Hildemar Diniz, mais conhecido como Monarco, nasceu em Nova Iguaçu e se transferiu para Madureira, próximo da Portela em 1947. Homem de hábitos simples mora no Riachuelo, subúrbio da zona norte no Rio de Janeiro. É considerado um sambista de escol. Paulinho da Viola, também portelense se considera discípulo de Monarco. Compositor da respeitável da Velha Guarda da Portela, que é a memória viva da história do Brasil cultural e miscigenado. É a narrativa poética da sociologia brasileira. Monarco é patrimônio das cores azul e branco, do Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela, enquanto membro e compositor da Portela. As letras dos sambas de Monarco, nunca se esquece de discorrer sobre a biografia dos seus sambistas. Um autêntico guardião da memória da escola. Prestigia os ícones do passado, e do presente, através da sua poética musical. Reverencia também os compositores das outras escolas, por exemplo: aprendeu a técnica de composição de sambas-enredo, com o mestre Silas de Oliveira, fundador da Império Serrano. A voz de Monarco, é de inflexão metálica, fluente e suave. Nas suas entrevistas, reverencia Paulo da Portela, Antonio Rufino e Caetano, fundadores da Portela. A família de Monarco, tal qual Johann Sebastian Bach, resguardadas as proporções, tem nos filhos, sucessores da sua arte. Está na ativa, todavia, eclipsado pela mídia, mas continua cantando e encantando àqueles que lhe ouve. Parabéns Monarco. Ele Partiu ontem dia 11 de dezembro, em plena lua crescente, se foi para algum lugar ou não, não devo opinar. Intuo no meu imaginativo ser ele mais uma estrela a iluminar constelação tipo a de Orion, cuja porta de entrada será recebido por Bach,Ary Barroso, Pixinguinha e Tom Jobim. Saudade !
3 de fevereiro de 2013
2 de fevereiro de 2013
Tragédia gaucha
Estranho país...o querido Brasil continental, que já não é mais a sexta economia do mundo, tomou providencias numa dimensão quase nacional, e está a fiscalizar todas as casas de shows, teatros, cinemas, centros culturais e de convenções, quer da iniciativa privada, quer os aparelhos públicos. A fiscalização, igual a fênix, ressurge das cinzas, e os estabelecimentos estão sendo lacrados, por não atenderem as mínimas condições de segurança aos seus frequentadores. O acontecimento de uma tragédia que repercutiu no mundo inteiro, onde morreram cerca de duzentos e trinta e cinco jovens, numa boate que incendiou-se em Santa Maria, cidade universitária no Rio Grande do Sul, e cem deles, ainda internados nos hospitais. Desde então, o poder público estava no imobilismo, e agora diante do caos, parece sentir-se motivado, e nas grandes capitais, deu-se inicio a uma severa cobrança aos seus proprietários e/ou representantes dessas casas, para implantarem as medidas de segurança de acordo com as recomendações. Suspeita-se que as razões desse infortúnio são muitos, desde a idiotice de se produzir show pirotécnico dentro de um ambiente fechado, a corrupção entre as partes para não se cumprir algumas medidas de segurança, e pelo "vil metal" receber mais frequentadores do que a casa comportaria, e até na ausencia de tirocinio para não se construir as portas de emergencia, como rota de fuga. Para agravar, a morte ronda a juventude, que é a maior vítima dos acidentes nas vias urbanas e nas rodovias. Vidas são ceifadas no ápice da vida. O poder público, deve buscar medidas que pelo menos matem menos os nossos jovens. Implantar campanhas educativas na mídia e nas escolas, maior eficácia da policia rodoviária e melhoria nas estradas, e outras recomendações. Infelizmente não existe uma legislação federal para orientar na construção das casas de espetáculos. A ABNT – associação brasileira de normas técnicas – é uma instituição privada, que recomenda alguns procedimentos, e nada mais. Não tem força-de-lei. Normas, não são leis. Enquanto não se votar uma lei no Congresso Nacional, claudica-se aqui e acolá, torcendo para que essa tragédia não se repita no Brasil e nem em quaisquer outras partes do mundo. Há um aforisma verbalizado na zona rural, desse modo: "viver é jeito, morrer é descuido "
13 de janeiro de 2013
Joaquim Domingos dos Santos, um anônimo
Os muares são uma antiga ferramenta de trabalho, desde a existencia do homem. Por esses brasis afora ainda se vê carroças puxadas por mulas e ou burros. Algumas são transportes da população rural, outras fazem fretes na zona urbana. Transportam pequenos apetrechos e até mudanças. Havendo necessidade, dão várias viagens, para completar a tarefa. Por essas terras, há um carroceiro chamado Joaquim Domingos dos Santos, simplório e de fala mansa, estatura baixa e físico forte, sua tez é morena e bronzeada pelo sol do dia-a-dia, na atividade de um meritório trabalho. O burro agregado ao seu veículo, tem o surreal nome de Tafarel. Há meio século exerce essa função e dela sustenta alguns membros da familia, pois tem doze filhos e alguns netos e bisnetos. É de famila de tradição longeva, pois o seu avô Francisco Gouveia viveu até os cento e um anos. Do alto dos seus quase noventa anos, acorda as cinco horas da manhã e trabalha até as dezesseis horas. Por ajudar todos os seus, não conseguiu adquirir a sua casa própria, símbolo maior da cidadania. Possui uma saúde impecável. Depois de ter enviuvado duas vezes, pretende conquistar uma outra companheira, e com certeza tem o apoio familiar segundo relatou a esse modesto cronista. Certa vez, o diretor de filmes inesquecíveis - Luis Buñuel - provocado por um repórter, ao se casar aos 76 anos, vaticinou assim: o sexo só lhe abandona, se você o abandonar. No seu cardápio alimentar, Joaquim excluiu o café, arroz e galinha. Prefere a carne suina, angu, e os feijões. Das frutas, no passado apreciava as laranjas, atualmente não dispensa as saborosas mangas: espada,carlotinha e aden. Divulga a sua filosofia de vida baseada na paciencia e respeito as crianças e aos idosos. Um anônimo, todavia um sábio, pois escolheu as duas pontas da sociedade, que mais necessitam de um olhar mais apurado de todos nós.
12 de janeiro de 2013
Rubem Braga - 100 anos
Discorrer, narrar sobre Rubem Braga, é como se reeditasse as doze tarefas de Hércules, filho de Zeus e heroi da mitologia grega. É um exercício de alta magnitude, pois os luminares da literatura já o fizeram, todavia, mesmo sendo amador, vou tentar reger essa "notável sinfonia".
