Há princípios que dignificam o grau de civilidade de um povo.
Como por exemplo: não matar e não furtar. A convivência
social harmônica, se faz através do tempo, com a manutenção de algumas regras
pétreas imutáveis e irrevogáveis. Infelizmente,
nem sempre essas normas do bom relacionamento são seguidas, e todo o mundo é sabedor das transgressões. A bem
da verdade - o homo sapiens ainda está em fase de aprimoramento – e
creio que essa “quarentena” vai demorar. Do outro lado do rio, no sentido único do
viés emocional, uma flor matinal sombreava
uma mensagem, mais ou menos assim: ...” avalia-se a inteligência de um indivíduo, pela quantidade de incertezas que ele é capaz de suportar...” de
Immanuel Kant ( 1724/1804). E essa pérola filosófica está a merecer
considerações, no campo das incertezas, sem contudo vincular a arrogância de
ser mais ou menos inteligente, se me for permitida a presente interpretação. O “sabe
tudo”, segundo Sócrates (filósofo grego 400 a.C), afirmou que: “ tudo que sei, é
que nada sei”...dai o aforisma de Kant, quanto a incerteza. Ora pois, se percebe que no ato do aprendizado, é constado que pouco se sabe. E ainda se acrescenta, os enigmas da vida, sendo o amor um
misterioso viés, que navega (des)orientado pelos sete mares. Nada se pode
concluir, em se tratando de uma matéria
controversa. Mas, intuir, é possível de se fazer. O amor é fruto da complexidade das relações
humanas, e por isso, poder-se-á justificar ser o êle,
uma busca tão fundamental, quanto da liberdade, como fonte inspiração para tornar a vida mais
lúdica.
12 de fevereiro de 2014
8 de fevereiro de 2014
Uma luta contínua
O mundo atravessa um novo ciclo, com o aparecimento da
internet. E a ferramenta das redes sociais serve para organizar os protestos. A consequência são o espoucar das bombas, corre-e-corre e a polícia nos calcanhares dos
manifestantes, (alcunhados de
vândalos, iguais aos bárbaros europeus - visigodos
e ostrogodos – que derrubaram o longevo
império dos césares) e nesse palco beligerante, eis que um cinegrafista foi ferido, e veio lamentavelmente a morrer. O foco,
é a contrariedade quando do aumento das passagens no transporte urbano, na
cidade de São Paulo. Não bastando o poder público ser atavicamente autoritário, o
setor acima citado, construiu um poderoso cartel, com representantes (vereadores e deputados estaduais) nas casas
legislativas, até porque alguns empresários do setor, são suspeitos de financiarem as campanhas eleitorais de candidatos em todos os
níveis. É provável que essa prática seja encontrada em outras capitais do país.
A luta do homem para manter a sua dignidade enquanto cidadão é constante desde
a Revolução Francesa (1789-1799) até ao genocídio (1994) de Ruanda, onde oitocentos
mil pessoas da etnia tutsi foram mortos, dentre elas muitas crianças e idosos. A maioria das mulheres foram estupradas, pelos hutus, etnia rival. E pasmem, mais uma vez: com a participação da classe dominante, leia-se: França, EUA, Inglaterra, FMI, Banco Mundial, ONU et caterva. Sob o símbolo da dignidade, se trava doze guerras civis em diversos países em território da mãe África, e a grande
mídia nada noticia. A luta é permanente, em todos os quadrantes do planeta, quer na
manifestação carioca, quer na resistência do povo sírio. Isso pode significar, que a
liberdade do homem é uma luta contínua. A história é implacável, e todos esses fatos serão por ela julgados.
PS.: Se desejar melhor contextualizar a matéria acima, por favor, veja o filme "Hotel Ruanda".
PS.: Se desejar melhor contextualizar a matéria acima, por favor, veja o filme "Hotel Ruanda".
1 de fevereiro de 2014
"Vale o escrito"
Ouço numa tarde de verão, algumas interpretações de músicas altissonantes, a referência é para o virtuose das cordas - Rafael Rabelo - encapsulado no seu violão-alado, partiu inesperado e
precocemente, em direção a mais brilhante esfera celestial. Quem sabe está a
dedilhar para os astros, asteróides e extraterrenos ou não? O fato é que, nesse
instante imagético, místico e campesino, convivo com o calor tropical, mais
famoso nesse inicio de 2014, com árvores a produzir boas sombras,
e um riacho a correr suave, e
manso feito o sol poente, quer no Arpoador, quer no pico da siderúrgica Estrela
Dalva, uma das torres símbolo das montanhas imponentes, e enfeitadas pelas flores silvestres e cachoeiras. Lá do alto da Estrela Dalva
pode-se avistar o veleiro alteroso singrando o mar alto, permitindo-se rememorar os
barquinhos-de-papel, enquanto brinquedo
de criança, e empreende-se "outras viagens". E o olhar se perde, e se encontra, dessa vez entre a vegetação de um
açude, e se faz presente ( infortunadamente, fotografado somente pela retina) a ação transformadora da natureza, na insígnia do ninho semi-ovalado,
construído de varetas e forrado de folhas, com três ovos de tamanho médio, repousados e prometendo o nascimento das avezitas do Martin-pescador. O ninho desse pássaro
compõe o cinturão ciliar da pequena lagoa, e localiza-se somente há uma distância de um metro e meio, da água. A nidificação está na condição de - hóspede - da candiubá, arbusto
nativo da região sudeste. O Martim-pescador, veste uma plumagem
pluri-cromática, que são cores impressionistas, harmônicas e encantadoras. Imagine-se os
pequenos Martim, pela proximidade do espelho d’água, muito cedo serão treinados
a mergulharem, como - atividade primeira da sobrevivência - ao localizarem, como
suas “poderosas lentes” os cardumes encontrados nas inundações lacustres. Os vizinhos e compridos arvoredos, conhecidos popularmente como imbaúbas, - cecropia purpurascens - são testemunhas desse relato. Contudo, “vale o escrito".
