10 de agosto de 2013
Orlando Orfei e o circo
O circo é uma atividade artística, todavia metálica, pois resiste ao longo do tempo, desde os espetáculos patrocinados pelos romanos, nas suas largas arenas. Isso ocorreu na Idade Antiga no enfrentamento de guerreiros versus guerreiros e/ou bandidos e feras de todas as espécies da época. O povo estava sempre presente, nessa diversão, bem como o rei, os sátrapas e outros. Assim era o costume, segundo a história. Todavia a multicultural China, do alto dos seus cinco mil anos (ou mais) de existência, quiçá, há muito cultivasse o circo. Recentemente tomei conhecimento de um procedimento: Porque o elefante dança quando se executa uma determinada música no picadeiro? Ora pois, esse mesmo elefante foi “treinado” ao ser colocado sobre uma chapa de aço quentíssima. O animal sofria com a temperatura, e "sapateava", pela dor intensa, e concomitantemente ouvia-se uma música. O animal diante dessa perversidade, condicionou-se; e nas apresentações, a mesma sonorização quando tocada, o elefante dançava. Esperamos todos, que esse tipo de espetáculo, não deve ser apresentado. Contudo o circo, é o palhaço e suas brincadeiras, o jogo dos malabares, a travessia nos fios de arame, trapezistas(com rede de proteção ou não) globo da morte e outros números, fazem do circo um espetáculo lúdico e atemporal, quer para a petizada, quer para o público adulto, que se veste do espírito infantojuvenil e banqueteia-se na alegria. No passado o circo encenava peças teatrais, dentro do roteiro da dramaturgia universal, peças como Romeu e Julieta de Shakespeare, Carmem de Bizet e outros. E uma pequena orquestra fazia a sonoplastia de acordo com andamento do drama. O circo é paixão e amor. A atividade circense é franciscana, despojada como exige toda e qualquer arte. O entretenimento tem algo diferenciado, é por demais apreciado. O circo enriquece a alma, e o imaginário das crianças em especial. O grande diretor circense – Orlando Orfei – não resistiu a pós-modernidade do circo, tal qual o de Soleil, ou melhor: Cirque de Soleil, com a participação de adonis, narcisos(as) e efeitos especiais, que lembram os filmes ficcionais, disponibilizados pelas novas tecnologias cibernéticas. Orfei não reside em Miami ou em Madagascar, e muito menos em Paris. Com dificuldades, vivia modestamente em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, no Estado do Rio de Janeiro, e atualmente mudou-se para Vésper, no espaço cósmico.
6 de agosto de 2013
Um papa da ordem dos jesuitas?
O Papa Francisco chefe da igreja católica, de inspiração judaico-cristã visitou recentemente o Brasil. Deixou no seu rastro fios condutores de esperança, por ter verbalizado corajosas idéias, num mundo conservador e a cada dia mais consumista. O povo vive na expectativa de dias melhores. E deposita nos seus ícones a capacidade em alavancar mudanças, preferencialmente estruturais. Há no ar além do desejo de transformação, um pueril entusiasmo quando escutam líderes da magnitude do Papa Francisco, Dalai Lama, Angela Merkel ou Barack Hussein Obama. O sumo sacerdote, afirmou que não trazia nem ouro e nem prata, era portador da emoção por ter trazido Jesus Cristo no coração dele. E mais à frente, interpretou, que é parte da juventude, a atitude do protesto, e "en passant" alfinetou os bispos, que não devem se sentir como príncipes. A primeira assertiva, traduz que a emoção da fé transcende a práxis de se acumular riqueza. Em segundo lugar, reconhece o direito de reivindicar, é um pressuposto inerente aos jovens. E por último, deu um “puxão nas orelhas” nos bispos que vivem encastelados e distantes dos fiéis. O Papa Francisco é um jesuíta, que inexoravelmente é a ordem religiosa mais culta e avançada da igreja católica. Não há hierarquia entre os membros da secular Companhia de Jesus, fundada pelo espanhol Inácio de Loyola. A sua representação no Vaticano, é de um Cardeal, por exigência do dogma. No passado era conhecido como o papa negro, pelo uso de paramentos de cor escura nos conclaves. Um papa com formação jesuítica, não agrada a “direita“ da instituição, tanto é fato, que me parece ser o primeiro prelado de inspiração inaciana, em toda a história da Santa Sé, a ocupar o cargo máximo. E para finalizar, se autodenominou de Francisco, o mais significativo paradigma da igreja católica, face ao despojamento pleno dos bens materiais.
21 de julho de 2013
Pretos...
As prisões aqui, e no resto do mundo estão apinhadas de putas, pretos e pobres, essa tríade é sempre lembrada, por alguém que escreve ou fala, e inexoravelmente deve ser possuidor de uma aguçada sensibilidade, pois, consegue solidarizar-se com o semelhante na sua mais simplória similitude, ou seja, a de ser humano, mesmo com tinturas ou não, de doutrinas, seitas ou religiões de origem judaico-cristão, budista, muçulmano, xintoista, candomblé. Nas manifestações das ruas, as mídias tem sido hostilizadas, os bancos comerciais são atacados, os palácios dos governos idem, as assembleias estaduais, congresso nacional, e outros próprios públicos. As instituições são simbólicas, e o povo as nomeia, tanto quanto os franceses identificaram a Bastilha (1789), o mais forte emblema que significava como o algoz do povo. A monarquia ruiu, e junto com ela, a igreja católica, e os privilégios absurdos foram abolidos e se convocou uma histórica Assembleia Constituinte, cujo o lema foi a fraternidade, igualdade e a liberdade. O dia 14 de julho, é o mais importante feriado da França. Os três poderes “ definidos pelo francês Montesquieu, que são harmônicos entre si, todavia, servem tão somente a elite. “ O povo é melhor do que as elites “, assim afirmou o jurista Afonso Arinos de Mello Franco, do alto da sua sabedoria. Numa tentativa em contextualizar, eis um exemplo abjeto, acontecido na terra de Borba Gato: o jornalista Pimenta Neves, então diretor do poderoso matutino "O Estadão", matou pelas costas a sua namorada. Um crime que chocou a opinião pública. A lei faculta aos endinheirados, a recorrerem em liberdade. Quase dez anos depois, é que o supracitado assassino foi recolhido para o presídio de Tremembé(SP). O outro descalabro, é a prática dos juros escorchantes, o valor pago nas aposentadoria, é uma vergonha, as benesses abusivas dos parlamentares, as licitações viciadas, caixas pretas intocáveis, policia truculenta, enfim, um rosário de injustiças, privilégios incompreensíveis, abuso de poder, e tantas outros infortúnios praticados há séculos. Pode ser que essas manifestações são como uma demanda há muito reprimida, tal qual o reservatório de uma grande barragem, quando as comportas se rompem pela pressão das águas.
15 de julho de 2013
Sinopse sobre São Pedro do Itabapoana
O primeiro posseiro a chegar em São Pedro, tem o seu registro histórico em 1837, contudo as primeiras famílias vindas dos estados das Minas Gerais (maioria), e do Rio de Janeiro, se fixaram nesse condado em 1850. No caso das Minas Gerais, credita-se a esse movimento o chamado "refluxo das bandeiras”, podendo ter sido motivado pela rigorosa proibição do Império português, de que os mineiros não adentrassem as matas, pelo fato que nelas se supunha haver, ouro em profusão. A comunidade floresceu, tendo instalado fábricas de seda, e de ferraduras destinadas aos muares-de-carga. Em 1887, conquista-se a independência de Cachoeiro do Itapemirim, e por decreto provincial, galga a condição de freguesia, com o seguinte topônimo: São Pedro de Alcântara do Itabapoana. A região vocacionada para a cafeicultura, possuía uma intensa vida social e cultural. Em 1929, assim era o censo da população na região sul do estado: São Pedro: 44.054 / Cachoeiro 36.541 / Vitória (capital) 28.828. De todos os ilustres são-pedrenses, se me permitem, destacaram-se: José Coelho dos Santos, médico, filho do escravo alforriado - Mestre Silvestre - que conquistou o 1º lugar nas provas da Academia Nacional de Medicina e recebeu o cobiçado premio Torres Homem. Deputado estadual por duas vezes, e na condição de Presidente da Assembléia, exerceu o cargo de governador. Esteve como médico-correspondente da Academia Francesa de Medicina. Outro ícone,foi Grinalson Medina, poeta e escritor que demonstrou inequívoca tenacidade, pois em comissão com outros são-pedrenses, dirigiu-se ao interventor na época. Essa comissão tentou reverter o golpe militar, quando da tomada de São Pedro em 02 de novembro de 1930. A invasão militar, estava amparada na deposição de Washington Luiz, por Vargas, através das armas nos dias finais de outubro de 1930, que se auto-proclamou ditador, e por 15 anos governou o Brasil. A partir desse evento, a sede transfere-se para Mimoso que na época se chamava João Pessoa, em homenagem ao candidato a vice-presidente na chapa derrotada de Getulio Vargas, e após treze anos, retornou com o topônimo original - Mimoso - acrescentando-se “Sul”, por estar localizada no extremo sul capixaba. E para finalizar, assim narrou Olympio José de Abreu: “ São Pedro foi nos alvores do séculos XIX/XX, uma das mais importantes cidades do Espírito Santo. Por iniciativa do poder público (leia-se ex-Prefeito Ronan Rangel) há 16 anos, consolidou-se um processo cultural, de transcendência nacional conhecido como “Festival de sanfona e viola”, que mantém rigorosamente a tradição do cancioneiro caipira emoldurado pelo bucolismo das alterosas são-pedrenses.
Referencias: “São Pedro do Itabapoana – Páginas de nossa terra – 1534 a 1931” de Grinalson Francisco Medina
Mimoso do Sul 1951 – Um município em revista – Diretores: Newton Braga e Ormando de Moraes
6 de julho de 2013
A casa da gente
A casa da gente.
Calma! Dizia ele ao chegar em Brasília vindo do Rio. E continuava: o corpo chegou, mas a alma, demora um pouco para se reincorporar... a velocidade do avião é supersônica. E sorria. Paciência, alertava êle. E com passos levemente trôpegos, se encaminhava a uma confortável cadeira giratória, e refastelava-se, cerrando os cílios, afirmando que estava em “alfa”. Após o processo da “reincorporação”, estaria apto a discutir a agenda. Êle Artur da Távola, jornalista, escritor e senador, também vaticinava que a casa da gente sente a nossa falta quando nos ausentamos. Pode parecer uma bobagem, mas ao contrário, isso ocorre. No meu retorno de pequenas viagens, fico a admirar a jabuticabeira , que é moradora do quintal do meu tugúrio, ou da minha modesta residência. No seu tempo, se enfeita elegantemente de colares de contas negras. Não tive a honraria de presenciar a sua primeira florada anual. A cadeira e a mesa de cerejeira, emudecida foi palco e testemunha de muitas conversas interessantes. E a confortável poltrona, presente de “mi hija”, é uma coadjuvante nas audições quase diárias de Bach e outros. A pequena biblioteca, onde se hospedam além das lembranças atávicas ( e de dentro da casa vejo a flor do hibisco, que adormece, para despertar com sol do amanhecer”), o computador, e as viagens de Swift através de Gulliver, sem falar das crônicas de Rubem Braga, ou do “Aleph” de Jorge L.Borges, ou o mapa do blues, de Bessie Smith, ou o som do sax de Lester Young,o trumpete de Wilton Marsallis e a big-band de Duke Ellington e tantos outros jazzistas. E na sequência o livro da história da Portela, ou do G.R.E.S. - Gremio Recreativo Escola de Samba da Portela, do legendário Paulo Benjamin de Oliveira – Paulo da Portela - e do sambista Monarco. A Portela nasceu na querida Madureira, a “meca” da zona norte no Rio de Janeiro. Vasculhar as estantes e encontrar sem querer(querendo), os versos intemporais do bardo Patativa do Assaré, ou do outro nordestino cultíssimo folclorista, etnólogo, historiador, antropólogo, ou tudo que ele queira ser, aqui ou Harvard, Oxford ou na Sorbonne – Câmara Cascudo – um dos ícones da terra brasilis, junto com o baiano Jorge Amado, merecedor do premio Nobel, como foram agraciados, o chileno Pablo Neruda e o guatemalteco Miguel Angel Asturias, e muitas outras constelações de poetas e escritores. E por fim, relembrado, a Flip - Feira Literária Internacional de Paraty, homenageia Graciliano Ramos, preso político na Ilha Grande, por ser filiado ao Partido Comunista, durante a vigência do Estado Novo. Na prisão escreveu "Memórias do Cárcere" narrando a sua infortunada experiência, o qual se transformou num dos livros mais lidos pelos brasileiros. Na casa gente, os objetos tem vida, e são os fantasmas materializados pelo imagético de cada um...