Ele foi um cidadão do mundo, um "sujeito-homem" que não se intimidou, quando se aventurou como correspondente de guerra na Itália. Lá no campo de batalha, preferia conviver com os soldados, e deles, numa boa escuta, conseguia a informação e transformava-a em notícia, em suma; fazia história. Nunca se esqueceu do seu Cachoeiro, banhado pelo encachoeirado rio Itapemirim, o quais sempre lhe acompanharam como referencia da sua trajetória de vida. Morou e amou Paris, e por lá namorou a linda Tonia Carrero, então famosa atriz do teatro, TV e cinema. Bebeu bons vinhos e degustou saborosos pratos da terra de Saint Exupery. Entrevistou Thomas Mann, Jean Cocteau, Sartre e outros ícones da época. Depois foi consul no Marrocos...vestiu fraque ao apresentar credenciais ao sultão muçulmano. Na sua residencia oficial nesse país de cultura árabe; nas modorrentas tardes, no recesso da sua casa, observava os cânticos dos pássaros, e os comparava com os de Cachoeiro. Isso se deve em parte, o parentesco do jornalista, com a familia dos Coelho, tradicionais fabricantes de pios. Segundo ele, alguns entoavam dobrados que lembravam os curiós, outros com os melros e bem-te-vis. Depois foi para o Chile, e exerceu também funções diplomáticas. Seu acervo literário são quinze mil cronicas, e nunca escreveu um livro ficcional ou não. Sabia que não voltaria mais para a sua terra...a diáspora deixa sequelas, pois é um "exílio" (in)voluntário. Parte da sua vida, dedicou-se a boemia carioca, manteve amizades do calibre de Vinicius de Moraes, Paulinho Bertazzi, Fernando Sabino, Ligia e Olimpio José de Abreu, esse, foi professor e amigo dele desde quando lecionava no então colégio Pedro Palácios em Cachoeiro. Eis uma surreal curiosidade revelada pelo professor: numa noite foram ao Mangue, antiga zona do meretricio no centro do cidade, na Praça Onze, Rio de Janeiro. O cronista e o amigo-conterrâneo, após beberem algumas talagadas de uisque, o cachoeirense Rubem Braga, se aproximou de uma "donzela da noite", e por ter cometido alguma "saliencia", teve um sério entrevero com o cáften da mesma. Para se safar do imbroglio, do interior da casa de tolerância, numa tonitruante voz, bradou exageradamente assim : Abreu, Abreu estão querendo me matar!
Abn al-Rahman era um príncipe, ascendente das famílias bérbere e omíada; e por volta do ano 752, aos dezoito anos ou menos, perseguido, empreendeu uma longa caminhada, e atravessou o estreito de Gibraltar, e se estabeleceu com o seu povo na Espanha. ( E por lá permaneceu por oito séculos na península ibérica, convivendo harmonicamente com judeus e cristãos, até 1492, ocasião em que foram expulsos pelos reis católicos.) Tal perseguição e fuga, foram motivadas, pela morte dos pais de Abn al-Rahman; pelos abássidas em Damasco. Abn al-Rahman ao instalar do Califado de Córdoba, plantou fruteiras da sua terra natal ao redor do seu palácio, oriundas da sua terra natal, pois tamanha era a saudade da Siria. Assim Rubem Braga procedeu; plantou mangueiras, coqueiros, pitangueiras na sua cobertura em Ipanema. Mesmo com a sua cosmopolita mundividência, jamais ignorou a sua gênese. Alías, é uma admirável praxis cultivada durante a sua existencia. O rio Itapemirim, foi "incumbido" de conduzir as suas cinzas para os sete mares, contudo, passando antes, por Marataizes.
6 de janeiro de 2013
Buda é Siddharta Gautama
Buda nasceu na India no séc. VI/V a.C. Foi um príncipe, que vivia como se fosse numa redoma de vidro, fora da realidade, era a liturgia da realeza. Casou-se com uma prima que lhe deu um filho. Entediado com a vida palaciana; aos 29 anos abandonou o luxo e se transformou num mendigo. Experimentou o lado mais amargo da vida. A partir desse aprendizado, atingiu a iluminação, que é o mais alto grau da espiritualidade. Dai em diante conquistou adeptos, e o budismo espalhou-se inicialmente, pelo extremo Oriente. E todo o mundo tomou conhecimento, dos ensinamentos de Buda. No Brasil são 240 mil seguidores. Segundo o futuro Dalai Lama, que incorpora o espírito de Kalu Rinpoche, um "botsawa" - espírito de luz - nos seus vinte e poucos anos; afirma ser o budismo uma filosofia e não religião. Há controvérsias. O jovem e futuro Dalai Lama é modernoso, pois está conectado com nas suas redes sociais da internet. Aos dezoito anos, o jovem mestre deu o grito de liberdade e fugiu do monastério e viveu seis meses na Tailandia. Foi em direção a esbórnia. Adentrou na vida, dita mundana. Manteve relações sexuais, e provou da marijuana. E postou no you Tube, uma mensagem bombástica: denunciou ter sido vítima de abuso sexual por parte de alguns monjes que envergonham os ensinamentos Buda, Hare Krishna e tantos outros budistas. Superado o trauma, retornou ao internato monasterial. Há muitas cortinas de fumaças, que aos poucos estão se diluindo... religiosos da igreja na católica Irlanda, praticavam a ignóbil pedofolia. Certa vez um experiente professor, numa conversa reservada, adiantou que a libidinagem, é tão antiga quanto a prostituição. Por ter vivido na Europa, relatou que nos palácios, mesmo guardados com soldados, e com altíssimas grades, se praticavam atos sexuais, entre as grades. As seitas, doutrinas, religiões, sociedades secretas e quaisquer outras, por serem dirigidas pelo homem, consequentemente estão sujeitas a graves desvios, poder-se-á encontrar provas de atos e atitudes inenarráveis; em outras instituições; tais como, a perversidade sexual; da qual foi vítima o jovem monge Kalu Rinpoche, lider do budismo tibetano,
14 de dezembro de 2012
O jongo - parte 2
Há uma interação interdependente entre o lúdico e o místico, em se tratando do jongo. No lado místico, conta-se que aquele que tem "vista forte", ou seja; um iniciado com a patente próxima de um Obá (sábio em Iorubá); dizem que durante uma roda de jongo, é possível plantar à meia-noite no terreiro uma muda de bananeira. E durante a madrugada, ela cresce e produz frutos que eram distribuidos entre os presentes. A festa-mística dos jongueiros, é composta por uma fogueira e diversas tochas espalhadas. Ao lado, ergue-se uma barraca de bambu para a dança dos casais, ao rítmo do calango; e ao som de uma sanfona de oito baixos e pandeiro. Silenciosamente, à meia noite a negra mais velha, talvez a mais sábia, sai da barraca e caminha lentamente em direção ao terreiro de "terra batida". É o momento solene, de acender a fogueira e formar a roda. Ela se benze entre os tambores sagrados, e pede licença aos pretos velhos que já se foram rumo ao zênite, para iniciar os trabalhos. Canta o primeiro ponto, que é o de abertura. Todos respondem, cantando alto e batendo palmas num clima de alegria. Os tambores rufam. Nas fogueiras, assam-se na brasa a batata doce, milho verde e amendoim. Bebem cachaça, caldo de cana quente ou café, nas noites de frio intenso. O jongo é também uma festa, sobremaneira animado e só termina ao raiar do dia. No amanhecer saudam o dia, com um "saravá a barra do dia". Dia 13 de maio é uma data consagrada dos pretos-velhos. Os jongueiros dançam descalços, vestidos com roupas do dia a dia. É uma dança de roda e de umbigada. A umbigada se dá de longe. No jongo da Serrinha existe um passo que se chama "tabiá", que é uma pisada forte com o pé direito, curiosamente, tal qual os indios da região do Xingu, na festa do Quarup.