13 de janeiro de 2014
O sabiá-laranjeira
Ao se
apreciar o sabiá, e o seu mavioso cântico, a brasilidade remete: “ Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá, as aves que
aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá” é a abertura da consagrada poesia – Canção do Exílio – de Gonçalves Dias (Coimbra,1843). Mas o desejo (in)contido, é o de narrar sobre
o “Turdus
rufiventris” ou o sabiá-laranjeira, habitante das matas, caatingas, campos e cidades
ajardinadas. Em 2002, por decreto, o sabiá-laranjeira passou a ser oficialmente a ave símbolo do Brasil. Desde
1966, ela já ocupava como ave-símbolo, na
terra dos bandeirantes. De coloração geralmente parda, ou pardo-avermelhada, e
são por demais populares, pela beleza do
canto. Veste uma plumagem pardacenta no dorso, e ferrugínea no abdome. Há
algumas lendas sobre a mesma, como por exemplo: há quem afirme, que se o “bicho-homem” raptar o filhote e o confinar na gaiola, a
sabiá-laranjeira fêmea, ministra-lhe
um veneno, e o mata. A sabiá-mãe o prefere morto, do que enjaulado. Essa é a estória através da oralidade, passando para as futuras gerações. As crenças que povoam o imagético do
coletivo, ocorrem em quaisquer partes do mundo.
A fêmea é responsável pela construção do lar, ou seja do ninho. O formato são quase sempre
esféricos, e profundos. O material utilizado tem os seguintes componentes: raízes,
musgos, barro e outros. As paredes dos ninhos
são espessas, para melhor se protegerem.. São doze dias de
incubação, e os ovos são verde-azulados. A fêmea é pouco maior do que o macho,
que (en)canta no período reprodutivo, antes do amanhecer e ao anoitecer, para
atrair a fêmea, e demarcar o território. O canto do sabiá-laranjeira permanece até dois minutos, e vida útil dele, pode
atingir trinta anos. Na exposição de motivos enviadas ao então presidente, para torná-la a ave símbolo oficial do país, assim
argumentou o relator da matéria:
“ que o sabiá-laranjeira tem larga distribuição nacional, e porque é, dentre as aves, a mais inspiradora e, consequentemente a mais aclamada e decantada
pelo sentimento popular e cultural”. O cântico-dobrado dura cerca de dez longos segundos.Sabiá
vem do tupi sawi’a.
6 de janeiro de 2014
O beija-flor
Como se fosse
bailarino, com movimentos suaves, o colibri chupa o néctar das flores
indefesas. Velocíssimo nas manobras aéreas, sendo o único pássaro a engrenar a
"marcha-ré". Estaciona no ar feito um helicóptero, ou melhor, a
máquina voadora, é que foi baseada no princípio aerodinâmico das aves. O
"beijo" se dá através de um longo bico, igual a uma fina
agulha, que penetra nas cavidades
das flores, saciando-lhe a fome, ou a sede. De plumagem caleidoscópica - tom sobre tom - em diferentes cromagens, dependendo da
família. Elegantes, alguns parecem
estarem vestidos de fraques à inglesa. Eis a nominata dos
beija-flores: vermelho, garganta verde,
bico vermelho, barriga branca, rabo branco, gravata-vermelha, e tantos outros.
O colibri, é da família dos trochilidae, é considerado o menor pássaro do
planeta. E somente são encontrados no Novo Mundo. No estado ativo de
sua vida, o beija-flor fica quase permanente no ar, inclusive quando se
alimentam. Nos dias de chuva, ficam tristes, e não levantam vôo. O famoso pesquisador (pouco
valorizado) dessas encantadoras aves foi o cientista Augusto Ruschi. O beija-flor macho, usufrui de
num "dolce far niente”, pois não choca os
ovos, e muito menos alimenta
filhotes, e nem constrói os ninhos – que são horizontalizados - num
formato de uma sólida tigela. O material usado na construção do mesmo - sob a
batuta do beija-flor fêmea - são as teias de aranha, folhas e
xaxim. O colibri é eclético, pois se
adapta as condições rurais e urbanas. Algumas espécies dos beija-flores são polígamas. A fêmea do
“besourinho-cauda-larga”, poderá construir, com maestria a superposição de dois
e até três ninhos, e comandar esse território durante vários anos. Esse
espetacular fenômeno da natureza , só
ocorre no Nordeste do Brasil. Outro fato surreal, acontece com o “beija-flor
besourinho”, que poliniza a bananeira-do-mato ou ornamental, tendo o bico incrivelmente adaptado para essa
flor. No plano “romântico”, destaca-se a amorosa “beija-flor-ametista “,
que na ocasião apropriada, prepara e
executa a corte nupcial com esmero. Isso posto, poder-se-á
intuir que pelo fato do coração
do beija-flor, ser por demais intenso,
pois poderá apresentar seiscentas batidas por minuto, quiçá isso seja um facilitador performático na iniciação nupcial. A conferir.
| beija-flor ametista - foto duda menegassi |
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