Calma! Dizia ele ao chegar em Brasília vindo do Rio. E continuava: o corpo chegou, mas a alma, demora um pouco para se reincorporar... a velocidade do avião é supersônica. E sorria. Paciência, alertava êle. E com passos levemente trôpegos, se encaminhava a uma confortável cadeira giratória, e refastelava-se, cerrando os cílios, afirmando que estava em “alfa”. Após o processo da “reincorporação”, estaria apto a discutir a agenda. Êle Artur da Távola, jornalista, escritor e senador, também vaticinava que a casa da gente sente a nossa falta quando nos ausentamos. Pode parecer uma bobagem, mas ao contrário, isso ocorre. No meu retorno de pequenas viagens, fico a admirar a jabuticabeira , que é moradora do quintal do meu tugúrio, ou da minha modesta residência. No seu tempo, se enfeita elegantemente de colares de contas negras. Não tive a honraria de presenciar a sua primeira florada anual. A cadeira e a mesa de cerejeira, emudecida foi palco e testemunha de muitas conversas interessantes. E a confortável poltrona, presente de “mi hija”, é uma coadjuvante nas audições quase diárias de Bach e outros. A pequena biblioteca, onde se hospedam além das lembranças atávicas ( e de dentro da casa vejo a flor do hibisco, que adormece, para despertar com sol do amanhecer”), o computador, e as viagens de Swift através de Gulliver, sem falar das crônicas de Rubem Braga, ou do “Aleph” de Jorge L.Borges, ou o mapa do blues, de Bessie Smith, ou o som do sax de Lester Young,o trumpete de Wilton Marsallis e a big-band de Duke Ellington e tantos outros jazzistas. E na sequência o livro da história da Portela, ou do G.R.E.S. - Gremio Recreativo Escola de Samba da Portela, do legendário Paulo Benjamin de Oliveira – Paulo da Portela - e do sambista Monarco. A Portela nasceu na querida Madureira, a “meca” da zona norte no Rio de Janeiro. Vasculhar as estantes e encontrar sem querer(querendo), os versos intemporais do bardo Patativa do Assaré, ou do outro nordestino cultíssimo folclorista, etnólogo, historiador, antropólogo, ou tudo que ele queira ser, aqui ou Harvard, Oxford ou na Sorbonne – Câmara Cascudo – um dos ícones da terra brasilis, junto com o baiano Jorge Amado, merecedor do premio Nobel, como foram agraciados, o chileno Pablo Neruda e o guatemalteco Miguel Angel Asturias, e muitas outras constelações de poetas e escritores. E por fim, relembrado, a Flip - Feira Literária Internacional de Paraty, homenageia Graciliano Ramos, preso político na Ilha Grande, por ser filiado ao Partido Comunista, durante a vigência do Estado Novo. Na prisão escreveu "Memórias do Cárcere" narrando a sua infortunada experiência, o qual se transformou num dos livros mais lidos pelos brasileiros. Na casa gente, os objetos tem vida, e são os fantasmas materializados pelo imagético de cada um...
25 de junho de 2013
Leon Tolstoi
Leon Tolstoi, escritor, de renome universal, um verdadeiro cossaco, disse do alto da sua sabedoria : ” ... se queres tornar-se universal, comece por pintar a sua própria aldeia... “ Nesse andamento, como se fosse uma sinfonia e seus movimentos, a escritora Karina Fleury, garimpa de forma arqueológica-literária a vida e a obra de Maria Antonieta Tatagiba, e transcende esse percuciente estudo, quando faz analogias e exegeses bem fundamentadas, ou quando denuncia com legitimidade histórica, o acorrentamento das mulheres pelos ditames da falocracia, lamentavelmente, ainda em pleno vigor ...E ancorando seu ideário na consistência dos versos e dos conceitos nele contidos, encontra a escritora Karina Fleury, paradigmas, desde Charles Baudelaire até o estilo modernista místico-melancólico de Cecília Meirelles, sem contar - Virginia Woolf - essa inglesa, sempre atemporal... Os escritores , além da imortalidade das suas obras, na realidade são as suas próprias e (in)contestes ânimas ! Isso vale para quaisquer outras artes. A mestra Karina Fleury, sua fidelíssima – ghost writer – discorre com cuidadoso equilibrio a saga da família, e a via crucis da autora de - Frauta agreste – incorporando sua admiração e reconhecimento da peculiar poética, digna de quaisquer galerias oficiais. Antonieta publicou seu livro acima citado em 1927, no Rio de Janeiro. De onde recebeu elogios ,através do “ O Jornal “, o então conceituadíssimo matutino, pertencente ao poderoso conglomerado dos Diários Associados. É a poetisa-primeira do pequeno estado do Espírito Santo, e morreu precocemente aos 33 anos...lutou bravamente contra o bacilo de Koch, e infelizmente não o venceu.
A intensa peregrinação empreendida pela autora, na abissal biografia, ao escrever – O papel da mulher e a mulher de papel - Editora Opção - é mais uma tentativa, espero seja frutífera, de tornar Maria Antonieta Tatagiba, num vate cosmopolita, que viveu na década da Semana da Arte, realizada em 1922, sob a batuta de Mário de Andrade e outros entusiastas colaboradores. A autora da – Frauta agreste - viveu nas alterosas sãopedrenses, no extremo sul do estado natal de Rubem Braga ...Se ela tivesse nascido francesa, certamente seria reconhecida, pois a França, possui um modelar respeito aos seus ícones, onde o padrão básico de conhecimento é compartido com todos, indistintamente. A este padrão pertencem naturalmente os escritores. Por essas bandas de cá, as coisas culturais não florescem, pelo estrabismo anacronico do poder público acanhado, e soturno. Não toma iniciativas, e não permite, em nome do obscurantismo, que outrem o façam...A Mestra Karina Fleury é uma bem-aventurada, ao se lançar no resgate de uma poetisa de escol, e injustamente olvidada. Não é para se colocar algodões entre os cristais, mas para refletir : o transcendental escritor e dramaturgo - Leon Tolstoi - até hoje, passados 110 anos, continua excomungado por ter colaborado com a revolução de 1917.
22 de junho de 2013
Cárcere privado - primeira parte
O fulcro da narrativa é de cunho verdadeiro, e chegou ao meu conhecimento por um confiável interlocutor. O contexto, mesmo emprenhado de algumas lentes de aumento, faz sentido, pelo conteúdo do relato, mesmo estando envolvido de compreensível ingrediente emocional. O fato ocorreu nos anos sesenta, no extremo sul capixaba, e se estendeu até ao Rio de Janeiro. Marialice era filha de Antonio e Berê, e irmã de Santinho, um cozinheiro de categoria, que harmonizava os temperos, como se fosse um maestro de uma orquestra sinfônica. Nunca soube da vetusta escola Cordon Bleu em Paris, contudo possuia “savoir-faire” na arte da cocção, quer para rei, quer para os amigos. Curiosamente afirmava que pimentão é uma hortaliça, e enquanto viveu, nunca "o convidou" para os seus marinados. Acusava ser o pimentão tão autoritário, que anulava os demais.
Marialice residia em Matilde, um vilarejo que pertencia ao Cachoeiro de Rubem Braga. Era um bela mulher. Impressionava os homens pelos seus olhos azuis, seios fartos e porte empertigado. Berê, sua mãe, sabidamente não podia arcar com despesas extras, além do teto, alimentação e um simplório guarda-roupa. E nada mais. Aos dezessete anos, na flor da idade, Marialice, segundo a sua mãe, já estava na hora de conseguir um casamento de conveniência, com um homem abastado.
Nagib Ahmed, na época, um bem sucedido ex-mascate, talvez um ascendente omíada, e patricio do escritor Gibran Khalil Gibran(1883/1931). Possuia um grande empório, considerando a sua geo-localização. O seu comércio funcionava na viela principal, num prédio antigo, com sete portas, e vendia de tudo um pouco. A mercadoria era sortida, pois oferecia desde as populares calças brim-coringa, até os mágicos tabletes de anil, alvejante das roupas encardidas.
Nagib Ahmed era o perfil exato que Berê desejava para sua filha. O mouro tinha uma vida regalada e opulenta. Era voz corrente entre os moradores, que era possuidor de um voraz apetite sexual, do alto dos seus cinqüenta e oito anos. Nunca se casou, pois o propósito era fazer fortuna. Órfão de mãe, não teve infância e muito menos juventude; pois começou na labuta aos nove anos com seu pai. O árabe Nagib Ahmed era quase da cor do ébano, seu perfil era a de um sujeito forte e atarracado, e sempre com a barba por fazer. Chamava seus fregueses de "brimo ou brima", com atenção e simpatia. Berê tomou coragem e foi até “ao lôja” do solteirão e rico comerciante. E fez-lhe a proposta de lhe apresentar a filha Marialice, podendo desposá-la, se lhe conviesse. O ex-mascate aceitou, e exultou-se com a oferta. Comunicada, Marialice entrou em desespero, e depressão. Perdeu os sentidos. Berê às pressas, saiu em busca de ajuda. Nesse ínterim, recobrou os sentidos e fugiu em direção a casa do seu tio, no qual depositava toda a confiança. Seu tio residia nas alterosas mineiras, e o lugarejo era conhecido como, Chora Morena. Passaram-se meses, e ela, infortunadamente foi descoberta. O parente não teve pulso suficiente, para impedir que ela partisse. E a desventura se concretizou, casando-se com o noivo que lhe foi absurdamente imputado. O casamento compulsório pelas circunstancias, foi matizado por desavenças diárias, pois Marialice rejeitava o estupro da sua dignidade, submetido-lhe por sua genitora.
Certa vez, fugiu diante de num descuido, desse ascendente bérbere.. Não tardou a ser descoberta e retornou a casa de Nagib Ahmed, que morava no andar de cima do “seu lôja". Era um prédio de sobrado. Pela fuga, o comerciante a puniu severamente. Primeiramente lacrou as janelas da frente da casa privando-a de ver à rua principal. E em seguida, acorrentou-lhe dentro de casa, limitando os seus movimentos. Um cárcere privado. E assim coexistia essa mulher com o infortúnio. Emudecida, servia ao seu impostor nas suas libações sexuais, esperando o dia “d” para conquistar a sua liberdade. E não tardou, surgindo uma impar oportunidade. Após um dia de intenso trabalho, e por demais cansado, estirou-se o beduino na sua costumeira cadeira de balanço. E com a bôca às escancaras, dormitou pesadamente. Marialice não perdeu tempo: com a água que preparava para o costumeiro café, jogou-lhe água fervente de goela abaixo. Urrou feito um javali ferido.
Em seguida, apanhou as chaves, abriu as algemas e o cofre. Fugiu, segundo se supõe, para a terra dos bandeirantes. Nagib Ahmed, gravemente ferido, não morreu.
A agenda nacional mudou
No dia 20 de junho de 2013, o Brasil desde o impeachment do Collor em 1992, não se registrava manifestação popular com 1,2 milhões de participantes, sendo que o Rio, colaborou com trezentos mil pessoas, que protestaram na larga avenida Presidente Vargas, no centro dessa cidade. Um movimento sem liderança, em nítido confronto com os postulados marxistas-leninistas, que preconizava, que movimento sem comando e sem propostas concretas, não leva a nada. Há controvérsias. O movimento foi "organizado" pelas redes sociais disponíveis na internet, com a ausência total de líderes carismáticos e/ou similares. A manifestação estava sob o manto apartidário. Não havia entidade de classe, ong ou partidária enquanto atores do evento. O mote foi o aumento da tarifa do transporte, com o qual os estudantes, da legendária USP, tomaram à vanguarda. Eles pertencem ao MPL - Movimento do Passe Livre - e segundo o jornalista Merval Pereira, publicou n'O Globo de 23/06/2013, que o movimento tem inspiração na esquerda radical. O MPL, perdeu o controle, e declararam que houve infiltração de "conservadores" no movimento. Eis alguns exemplos contraditórios: O MPL não condenou os vândalos, e foram contra a expulsão dos petistas na manifestação. O MPL perdeu o controle do movimento nacionalmente. A classe politica ficou atônita, pois foi atropelada pelos fatos. Aliás o povo está anos-luz à frente de todas as instituições da sociedade civil. A pauta de reivindicações dirigida ao poder público, felizmente transcendeu ao protesto do reajuste das passagens. Protestou-se contra o descaso, em respeito aos mínimos direitos dos cidadãos, desde o atendimento nas filas dos hospitais públicos, até a proposta do governo federal, da PEC 37 - Projeto de Emenda Constitucional - que retira poderes investigativos do Ministério Público, e a corrupção que gerou volumoso processo no Supremo Tribunal Federal, que julgou e condenou os "mensaleiros", os quais possuem a perspectiva de não serem recolhidos ao respectivo presidio. As autoridades por dever cívico, deveriam assumir a sua "mea culpa", e proceder a reforma política, e punir àqueles que dilapidam o bem público. Inclusive, investigar a variação patrimonial nos últimos anos, do ex-presidente Lula, e todos os demais suspeitos. A saúde e a educação, devem carrear verbas compatíveis com necessidade da população. Os valores nas reformas dos estádios, não indicam que o governo seja sensível quanto a saúde, e muito menos quanto a educação. Universidade pública continua sendo dos "riquinhos". O protesto poderá se repetir - quiçá reforçado pela classe "c", que aplaude, mas ainda não participa - caso o governo-paquiderme, continuar olhando somente para o seu próprio umbigo. O jornal a Folha de São Paulo procedeu uma pesquisa entre os manifestantes, que assim se pronunciaram, na escolha do candidato(a) a Presidencia da República: 30% Joaquim Barbosa, 22% Marina Silva e 10% Dilma Roussef. Cabe uma reflexão? ou não?
18 de maio de 2013
Transpiração
O mundo é mágico, feérico. E a cada dia se torna mais pequeno, para uma, ainda, minoria, através da ciência da cibernética...todavia na África poucos tem água potável e energia, ou aqui, nesse Brasil continental, o saneamento básico(água e esgoto) está ausente em quarenta por cento na população brasileira. São muitos os brasis, e certa vez o renomado economista Edmar Bacha, o chamou o Brasil de “belindia”, pois uma metade se localizava na Bélgica, representada por parte do sudeste/sul e centro oeste, e a India, simbolizada por grande parte pelo norte/nordeste. Isso me faz relembrar, as palavras do Antonio, ferroviário politizado e assíduo nas assembléias do seu combativo sindicato, que certa vez assim vaticinou: ...” tenho pouca leitura, mas acredito, que só a educação tira o povo do buraco ”. Simplória afirmativa, e plena de sabedoria. O aprendizado é a mola mestra de um país, e para confirmar, eis o aforisma de um outro herói brasileiro, o escritor Monteiro Lobato: “ Um país se faz com homens e livros ”. O viés educacional não é valorizado como se devia, pois o ensino básico, deveria ser seriamente encarado, e sob a égide do governo federal, como um objetivo permanente no aprendizado. Instalar uma política pública educacional inamovível no seu conceito, podendo sofrer ajustes quando necessários, desde que não se desviasse o núcleo do seu foco. Esses pressupostos acima citados, pertencem ao ex-Reitor da UNB, e insígne senador Cristovão Buarque, do alto da sua autoridade didático-pedagógica. Mas enquanto esse sonho não se materializa, é mister, “fazer de uma laranja, uma laranjada”, isso significa que cabe ao educador, em primeiro lugar, abraçar a tese do filósofo francês – Henri Wallon – ao defender que “ a emoção gera a afetividade, a qual é coadjuvante no desenvolvimento da inteligencia infantil”. No mais, é apreender e estender todas as teses disponíveis nas pesquisas psico-didático-pedagógico, desde Jean Piaget, Vigotsky, Wallon e outros, na busca do aprimoramento da ensinagem, em resumo: muita transpiração e inspiração.