10 de dezembro de 2012
O Jongo - parte 1
É muito provável que o samba tenha a sua paternidade creditada ao jongo. A dança do jongo se concentrou nos morros cariocas antes do surgimento do samba, porque na abolição da escravatura, a colonia não reservou sequer pequenas glebas para os ex-escravos. Em nome da preservação desse patrimonio cultural, em 1960 foi criado o Jongo da Serrinha, em Madureira no Rio de Janeiro. Seu incentivador, foi o mestre Darcy Monteiro, profundo conhecedor da prática dessa dança, carregada com fortes tinturas místicas e respeitáveis mistérios. Criou-se uma Escola de Jongo, que inicialmente foram matriculadas 500 crianças, e jovens de diversas idades até o limite de 21 anos. Além das aulas de dança e da música do jongo, há do estudo do afro-primitivo, se ensina capoeira angolana, maculelê, teatro, artes plásticas e cidadania. O jongo, conhecido também como caxambu, veio do Congo e de Angola. Eles eram bantos, que são membros do grupo linguístico nígero-congolês oriental. Esses escravos foram enviados para as fazendas de café no Vale do Paraiba(RJ), Minas Gerais e São Paulo. Há informações que o jongo se estendeu até ao Espirito Santo. No passado somente os mais velhos podiam entrar na roda para dançarem. Os líderes eram necessariamente rígidos, por exemplo: na passagem das "mirongas" (segredos) e ao informar os fundamentos dos pontos. Os cânticos do jongo são simbólicos, pois é uma linguagem cifrada, exigindo uma boa experiencia para decodificá-los. Os jongueiros são verdadeiros poetas-feiticeiros, que se desafiam na roda do jongo. É a disputa das sabedorias entre as duplas. Com o poder das palavras e uma forte concentração, buscavam encantar o outro, por meio da poesia dos seus pontos. Aquele que recebesse um ponto enigmático, deveria decifrá-lo na hora e respondê-lo imediatamente( a esse fato dá-se o jargão: desacatar o ponto). Caso não consiga responder "a tempo e a hora", ficará enfeitiçado, "amarrado", podendo desmaiar, e a perdre a voz. E para agravar, se embrenhará na mata, e não saberá como retornar. Até vir a morrer. Há quem sustente, que atualmente esses fatos não se repetem. A conferir. O jongo é uma dança atávica. Pertence aos pretos velhos escravos, do povo da cativeiro, e por conseguinte pertence a " linha das almas".
aguardem: O Jongo (2)
aguardem: O Jongo (2)
4 de dezembro de 2012
Um quilo mais aquilo
Há tempo para tudo. Coexisto com as (in)certezas. Às vezes sinto um vazio "glauberiano" por dentro, que me entorpece. Sabidamente, a lucidez faz sofrer mais. Retirando as viciadas lentes de aumento, o fantasma parece menos assustador. Na fase atual, no balancete da vida, viver é um premio. Melhor viver no Leblon? A conferir. Tive filhos, e não os tenho... pertencimento deles não é meu, como Khalil Gibran vaticina nos seus aforismas, que os filhos são do mundo. Há seriíssimas controvérsias. Distanciei-me pela dor... e aqui não se dá o (des)encontro das águas, Não importa onde estou, pode ser nas margens do rio Itabapoana, Ipanema ou na Croácia. Onde estou há escassos episódios indicativos, de que é possível estabelecer fluídas relações, e algumas conversas-fiadas com os moradores, e também com os frequentes ciganos, que faz-me lembrar da infancia. Dentro das reminiscências, vem-me o som do violão de Django - Reinhardt, Jean Baptiste (1910/1953) - guitarrista cigano-belga, tido como um dos virtuoses desse instrumento, e lhe faltava um dedo. Jamais havia ouvido falar de Django. E o mestre da música erudita, Artur da Távola também, o que é compreensível. Fiquei intrigado, pois achei que Django era uma farsa, enfim, um "fake". E fui à cata de um disco de Django. E fui na então loja, Modern Sound em Copacabana. E lá encontrei alguns discos. Numa zona de (des)confortável, para compensar, parece que há algo leve no ar, feito um falcão planando dentro de uma providencial corrente de ar. E viajo silente junto ao falcão, igual aos passarins, que na "muda", não cantam, contudo pelas plumagens, encantam. O existencial ermitão declarou que só acontece "o agora", e só. E nada mais. Então, pode ser uma pintura que só o autor identifica. Uma obra-cabeça. No mais, pode ser "um quilo mais aquilo, não é nada disso...eu quero é, botar o meu bloco na rua", como versejou e cantou o poeta Sergio Sampaio.
