26 de outubro de 2015

Futebol e o Iraque

O futebol é um esporte por demais popular em todo o mundo. A poderosa FIFA, com sede na Suiça, país que guarda dinheiro sujo, está sob investigação pela polícia federal do Tio Sam, e recentemente envolveu como suspeitos de crime de corrupção dois ex-craques, que foram considerados príncipes do futebol, os quais  povoaram o imaginário coletivo de muitas juventudes - Franz Beckenbauer e Michel Platini - o primeiro alemão e o segundo francês - infortunadamente a desonestidade é uma antivirtude universal. E para agravar, o ex-primeiro ministro Tony Blair recentemente pediu desculpas aos iraquianos por ter invadido o país deles, há doze anos,  junto com ex-presidente Bush. Não havia armas químicas com o Saddam Hussein. Segundo os analistas das políticas internacionais, essa invasão provocou a formação do exército islâmico.  Mais uma bola fora dos "donos do mundo". Aproveito a oportunidade para afirmar, que as políticas externas  dos americanos, russos e outros poderosos tem sido um fiasco, ao longo do tempo.

23 de setembro de 2015

Champruca




Casas de tolerância e da mãe-joana, rendez-vous, bordel e dezenas de nomenclaturas e por fim a surreal Champruca, que funcionou em Mimoso do Sul (ES), cujo a longa culminância se deu nos anos 1950/1960. João, mais conhecido como Mandi, nadador exímio, quando na juventude prestava favores domésticos - as doadoras do prazer - para resgatar roupa, utensílios e outros objetos que caiam acidentalmente no rio Muqui do Sul. A cafetina era  Maria,  mãe de Jupira, ambas vieram de Itaboraí no Estado do Rio. As prostitutas é uma das antigas atividades profissionais. Desde  Madalena, onde se recaí suspeitas, até   a  cortesã  Marie Duplessis que foi amada por  Alfred Musset e Franz Liszt, que inspirou Verdi na Ópera La Traviata  (a extraviada) A casa  do sol nascente era alegre e triste funcionava uma   eletrola que tocava os Long Play dos cantores da época, destaque para Carlos Alberto, Anysio Silva, Ângela Maria, Perez Prado, Cauby Peixoto, Gardel(tangos do compositor L.Pera) e Nelson Gonçalves. Os acepipes  e os óleos etílicos ou  os paratis estavam sob a direção, do Sebastião Carne de Porco, homem corpulento de sorriso fácil, todavia se aborrecia quando uma conta há muito permanecia espetada na prateleira, e o devedor não se manifestava. As cocottes estavam simbolizadas pela Alice nascida na Barreirinha, Letícia de olhos azuis da cor do mar,  nascida em  Campos dos Goytacazes e  Nena de corpo esguio, esporadicamente prestava serviço na mais próxima congênere da Champruca, denominada de Sabiá localizada em São João do Lagarto ou Muqui. Virava e mexia aparecia uma ou outra cortesã como a Geralda.  As cortesãs eram conscientes em se tratando da saúde, pois nas segundas-feiras frequentavam o Posto de Saúde local para serem examinadas pelo médico de plantão. Um fato curioso: enquanto morei na rua Uruguai, Tijuca - Rio de Janeiro -  numa manhã ensolarada de dia útil, indo para o basquete avistei uma mulher de vestido estampado, pulseiras e colares (quase uma gitana), junto a portaria do edifício frontal. Fixei o olhar e reconheci a cromática Alice. Certamente ela não me identificou,  uma atitude natural. Mas adiantou-me  estar aguardando um antigo prócer do comércio de Mimoso do Sul(ES), que havia fixado residência no Rio,  e que na ocasião lhe doaria um presentinho. A polícia dava suas (in)certas na Champruca, considerada uma alfurja,  mas nada além das brigas entre os caftens enciumados e clientes, fatos acontecidos nas zonas do chamado baixo meretrício, outrora espalhadas pelo Brasil afora. Mais uma curiosidade antropológica: nunca soube onde se encontrar a zona do alto meretrício.  Certa vez um antigo freguês da Champruca, na privacidade da cópula, acompanhado de uma  cocotte,  alguém bateu fortemente à porta do quarto, e pergunta com voz tonitruante: Geralda taí ? O assíduo cliente enfurecido gritou: Tá, mas tá ocupada. E o interlocutor  encerrou o diálogo, mas com suavidade, quase inaudível, e respondeu: volto mais tarde. Era uma casa do prazer.