9 de maio de 2013
Botafogo Futebol e Regatas
Futebol também é cultura? Claro que é. Recentemente, o técnico Joel Santana, por sinal, nascido entre Muqui e Cachoeiro do Itapemirim, recebeu do ex-presidente da Academia Brasileira de Letras, Marcos Vilaça todas as homenagens da fechada, da vetusta Academia, conhecida com a casa de Machado de Assis, o grande escritor brasileiro. O futebol tem as suas raízes no Reino Unido, melhor dizendo na Inglaterra, contudo conquistou a sua maioridade no Brasil e em outros países latino-americanos. E o Brasil enquanto penta-campeão do mundo, é possuidor de legitimidade diante desse esporte tão popular em todo o mundo. E para ratificar, o discreto Botafogo de Futebol e Regatas, time de João Saldanha, Garrincha, Nilton Santos, Zagalo, Amarildo, e tantos outros craques. E o Glorioso, após uma meritória campanha, com onze vitórias, inclusive vencendo os três grandes times cariocas – Flamengo, Vasco e Fluminense – sagra-se campeão carioca de 2013, tendo à frente, o técnico Osvaldo Marques, e uma equipe irrepreensível, como Seedorf, esse elegante afro-holandes, que dentro do campo, se comporta como um técnico e líder, orientando o time. Seedorf foi uma aquisição acertada, também pudera, ele jogou no Ajax, Real Madrid e Milan, que o convidou recentemente, para ser o seu técnico. No jogo decisivo de domingo passado (05.05.2013), perdeu o penalty contra o Fluminense, mas isso não o diminuiu, em nada sequer. Rafael Marques num cruzado certeiro, compensou esse deslize, e colocou a bola nas redes do Tricolor. Foi criticado pela imprensa, pois estava sem fazer gols... aliás tal qual na vida, um individuo para ser reconhecido na sociedade, é preciso matar um leão por dia. Uma metáfora ainda na validade. O time jogou harmonicamente, até porque a estima dos jogadores está em alta, e isso dá-lhe a necessária segurança para enfrentar a peleja. Eis a escalação vitoriosa: Jefferson(goleiro), Lucas, Bolivar, Dória e Julio Cesar, Marcelo Mattos e Felipe Gabriel, Lodeiro, Seedorff e Rafael Marques. Parabéns aos botafoguenses e aos desportistas em geral. Salve o glorioso.
29 de abril de 2013
O Clube de Regatas Flamengo e Altamiro Carrilho
O som da flauta segunda a lenda, tem o lamento da saudade do junco, por ter sido cortada dessa árvore. A sonoridade da flauta pertence a suavidade, pois não agride os ouvidos mais sensíveis, e encanta a todos. Na mística oriental, o som desse instrumento, encanta até as serpentes. O solos da clarineta, do flautin e de outros instrumentos de sopro, tem a sua origem melódica na flauta, um dos mais antigos do mundo. E a importância desse instrumento, foi demonstrada por W.Amadeus Mozart (1756/1791) que deu-lhe vida na ópera A Flauta Mágica, uma das óperas mais executadas do mundo. E dentre os geniais flautistas, um deles nasceu em Santo Antonio de Pádua, no estado do Rio de Janeiro, e se chamava Altamiro Aquino Carrilho, um virtuose da flauta. Tocou os temas regionais, se tornando universal, pois jamais renunciou a sua origem. Dentre os grandes flautistas do cancioneiro popular, juntam-se ao Altamiro, o mestre Pixinguinha, um dos pais do Chorinho, Benedito Lacerda entre outros. Curiosamente, de autoria de Bonfiglio Oliveira, há um chorinho, cujo título é Flamengo, e no final dessa peça musical, ouve-se alguns poucos acordes, do Hino do Flamengo, de Lamartine Babo.
27 de abril de 2013
Amizade
Mario Quintana, poeta e escritor dos pampas, deixou-nos essa pérola: a amizade é um amor que nunca morre. A amizade é um mistério, pois ela é sempre leve, e se veste de diversas tonalidades. A afirmativa que as amizades do passado eram mais sinceras e duradouras, isso não vem ao caso. A indicação, é que possuir amigos, é ter a posse de uma riqueza. A amizade virtual, pertence aos tempos cibernéticos, e se interage pelos caminhos da mágica do computador. São os notebooks e ipads, acessando os facebooks, google e outros mecanismos à disposição, nas chamadas redes sociais digital. Essa matéria, faz-me viajar através da máquina do tempo, no imaginário que aterrisa no núcleo da minha infancia, a mais bem vivida do mundo, nas terras dos indios puris. Naquele tempo, recordo meu pai doente, submeteu-se a cirurgia na Santa Casa da Misericódia do Rio de Janeiro. O curador da Santa Casa, era Darci Monteiro, ascendente de Jeronimo Monteiro, que por duas vezes foi presidente no Espirito Santo, durante a Velha República. Meu pai, por lá permaneceu durante um bom período, no pós-operatório. E por esse tempo, a familia sem renda, precisava de adquirir gêneros alimentícios. E por amizade, e somente por esse amor que nunca morre, que Clarindo Vivas, num ato insígne de solidariedade, abriu crédito no seu modesto empório. Em tempo, agradeço por genuina gratidão, a nobreza desse ato atemporal. Eis o paradígma que se fixa no bronze da história, é inamovível e implacável. Biograficamente, Clarindo Vivas, foi casado com Yolanda, filho de Constancio Vivas e Augusta Calegari, e neto do patriarca íbero-brasileiro-sãopedrense Constantino Vivas.
20 de abril de 2013
História regional 3 ( extremo sul do Espírito Santo)
A primeira igreja edificada em território dos puris, cujo a homenagem se presta a São Pedro, digo do Itabapoana, foi em 1860, na Vila da Limeira do Itabapoana. E dentre os primeiros beneméritos desse templo católico, destaca-se o Capitão José Ferreira, doador do terreno, e então proprietário da fazenda Mimoso, na qual, posteriormente se originou a cidade de Mimoso do Sul. O Capitão acima referido, é o precursor da família do Gil Monteiro Leite. Eis alguns outros nomes que concorreram: Antonio Ferreira da Silva (possivelmente parente do Capitão) José Ribeiro da Silva Castro, Dona Maria Angélica de Abreu Lima, Capitão José Carlos de Azevedo Lima e outros. A freguesia de São Pedro do Itabapoana, foi criada oficialmente pela Lei 04, de 26 de novembro de 1863, e regulamentado pelo decreto nº 444. E sua geo-jurisdição atingia até São José do Calçado. Com essa medida imperial, São Pedro desmembra-se da Vila do Itapemirim de São Pedro do Cachoeiro do Itapemirim e de N.S. da Conceição do Alegre, contudo desde 1850, registrava uma pequena população na região. Em 1865, em pleno regime escravagista, num censo local apurou-se o seguinte: brasileiros 3113, estrangeiros 114, escravos brasileiros 2225, escravos africanos 239. Observe que a população escrava é muito numerosa em relação a população local. Essa tendencia se confirmará, quando da fuga para o Brasil, da familia real portuguesa em 1808, pois, temia a invasão de Portugal, por Napoleão Bonaparte que a fez, com um exército jovem e em frangalhos. Na então côrte no Rio de Janeiro, registrou-se que a população escrava era igual a população, dita branca. Acredita-se que cerca de cinco milhões de escravos vieram para o Brasil. Na Bahia, se faz a previsão de ter recebido 1.400.00 escravos vindos da mãe África. No Espirito Santo, se calcula que tenha por aqui desembarcado cerca de 700.000 africanos. No extremo sul do Espirito santo, havia intenso trânsito fluvial através de pequenos barcos e vapores entre o Porto da Limeira e a atual cidade de Barra de São Francisco. E a concessão do transporte, ficou sob a direção do Comendador Carlos Pinto de Campos Figueiredo.
Fonte: "Páginas da nossa terr " autor: Grinalson Medina/ 1808 Laurentino Gomes, Editora Planeta
13 de abril de 2013
História Regional 2 ( extremo sul do Esp.Santo)
Quando Francisco José Lopes da Rocha, primeiro posseiro de São Pedro do Itabapoana, ferido gravemente pelas flechas dos índios puris em 1837, partiu na busca de tratamento, e desceu as alterosas sãopedrenses , e embarcou no porto da Pratinha, com destino ao porto da Limeira, em Dona América. Daí embarcou para a Barra de São Francisco, para alcançar Campos dos Goitacás, ou Goitacazes. Assim se registra no arquivo implacável da história, quer da sua oralidade, quer pelos documentos, a ponta do fio da saga do povo sãopedrense. A partir de 1850, vindas das Minas Gerais, começaram a chegar as famílias pioneiras em São Pedro, para o povoamento da localidade. O expediente inicial era preencher o formularío para requerer a posse da terra. A atividade era direcionada para a agricultura. Eis alguns desses clãs familiares: Olimpio Ribeiro de Castro, Comendador Leopoldino Gonçalves Castanheira, Manoel João da Silva Oliveira, Ana Carapina de Oliveira, os irmãos Antonio, Manoel e Jacinto de Oliveira, Faustino José Bittencourt (família fundadora do famoso Colégio Bittencourt em Campos dos Goitacazes), Joaquim Aquino Xavier, José Joquim Ribeiro Paiva, Nicolau Xavier Monteiro da Gama, e tantos outros... A freguesia de São Pedro do Itabapoana, foi inaugurada oficialmente no dia 11 de junho de 1856, e pertencia a Sesmaria de Cachoeiro do Itapemirim, bem como as vilas de N.S. da Penha do Alegre, São Miguel do Veado ( atual Guaçui) Aldeamento do Castelo, Porto da Limeira, em Dona América, São José do Calçado, N.S. da Conceição do Aldeamento Afonsino, N.S. da Conceição do Muqui. Oficialmente o start, ou o início da altiva Mimoso do Sul, começa em Ponte do Itabapoana, criado pela legalidade em 13 de junho de 1857, com o nome de distrito de Cachoeiro Itabapoana, com sede no Arraial da Limeira, em função do porto fluvial com o mesmo nome, ou aldeia de Camapuana.
Fonte: Do livro: "Páginas da nossa terra" de Grinalson Medina
4 de abril de 2013
História Regional 1 ( extremo sul do Esp.Santo)
Por ter colaborado com o financiamento às viagens do império portugues, em busca de novas terras, Pero de Gois, recebeu como pagamento, parte da capitania de São Tomé , absurdamente chamada, de hereditária, na margem direita do rio Itabapoana. Tal gleba de terra se localiza, no atual estado do Rio de Janeiro. Nessa freguesia se construiu em 1536, a Vila da Rainha, estendo-se até a sua foz, ou seja, até Barra de São Francisco. Por necessidade de mão de obra, Pero de Gois viajou a Portugal. Quando do seu retorno, a Vila da Rainha foi surpreendido, pois a Vilda da Rainha tinha sido destruída pelos bravos índios goitacá, mais conhecidos como goitacazes. Diante do ataque dos legítimos donos daquelas, mais acima, foi construída a dez léguas do mar, pelo leito do rio Itabapoana, a Vila da Limeira, ou Aldeia de Camapuana, junto à Cachoeira do Inferno, ou da Cachoeira da Fumaça, em 14 de Agosto de 1539. O jesuita Padre José de Anchieta foi nomeado para chefiar as missões no sul do Espírito Santo, em 1579, e a Igreja N.S. das Neves foi erguida em agosto de 1581. Esse templo de inspiração católica, está em perfeito estado de conservação. De acordo com essa informação, poder-se-á concluir, que pelas datas supraciatadas, deu-se o início do povoamento da região, nas proximidades de Ponte do Itabapona e Dona América. Em São Pedro do Itabapoana, a sua colonização é fruto da migração do povo mineiro, que diante da proibição para o cultivo das lavouras, buscaram as terras vizinhas no Espírito Santo. Tal impedimento, estava baseado na defesa das jazidas de ouro, que poderiam ser encontradas nas florestas das Minas Gerais. Por essa migração interna - duzentos e cinqüenta e seis anos - depois da construção da Igreja NS das Neves, é que surgiu o primeiro posseiro em 1837 - José Francisco Lopes da Rocha - que foi flechado pelos índios puris, que reagiram a invasão das terras deles.
Fonte: Grinalson Medina – do livro Páginas da nossa terra.