5 de novembro de 2012
A conferir
As definições de cultura são tantas e infinitas, mas uma delas, se sobressai: cultura é um conjunto de realidades regionais. Faz tempo que os arqueólogos chamam de Tupiguarani a um determinado modo de fazer e ornamentar cerâmica, atribuindo essa atividade aos falantes da lingua da família com o mesmo nome. Alguns historiadores sugerem que os colonizadores ibéricos, quer os espanhóis quanto os portugueses, chamavam de índios, os habitantes das terras descobertas, pois julgavam que estavam na India. Na época, os que não fossem europeus, eram nominados de índios, se reportando equivocadamente a India de Mahatma Ghandi. A cultura brasileira tem a sua gênese no encontro das três etnias: Os troncos tribais, Taquará-Itararé vinculada aos jês do sul, centrais e macro-jês. Aos históricos Puris e Cataguás, e outros. O toponômio Cataguases(MG), tem a sua origem na tribo Cataguás. E o colonizador, de ascendência moçárabe,( que eram os cristãos que viviam na península ibérica, leia-se, Portugal e Espanha, ocupada pelos árabes e judeus durante oito séculos, e de convivência pacífica com os católicos até 1492, ano em que foram inexplicavelmente expulsos por Isabel e Fernando, reis de Espanha) o colonizador, e os escravos vindos da mãe África, sendo a escravatura, o período mais traumático e vergonhoso da história do Brasil. É o único pais do mundo com essa formação racial daí a sua riquíssima diversidade cultural. Para ratificar essa prática cultural, contextualiza-se: “ Deve-se lembrar que existem dois modos pelos quais os homens transmitem suas características a seus descendentes : há aquelas cuja a transmissão é regulada pelas leis da genética; há outras como a língua, costumes, crenças, hábitos, que o individuo vai recebendo pouco a pouco pelo aprendizado, formal ou informal, intencional ou não, com os outros membros da sua sociedade. Ao conjunto desses elementos que não são transmitidos de modo biológico, dá-se o nome de cultura.” (Melatti, Julio Cezar, pág.33). Por aqui, nesse sudeste, quase nordeste, nas paragens da tribo dos Puris, se herdou o uso do “urucum” como ingrediente em diversos pratos da culinária brasileira, desde o arroz, e inexoravelmente na moqueca da terra de Rubem Braga. Há quem afirme que na então Sesmaria do Barão do Itapemirim, o peixe-moqueca, desde antanho era acompanhado de banana-da-terra. De usn tempos pra cá, proliferou-se o uso banana. Outro processo cultural, refere-se aos reis magos, os astrônomos que seguiram a estrela até a Jesus Cristo, e lhe ofereceram presentes. Eles são inspiradores da Folia de Reis. É uma tradição oriunda da península ibérica. O palhaço, o grande protagonista, nas comemorações declama os versos, em grande parte do tempo, incluindo algumas passagens da Biblia. Na vizinha e simpática Muqui, essa manifestação cultural existe desde 1950. A colônia sírio-libanesa contribuiu ricamente para gastronomia local, desde os merches, quibes e humus terrine, e até na práxis da ética e do respeito ao próximo. Nos anos dourados desse condado, dos anos 40 até o final dos anos 60, inaugurou-se em 1953, o cine teatro S.José, e a trouppé da Rádio Nacional desembarcou por aqui, e a tira-colo, o Renato Murce, mal comparando era o Pedro Bial, o acompanhava - Baden Powell de Aquino - um dos maiores violonistas mundo. Certa vez, a pedido do Palácio Buckingham, onde reside a Rainha Elizabeth, ele compôs uma peça musical para violão e orquestra, e foi o solista, quando da apresentação, para a realeza. Outras bandas famosas se apresentaram no Municipal Litero Clube, tais como Waldir Calmon, Cassino de Sevilha, Windsor e outras. Essa cidade é musical, pode ser um lastro deixado por aqueles que antecederam. A conferir.
2 de novembro de 2012
São Jorge
Na época traumática da escravatura brasileira; não era permitido professar quaisquer crenças que não fosse a católica, religião oficial do colonizador. Consequentemente a prática do sincretismo afro-religioso era proibido, e diante do veto imperial, os escravos rebatizaram seus ícones místicos; escamoteados sob o manto dos santos da época.
Ogum, entidade da Umbanda e do Candomblé, diante da rigorosa proibição, passou a ser cognominado no Rio de Janeiro de São Jorge, sendo que na Bahia é Santo Antonio, e curiosamente em Cuba, é São Pedro. A história remete à existência de São Jorge, na Turquia, na região da Capadócia, onde ele teria vivido e praticado um ato heróico e milagroso: o resgate de uma mulher das garras de um dragão.
No centro do Rio de Janeiro a igreja de São Jorge, no Campo de Santana, é sobremaneira concorrida, principalmente em 23 de abril, data santificada e feriado municipal na Cidade Maravilhosa. Jorge foi decapitado na cidade de Lida, Palestina por volta do ano de 303 dC. O seu feito correu o mundo, e desde então, a sua popularidade é alta. É aclamado nas liturgias católica, anglicana e ortodoxa. É "santo protetor" na Inglaterra, Portugal, Georgia, Catalunha e Lituania. Em sua homenagem, eis alguns homônimos: Jorge Washington, primeiro presidente dos Estados Unidos, e os escritores: o inglês Jorge Orwell, e o saudoso baiano Jorge Amado, um "Obá", iniciado nos terreiros de Menininha do Gantois. É um profundo conhecer da cultura e dos mistérios da Bahia. Para acrescentar, São Jorge é patrono da Cavalaria do Exército Brasileiro. Por ausência de provas o Santo Ofício ressuscitado, leia-se a Santa Sé, "cassou-lhe" a patente de santo. Contudo no imaginário coletivo, continua "vivo" para multidões que acreditam no seu poder milagreiro.
Pesquisa:
Os santos de cada dia - J.Alves - Ed.Paulinas
São Jorge - Rizzardo da Camino - Ed.Eco
19 de outubro de 2012
Mares das (in)certezas
Com o advento da internet, uma parte da sociedade do espetáculo se torna cosmopolita, e uma fração dessa mesma sociedade, conhecida pelos cientistas sociais, como "pequena burguesia" cuja a origem é judaico-cristã-ocidental, compõe esse arquétipo. A culpa, subjacente do pecado original, promove "caravanas da caridade" para a África, onde morrem milhares de crianças de fome endêmica, citando-a, creio, dar-se-á um cunho universalizado a narrativa.. A realização do individuo, se dá por diversos atalhos. O viés da solidariedade é um indicativo do “homo sapiens”. É essa a práxis, o paradígma que o homem deveria se comprazer consigo mesmo. A mística religiosa, hoje avaliada por aproximação, em dez milhões ou mais de religiões, dogmas e ou seitas espalhadas pelo planeta, tem a China de Confúcio ( 551/479 a.C) com um bilhão e trezentos milhões de habitantes, e a India de Mahatma Ghandi ( 1969/1948), com somente duzentos milhões a menos do que a China. Esses países com mais de cinco mil anos, são também recordistas de um politeísmo caleidoscópico. Lamentavelmente, essas regiões amargam altos índices de mortalidade de crianças. Talvez se couber uma reflexão, arriscar-se-ia o seguinte: o misticismo resolve a problemática da miséria humana? Todos sabemos da resposta. A busca da humanização das relações, é um tema em voga. Contudo, encontra uma abissal dificuldade para se tornar eficiente e eficaz, pelo contraponto exercido pelo sistema. Aplicam-se e/ou despertam sonhos humanísticos, alguns capitaneados por organismos internacionais, como a FAO, ONGS, Clube de Roma e outros. As teorias marxistas estão fora de moda, pois se mostraram improdutivas ao mundo contemporâneo. Há controvérsias. Todavia o marxismo continua eclipsado pelas macro-forças do capitalismo. O homem está condenado a lutar pela liberdade, como a sua mais importante reivindicação, que é própria razão da existência humana, mesmo navegando os mares das (in)certezas.
