Num canal de televisão assisti a entrevista
do escritor Heitor Cony. Na
ocasião afirmou que apreciaria de ter feito um voto de silêncio, tal como
alguns monges. Acrescentou que se acontecesse, além de estar emudecido, não desejaria ouvir nada, tal qual um religioso no mosteiro próximo a Perugia, norte
da Itália, que há trinta anos não ouvia a voz humana. E finalmente informou que foi seminarista por
dez anos, e que ninguém merece a salvação. Afirmações de alto teor filosófico
partindo de um intelectual de escol, como o entrevistado, remetem-se a conjecturas escutando os respeitadíssimos teólogo Santo Agostinho, e o pensador
alemão Frederico Nietzsche. Quanto a salvação,
me inclino a estar de acordo com a assertiva do escritor, pois o legado da
miséria humana – que as crianças ainda não percebem – é bicho feio, segundo o livro - Memórias de Brás Cubas - de Machado de Assis. Como merecer a remissão dos pecados, se na porta da igreja, templo, mesquita ou congá um mendigo
pede pão, e todos dissimuladamente ignoram-no? Não ouvir nem a própria voz num
voto de renúncia à convivência humana, é uma decisão que corta na carne, tal
qual despojar-se dos bens materiais para servir ao próximo, igual fez Tereza de Calcutá, uma raríssima e exemplar atitude. A mediocridade está à solta.
3 de abril de 2015
24 de março de 2015
O filhote do "pássaro mascarado"
Lá pelas quatro horas da manhã, quando o dia envergonhado e suavemente tenta raiar no espaço
sideral, eis que sob uma frondosa
mangueira, produtora da saborosa manga-espada, uma avezita emitia um regorgeado tímido, e no final ouvia-se um leve trinado, pois ainda não dobrava o cântico, em se
tratando de um filhote do pássaro
mascarado: o bem-te-vi. De repente adentram ao concierto a
cambaxirra e a rolinha, ambas ruflando e harmonizam o ambiente lúdico-melômano. E por fim surge
outro parceiro o - canarinho-da-terra - chilreando por demais. Mas eis que de repente o pássaro
mascarado numa aterrissagem perfeita, chega para socorrer o filhote, trazendo-lhe no bico uma minhoca para alimentar o passarinho-rebento. Daí o sol mais intenso
toma conta da manhã, e a pequena camerata se desfaz, quiçá prometendo voltar numa
próxima oportunidade.
Divagação
Há fatos na vida, face ao pensamento andarilho, que se transmutam em segredos inolvidáveis. Eles não se repetem, pois o tempo é ancho e providencial. Comumente esses acontecimentos batem de repente na memória, como se fosse à porta de casa. Enfim, às circunstâncias nos leva a navegar em outros mares. Dentre esses fatos, um deles assaltou o hipocampo, o guardador da memória, e um filme preto e branco rodou rapidamente. Tratava-se de uma mulher que havia traído o marido. A (in)fidelidade se mostrou inequívoca, pois foi testemunhada por um vizinho, que a documentou através de uma poderosa câmera. O marido traído diante do imbróglio ficou (im)potente para uma tomada de decisão imediata. A vítima ao ouvir a mulher dele, chegou a conclusão que tudo não passava de uma ardilosa intriga. E também, atenuava-se o fato de que ele, no passado recente havia tido um tórrido affair com a filha da prima(pelo lado materno) da comadre da sogra do marido traído. Em pouco tempo, a amizade foi rompida com o vizinho, e em seguida mudou-se para outra cidade. Poder-se-á lembrar do aforisma: chumbo trocado não dói.
19 de março de 2015
Malecón
Discorrer sobre a felicidade, é das tarefas a mais complexa. Talvez seja mais prudente recolher-se ao tugúrio, e não se pronunciar
sobre o tema. Narrar sobre isso, ou as misérias humanas, são matérias desconfortáveis, sem falar do amor com os seus
códigos e enigmas. Se existem esses enigmas, se remete
ao velho aforisma místico e ibérico: “Jo
no creo en las brujas, pero que las hay, hay". Há uma necessidade de se apegar
sempre a algo para mitigar as carências. Alguns se conectam a religião, doutrina, seita, sociedade
secretas e atualmente, uma pequeníssima parcela
da juventude, se alia aos movimentos radicais armados. Há
também a aliança com os pequenos animais, como gato, cachorro e pássaro. Há todos os esportes, e todas as artes
disponíveis para serem abraçadas. E os colecionadores desde chaveiros até aos
filatelistas. Há também os andarilhos, verdadeiros tuaregues embrenhados pelas estradas afora. Há os que singram os
mares. E os aeronautas que vivem sob as turbulências vespertinas. Se registra os ermitões urbanos (que aumentam) e que são
parte da estatística, que optam pela boa
vida na casa dos pais, e não se preocupam com o casamento. Os ermitões rurais estão surgindo gradualmente, e timidamente defendem o meio ambiente. Aqui no Malecón, a última notícia é que a
solidariedade humana a cada dia mais escassa.