31 de março de 2013
Uma canção desesperada de amor
Desfruto de um crepúsculo dourado. Suave, e esmaecendo quase imperceptível, e os pássaros em revoada, buscam seus lares, seus ninhos, sendo alguns esféricos, tornando-os aconchegantes. É o arremate do dia, espetáculo cromático, é observar o dia morrediço, para renascer com o mesmo andamento harmônico, na alvorada das manhãs. Há um ambiente de solidão, próprio para a meditação, dita transcendental, que após anos na iniciação monástica, dizem que os monjes do Tibete conseguem separar o corpo da alma. Imagino voando feito falcões ou ninjas, rasgando os ares. No inicio do poente do movimento crespuscular, se apresenta com uma intensa luminosidade, energizada pelo sol oculto na linha do horizonte. Nuvens purpúreas matizam os céus como testemunhas do momento-ômega. As árvores, com as suas folhas, estão inamovíveis diante da chegança da escuridão, que desemboca na profunda boca-da-noite. Eis a noite soturna, sorrateira adentrando em todos ao espaços, camuflando as cicatrizes da alma, e a fauna e flora. E a noite-guardiã a proteger o direito natural ao "repouso" da mãe natureza. E o negrume de repente é emoldurado pela encabulada, romântica e discreta lua crescente, com algumas centelhas de luzes, anunciando-a no firmamento, feito uma vésper. Tudo está a meia-luz, lembrando um tango de Gardel. E nessa fase enluarada, é um “abat-jour”, que suaviza a intensidade da luz, e acaricia o olhar de quem procura ler uma poesia. E a noite é longa, como uma serenata, regada de versos, tal qual o sonho do trovador. A noite é insone, e não se cansa, e se regenera feito camaleoa, igual a uma canção desesperada de amor, vinda nas asas das brisas andinas.
23 de março de 2013
Cores e matizes
A roupa bonita disfarça a solidão, igual a vegetação que engana o deserto, e traz algum conforto. A indumentária possui esse efeito mágico e imagético. Há uma conspiração entre o estar só e a camuflagem da estética, fazendo bem aos olhares. Há um vazio na existência humana com todas as cores e matizes. No contexto do vácuo, se instala todos os tons...cinzas e lilases. Nessa ambiência, se desperta a dúvida, vizinha da consciência mais lúcida - viver não é preciso, navegar é preciso - como gravou o poeta lusitano, Fernando Pessoa. Eis a reedição da ação hamletiana, diante das disjuntivas da vida. Contudo a inação toma conta. A palavra perde o seu frescor. A (in)certeza, se deve seguir esse ou aquele atalho? ou desistir? Faz-se presente a inércia. É assim mesmo, o maestro rege melhor a orquestra conhecendo os músicos, e a obra. Há um instante profético, misterioso, de acordo com Sergiu Celibidache - talentoso maestro romeno - que não apreciava ser gravado, e justificava: uma audição ao vivo é algo ímpar, é o desfrute de uma oportunidade única. As sinfonias, árias e canções possuem almas, e adentram nas demais receptivas, pois é essencialmente sensitiva. E esse instante, não se permite ser reproduzido num pen drive. É como viver os grandes momentos, que não se reeditam. Há (in)decisões que devem ser realizadas. Tal qual a florescência dos arbustos, tal qual o luar, que são "realidades compulsórias", morredouras para renascerem. Na contextualização ora citada, inesgotáveis são as premissas das (in)coerências do ato de existir do ser humano. Não saber qual a estrada a seguir, poderá ser uma sábia direção. Ou não.
15 de março de 2013
Morro da Palha, comunidade afro-descendente
A simpática comunidade do Morro da Palha, foi fundada em 1955, em Mimoso do Sul, próximo do extremo sul capixaba. E as primeiras familias vieram da antiga Caixa D'àgua nas imediações do Usina Hidroelétrica construida pelo governador Rubens Rangel. Os retirantes se estabeleceram no lado direito, pela rua Crispim Braga acima, no sentido Rio de Janeiro pela via férrea. O casal, Manoel Pereira e sua esposa Elcia, lideraram esses novos moradores, na busca da felicidade, através de um abrigo, de uma casa, que é a simbologia maior, para se sentir dentro do princípio inicial da cidadania. E junto, com o casal, a ninhada de filhos, a saber: Margarida, Osvaldo, Maria da Penha, Luci, Manoelita, Jair e Marlene. Num sistema de mutirão, construiram meia duzia de barracas de pindoba e, e cobertas das palhas de sapê. Nessa embrionária comunidade, foi onde se deu origem ao toponomio: Morro da Palha. Vieram em seguida outras famílias, da Pequetita, Josefina(cujo a apelido era "Kalil Morreu"), Joaninha, auxiliar de enfermagem e rezadeira com fé, Filipina, Chico Pedro, Alcebíades, Dona Floripe mãe da Dona Sebastiana, casada com João Azevedo, e mãe do Avides Azevedo, e tantos outros (Dona Sebastiana, longeva, morreu com mais de 100 anos), Alberto Faustino, Lourdes esposa do professor Pitacus, que lecionava quimica, no colégio local. Alguns moradores afirmam, ter sido ele oficial da marinha grega, e que por aqui aportou. Lourdes deu-lhe uma filha. Essa narrativa, ainda criança fez-me lembrar do Quarentinha,(em homenagem ao craque do Botafogo) José Carlos (Tim), Dagmar, Xanfrado, Calango, ou Pé Redondo, e o Joci, que suportava sobre a cabeça, tres sacos de café. Era um hércules, pela sua força física, todavia, foi precocemente vencido pelo alcoolismo. O Morro da Palha com as suas casas de alvenaria, creche, ruas calçadas, luz, e água potável, está plenamente integrado ao conjunto da sociedade local. E para coroar a performance do bairro, o funcional sopão da Rosinha, com a ajuda de todos, alimenta os mais carentes, bem como o providencial asilo.
PS.: Essa matéria teve a inestimável colaboração do Bento.
12 de março de 2013
Papa Bento XVI, cardeal Ratzinger
A renúncia do cardeal José Ratzinger, foi uma surpreendente atitude, pois na idade moderna, há 600 anos, um papa não solicitava esse direito, que é de abrir mão do cargo mais importante da Igreja católica. Há diversas versões, contudo uma é inquestionável: o ex-papa não estava satisfeito, na condição de chefe da igreja católica. Algumas vísceras foram expostas, desde a corrupção no Banco do Vaticano, passando pela divulgação de documentos secretos, atribuído ao mordomo do papa - aliás o mordomo é sempre culpado em muitos filmes de suspense – e por fim a prática de pedofilia por alguns bispos. E assim caminha a humanidade. Os templos evangélicos não-pentencostais - são àqueles que não praticam o batismo – crescem em progressão geométrica. A cada semana se inaugura uma casa de oração. O povo tem a necessidade mística e mítica, ou seja, de acreditar em algo superior e ter o mito como paradígma. Se faz necessário ter fé, e acreditar em Deus, de acordo com o dogma. As doutrinas, seitas e o sincretismo afro-religioso através da umbanda ou candomblé, são menos dogmáticos, menos rigorosos com os seus fiéis. Esses líderes não-católicos, estão sempre disponíveis para atender os seguidores. A igreja católica hermética e encastelada, ainda amarga a crise das ausencias vocacionais para os seminários. Por outro lado, ditam severas condições para se ordenar um diácono, como se fosse um vestibular nas universidades de Harvard ou Oxford. A igreja católica, é recomendado se atualizar, e se não o fizer, metaforicamente, poder-se-á vaticinar o seu destino, tal qual do dinossauro que enquanto vida, não resistindo as intempéries do dilúvio, desapareceu. E para complementar, padre é um ser humano como outro qualquer, possuidor das fragilidades, e das necessidades fisiológicas, inclusive a sexual. Conforme diz a biblia: crescei-vos e multiplicai-vos...(menos os padres?). No dia 13 de março de 2013, o colégio eleitoral dos cardeais, escolheu o novo Bispo de Roma, é o cardeal argentino - Jorge Mário Bergoglio - que se autodenominou como Papa Francisco. A grande novidade é ser ele, o primeiro papa, pertencente aos quadros da ordem da Companhia de Jesus. Os jesuitas, possuem vida economica própria, e são considerados, muito intelectualizados. São mais de vinte mil, espalhados pelo mundo. E no passado recente, foram simpáticos a "teologia da libertação", de inspiração marxista.
20 de fevereiro de 2013
Vinicius de Moraes, poeta e diplomata
Vinicius de Moraes reafirmava que o melhor amigo do homem é o uísque, pois se trata do cachorro engarrafado. Se estivesse vivo estaria completando cem anos em 2013. Contemporâneo do seu amigo de sempre, o cachoeirense, Rubem Braga. Nas intermináveis conversas entre ambos, Vinicius, de tanto ouvir falar de Cachoeiro do Itapemirim, batizou-a como a “capital secreta do mundo”. Vinicius de Moraes foi poeta e diplomata. Serviu em diversas cidades, tais como Los Angeles e Paris. Em 1956, montou a peça “Orfeu da Conceição” no Teatro Municipal, no Rio, quando conheceu o então jovem pianista Tom Jobim. Desse encontro se formou uma parceria, que produziu músicas de sucesso internacional, como Garota de Ipanema. E outras como “Se todos fossem iguais a você, Chega de saudade, Eu não existo sem você, Água de beber “ etc e tal. Casou-se por nove vezes, e uma delas, com Christina Gurjão, com quem tive a honra de conviver, através do escritor e amigo Artur da Távola. Ela lhe deu uma filha, de nome Maria. O virtuose do violão Baden Powell de Aquino, musicou as letras dos sambas da Benção, (em) Prelúdio e Berimbau. Compôs a música “Arrastão” em parceria com Edu Lobo, tendo sido essa canção “imortalizada” pela voz de Elis Regina. E por último uma produtiva parceria com Toquinho, que durou até a sua morte em 1980. Vai o homem, e permanece a obra. Numa boa escuta, e um bom uísque, vou tocar, “ Por onde anda você, poetinha ?”
3 de fevereiro de 2013
Monarco oitenta e oito !
Hildemar Diniz, mais conhecido como Monarco, nasceu em Nova Iguaçu e se transferiu para Madureira, próximo da Portela em 1947. Homem de hábitos simples mora no Riachuelo, subúrbio da zona norte no Rio de Janeiro. É considerado um sambista de escol. Paulinho da Viola, também portelense se considera discípulo de Monarco. Compositor da respeitável da Velha Guarda da Portela, que é a memória viva da história do Brasil cultural e miscigenado. É a narrativa poética da sociologia brasileira. Monarco é patrimônio das cores azul e branco, do Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela, enquanto membro e compositor da Portela. As letras dos sambas de Monarco, nunca se esquece de discorrer sobre a biografia dos seus sambistas. Um autêntico guardião da memória da escola. Prestigia os ícones do passado, e do presente, através da sua poética musical. Reverencia também os compositores das outras escolas, por exemplo: aprendeu a técnica de composição de sambas-enredo, com o mestre Silas de Oliveira, fundador da Império Serrano. A voz de Monarco, é de inflexão metálica, fluente e suave. Nas suas entrevistas, reverencia Paulo da Portela, Antonio Rufino e Caetano, fundadores da Portela. A família de Monarco, tal qual Johann Sebastian Bach, resguardadas as proporções, tem nos filhos, sucessores da sua arte. Está na ativa, todavia, eclipsado pela mídia, mas continua cantando e encantando àqueles que lhe ouve. Parabéns Monarco. Ele Partiu ontem dia 11 de dezembro, em plena lua crescente, se foi para algum lugar ou não, não devo opinar. Intuo no meu imaginativo ser ele mais uma estrela a iluminar constelação tipo a de Orion, cuja porta de entrada será recebido por Bach,Ary Barroso, Pixinguinha e Tom Jobim. Saudade !
2 de fevereiro de 2013
Tragédia gaucha
Estranho país...o querido Brasil continental, que já não é mais a sexta economia do mundo, tomou providencias numa dimensão quase nacional, e está a fiscalizar todas as casas de shows, teatros, cinemas, centros culturais e de convenções, quer da iniciativa privada, quer os aparelhos públicos. A fiscalização, igual a fênix, ressurge das cinzas, e os estabelecimentos estão sendo lacrados, por não atenderem as mínimas condições de segurança aos seus frequentadores. O acontecimento de uma tragédia que repercutiu no mundo inteiro, onde morreram cerca de duzentos e trinta e cinco jovens, numa boate que incendiou-se em Santa Maria, cidade universitária no Rio Grande do Sul, e cem deles, ainda internados nos hospitais. Desde então, o poder público estava no imobilismo, e agora diante do caos, parece sentir-se motivado, e nas grandes capitais, deu-se inicio a uma severa cobrança aos seus proprietários e/ou representantes dessas casas, para implantarem as medidas de segurança de acordo com as recomendações. Suspeita-se que as razões desse infortúnio são muitos, desde a idiotice de se produzir show pirotécnico dentro de um ambiente fechado, a corrupção entre as partes para não se cumprir algumas medidas de segurança, e pelo "vil metal" receber mais frequentadores do que a casa comportaria, e até na ausencia de tirocinio para não se construir as portas de emergencia, como rota de fuga. Para agravar, a morte ronda a juventude, que é a maior vítima dos acidentes nas vias urbanas e nas rodovias. Vidas são ceifadas no ápice da vida. O poder público, deve buscar medidas que pelo menos matem menos os nossos jovens. Implantar campanhas educativas na mídia e nas escolas, maior eficácia da policia rodoviária e melhoria nas estradas, e outras recomendações. Infelizmente não existe uma legislação federal para orientar na construção das casas de espetáculos. A ABNT – associação brasileira de normas técnicas – é uma instituição privada, que recomenda alguns procedimentos, e nada mais. Não tem força-de-lei. Normas, não são leis. Enquanto não se votar uma lei no Congresso Nacional, claudica-se aqui e acolá, torcendo para que essa tragédia não se repita no Brasil e nem em quaisquer outras partes do mundo. Há um aforisma verbalizado na zona rural, desse modo: "viver é jeito, morrer é descuido "
13 de janeiro de 2013
Joaquim Domingos dos Santos, um anônimo
Os muares são uma antiga ferramenta de trabalho, desde a existencia do homem. Por esses brasis afora ainda se vê carroças puxadas por mulas e ou burros. Algumas são transportes da população rural, outras fazem fretes na zona urbana. Transportam pequenos apetrechos e até mudanças. Havendo necessidade, dão várias viagens, para completar a tarefa. Por essas terras, há um carroceiro chamado Joaquim Domingos dos Santos, simplório e de fala mansa, estatura baixa e físico forte, sua tez é morena e bronzeada pelo sol do dia-a-dia, na atividade de um meritório trabalho. O burro agregado ao seu veículo, tem o surreal nome de Tafarel. Há meio século exerce essa função e dela sustenta alguns membros da familia, pois tem doze filhos e alguns netos e bisnetos. É de famila de tradição longeva, pois o seu avô Francisco Gouveia viveu até os cento e um anos. Do alto dos seus quase noventa anos, acorda as cinco horas da manhã e trabalha até as dezesseis horas. Por ajudar todos os seus, não conseguiu adquirir a sua casa própria, símbolo maior da cidadania. Possui uma saúde impecável. Depois de ter enviuvado duas vezes, pretende conquistar uma outra companheira, e com certeza tem o apoio familiar segundo relatou a esse modesto cronista. Certa vez, o diretor de filmes inesquecíveis - Luis Buñuel - provocado por um repórter, ao se casar aos 76 anos, vaticinou assim: o sexo só lhe abandona, se você o abandonar. No seu cardápio alimentar, Joaquim excluiu o café, arroz e galinha. Prefere a carne suina, angu, e os feijões. Das frutas, no passado apreciava as laranjas, atualmente não dispensa as saborosas mangas: espada,carlotinha e aden. Divulga a sua filosofia de vida baseada na paciencia e respeito as crianças e aos idosos. Um anônimo, todavia um sábio, pois escolheu as duas pontas da sociedade, que mais necessitam de um olhar mais apurado de todos nós.