29 de setembro de 2012
Distritos "from" Mimoso do Sul
Conceição do Muqui
A comarca de Mimoso do Sul possui uma área aproximada de 867 000 km2. É o terceiro nessa categoria, no sul do estado do Espirito Santo. Seus distritos, vilas e recantos, carregam nomes bucólicos, poéticos, religiosos e populares. Conceição, homenageia a concepção; o acolhimento, a geração e o nascimento de Jesus Cristo. A igreja local nas alterosas, é a mais antiga da região, datada de 1868. No Oriente, ao norte de Conceição, localizam-se os mananciais que dão corpo ao leito do rio Muqui do Sul. Os Pontões com os seus imponentes 1.438 m de altitude, outrora, serviram de farol para guiarem os capitães-de-longo-curso nas suas rudimentares embarcações. N'Oriente nascem os mananciais que formam o Rio Muqui so Sul, que banha a cidade de Mimoso do Sul. Os primeiros ítalos-sanmarinenses desembarcaram na "Terra fria", apelida de Conceição do Muqui, por volta de 1920. A população está em torno de 4400 habitantes, e a predominância étnica, tem origem italiana. Pela sua importância na cultura cafeeira, que perdura até aos dias atuais, em 1890, recebeu a visita do então governador, Afonso Claudio, e a cerimônia ocorreu no Clube Republicano " Saldanha Marinho".
Gentílico: Conceiçuense
Santo Antonio do Muqui
De São Pedro do Itabapoana descendo no sentido sul/sudeste, encontramos Santo Antonio de Pádua, ou de Padova, em consonância com o santo italiano, também pela influencia da imigração sanmarinense. Hoje, esse distrito é oficialmente conhecido como Santo Antonio do Muqui, por ser banhado pelo rio Muqui do sul. E foi fundado como distrito, em janeiro de 1930, antes da revolução, iniciada em 28 de outubro no mesmo ano. Eis uma curiosidade: a numerosa familia do rei Roberto Carlos, residiu por muitos anos nesse condado, e Lady Laura Moreira casou-se com Robertino Braga, na capela local.
Gentílico: santoantoniense
São Pedro do Itabapoana
São Pedro já foi cantado em versos e prosas, quer pela poetisa Antonieta Tatagiba, quer pelo historiador, poeta e escritor , Grinalson Medina, tal qual o chileno Pablo Neruda.
São Pedro de “Alcântara”, foi um exagero para agradar ao imperador Pedro de Alcântara, melhor dizer, São Pedro do Itabapoana, pois todos os seus afluentes deságuam na sua majestade o rio Itabapoana. Segundo historiador Grinalson Medina, no seu livro - Páginas da nossa terra - o primeiro posseiro chegou em 1 de setembro de 1837.
E se chamava Francisco José Lopes da Rocha. Por ter invadido as terras indígenas, foi flechado pelos indios puris. Em estado grave, foi transportado nos lombos dos burregos, e cumpriu o seguinte itinerário: Porto da Pratinha/Porto da Limeira/Barra de São João/Campos dos Goytacazes, na busca de um tratamento avançado.
Na bucólica e aprazível São Pedro, conviviam os três poderes constituídos e harmônicos entre si. Nesse condado floresceu uma rica cultura, com a sua diversidade, tais como, fábricas de seda, serviço militar, teatros, jornais e revistas e escolas regulares e da arte musical. E seus filhos, ao conquistarem saberes além fronteiras, muitos deles retornavam ao torrão natal, para prestarem serviços aos seus conterrâneos, nos diversos setores sociais. Entretanto, no dia de finados, de 1930, desembarcaram 13 caminhões com soldados armados, e portavam no pescoço, lenços da cor vermelha (identificando-se com os golpistas de 1930).
A força militar invadiu o pequeno São Pedro, e saqueou a prefeitura, incinerou documentos oficiais em praça pública, retirou os livros do notário público, e levou os lustres da Câmara Municipal, e tudo o mais. E “transferiram” em nome da “legalidade”, a sede para Mimoso do Sul. E complementou o ato de subserviência, e o seu topônimo passou a ser João Pessoa.
O sonho não acabou. Esse flagrante estupro guerilheiro, sob o manto protetor do golpe militar de 1930, se relatado a Corte de Haia, no mínimo, caberia por parte da União, uma indenização pecuniária e a reemancipação. Há uma similitude, com a perseguição empreendida por Hitler aos judeus, na mesma época. Tiraram pelas armas o chão dos sãopedrenses, e esse fato impôs uma triste diáspora ao seu povo. Eis uma questão injusta, irrefutável e imprescritível.
Gentílico: sãopedrense
Dona América
É uma singela homenagem a América Angélica de Azevedo Lima, doadora das terras, por onde se fez necessário, para a implantação da estrada de ferro. A estação teve seu telefone inaugurado em 1893, o primeiro do municipio. A linha férrea chegou primeiro, trazendo o progresso. Porém, oficialmente Dona América foi criada em 1921, e pertenceu inicialmente a Ponte do Itabapoana. Há quem afirme, ter existido um quilombola na sua área circunscrita. O distrito de Dona América é banhado também pelo rio Itabapoana;
Ponte do Itabapoana
Nesse distrito é a origem de toda a região, através da Vila da da Limeira ou Aldeia de Camapuana(depois passou a ser Itabapoana *) , e seu porto fluvial. Esse povoamento foi criado em 14 de agosto de 1539; consequentemente, antecede a São Pedro do Itabapoana. A Vila de Limeira era dotada de uma básica infraestrutura, como escola e atendimento médico. Por lá estudou o Doutor José Coelho dos Santos, filho de pai escravo e alforriado, e que se tornou médico e deputado distrital por duas vezes. Na ausência do vice-presidente, chegou a ocupar a presidencia do estado do Espirito Santo, como presidente da Assembleia Legislativa. Na República Velha, que durou até a revolução varguista de 1930, os governadores eram chamados de presidentes. Em primeiro de fevereiro de 1894, é inaugurada a estação ferroviária, com a denominação do ramal de " Santo Eduardo/Cachoeiro do Itapemirim".
