oficial do país, assim
argumentou o relator da matéria:
“ que o sabiá-laranjeira tem larga distribuição nacional, e porque é, dentre as aves, a mais inspiradora e, consequentemente a mais aclamada e decantada
pelo sentimento popular e cultural”. O cântico-dobrado dura cerca de dez longos segundos.Sabiá
vem do tupi sawi’a.
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