12 de janeiro de 2013
Rubem Braga - 100 anos
Discorrer, narrar sobre Rubem Braga, é como se reeditasse as doze tarefas de Hércules, filho de Zeus e heroi da mitologia grega. É um exercício de alta magnitude, pois os luminares da literatura já o fizeram, todavia, mesmo sendo amador, vou tentar reger essa "notável sinfonia".
Ele foi um cidadão do mundo, um "sujeito-homem" que não se intimidou, quando se aventurou como correspondente de guerra na Itália. Lá no campo de batalha, preferia conviver com os soldados, e deles, numa boa escuta, conseguia a informação e transformava-a em notícia, em suma; fazia história. Nunca se esqueceu do seu Cachoeiro, banhado pelo encachoeirado rio Itapemirim, o quais sempre lhe acompanharam como referencia da sua trajetória de vida. Morou e amou Paris, e por lá namorou a linda Tonia Carrero, então famosa atriz do teatro, TV e cinema. Bebeu bons vinhos e degustou saborosos pratos da terra de Saint Exupery. Entrevistou Thomas Mann, Jean Cocteau, Sartre e outros ícones da época. Depois foi consul no Marrocos...vestiu fraque ao apresentar credenciais ao sultão muçulmano. Na sua residencia oficial nesse país de cultura árabe; nas modorrentas tardes, no recesso da sua casa, observava os cânticos dos pássaros, e os comparava com os de Cachoeiro. Isso se deve em parte, o parentesco do jornalista, com a familia dos Coelho, tradicionais fabricantes de pios. Segundo ele, alguns entoavam dobrados que lembravam os curiós, outros com os melros e bem-te-vis. Depois foi para o Chile, e exerceu também funções diplomáticas. Seu acervo literário são quinze mil cronicas, e nunca escreveu um livro ficcional ou não. Sabia que não voltaria mais para a sua terra...a diáspora deixa sequelas, pois é um "exílio" (in)voluntário. Parte da sua vida, dedicou-se a boemia carioca, manteve amizades do calibre de Vinicius de Moraes, Paulinho Bertazzi, Fernando Sabino, Ligia e Olimpio José de Abreu, esse, foi professor e amigo dele desde quando lecionava no então colégio Pedro Palácios em Cachoeiro. Eis uma surreal curiosidade revelada pelo professor: numa noite foram ao Mangue, antiga zona do meretricio no centro do cidade, na Praça Onze, Rio de Janeiro. O cronista e o amigo-conterrâneo, após beberem algumas talagadas de uisque, o cachoeirense Rubem Braga, se aproximou de uma "donzela da noite", e por ter cometido alguma "saliencia", teve um sério entrevero com o cáften da mesma. Para se safar do imbroglio, do interior da casa de tolerância, numa tonitruante voz, bradou exageradamente assim : Abreu, Abreu estão querendo me matar!
Abn al-Rahman era um príncipe, ascendente das famílias bérbere e omíada; e por volta do ano 752, aos dezoito anos ou menos, perseguido, empreendeu uma longa caminhada, e atravessou o estreito de Gibraltar, e se estabeleceu com o seu povo na Espanha. ( E por lá permaneceu por oito séculos na península ibérica, convivendo harmonicamente com judeus e cristãos, até 1492, ocasião em que foram expulsos pelos reis católicos.) Tal perseguição e fuga, foram motivadas, pela morte dos pais de Abn al-Rahman; pelos abássidas em Damasco. Abn al-Rahman ao instalar do Califado de Córdoba, plantou fruteiras da sua terra natal ao redor do seu palácio, oriundas da sua terra natal, pois tamanha era a saudade da Siria. Assim Rubem Braga procedeu; plantou mangueiras, coqueiros, pitangueiras na sua cobertura em Ipanema. Mesmo com a sua cosmopolita mundividência, jamais ignorou a sua gênese. Alías, é uma admirável praxis cultivada durante a sua existencia. O rio Itapemirim, foi "incumbido" de conduzir as suas cinzas para os sete mares, contudo, passando antes, por Marataizes.
6 de janeiro de 2013
Buda é Siddharta Gautama
Buda nasceu na India no séc. VI/V a.C. Foi um príncipe, que vivia como se fosse numa redoma de vidro, fora da realidade, era a liturgia da realeza. Casou-se com uma prima que lhe deu um filho. Entediado com a vida palaciana; aos 29 anos abandonou o luxo e se transformou num mendigo. Experimentou o lado mais amargo da vida. A partir desse aprendizado, atingiu a iluminação, que é o mais alto grau da espiritualidade. Dai em diante conquistou adeptos, e o budismo espalhou-se inicialmente, pelo extremo Oriente. E todo o mundo tomou conhecimento, dos ensinamentos de Buda. No Brasil são 240 mil seguidores. Segundo o futuro Dalai Lama, que incorpora o espírito de Kalu Rinpoche, um "botsawa" - espírito de luz - nos seus vinte e poucos anos; afirma ser o budismo uma filosofia e não religião. Há controvérsias. O jovem e futuro Dalai Lama é modernoso, pois está conectado com nas suas redes sociais da internet. Aos dezoito anos, o jovem mestre deu o grito de liberdade e fugiu do monastério e viveu seis meses na Tailandia. Foi em direção a esbórnia. Adentrou na vida, dita mundana. Manteve relações sexuais, e provou da marijuana. E postou no you Tube, uma mensagem bombástica: denunciou ter sido vítima de abuso sexual por parte de alguns monjes que envergonham os ensinamentos Buda, Hare Krishna e tantos outros budistas. Superado o trauma, retornou ao internato monasterial. Há muitas cortinas de fumaças, que aos poucos estão se diluindo... religiosos da igreja na católica Irlanda, praticavam a ignóbil pedofolia. Certa vez um experiente professor, numa conversa reservada, adiantou que a libidinagem, é tão antiga quanto a prostituição. Por ter vivido na Europa, relatou que nos palácios, mesmo guardados com soldados, e com altíssimas grades, se praticavam atos sexuais, entre as grades. As seitas, doutrinas, religiões, sociedades secretas e quaisquer outras, por serem dirigidas pelo homem, consequentemente estão sujeitas a graves desvios, poder-se-á encontrar provas de atos e atitudes inenarráveis; em outras instituições; tais como, a perversidade sexual; da qual foi vítima o jovem monge Kalu Rinpoche, lider do budismo tibetano,
14 de dezembro de 2012
O jongo - parte 2
Há uma interação interdependente entre o lúdico e o místico, em se tratando do jongo. No lado místico, conta-se que aquele que tem "vista forte", ou seja; um iniciado com a patente próxima de um Obá (sábio em Iorubá); dizem que durante uma roda de jongo, é possível plantar à meia-noite no terreiro uma muda de bananeira. E durante a madrugada, ela cresce e produz frutos que eram distribuidos entre os presentes. A festa-mística dos jongueiros, é composta por uma fogueira e diversas tochas espalhadas. Ao lado, ergue-se uma barraca de bambu para a dança dos casais, ao rítmo do calango; e ao som de uma sanfona de oito baixos e pandeiro. Silenciosamente, à meia noite a negra mais velha, talvez a mais sábia, sai da barraca e caminha lentamente em direção ao terreiro de "terra batida". É o momento solene, de acender a fogueira e formar a roda. Ela se benze entre os tambores sagrados, e pede licença aos pretos velhos que já se foram rumo ao zênite, para iniciar os trabalhos. Canta o primeiro ponto, que é o de abertura. Todos respondem, cantando alto e batendo palmas num clima de alegria. Os tambores rufam. Nas fogueiras, assam-se na brasa a batata doce, milho verde e amendoim. Bebem cachaça, caldo de cana quente ou café, nas noites de frio intenso. O jongo é também uma festa, sobremaneira animado e só termina ao raiar do dia. No amanhecer saudam o dia, com um "saravá a barra do dia". Dia 13 de maio é uma data consagrada dos pretos-velhos. Os jongueiros dançam descalços, vestidos com roupas do dia a dia. É uma dança de roda e de umbigada. A umbigada se dá de longe. No jongo da Serrinha existe um passo que se chama "tabiá", que é uma pisada forte com o pé direito, curiosamente, tal qual os indios da região do Xingu, na festa do Quarup.
10 de dezembro de 2012
O Jongo - parte 1
É muito provável que o samba tenha a sua paternidade creditada ao jongo. A dança do jongo se concentrou nos morros cariocas antes do surgimento do samba, porque na abolição da escravatura, a colonia não reservou sequer pequenas glebas para os ex-escravos. Em nome da preservação desse patrimonio cultural, em 1960 foi criado o Jongo da Serrinha, em Madureira no Rio de Janeiro. Seu incentivador, foi o mestre Darcy Monteiro, profundo conhecedor da prática dessa dança, carregada com fortes tinturas místicas e respeitáveis mistérios. Criou-se uma Escola de Jongo, que inicialmente foram matriculadas 500 crianças, e jovens de diversas idades até o limite de 21 anos. Além das aulas de dança e da música do jongo, há do estudo do afro-primitivo, se ensina capoeira angolana, maculelê, teatro, artes plásticas e cidadania. O jongo, conhecido também como caxambu, veio do Congo e de Angola. Eles eram bantos, que são membros do grupo linguístico nígero-congolês oriental. Esses escravos foram enviados para as fazendas de café no Vale do Paraiba(RJ), Minas Gerais e São Paulo. Há informações que o jongo se estendeu até ao Espirito Santo. No passado somente os mais velhos podiam entrar na roda para dançarem. Os líderes eram necessariamente rígidos, por exemplo: na passagem das "mirongas" (segredos) e ao informar os fundamentos dos pontos. Os cânticos do jongo são simbólicos, pois é uma linguagem cifrada, exigindo uma boa experiencia para decodificá-los. Os jongueiros são verdadeiros poetas-feiticeiros, que se desafiam na roda do jongo. É a disputa das sabedorias entre as duplas. Com o poder das palavras e uma forte concentração, buscavam encantar o outro, por meio da poesia dos seus pontos. Aquele que recebesse um ponto enigmático, deveria decifrá-lo na hora e respondê-lo imediatamente( a esse fato dá-se o jargão: desacatar o ponto). Caso não consiga responder "a tempo e a hora", ficará enfeitiçado, "amarrado", podendo desmaiar, e a perdre a voz. E para agravar, se embrenhará na mata, e não saberá como retornar. Até vir a morrer. Há quem sustente, que atualmente esses fatos não se repetem. A conferir. O jongo é uma dança atávica. Pertence aos pretos velhos escravos, do povo da cativeiro, e por conseguinte pertence a " linha das almas".
aguardem: O Jongo (2)
aguardem: O Jongo (2)
4 de dezembro de 2012
Um quilo mais aquilo
Há tempo para tudo. Coexisto com as (in)certezas. Às vezes sinto um vazio "glauberiano" por dentro, que me entorpece. Sabidamente, a lucidez faz sofrer mais. Retirando as viciadas lentes de aumento, o fantasma parece menos assustador. Na fase atual, no balancete da vida, viver é um premio. Melhor viver no Leblon? A conferir. Tive filhos, e não os tenho... pertencimento deles não é meu, como Khalil Gibran vaticina nos seus aforismas, que os filhos são do mundo. Há seriíssimas controvérsias. Distanciei-me pela dor... e aqui não se dá o (des)encontro das águas, Não importa onde estou, pode ser nas margens do rio Itabapoana, Ipanema ou na Croácia. Onde estou há escassos episódios indicativos, de que é possível estabelecer fluídas relações, e algumas conversas-fiadas com os moradores, e também com os frequentes ciganos, que faz-me lembrar da infancia. Dentro das reminiscências, vem-me o som do violão de Django - Reinhardt, Jean Baptiste (1910/1953) - guitarrista cigano-belga, tido como um dos virtuoses desse instrumento, e lhe faltava um dedo. Jamais havia ouvido falar de Django. E o mestre da música erudita, Artur da Távola também, o que é compreensível. Fiquei intrigado, pois achei que Django era uma farsa, enfim, um "fake". E fui à cata de um disco de Django. E fui na então loja, Modern Sound em Copacabana. E lá encontrei alguns discos. Numa zona de (des)confortável, para compensar, parece que há algo leve no ar, feito um falcão planando dentro de uma providencial corrente de ar. E viajo silente junto ao falcão, igual aos passarins, que na "muda", não cantam, contudo pelas plumagens, encantam. O existencial ermitão declarou que só acontece "o agora", e só. E nada mais. Então, pode ser uma pintura que só o autor identifica. Uma obra-cabeça. No mais, pode ser "um quilo mais aquilo, não é nada disso...eu quero é, botar o meu bloco na rua", como versejou e cantou o poeta Sergio Sampaio.