(*) em tupi-guarani: ita= pedra / poan=barulho das águas sobre as pedras
Gentílico: americano e/ou americano espiritossantense
São José das Torres
Torres, São José das Torres; foi criado em 1901 e a sua capela inaugurada em 1900.Torres, são as montanhas que apontam para o espaço celestial, e foram batizadas com nomes poéticos, como a Estrela Dalva, Peito de Moça, Candura e Pico do Farol. E para complementar, eis as Flores no Alto da Serra e na Cachoeira Alta, ladeadas pelas Santas: Rosa e Cruz, e se assenta nas rochosas do Marmorite. E para finalizar, uma parte do Rio Preto não poderia estar ausente. No sopé das serras, é o ventre do Rio Preto; que desemboca no rio Itabapoana. Depois da sede do município, o distrito de Torres é o maior arrecadador de impostos, e também em área territorial. Fica à margem da BR-101, importante artéria escoadoura dos bens produzidos no eixo Rio/São Paulo, em direção as regiões setentrionais do país. No passado longínquo, os holandeses chegavam em Torres, e colhiam trufas, um tubérculo, sendo considerado uma iguaria apreciadíssima na Europa. Foram esses holandeses; que primeiro trouxeram a bola de futebol para a região em tela.
Gentílico: sãotorrense e/ou são torreano
2 de setembro de 2012
São Pedro e o tribunal de Haia
São Pedro já foi cantado em versos e prosas, quer pela poetisa Antonieta Tatagiba, quer pelo historiador, poeta e escritor , Grinalson Medina, tal qual Pablo Neruda, versejou sobre a pátria chilena. São Pedro de Alcântara, é um personagem de origem espanhola, da ordem dos franciscanos, que se tornou santo, daí a homenagem. Com o tempo, simplificou-se, e o topônimo definitivo passou a ser : São Pedro do Itabapoana, pois todos os seus córrregos deságuam na majestade do rio Itabapoana. Segundo historiador Grinalson Medina, no seu livro - Páginas da nossa terra - o primeiro posseiro chegou em 1 de setembro de 1837. E se chamava Francisco José Lopes da Rocha. Por ter invadido as terras indígenas, foi flechado pelos indios puris. Em estado grave, foi transportado nos lombos dos burregos, e cumpriu o seguinte itinerário: Porto da Pratinha/Porto da Limeira/Barra de São João/Campos dos Goytacazes, na busca de um tratamento avançado. No bucólico e aprazível São Pedro, floresceu uma rica cultura, pela sua diversidade, com fábricas de seda, teatros, jornais e revistas e escolas regulares e da arte musical. E seus filhos, ganharam saberes além fronteiras, e muitos retornavam ao torrão natal, para prestarem serviços aos seus conterrâneos. Entretanto, no dia de finados, de 1930, desembarcaram 13 caminhões com soldados armados, e num golpe de guerrilha, e saquearam a prefeitura, incineraram documentos em praça pública, surrupiaram os livros cartoriais, lustres e tudo o mais. E “transferiram” nessa ilegal e amoral operação, a sede para Mimoso do Sul, então distrito de São Pedro. E o sonho não acabou. Esse histórico golpe político, estava sob o manto protetor do golpe militar de 1930. Se o fato em tela, se bem fundamentado o processo, e submetido à Corte de Haia, braço jurídico da ONU, no papel de reparador de injustiças ocorridas no mundo, inexoravelmente será pautado e no caput, a reivindicação à União, de indenização pecuniária por danos a uma indefesa população civil. Há uma similude, com a perseguição empreendida pelos alemães aos judeus na mesma época. Por terem retirado pelas armas, o chão dos sãopedrenses, esse fato, impôs uma perversa diáspora.. Eis uma reivindicação justa e imprescritível.
1 de setembro de 2012
Confeitaria Colombo
Num passado recente, existiu um órgão federal que se chamava Instituto do Açucar e do Alcool(IAA). E sua sede era no Rio de Janeiro; e nessa empresa estatal, o casal Maurino e Wilma prestaram relevantes serviços por mais de três décadas. Ele nasceu em Santa Maria Madalena, contudo no inicio da infância se mudou para a fazenda do Recreio, onde seu pai passou a ser o administrador. Após longos anos no bairro de Jacarepaguá, zona oeste da Cidade Maravilhosa, o casal resolveu se mudar para a histórica e pacata São Pedro do Itabapoana, situada no extremo sul do Espirito Santo. Adquiriram a casa que pertenceu ao Comendador Castanheira. E tal fato ocorreu há dezessete anos. Wilma, carioca e ex-residente por vários anos na cosmopolita São Paulo, não titubeou; e com armas, bagagens e cachorros, estabeleceu-se no condado de São Pedro. Wilma diz que a lua cheia das alterosas sãopedrendes; é a mais bonita de todas as luas, que ela já viu...chega a iluminar parte da casa. Afirmam ser o povo sãopedrense amigo, e hospitaleiro. Coexistem fraternalmente; igual a uma família ajustada e feliz. No festival de Sanfona e Viola, o lar do casal fica concorrido com as visitas dos filhos, netos, amigos e parentes. Maurino, quando no Rio, visita e degusta os petiscos da resistente e bonita, Confeitaria Colombo, na rua Gonçalves Dias, no centro da cidade. E em três ou quatro dias, quer retornar ao ar puro, desfrutado a 500 metros de altitude. O casal, são os “embaixadores plenipotenciários” desse prazeroso condado. Maurino conserva o esmero no trajar, desde quando era chefe dos “Recursos humanos” do Instituto. Diariamente lhe chega às mãos, o jornal “O Globo”. Pela TV, assiste o noticário, e às vezes dá uma olhadela na novela das seis. Ou seja, o casal está “linkado” nos fatos do país, e do mundo dito globalizado. Há uma migração, ainda que silenciosa; de pessoas de cidadania urbana, que estão deixando os grandes centros, na busca de uma melhor qualidade de vida. Algumas ao(re)encontro com as raízes culturais, para resgatar e garimpar a história familiar, ou não. A apatia está ausente, pois o casal participa dos movimentos comunitários, para preservar as tradições, as quais garantem a paz e a recomendável tranquilidade.