O sonho



Sigmund Freud (1856/1939) pai da psicanálise, escreveu um livro que é um tratado, cujo o título é “ A interpretação dos sonhos”, uma matéria de alta complexidade que nos dias  atuais,  ainda quebra a cabeça dos pesquisadores. Sonhar não é proibido. Como por exemplo, sonhar ser campeão  mundial de xadrez ou sonhar em ser feliz junto à mulher amada, e tantas outras atividades mentais cujo mecanismo seja onírico.  Eis uma outra citação  universal:  o sonho venceu a Segunda Guerra Mundial (1939/45), que em dado longo momento histórico parecia impossível vencer as forças eixo, compreendida pela  Alemanha, Itália e Japão. O sonho é parte integrante da vida. O sonho e a poesia originam-se no mesmo colo materno do inconsciente. Todos sonham, todavia alguns negam, outros perseveram, esses  carregam no  alforje, a coragem. E possuem largas chances de serem atendidos. Os cegos são dotados de altíssima sensibilidade, contudo há àqueles que veem, mas não distinguem, tais quais àqueles que negam o sonho, esses tangenciam nas franjas da idiotice.

8 de setembro de 2015

Flora Medicinal



Existiu no coração do centro do Rio de Janeiro, à Rua Sete de Setembro, próximo a avenida Rio Branco –  até nos dias atuais, há uma placa de cobre chumbada no chão da calçada -   com a seguinte inscrição: “aqui funcionou a Flora Medicinal do Rio de Janeiro”. A referida Flora se tornou nos tempos modernos em Natura, cujos balcões de madeira de lei foram despachados para o Museu de São Pedro do Itabapoana.  O fundador da Flora Medicinal foi o médico José Monteiro da Silva, de Mimoso do Sul(ES);  e o  gerente dele, foi o Capitão Ascânio Fernandes, pai da Dona Neném ou Maria Josefina Fernandes Navarro, hoje ostentando quase cem anos, estando lúcida e orientada. José Monteiro da Silva não teve filhos e era irmão do Cel. Gervásio Monteiro da Silva. Ambos eram casados, cujas mulheres eram irmãs, a saber: Joana de Rezende e Maria Josefina de Rezende, mãe de Maria do Carmo Leite, que foi casada com Vitor Leite, pai de Gil Leite que casado com Leonice que deu-lhe os filhos Marli, Vera, Carlos Alberto(Bebeto) e a poetisa Lia Leite. Ambos descendem do Capitão José Ferreira, dono majoritário  das terras do município supracitado, desde o bucólico São Pedro do Itabapoana. Quem desconhecer a sua história estará obrigado a repeti-la, e se tal ocorrer será uma farsa.

2 de setembro de 2015

O incenso



O incenso se entrelaça com a história da humanidade. É uma resina de cor esbranquiçada que brota no caule da “árvore de copal”. Essas árvores são originadas nas terras áridas da península arábica próxima a Omã, na divisa com o Iêmen. Alguns desses arvoredos  possuem mais de quinhentos anos, e um dos locais da produção artesanal do incenso, chama-se Dophar. O incenso é também conhecido como olíbano. Foi nessas imediações que se inspirou no instigante conto “As mil e uma noites de Sherazade”.  O incenso já foi cotado igual ao ouro, pela escassez e a  grande distância para se atravessar o deserto, um imenso território  separando os mercados consumidores. O incensação é de multiuso, pois é utilizado em quase todas as religiões, e também pela prática da magia, e para referenciar as diversas divindades. Os cristãos primitivos usavam o incenso  nas reuniões junto as  catacumbas. A lenda afirma que o  aroma do incenso agrada a Deus, e  antepassados. Confira ou não o "bilhete".

14 de agosto de 2015

Pedrinha

A Pedrinha é um patrimônio material, com viés imaterial, pois é um ponto de encontro que se realiza há quase cem anos. O remetente é a memória, sempre nos verões causticantes, que o  Mimoso do Sul abraça-os sem cerimônias. Recentemente, criaram a nomenclatura -  sensação térmica -  maior do que a temperatura real registrada nos termômetros. A Pedrinha ainda é um charme, e em priscas eras  o cantor Roberto Carlos foi usuário desse pequeno "balneário fluvial". Há fortes indícios dele ter nascido em Santo Antonio simpático distrito de Mimoso do Sul. Mais  acima se encontram as corredeiras dos Pocitos, que  no passado se banhava nas correntezas das águas entre as pedras arredondadas pelo desgaste do tempo. Era também local de piqueniques, a professora de português Leonor Pereira Cheibub apreciava o sinônimo convescote em vez do neologismo piquenique. A banqueta datada do fim do século 19,  era "show" conforme a linguagem da juventude. Na parte de cima eram duas piscinas, uma delas tinha uma longa e assustadora  tubulação por onde a água descia por gravidade para  movimentar o moinho de milho. Na parte lateral, numa larga escadaria desciam as águas formando   pequenas e maravilhosas cachoeiras, quase igual as hidromassagens da atualidade.  O progressio através do poder publico municipal de então,  ordenou que todo esse complexo fosse literalmente  aterrado, como  um cadáver contaminado pelo vibrião do cólera.  E a  máquina de pilar arroz e armazéns com altíssimos pés direitos foram  demolidos. E para substituir o histórico próprio, ergue-se uma construção de estética duvidosa. E assim caminha a humanidade.