5 de novembro de 2012
A conferir
As definições de cultura são tantas e infinitas, mas uma delas, se sobressai: cultura é um conjunto de realidades regionais. Faz tempo que os arqueólogos chamam de Tupiguarani a um determinado modo de fazer e ornamentar cerâmica, atribuindo essa atividade aos falantes da lingua da família com o mesmo nome. Alguns historiadores sugerem que os colonizadores ibéricos, quer os espanhóis quanto os portugueses, chamavam de índios, os habitantes das terras descobertas, pois julgavam que estavam na India. Na época, os que não fossem europeus, eram nominados de índios, se reportando equivocadamente a India de Mahatma Ghandi. A cultura brasileira tem a sua gênese no encontro das três etnias: Os troncos tribais, Taquará-Itararé vinculada aos jês do sul, centrais e macro-jês. Aos históricos Puris e Cataguás, e outros. O toponômio Cataguases(MG), tem a sua origem na tribo Cataguás. E o colonizador, de ascendência moçárabe,( que eram os cristãos que viviam na península ibérica, leia-se, Portugal e Espanha, ocupada pelos árabes e judeus durante oito séculos, e de convivência pacífica com os católicos até 1492, ano em que foram inexplicavelmente expulsos por Isabel e Fernando, reis de Espanha) o colonizador, e os escravos vindos da mãe África, sendo a escravatura, o período mais traumático e vergonhoso da história do Brasil. É o único pais do mundo com essa formação racial daí a sua riquíssima diversidade cultural. Para ratificar essa prática cultural, contextualiza-se: “ Deve-se lembrar que existem dois modos pelos quais os homens transmitem suas características a seus descendentes : há aquelas cuja a transmissão é regulada pelas leis da genética; há outras como a língua, costumes, crenças, hábitos, que o individuo vai recebendo pouco a pouco pelo aprendizado, formal ou informal, intencional ou não, com os outros membros da sua sociedade. Ao conjunto desses elementos que não são transmitidos de modo biológico, dá-se o nome de cultura.” (Melatti, Julio Cezar, pág.33). Por aqui, nesse sudeste, quase nordeste, nas paragens da tribo dos Puris, se herdou o uso do “urucum” como ingrediente em diversos pratos da culinária brasileira, desde o arroz, e inexoravelmente na moqueca da terra de Rubem Braga. Há quem afirme que na então Sesmaria do Barão do Itapemirim, o peixe-moqueca, desde antanho era acompanhado de banana-da-terra. De usn tempos pra cá, proliferou-se o uso banana. Outro processo cultural, refere-se aos reis magos, os astrônomos que seguiram a estrela até a Jesus Cristo, e lhe ofereceram presentes. Eles são inspiradores da Folia de Reis. É uma tradição oriunda da península ibérica. O palhaço, o grande protagonista, nas comemorações declama os versos, em grande parte do tempo, incluindo algumas passagens da Biblia. Na vizinha e simpática Muqui, essa manifestação cultural existe desde 1950. A colônia sírio-libanesa contribuiu ricamente para gastronomia local, desde os merches, quibes e humus terrine, e até na práxis da ética e do respeito ao próximo. Nos anos dourados desse condado, dos anos 40 até o final dos anos 60, inaugurou-se em 1953, o cine teatro S.José, e a trouppé da Rádio Nacional desembarcou por aqui, e a tira-colo, o Renato Murce, mal comparando era o Pedro Bial, o acompanhava - Baden Powell de Aquino - um dos maiores violonistas mundo. Certa vez, a pedido do Palácio Buckingham, onde reside a Rainha Elizabeth, ele compôs uma peça musical para violão e orquestra, e foi o solista, quando da apresentação, para a realeza. Outras bandas famosas se apresentaram no Municipal Litero Clube, tais como Waldir Calmon, Cassino de Sevilha, Windsor e outras. Essa cidade é musical, pode ser um lastro deixado por aqueles que antecederam. A conferir.
2 de novembro de 2012
São Jorge
Na época traumática da escravatura brasileira; não era permitido professar quaisquer crenças que não fosse a católica, religião oficial do colonizador. Consequentemente a prática do sincretismo afro-religioso era proibido, e diante do veto imperial, os escravos rebatizaram seus ícones místicos; escamoteados sob o manto dos santos da época.
Ogum, entidade da Umbanda e do Candomblé, diante da rigorosa proibição, passou a ser cognominado no Rio de Janeiro de São Jorge, sendo que na Bahia é Santo Antonio, e curiosamente em Cuba, é São Pedro. A história remete à existência de São Jorge, na Turquia, na região da Capadócia, onde ele teria vivido e praticado um ato heróico e milagroso: o resgate de uma mulher das garras de um dragão.
No centro do Rio de Janeiro a igreja de São Jorge, no Campo de Santana, é sobremaneira concorrida, principalmente em 23 de abril, data santificada e feriado municipal na Cidade Maravilhosa. Jorge foi decapitado na cidade de Lida, Palestina por volta do ano de 303 dC. O seu feito correu o mundo, e desde então, a sua popularidade é alta. É aclamado nas liturgias católica, anglicana e ortodoxa. É "santo protetor" na Inglaterra, Portugal, Georgia, Catalunha e Lituania. Em sua homenagem, eis alguns homônimos: Jorge Washington, primeiro presidente dos Estados Unidos, e os escritores: o inglês Jorge Orwell, e o saudoso baiano Jorge Amado, um "Obá", iniciado nos terreiros de Menininha do Gantois. É um profundo conhecer da cultura e dos mistérios da Bahia. Para acrescentar, São Jorge é patrono da Cavalaria do Exército Brasileiro. Por ausência de provas o Santo Ofício ressuscitado, leia-se a Santa Sé, "cassou-lhe" a patente de santo. Contudo no imaginário coletivo, continua "vivo" para multidões que acreditam no seu poder milagreiro.
Pesquisa:
Os santos de cada dia - J.Alves - Ed.Paulinas
São Jorge - Rizzardo da Camino - Ed.Eco
19 de outubro de 2012
Mares das (in)certezas
Com o advento da internet, uma parte da sociedade do espetáculo se torna cosmopolita, e uma fração dessa mesma sociedade, conhecida pelos cientistas sociais, como "pequena burguesia" cuja a origem é judaico-cristã-ocidental, compõe esse arquétipo. A culpa, subjacente do pecado original, promove "caravanas da caridade" para a África, onde morrem milhares de crianças de fome endêmica, citando-a, creio, dar-se-á um cunho universalizado a narrativa.. A realização do individuo, se dá por diversos atalhos. O viés da solidariedade é um indicativo do “homo sapiens”. É essa a práxis, o paradígma que o homem deveria se comprazer consigo mesmo. A mística religiosa, hoje avaliada por aproximação, em dez milhões ou mais de religiões, dogmas e ou seitas espalhadas pelo planeta, tem a China de Confúcio ( 551/479 a.C) com um bilhão e trezentos milhões de habitantes, e a India de Mahatma Ghandi ( 1969/1948), com somente duzentos milhões a menos do que a China. Esses países com mais de cinco mil anos, são também recordistas de um politeísmo caleidoscópico. Lamentavelmente, essas regiões amargam altos índices de mortalidade de crianças. Talvez se couber uma reflexão, arriscar-se-ia o seguinte: o misticismo resolve a problemática da miséria humana? Todos sabemos da resposta. A busca da humanização das relações, é um tema em voga. Contudo, encontra uma abissal dificuldade para se tornar eficiente e eficaz, pelo contraponto exercido pelo sistema. Aplicam-se e/ou despertam sonhos humanísticos, alguns capitaneados por organismos internacionais, como a FAO, ONGS, Clube de Roma e outros. As teorias marxistas estão fora de moda, pois se mostraram improdutivas ao mundo contemporâneo. Há controvérsias. Todavia o marxismo continua eclipsado pelas macro-forças do capitalismo. O homem está condenado a lutar pela liberdade, como a sua mais importante reivindicação, que é própria razão da existência humana, mesmo navegando os mares das (in)certezas.
29 de setembro de 2012
Distritos "from" Mimoso do Sul
Conceição do Muqui
A comarca de Mimoso do Sul possui uma área aproximada de 867 000 km2. É o terceiro nessa categoria, no sul do estado do Espirito Santo. Seus distritos, vilas e recantos, carregam nomes bucólicos, poéticos, religiosos e populares. Conceição, homenageia a concepção; o acolhimento, a geração e o nascimento de Jesus Cristo. A igreja local nas alterosas, é a mais antiga da região, datada de 1868. No Oriente, ao norte de Conceição, localizam-se os mananciais que dão corpo ao leito do rio Muqui do Sul. Os Pontões com os seus imponentes 1.438 m de altitude, outrora, serviram de farol para guiarem os capitães-de-longo-curso nas suas rudimentares embarcações. N'Oriente nascem os mananciais que formam o Rio Muqui so Sul, que banha a cidade de Mimoso do Sul. Os primeiros ítalos-sanmarinenses desembarcaram na "Terra fria", apelida de Conceição do Muqui, por volta de 1920. A população está em torno de 4400 habitantes, e a predominância étnica, tem origem italiana. Pela sua importância na cultura cafeeira, que perdura até aos dias atuais, em 1890, recebeu a visita do então governador, Afonso Claudio, e a cerimônia ocorreu no Clube Republicano " Saldanha Marinho".
Gentílico: Conceiçuense
Santo Antonio do Muqui
De São Pedro do Itabapoana descendo no sentido sul/sudeste, encontramos Santo Antonio de Pádua, ou de Padova, em consonância com o santo italiano, também pela influencia da imigração sanmarinense. Hoje, esse distrito é oficialmente conhecido como Santo Antonio do Muqui, por ser banhado pelo rio Muqui do sul. E foi fundado como distrito, em janeiro de 1930, antes da revolução, iniciada em 28 de outubro no mesmo ano. Eis uma curiosidade: a numerosa familia do rei Roberto Carlos, residiu por muitos anos nesse condado, e Lady Laura Moreira casou-se com Robertino Braga, na capela local.
Gentílico: santoantoniense
São Pedro do Itabapoana
São Pedro já foi cantado em versos e prosas, quer pela poetisa Antonieta Tatagiba, quer pelo historiador, poeta e escritor , Grinalson Medina, tal qual o chileno Pablo Neruda.
São Pedro de “Alcântara”, foi um exagero para agradar ao imperador Pedro de Alcântara, melhor dizer, São Pedro do Itabapoana, pois todos os seus afluentes deságuam na sua majestade o rio Itabapoana. Segundo historiador Grinalson Medina, no seu livro - Páginas da nossa terra - o primeiro posseiro chegou em 1 de setembro de 1837.
E se chamava Francisco José Lopes da Rocha. Por ter invadido as terras indígenas, foi flechado pelos indios puris. Em estado grave, foi transportado nos lombos dos burregos, e cumpriu o seguinte itinerário: Porto da Pratinha/Porto da Limeira/Barra de São João/Campos dos Goytacazes, na busca de um tratamento avançado.
Na bucólica e aprazível São Pedro, conviviam os três poderes constituídos e harmônicos entre si. Nesse condado floresceu uma rica cultura, com a sua diversidade, tais como, fábricas de seda, serviço militar, teatros, jornais e revistas e escolas regulares e da arte musical. E seus filhos, ao conquistarem saberes além fronteiras, muitos deles retornavam ao torrão natal, para prestarem serviços aos seus conterrâneos, nos diversos setores sociais. Entretanto, no dia de finados, de 1930, desembarcaram 13 caminhões com soldados armados, e portavam no pescoço, lenços da cor vermelha (identificando-se com os golpistas de 1930).
A força militar invadiu o pequeno São Pedro, e saqueou a prefeitura, incinerou documentos oficiais em praça pública, retirou os livros do notário público, e levou os lustres da Câmara Municipal, e tudo o mais. E “transferiram” em nome da “legalidade”, a sede para Mimoso do Sul. E complementou o ato de subserviência, e o seu topônimo passou a ser João Pessoa.
O sonho não acabou. Esse flagrante estupro guerilheiro, sob o manto protetor do golpe militar de 1930, se relatado a Corte de Haia, no mínimo, caberia por parte da União, uma indenização pecuniária e a reemancipação. Há uma similitude, com a perseguição empreendida por Hitler aos judeus, na mesma época. Tiraram pelas armas o chão dos sãopedrenses, e esse fato impôs uma triste diáspora ao seu povo. Eis uma questão injusta, irrefutável e imprescritível.
Gentílico: sãopedrense
Dona América
É uma singela homenagem a América Angélica de Azevedo Lima, doadora das terras, por onde se fez necessário, para a implantação da estrada de ferro. A estação teve seu telefone inaugurado em 1893, o primeiro do municipio. A linha férrea chegou primeiro, trazendo o progresso. Porém, oficialmente Dona América foi criada em 1921, e pertenceu inicialmente a Ponte do Itabapoana. Há quem afirme, ter existido um quilombola na sua área circunscrita. O distrito de Dona América é banhado também pelo rio Itabapoana;
Ponte do Itabapoana
Nesse distrito é a origem de toda a região, através da Vila da da Limeira ou Aldeia de Camapuana(depois passou a ser Itabapoana *) , e seu porto fluvial. Esse povoamento foi criado em 14 de agosto de 1539; consequentemente, antecede a São Pedro do Itabapoana. A Vila de Limeira era dotada de uma básica infraestrutura, como escola e atendimento médico. Por lá estudou o Doutor José Coelho dos Santos, filho de pai escravo e alforriado, e que se tornou médico e deputado distrital por duas vezes. Na ausência do vice-presidente, chegou a ocupar a presidencia do estado do Espirito Santo, como presidente da Assembleia Legislativa. Na República Velha, que durou até a revolução varguista de 1930, os governadores eram chamados de presidentes. Em primeiro de fevereiro de 1894, é inaugurada a estação ferroviária, com a denominação do ramal de " Santo Eduardo/Cachoeiro do Itapemirim".