27 de agosto de 2012
Eros não brinca em serviço
Ouso a discorrer sobre o Amor, enigma (in)decifrável. A sensibilidade de cada um, lhe canta em prosas, e em todos os versos, desde a paciencia paradigmática de Penélope na Odisséia, quando esperou Ulisses, até a dramaturgia shakespiriana, representada na história de Romeu & Julieta. Isso torna o tema indicado para ser compartido, como tem sido feito, quase que universalmente. Conjectura-se, de que a origem do mundo está na Noite e no Vazio. A Noite engendra um ovo, do qual sai o Amor, ao passo que a Terra e o Céu são formados das metades da casca partida. Na mitologia grega, Eros deus do Amor, tem muitas genealogias, contudo mais frequentemente é considerado filho de Afrodite e Hermes. Segundo Platão, n’O Banquete, Eros possui uma natureza dupla, podendo ser filho de Afrodite Pandêmia, deusa do desejo brutal, e de Afrodite Urânia; que é a deusa dos amores etéreos. Esse mais acolhido na sociedade judaico-cristã-ocidental. Num outro sentido simbólico, Eros, pode ter nascido da união de Poros(Recurso) e de Pênia( Pobreza, penúria), porquanto ele está a um só tempo, sempre insatisfeito à procura do seu objetivo, e eivado de malícias para alcançá-lo. Muitas das vezes, está representado como uma criança ou um adolescente alado, nu porque encarna um desejo que dispensa intermediários, e não saberia se esconder. O fato do Amor ser uma criança, simboliza inexorávelmente a eterna juventude de todo o amor profundo, todavia, também sua irresponsabilidade poderá se fazer presente. Essa, e outras interpretações míticas e/ou místicas atravessam séculos até aos dias atuais, e segundo o poeta Vinicius de Moraes... “ o amor posto que é chama é infinito enquanto dura... “ Uns clamam, outros declamam a ausência do amor, em todas as artes. Há àqueles que escamoteiam desistir, mas estão atentos as manobras do filho de Afrodite. Sei de um; que resistiu até quando pôde...e se retirou para as montanhas, e se internou num monastério budista. E por lá se hospedou por longos dez anos; aproximadamente. Até o dia em que o “dalai lama” local , o escalou para uma viagem ao Tibete. O gajo, aceitou a missão em respeito aos rigorosos dogmas da filosofia zen-budista. Com trajes típicos da tradição herdada do seu líder Sidartha Gauthama, ou seja; estava de túnica-laranja, cabeça raspada, e uma minúscula mecha de cabelo, e assim embarcou no aeroporto do Galeão no Rio de Janeiro, numa aeronave de bandeira marroquina. Durante parte do vôo, o avião balançou bastante, ao encontrar-se com pesadas nuvens acumuladas de chuvas, que o comandante pelo serviço de alto-falantes, as chamou de c.b, ou cumulus nimbus. O jovem monge não se abalou com a turbulência. Manteve a serenidade de um Hare Krishna. A muçulmana comissária de bordo, com elegância, inquiriu-lhe se poderia sentar-se ao seu lado; pois estava trêmula de medo. O monge prontamente aquiesceu o pedido e entabularam um diálogo. Anos mais tarde, tomei conhecimento da união de ambos. Até onde fiquei sabendo; o casal teve dois filhos, e residiam numa paradisíaca praia nordestina do Brasil. Ele é professor de Tai-Chi-Chuan; ela ensina dança árabe. Eros não brinca em serviço. Eis uma das odes atribuídas ao grande poeta lírico grego do século IV a.C., Anacreonte:
Um dia, lá pela meia-noite,
Quando a Ursa se deita nos braços de Boieiro,
E a raça dos mortais, toda ela, jaz, domadas pelo sono,
Foi que Eros apareceu e bateu à minha porta.
"Quem bate a minha porta,
E rasga meus sonhos?"
Respondeu Eros: "Abre", ordenou ele;
"Eu sou uma criancinha, não tenhas medo.
Estou encharcado, errante
Numa noite sem lua."
Ouvindo-o, tive pena.
De imediato, acendendo o candieiro,
Abri a porta e vi um garotinho;
Tinha um arco, asas e uma aljava.(*)
Coloqueio-o junto ao fogo
E suas mãos nas minhas aqueci-o,
Espremendo a água úmida que lhe escorria pelos cabelos.
Eros, depois que se libertou do frio,
"Vamos" disse ele, " experimentemos este arco,
Vejamos se a corda molhada não sofreu prejuizo".
Retesa o arco e fere-me no fígado,
Bem no meio, como se fora um aguilhão.(**)
Depois, começa a saltar, às gargalhadas:
"Hospedeiro", acrescentou, " alegra-te
Meu arco está inteiro, teu coração, porém, ficará partido".
(*)estojo das flechas
(**) ponta de ferro perfurante
Um dia, lá pela meia-noite,
Quando a Ursa se deita nos braços de Boieiro,
E a raça dos mortais, toda ela, jaz, domadas pelo sono,
Foi que Eros apareceu e bateu à minha porta.
"Quem bate a minha porta,
E rasga meus sonhos?"
Respondeu Eros: "Abre", ordenou ele;
"Eu sou uma criancinha, não tenhas medo.
Estou encharcado, errante
Numa noite sem lua."
Ouvindo-o, tive pena.
De imediato, acendendo o candieiro,
Abri a porta e vi um garotinho;
Tinha um arco, asas e uma aljava.(*)
Coloqueio-o junto ao fogo
E suas mãos nas minhas aqueci-o,
Espremendo a água úmida que lhe escorria pelos cabelos.
Eros, depois que se libertou do frio,
"Vamos" disse ele, " experimentemos este arco,
Vejamos se a corda molhada não sofreu prejuizo".
Retesa o arco e fere-me no fígado,
Bem no meio, como se fora um aguilhão.(**)
Depois, começa a saltar, às gargalhadas:
"Hospedeiro", acrescentou, " alegra-te
Meu arco está inteiro, teu coração, porém, ficará partido".
(*)estojo das flechas
(**) ponta de ferro perfurante
13 de agosto de 2012
Il capo
A Fiesp – a poderosa Federação das Industrias de São Paulo, calculou entre cinqüenta e oitenta e cinco bilhões de reais, que são as perdas anuais no Brasil. Há no ar um índice de percepção da corrupção. Inclui-se nesse ralo as sonegações de impostos. O Brasil é o quarto em volume de dinheiro depositado nos paraísos fiscais espalhados pelo mundo afora. Carlinhos Cachoeira, comanda a sua máfia há dezessete anos, impunemente. E corrompeu trinta e oito autoridades, de todos os níveis. O mensalão, pelo número de envolvidos, num total de trinta e oito suspeitos, só tem similitude com o julgamento de Nuremberg. O procurador geral da república, os acusa de terem desviados, cerca de cem milhões de reais dos cofres públicos, para persuadir os parlamentares a votarem a favor das matérias do executivo federal. Esses atos ilícitos acontecem em todo o mundo. Os asiáticos, quando surrupiam verba pública, praticam o suicídio, ou suas mãos amputadas, ou fuzilados. No ocidente, a pena de morte não existe para àqueles que enveredam para essa tipicidade de crime. Somente morrem na cadeira elétrica, ou com uma dose letal de veneno direto na veia, àqueles culpados de crimes de morte, genocídios e outros. O crime do “colarinho branco” é poupado da pena de morte. Os países abaixo da linha do Equador, pelas diversas razões antropológicas, e ou sociológicas e mais outros “leitmotivs” indicam uma larga ausência de punição. Destaque para os criminosos mais abastados que contratam luminares da “advocacia de plantão” para defendê-los. Há severas suspeitas, de que esses causídicos percebam seus honorários da cornucópia adquirida, na malversação dos recursos do erário público, pelos seus próprios clientes. A "ética" não lhes permitem a questionar a origem do vil metal. Há no ar uma pergunta, que não quer se calar: Quem é “il capo" de Carlinhos Cachoeira?