15 de junho de 2015

Rio 450 anos



O Rio de Janeiro nos 450 anos,  se reveste com frequência tal qual uma mulher de gosto apurado.  O Rio se regenera, como se fosse uma planta mãe de uma linda flor. O jardim de Burle Marx  apelidado de Aterro do Flamengo,  é uma obra que agrada a todos os olhares, quer sejam daqui ou alhures.  O glamour do Copacabana Palace é único. Nasceu com a  finalidade de hospedar o Rei Alberto da Bélgica e a entourage dele. A Taberna da Glória foi demolido para dar passagem ao metrô, mas antes a frequentou Clementina de Jesus, Herivelto Martins, Winston Moreira, os irmãos Marco Antonio e Paulo Cezar, Jarbas e Caludio Vieir, Bruzzi e Hermínio Bello de Carvalho entre  outros amantes da noite carioca. O tradicional Lamas quando est localizado no coração do Largo do Machado expunha caixas de frutas na entrada, e só fechava na alta madrugada.  Resistente mudou-se para a Marques de Abrantes, e sobrevive até hoje. O Lamas faz-me lembrar  o Vieira,  o garçon-gentleman, que oferecia o suculento prato conhecido como  entrecôte (carne próxima à costela),  devidamente guarnecido  Atravessando o Túnel Novo, à esquerda o Sereia do Leme, frequentado pelo Humberto, Lino e o imortal Manuel Bandeira somente nos finais de semana. O Degrau no Leblon era o must da boemia, o último reduto dos notívagos. Acrescente-se o Tio Sam no Leblon, cuja a figura do imortal João Ubaldo de Oliveira estava sempre presente. Há um fato curioso a narrar.  O amigo baiano Ivan Tourinho, velho conhecido do escritor - além de mim, estava   acompanhado do amigo comum Manoel Moulin -  desde a  Ilha de Itamaracá, apresentou-nos e em seguida perguntou-lhe repentinamente sobre o Cecé, irmão dele. João Ubaldo “fechou a cara”, pois detestava  comentar  sobre o Cecé, pois era quase sempre motivo de chacota. O nome de batismo do irmão do escritor baiano é ou era,  Sete de Janeiro. A conversa foi encerrada pelo famoso escriba  e fomos embora. Ivan ria igual  a criança diante de um palhaço. Há outros bares famosos que se descaracterizaram, e dentro do surrealismo carioca o acarajé está sendo também produzido por baianas evangélicas. Será que deixou de ser prato dos orixás? Ou ecumenizou-se? Aleluia ou  saravá?

30 de maio de 2015

Arara-vermelha-grande

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  Desanimado com as notícias que abastecem as mídias globalizadas,  encontrei o lúdico ao pesquisar  sobre o bioma (fauna e flora) brasileira,  em especial  os encantadores periquitos, primos dos tucanos, pela plumagem e a formação dos bicos aduncos, ambos de curvatura descendente. Na zona rural é comum, a família papagaial  estar representada nos  bandos das maritacas que na mudez das tardes, rasgam o silêncio e o céu. Voam em direção as árvores-aeroporto, grazinando em alto e bom som.  É uma população respeitável, onde se destacam o periquito estrela, que pelas cores lembra-se  da bandeira brasileira, com o ventre amarelado, branco no pescoço e a nas extremidades das asas esverdeadas, os debruados azuis. O periquito-estrela é minimalista, pois reaproveita os ninhos abandonados nos troncos das árvores, e tomam posse. Acrescentam-se os periquitos do sertão, jandaia, papacú, asa amarela, curica-verde e a arara-vermelha-grande (Ara chloroptera Gray,1859)  que é considerada a mais bonita da família(foto) e por isso, infelizmente é a mais caçada por traficantes da fauna silvestre. O Brasil é o mais cromático, de todos os países do planeta.