(*) em tupi-guarani: ita= pedra / poan=barulho das águas sobre as pedras
Gentílico: americano e/ou americano espiritossantense
São José das Torres
Torres, São José das Torres; foi criado em 1901 e a sua capela inaugurada em 1900.Torres, são as montanhas que apontam para o espaço celestial, e foram batizadas com nomes poéticos, como a Estrela Dalva, Peito de Moça, Candura e Pico do Farol. E para complementar, eis as Flores no Alto da Serra e na Cachoeira Alta, ladeadas pelas Santas: Rosa e Cruz, e se assenta nas rochosas do Marmorite. E para finalizar, uma parte do Rio Preto não poderia estar ausente. No sopé das serras, é o ventre do Rio Preto; que desemboca no rio Itabapoana. Depois da sede do município, o distrito de Torres é o maior arrecadador de impostos, e também em área territorial. Fica à margem da BR-101, importante artéria escoadoura dos bens produzidos no eixo Rio/São Paulo, em direção as regiões setentrionais do país. No passado longínquo, os holandeses chegavam em Torres, e colhiam trufas, um tubérculo, sendo considerado uma iguaria apreciadíssima na Europa. Foram esses holandeses; que primeiro trouxeram a bola de futebol para a região em tela.
Gentílico: sãotorrense e/ou são torreano
2 de setembro de 2012
São Pedro e o tribunal de Haia
São Pedro já foi cantado em versos e prosas, quer pela poetisa Antonieta Tatagiba, quer pelo historiador, poeta e escritor , Grinalson Medina, tal qual Pablo Neruda, versejou sobre a pátria chilena. São Pedro de Alcântara, é um personagem de origem espanhola, da ordem dos franciscanos, que se tornou santo, daí a homenagem. Com o tempo, simplificou-se, e o topônimo definitivo passou a ser : São Pedro do Itabapoana, pois todos os seus córrregos deságuam na majestade do rio Itabapoana. Segundo historiador Grinalson Medina, no seu livro - Páginas da nossa terra - o primeiro posseiro chegou em 1 de setembro de 1837. E se chamava Francisco José Lopes da Rocha. Por ter invadido as terras indígenas, foi flechado pelos indios puris. Em estado grave, foi transportado nos lombos dos burregos, e cumpriu o seguinte itinerário: Porto da Pratinha/Porto da Limeira/Barra de São João/Campos dos Goytacazes, na busca de um tratamento avançado. No bucólico e aprazível São Pedro, floresceu uma rica cultura, pela sua diversidade, com fábricas de seda, teatros, jornais e revistas e escolas regulares e da arte musical. E seus filhos, ganharam saberes além fronteiras, e muitos retornavam ao torrão natal, para prestarem serviços aos seus conterrâneos. Entretanto, no dia de finados, de 1930, desembarcaram 13 caminhões com soldados armados, e num golpe de guerrilha, e saquearam a prefeitura, incineraram documentos em praça pública, surrupiaram os livros cartoriais, lustres e tudo o mais. E “transferiram” nessa ilegal e amoral operação, a sede para Mimoso do Sul, então distrito de São Pedro. E o sonho não acabou. Esse histórico golpe político, estava sob o manto protetor do golpe militar de 1930. Se o fato em tela, se bem fundamentado o processo, e submetido à Corte de Haia, braço jurídico da ONU, no papel de reparador de injustiças ocorridas no mundo, inexoravelmente será pautado e no caput, a reivindicação à União, de indenização pecuniária por danos a uma indefesa população civil. Há uma similude, com a perseguição empreendida pelos alemães aos judeus na mesma época. Por terem retirado pelas armas, o chão dos sãopedrenses, esse fato, impôs uma perversa diáspora.. Eis uma reivindicação justa e imprescritível.
1 de setembro de 2012
Confeitaria Colombo
Num passado recente, existiu um órgão federal que se chamava Instituto do Açucar e do Alcool(IAA). E sua sede era no Rio de Janeiro; e nessa empresa estatal, o casal Maurino e Wilma prestaram relevantes serviços por mais de três décadas. Ele nasceu em Santa Maria Madalena, contudo no inicio da infância se mudou para a fazenda do Recreio, onde seu pai passou a ser o administrador. Após longos anos no bairro de Jacarepaguá, zona oeste da Cidade Maravilhosa, o casal resolveu se mudar para a histórica e pacata São Pedro do Itabapoana, situada no extremo sul do Espirito Santo. Adquiriram a casa que pertenceu ao Comendador Castanheira. E tal fato ocorreu há dezessete anos. Wilma, carioca e ex-residente por vários anos na cosmopolita São Paulo, não titubeou; e com armas, bagagens e cachorros, estabeleceu-se no condado de São Pedro. Wilma diz que a lua cheia das alterosas sãopedrendes; é a mais bonita de todas as luas, que ela já viu...chega a iluminar parte da casa. Afirmam ser o povo sãopedrense amigo, e hospitaleiro. Coexistem fraternalmente; igual a uma família ajustada e feliz. No festival de Sanfona e Viola, o lar do casal fica concorrido com as visitas dos filhos, netos, amigos e parentes. Maurino, quando no Rio, visita e degusta os petiscos da resistente e bonita, Confeitaria Colombo, na rua Gonçalves Dias, no centro da cidade. E em três ou quatro dias, quer retornar ao ar puro, desfrutado a 500 metros de altitude. O casal, são os “embaixadores plenipotenciários” desse prazeroso condado. Maurino conserva o esmero no trajar, desde quando era chefe dos “Recursos humanos” do Instituto. Diariamente lhe chega às mãos, o jornal “O Globo”. Pela TV, assiste o noticário, e às vezes dá uma olhadela na novela das seis. Ou seja, o casal está “linkado” nos fatos do país, e do mundo dito globalizado. Há uma migração, ainda que silenciosa; de pessoas de cidadania urbana, que estão deixando os grandes centros, na busca de uma melhor qualidade de vida. Algumas ao(re)encontro com as raízes culturais, para resgatar e garimpar a história familiar, ou não. A apatia está ausente, pois o casal participa dos movimentos comunitários, para preservar as tradições, as quais garantem a paz e a recomendável tranquilidade.
27 de agosto de 2012
Eros não brinca em serviço
Ouso a discorrer sobre o Amor, enigma (in)decifrável. A sensibilidade de cada um, lhe canta em prosas, e em todos os versos, desde a paciencia paradigmática de Penélope na Odisséia, quando esperou Ulisses, até a dramaturgia shakespiriana, representada na história de Romeu & Julieta. Isso torna o tema indicado para ser compartido, como tem sido feito, quase que universalmente. Conjectura-se, de que a origem do mundo está na Noite e no Vazio. A Noite engendra um ovo, do qual sai o Amor, ao passo que a Terra e o Céu são formados das metades da casca partida. Na mitologia grega, Eros deus do Amor, tem muitas genealogias, contudo mais frequentemente é considerado filho de Afrodite e Hermes. Segundo Platão, n’O Banquete, Eros possui uma natureza dupla, podendo ser filho de Afrodite Pandêmia, deusa do desejo brutal, e de Afrodite Urânia; que é a deusa dos amores etéreos. Esse mais acolhido na sociedade judaico-cristã-ocidental. Num outro sentido simbólico, Eros, pode ter nascido da união de Poros(Recurso) e de Pênia( Pobreza, penúria), porquanto ele está a um só tempo, sempre insatisfeito à procura do seu objetivo, e eivado de malícias para alcançá-lo. Muitas das vezes, está representado como uma criança ou um adolescente alado, nu porque encarna um desejo que dispensa intermediários, e não saberia se esconder. O fato do Amor ser uma criança, simboliza inexorávelmente a eterna juventude de todo o amor profundo, todavia, também sua irresponsabilidade poderá se fazer presente. Essa, e outras interpretações míticas e/ou místicas atravessam séculos até aos dias atuais, e segundo o poeta Vinicius de Moraes... “ o amor posto que é chama é infinito enquanto dura... “ Uns clamam, outros declamam a ausência do amor, em todas as artes. Há àqueles que escamoteiam desistir, mas estão atentos as manobras do filho de Afrodite. Sei de um; que resistiu até quando pôde...e se retirou para as montanhas, e se internou num monastério budista. E por lá se hospedou por longos dez anos; aproximadamente. Até o dia em que o “dalai lama” local , o escalou para uma viagem ao Tibete. O gajo, aceitou a missão em respeito aos rigorosos dogmas da filosofia zen-budista. Com trajes típicos da tradição herdada do seu líder Sidartha Gauthama, ou seja; estava de túnica-laranja, cabeça raspada, e uma minúscula mecha de cabelo, e assim embarcou no aeroporto do Galeão no Rio de Janeiro, numa aeronave de bandeira marroquina. Durante parte do vôo, o avião balançou bastante, ao encontrar-se com pesadas nuvens acumuladas de chuvas, que o comandante pelo serviço de alto-falantes, as chamou de c.b, ou cumulus nimbus. O jovem monge não se abalou com a turbulência. Manteve a serenidade de um Hare Krishna. A muçulmana comissária de bordo, com elegância, inquiriu-lhe se poderia sentar-se ao seu lado; pois estava trêmula de medo. O monge prontamente aquiesceu o pedido e entabularam um diálogo. Anos mais tarde, tomei conhecimento da união de ambos. Até onde fiquei sabendo; o casal teve dois filhos, e residiam numa paradisíaca praia nordestina do Brasil. Ele é professor de Tai-Chi-Chuan; ela ensina dança árabe. Eros não brinca em serviço. Eis uma das odes atribuídas ao grande poeta lírico grego do século IV a.C., Anacreonte:
Um dia, lá pela meia-noite,
Quando a Ursa se deita nos braços de Boieiro,
E a raça dos mortais, toda ela, jaz, domadas pelo sono,
Foi que Eros apareceu e bateu à minha porta.
"Quem bate a minha porta,
E rasga meus sonhos?"
Respondeu Eros: "Abre", ordenou ele;
"Eu sou uma criancinha, não tenhas medo.
Estou encharcado, errante
Numa noite sem lua."
Ouvindo-o, tive pena.
De imediato, acendendo o candieiro,
Abri a porta e vi um garotinho;
Tinha um arco, asas e uma aljava.(*)
Coloqueio-o junto ao fogo
E suas mãos nas minhas aqueci-o,
Espremendo a água úmida que lhe escorria pelos cabelos.
Eros, depois que se libertou do frio,
"Vamos" disse ele, " experimentemos este arco,
Vejamos se a corda molhada não sofreu prejuizo".
Retesa o arco e fere-me no fígado,
Bem no meio, como se fora um aguilhão.(**)
Depois, começa a saltar, às gargalhadas:
"Hospedeiro", acrescentou, " alegra-te
Meu arco está inteiro, teu coração, porém, ficará partido".
(*)estojo das flechas
(**) ponta de ferro perfurante
Um dia, lá pela meia-noite,
Quando a Ursa se deita nos braços de Boieiro,
E a raça dos mortais, toda ela, jaz, domadas pelo sono,
Foi que Eros apareceu e bateu à minha porta.
"Quem bate a minha porta,
E rasga meus sonhos?"
Respondeu Eros: "Abre", ordenou ele;
"Eu sou uma criancinha, não tenhas medo.
Estou encharcado, errante
Numa noite sem lua."
Ouvindo-o, tive pena.
De imediato, acendendo o candieiro,
Abri a porta e vi um garotinho;
Tinha um arco, asas e uma aljava.(*)
Coloqueio-o junto ao fogo
E suas mãos nas minhas aqueci-o,
Espremendo a água úmida que lhe escorria pelos cabelos.
Eros, depois que se libertou do frio,
"Vamos" disse ele, " experimentemos este arco,
Vejamos se a corda molhada não sofreu prejuizo".
Retesa o arco e fere-me no fígado,
Bem no meio, como se fora um aguilhão.(**)
Depois, começa a saltar, às gargalhadas:
"Hospedeiro", acrescentou, " alegra-te
Meu arco está inteiro, teu coração, porém, ficará partido".
(*)estojo das flechas
(**) ponta de ferro perfurante
13 de agosto de 2012
Il capo
A Fiesp – a poderosa Federação das Industrias de São Paulo, calculou entre cinqüenta e oitenta e cinco bilhões de reais, que são as perdas anuais no Brasil. Há no ar um índice de percepção da corrupção. Inclui-se nesse ralo as sonegações de impostos. O Brasil é o quarto em volume de dinheiro depositado nos paraísos fiscais espalhados pelo mundo afora. Carlinhos Cachoeira, comanda a sua máfia há dezessete anos, impunemente. E corrompeu trinta e oito autoridades, de todos os níveis. O mensalão, pelo número de envolvidos, num total de trinta e oito suspeitos, só tem similitude com o julgamento de Nuremberg. O procurador geral da república, os acusa de terem desviados, cerca de cem milhões de reais dos cofres públicos, para persuadir os parlamentares a votarem a favor das matérias do executivo federal. Esses atos ilícitos acontecem em todo o mundo. Os asiáticos, quando surrupiam verba pública, praticam o suicídio, ou suas mãos amputadas, ou fuzilados. No ocidente, a pena de morte não existe para àqueles que enveredam para essa tipicidade de crime. Somente morrem na cadeira elétrica, ou com uma dose letal de veneno direto na veia, àqueles culpados de crimes de morte, genocídios e outros. O crime do “colarinho branco” é poupado da pena de morte. Os países abaixo da linha do Equador, pelas diversas razões antropológicas, e ou sociológicas e mais outros “leitmotivs” indicam uma larga ausência de punição. Destaque para os criminosos mais abastados que contratam luminares da “advocacia de plantão” para defendê-los. Há severas suspeitas, de que esses causídicos percebam seus honorários da cornucópia adquirida, na malversação dos recursos do erário público, pelos seus próprios clientes. A "ética" não lhes permitem a questionar a origem do vil metal. Há no ar uma pergunta, que não quer se calar: Quem é “il capo" de Carlinhos Cachoeira?