1 de agosto de 2012
Grinalson, Inglaterra e as Gerais
Apreende-se com o mestre e escritor Grinalson Medina, no seu livro “Páginas da nossa terra” que o primeiro posseiro, com ar de feudalidade, a se assentar nas alterosas de São Pedro do Itabapoana, no sul capixaba, foi o mineiro Francisco José Lopes da Rocha. Ele aportou na região no dia primeiro de setembro de 1837. Tomou posse desde a fazenda da Barra, Altos de São Bento, Altos de Conceição de Muqui, e fixou sua residência, num lugar conhecido como Santa Cruz. Os índios não o aceitaram de bom grado. E uma comissão formada de índios já aculturados, liderados por Venancio, tendo com seus lugares-tenente os puris João e Natividade; intimaram-no a escafeder-se do local, pois estava alterando os costumes nas terras indígenas. Eis uma justificativa modernosa, ainda no Brasil-colonia. Francisco José Lopes da Rocha era um individuo corajoso, e resolveu partir para o enfrentamento. Alegou que havia requerido as terras dessa sesmaria na Corte. Não houve saída e o conflito foi inevitável. O posseiro foi ferido com uma flechada, e se tratou com toucinho cozido, colocado sobre o ferimento. Depois foi se curar em Campos dos Goytacazes, viajando em lombo de burro até o Porto da Prata, e atingiu o Porto de Limeira e em seguida Barra do Itabapoana e finalmente ao seu destino. Em 1850, chegaram outras famílias, e foram povoando São Pedro do Itabapoana. A esmagadora maioria das famílias, são oriundas do estado fronteiriço das Minas Gerais. Naquele tempo, o império português retirava todo o ouro, e enviava para Portugal, era a “colonização da exploração”, a qual repassava aos ingleses, a quem os portugueses sempre beijaram as suas botas. Alguns historiadores sustentam, que a Revolução Industrial ocorrida na Inglaterra no sec.18, foi financiada com o ouro brasileiro. Em Minas Gerais, se pagava com a vida, àquele que adentrasse nas florestas mineiras. Era proibido desmatar para morar ou plantar. Nas matas estavam localizadas as jazidas do metal mais valorizado do mundo. Os mineiros, engessados pela proibição, deram início à procura, de uma alternativa para migrarem para outra região. O café viscejava na capitania do Espirito Santo. E escolheram no estado vizinho, a Vila de São Pedro, que pela altitude indicava o plantio da rubiaceae canephora. E por lá se estabeleceram até 1930, quando numa operação relâmpago de guerrilha, apoiada pelo golpe de estado em 1930, mudou-se a sede para João Pessoa, que assim permaneceu por mais de dez anos, e finalmente Mimoso do Sul, para diferenciar de Mimoso, uma cidade no estado de Goiás. Há quem afirme, que esse toponômio (mimoso) foi em "homenagem" a um touro, da fazenda do Capitán José Ferreira, então proprietário de todas essas glebas...
30 de julho de 2012
Ulisses Guimarães (1916/1992)
Liderou o enfrentamento contra a ditadura militar, instalada no poder a partir do dia primeiro de abril de 1964. Na ocasião, os militares depuseram pelas armas, João Belchior Goulart presidente eleito pelo voto popular e universal. O deputado Ulisses Guimarães, que guardadas as circunstâncias no tempo e no espaço, lutou durante quase vinte anos, com os mesmos ciclopes imaginados na Odisseia de Homero. Os daqui eram diferentes, pois envergavam fuzis e uniformes verde-oliva, e eclipsaram a democracia. Depois de lutar bravamente, pela normalização democrática da nação, teve seu nome preterido para concorrer na eleição indireta no Congresso Nacional. Em seu lugar, articulou-se “nas caladas das noites” na pessoa do ex-governador de Minas Gerais - Tancredo de Almeida Neves (1910/1985) - como candidato a presidente, que disputou e venceu Paulo Salim Maluf. Eleito presidente do Brasil, não logrou êxito, pois morreu antes de assumir o mais alto posto do país. Inspirado pelo infortúnio, gestou essa bela peça literária, contextualizada nas vísceras das lides políticas. Eí-la: “ Tancredo era um sábio. Sabia conversar, sabia ler, sabia rezar, sabia comer e beber, sabia rir, sabia ironizar, sabia não ter medo, sabia ser Cirineu para os amigos amargurados, sabia ver o mar, ouvir os passarinhos, imaginar com o vento, namorar as estrelas, sábio para ser suave na forma e forte na ação. Forte como a linha reta, e doce como a curva do rio. Pelo bem e pela verdade, foi implacável no cumprimento da terrível sentença: não se faz política, sem fazer vítimas “ E a vítima dessa maquinação, foi o próprio.
18 de julho de 2012
17 de julho de 2012
Benjamin Franklin
A ONG, Transparencia Brasil; recentemente divulgou, que a Camara dos Vereadores do Rio de Janeiro; custa aos cofres públicos; sete milhões e oitocentos mil reais, anualmente, ou seja cada vereador carioca custa Us$ 325,000.00 por mês, dinheiro vindo dos impostos arrecadados do povo em geral. Na pequena ilha de Vitória, o mesmo edil, onera ao erário público, com a quantia de R$ 133.000,00 mensalmente. Quiçá um sonho pudesse se realizar. Creio que se poderia obter um menor dispêndio, se os homens bem conceituados; saíssem da sua “zona de conforto” e se lançassem a vida pública. Pois a crítica pela crítica, é nihil. É preciso tomar conhecimento do destino dessa verba, e se esses vultosos valores, se justificam. E pesquisar, como são remunerados os homens públicos nos paises abaixo da linha do Equador, principalmente. Não há como abrir mão do parlamento. Pois, o legislativo é o maior símbolo da democracia. Lutamos e lutaremos para manter as instituições na sua plenitude. Tal como, a liberdade da imprensa. O pensador norte-americano, Benjamin Franklin (1706/1790), assim vaticinou: O que me preocupa, não são as bravatas dos maus, o que me preocupa, é o silencio dos homens de bem”. Eis a questão.
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