1 de agosto de 2012
Grinalson, Inglaterra e as Gerais
Apreende-se com o mestre e escritor Grinalson Medina, no seu livro “Páginas da nossa terra” que o primeiro posseiro, com ar de feudalidade, a se assentar nas alterosas de São Pedro do Itabapoana, no sul capixaba, foi o mineiro Francisco José Lopes da Rocha. Ele aportou na região no dia primeiro de setembro de 1837. Tomou posse desde a fazenda da Barra, Altos de São Bento, Altos de Conceição de Muqui, e fixou sua residência, num lugar conhecido como Santa Cruz. Os índios não o aceitaram de bom grado. E uma comissão formada de índios já aculturados, liderados por Venancio, tendo com seus lugares-tenente os puris João e Natividade; intimaram-no a escafeder-se do local, pois estava alterando os costumes nas terras indígenas. Eis uma justificativa modernosa, ainda no Brasil-colonia. Francisco José Lopes da Rocha era um individuo corajoso, e resolveu partir para o enfrentamento. Alegou que havia requerido as terras dessa sesmaria na Corte. Não houve saída e o conflito foi inevitável. O posseiro foi ferido com uma flechada, e se tratou com toucinho cozido, colocado sobre o ferimento. Depois foi se curar em Campos dos Goytacazes, viajando em lombo de burro até o Porto da Prata, e atingiu o Porto de Limeira e em seguida Barra do Itabapoana e finalmente ao seu destino. Em 1850, chegaram outras famílias, e foram povoando São Pedro do Itabapoana. A esmagadora maioria das famílias, são oriundas do estado fronteiriço das Minas Gerais. Naquele tempo, o império português retirava todo o ouro, e enviava para Portugal, era a “colonização da exploração”, a qual repassava aos ingleses, a quem os portugueses sempre beijaram as suas botas. Alguns historiadores sustentam, que a Revolução Industrial ocorrida na Inglaterra no sec.18, foi financiada com o ouro brasileiro. Em Minas Gerais, se pagava com a vida, àquele que adentrasse nas florestas mineiras. Era proibido desmatar para morar ou plantar. Nas matas estavam localizadas as jazidas do metal mais valorizado do mundo. Os mineiros, engessados pela proibição, deram início à procura, de uma alternativa para migrarem para outra região. O café viscejava na capitania do Espirito Santo. E escolheram no estado vizinho, a Vila de São Pedro, que pela altitude indicava o plantio da rubiaceae canephora. E por lá se estabeleceram até 1930, quando numa operação relâmpago de guerrilha, apoiada pelo golpe de estado em 1930, mudou-se a sede para João Pessoa, que assim permaneceu por mais de dez anos, e finalmente Mimoso do Sul, para diferenciar de Mimoso, uma cidade no estado de Goiás. Há quem afirme, que esse toponômio (mimoso) foi em "homenagem" a um touro, da fazenda do Capitán José Ferreira, então proprietário de todas essas glebas...
30 de julho de 2012
Ulisses Guimarães (1916/1992)
Liderou o enfrentamento contra a ditadura militar, instalada no poder a partir do dia primeiro de abril de 1964. Na ocasião, os militares depuseram pelas armas, João Belchior Goulart presidente eleito pelo voto popular e universal. O deputado Ulisses Guimarães, que guardadas as circunstâncias no tempo e no espaço, lutou durante quase vinte anos, com os mesmos ciclopes imaginados na Odisseia de Homero. Os daqui eram diferentes, pois envergavam fuzis e uniformes verde-oliva, e eclipsaram a democracia. Depois de lutar bravamente, pela normalização democrática da nação, teve seu nome preterido para concorrer na eleição indireta no Congresso Nacional. Em seu lugar, articulou-se “nas caladas das noites” na pessoa do ex-governador de Minas Gerais - Tancredo de Almeida Neves (1910/1985) - como candidato a presidente, que disputou e venceu Paulo Salim Maluf. Eleito presidente do Brasil, não logrou êxito, pois morreu antes de assumir o mais alto posto do país. Inspirado pelo infortúnio, gestou essa bela peça literária, contextualizada nas vísceras das lides políticas. Eí-la: “ Tancredo era um sábio. Sabia conversar, sabia ler, sabia rezar, sabia comer e beber, sabia rir, sabia ironizar, sabia não ter medo, sabia ser Cirineu para os amigos amargurados, sabia ver o mar, ouvir os passarinhos, imaginar com o vento, namorar as estrelas, sábio para ser suave na forma e forte na ação. Forte como a linha reta, e doce como a curva do rio. Pelo bem e pela verdade, foi implacável no cumprimento da terrível sentença: não se faz política, sem fazer vítimas “ E a vítima dessa maquinação, foi o próprio.
18 de julho de 2012
17 de julho de 2012
Benjamin Franklin
A ONG, Transparencia Brasil; recentemente divulgou, que a Camara dos Vereadores do Rio de Janeiro; custa aos cofres públicos; sete milhões e oitocentos mil reais, anualmente, ou seja cada vereador carioca custa Us$ 325,000.00 por mês, dinheiro vindo dos impostos arrecadados do povo em geral. Na pequena ilha de Vitória, o mesmo edil, onera ao erário público, com a quantia de R$ 133.000,00 mensalmente. Quiçá um sonho pudesse se realizar. Creio que se poderia obter um menor dispêndio, se os homens bem conceituados; saíssem da sua “zona de conforto” e se lançassem a vida pública. Pois a crítica pela crítica, é nihil. É preciso tomar conhecimento do destino dessa verba, e se esses vultosos valores, se justificam. E pesquisar, como são remunerados os homens públicos nos paises abaixo da linha do Equador, principalmente. Não há como abrir mão do parlamento. Pois, o legislativo é o maior símbolo da democracia. Lutamos e lutaremos para manter as instituições na sua plenitude. Tal como, a liberdade da imprensa. O pensador norte-americano, Benjamin Franklin (1706/1790), assim vaticinou: O que me preocupa, não são as bravatas dos maus, o que me preocupa, é o silencio dos homens de bem”. Eis a questão.
10 de julho de 2012
A flauta do Alvorada
A música carrega uma intimidade harmonica com as constelações estelares. Elas são também; a morada daqueles que de lá saíram para tocá-la; e depois num passe de mágica, retornam ao tugúrio do espaço sideral. E eles estão à direita e/ou a esquerda de J.S.Bach, ou em algures. Os instrumentos musicais das culturas da Antiguidade, foram herdados em sua maioria do Oriente. O instrumento melódico de sopro mais antigo, é a flauta. Eram imputados à flauta, poderes mágicos e encantadores. Na mística islâmica, o seu tom lamentoso é explicado segunda a lenda, pela saudade que a madeira tem do pé do junco, do qual foi cortado. Isto é, a origem de Deus. A flauta, enquanto instrumento, inspirou o mundo da arte musical, sendo que uma das óperas mais encenadas no mundo ocidental, é a Flauta Mágica de Mozart, onde o genialidade do autor redescobre contos orientais, e produz os contrapontos do bem versus o mal, e a sabedoria contra a escuridão da ignorância. Uma verdadeira lição de felicidade, tal qual o personagem, conhecido pela alcunha de Alvorada, que residia num prédio antigo na rua do Catete, e no térreo uma cabeça-de-porco, e na parte de cima funcionava um modesto clube de forró, onde se apresentava, o maranhense João do Vale, uma referencia da cultura musical brasileira. Alvorada empunhava cotidianamente seu canhenho,(onde se lia na pule: vale o escrito), para anotar as apostas do “jogo do bicho”. Tal jogo, é considerado contravenção penal, e foi uma criatividade que chegou aos brasileiros, fruto do ócio (im)produtivo do Barão de Drummond, que listou vários bichos, e deu-lhes numerologia. Alvorada, tradicional apontador do “jogo”, carregava no seu bornal a sua inseparável flauta. E se algum dos seus clientes acertava no milhar, centena ou quaisquer outros prêmios, ele ia ao encontro do ganhador tocando a sua flauta. Era um original anúncio, através da suave sonoridade do junco.
26 de junho de 2012
Paraguai
O escandalo sexual de Fernando Lugo, ex-bispo da igreja católica, que já reconheceu dois dos seus quatro supostos filhos, contudo, isso não foi o suficiente para afastá-lo do cargo. Mas quando morreram onze pessoas num conflito de terras, entre militares e camponeses, o senado paraguaio com maioria folgada, votou a favor da deposição de Fernando Lugo da presidência do Paraguai. É legítima essa deposição, pois tem amparo constitucional. Os países vizinhos condenaram a ausência do direito amplo de defesa do presidente deposto. Porém, é sempre bom lembrar que o ex-presidente Fernando Lugo, foi eleito sem maioria no parlamento paraguaio, igual ao outro Fernando, que é o ex-presidente Collor de Mello, que foi cassado pelo parlamento, e absolvido pelo Supremo Tribunal Federal. E numa entrevista, o ex-presidente brasileiro, levantou a hipótese de ser reconduzindo a presidência. O partido principal, que atualmente governa a nação brasileira, comandou a campanha de cassação dele. E na condição de senador por Alagoas, compõe a bancada de apoio as propostas do governo em exercício. Ou seja, todos foram banhados pelo rio Jordão. Pressionar o governo paraguaio nesse momento, poderá ser considerado pelos tribunais internacionais, como uma flagrante ingerencia nos assuntos internos de uma nação soberana. É um assunto "interna corporis" de acordo com os doutos jurisconsultos de plantão. Eis a questão.
24 de junho de 2012
Vladivostok a Xique-Xique
Escrever é uma atividade (ir)reconhecida, como coadjuvante para aprimorar o viés cognitivo dos indivíduos. Navegar é preciso, escrever também o é. O oficio de rabiscar e/ou rasurar papeis, se hospeda na contradição, e tem com foco, através da leitura metacognitiva. Repassar a outrem, o modesto saber, que lhe é permitido apreender, é uma tarefa complexa. Nem sempre se sabe, se o outro apreendeu, ou se lhe é estimulante tomar conhecimento. É um conjunto de atores e fatores que compõem esse mosaico enigmático, desafiador e sedutor, que é o aprendizado. Há uma transição no ar, meio que escamoteada pela escuridão da ignorância e iluminada pela ciência da cibernética. Essa “cyber science”, como a nominaram os seus inventores, por um lado é um ferramental facilitador nas tratativas do homem pós-moderno. Não há sombras de dúvidas sobre essa performance. A parafernália concebida é de uma magnitude tal, ou maior do que a revolução industrial, financiada em grande parte pelo dinheiro lusitano, passado aos ingleses, e surrupiado do Brasil-colonia. Pelo menos isso se supõe, segundo alguns historiadores. As redes sociais são rápidas e eficientes, dentro do tempo real, desde a Vladivostok até Xique-Xique, na Bahia de Jorge Amado. Isso é “absurdamente” verdadeiro e revolucionário no campo da ciência. A realidade e a ficção se imbricam uma na outra. Isso ocorre no interior do modelo de economia de mercado, que tem como pressuposto ideológico que o mercado resolve todos os problemas, inclusive, curar as chagas da miséria humana, e africana. Essa ciência, promove a descoberta de uma forma de escrevinhar própria e peculiar, praticada entre os usuários, destaque para os mais jovens. E la nave va. E se prolifera em proporções geométricas, iguais as redes, ou “networks”. E enquanto isso na Rio+20, encerrada recentemente, com uma mensagem patética, na qual protela as decisões pré-acordadas. E a Senhora Clinton, anunciou a doação de vinte milhões de dólares para o continente africano, cuja a população é de seiscentos milhões de habitantes. E o "Air Force One", avião presidencial que lhe trouxe, está avaliado em torno de oitenta milhões de dólares...
11 de junho de 2012
Rio+20
O mundo está adoentado, e o causador dessa enfermidade é o seu inquilino, conhecido como homus sapiens, ou o homem sábio. Nem tanto, as fotos não mentem, e a poluição vai desde o espaço sideral, com suas parafernálias abandonadas, até a baia da Guanabara, bela e poluída, que necessitará de uns trinta anos para se tornar limpa, conforme nos entregou a natureza. A Rio+20, é sucessora da ECO-92, que tem como meta o desenvolvimento sustentável, como saída para diminuir o lixo, em todos os quadrantes. Os sólidos são depositados no universo, na terra, no ar e no mar. Há quem afirme, que os mandatários mais poderosos, tendem a não estarem presentes, tomando como exemplos, a chefe do governo alemão - Angela Merkell, Barack Hussein Obama. A primeira envolvida com a crise européia, e o segundo; bastante preocupado com a reeleição. Há um cheiro de fracasso no ar da Rio+20. Pois, em momentos bicudos - leia-se crise financeira - a questão ambiental certamente ficará em segundo plano, igual tratamento, se dá aos processos culturais. Esses huguenotes, francos, anglos, germânicos e outros, não cuidaram das suas matas, e muito menos dos seus mananciais. Não há registro, de uma campanha por parte deles, na direção de (re)florestar ou acabar com o lixo “sanitário”, contaminador dos lençois freáticos. É sempre bom lembrar a “Carta do Cacique Seattle”, que é conseqüente e atemporal.
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