13 de março de 2015
Protesto
Dia 15 de março, parte do povo brasileiro sairá às ruas
protestando contra os aumentos dos preços, e a investigação sob a direção das
autoridades competentes, sobre a corrupção absurda que está ocorrendo com a joia da corôa, leia-se Petrobras, É sabido que dinheiro público é sagrado, pois é o resultado da arrecadação dos impostos pagos pelo
povo. Se a verba pública é desviada, é necessário rastrear para encontrar os
responsáveis e aplicar-lhes a lei. A corrupção existe em todo o mundo, há
alguns poucos anos passados, uma autoridade japonesa foi condenada por malversação,e se auto-puniu diante das câmeras das televisões, praticando o haraquiri (suicídio). O HSBC na Suiça
guarda uma imensa fortuna de origem obscura, de traficantes, ditadores,
políticos e outros. O HSBC tem origem inglesa e recentemente o presidente dessa instituição banqueira recebeu o título de Lord
(alto título nobiliárquico inglês). As punições por crimes de peculato e
outras naturezas, nos países mais adiantados acontecem naturalmente. Infelizmente nas nações abaixo da
linha do Equador, as penalidades são difíceis de serem cumpridas. Há sempre brechas na lei para mitigar as penas imputadas
aos infratores. Quanto mais competente for o causídico, mais aumenta a chance do
cliente ter um happy end. Além da
competência, ressalte-se que somente clientes abastados conseguem pagar salgados honorários dos luminares. Há sempre uma esperança popular em verem nas prisões
àqueles que furtam verba pública, daí a validade do protesto democrático, como legítimo ferramental da democracia.
24 de fevereiro de 2015
Rio 450 anos
O Rio comemora 450 anos. Raro é o brasileiro que não tenha um parente no Rio, por diversos
fatores: êxodo rural, mercado de trabalho, oportunidade de estudos técnico/científico, ou por um amor desesperado. O Rio acolhe
gente de todo o Brasil e desde a Armênia até Xique-Xique na Bahia comentar. O carioca é um contumaz bem humorado. Curiosamente foram editadas mais de 1500 músicas em homenagem a Cidade Maravilhosa. Pela BR 101, sentido Mimoso do Sul/Rio, aproximadamente, após três horas e meia de viagem, aparece a placa indicativa - Alcântara - em seguida passando por São
Gonçalo, em direção ao centro de Niterói, despontam o "Caneco Gelado do Mário", Mercado São
Pedro e mais recentemente na praia boa viagem o MAC - Museu de Arte Contemporânea - obra de Niemeyer. Atravessando a ponte que conduz ao Rio, na descida o desvio pela Rodovia Washington Luiz, Duque de Caxias de Tenório Cavalcanti, Petrópolis, Teresópolis, Guapimirim e Xerém ( leia-se Zeca Pagodinho) e todos são cariocas. No retorno Nova
Iguaçu, outrora terra dos laranjais, Nilópolis da Beija-Flor. E depois o bairro que ostenta a homenagem ao poeta Vicente de Carvalho. Na sequência Pavuna e mais à frente chega-se a Avenida Suburbana, rebatizada como Avenida Dom Helder Câmara (bela
homenagem), e chega-se na legendária Madureira, com o Mercadão e a Serrinha do Mestre Darci do jongo. No jongo reside uma das mais significativas origens do samba. E a
tradicional Portela, de Paulo Benjamin de Oliveira, mais conhecido como Paulo da Portela. O cinema Imperator no Meier se transformou em Centro Cultural João
Nogueira, intérprete e compositor incluído na história do samba. Pela Dom Helder, os bairros de Cascadura, Pilares, Quintino, terra do Zico Galinho, Piedade,
Abolição e o Clube River, palco de grandes bailes. Num passe de mágica automotora, eis-me no Chopão de
Ramos. No setor da Leopoldina temos a Penha, Alemão, Bonsucesso, Grotão e retornando o bairro do Higienópolis,
com a famosa e longa Darke de Mattos. Na Praça da Bandeira, passando pela
Tijuca, outrora dos riquinhos, depois do Metro-Tijuca(cinema) em direção a Usina à direita da Conde de Bonfim, junto ao Verinha(buteco) situa-se a rua Uruguai, quase esquina
com a rua Gen. Espirito Santo Cardoso, o Bar do Abrahão ( ex-Rei Momo do
carnaval do Rio nos anos 1960), hoje frequentado por Osmar Frazão, a enciclopédia da música brasileira. A Muda, e a Praça Xavier de Brito – dos cavalinhos e cabritinhos
puxando charretinhos para as crianças – e na Usina
do Colégio Irmãos Maristas, próximo a estrada do Alto
da Boa Vista. Antes um obrigatório “pit-stop”, no Bar das Pombas, que oferecia música, com um
pequena nascente dentro do estabelecimento, dando-lhe um ar etílico-bucólico. E
dirijo para a Barra da Tijuca, indo para direto para a
Cidade de Deus - comunidade do escritor Paulo de Deus - que é a entrada de Jacarepaguá
com dezenas de largos sub-bairros
como Tanque, Taquara, Pechincha, Estrada do Pau-Ferro, Praça Jauru. Voltei pela Estrada dos Bandeirantes, via Curicica até a animada casa musical - Balaio Grande - encontrei os amigos Ivo e Mara ouvindo – Ronda – e bebendo chopinhos. O amigo Ivo irmanou no Sindicato durante a ditadura militar, acrescentando-se os amigos Olavo, João Álvares e outros. Com certeza, faltarão algumas citações, a Mangueira, ou
a Estação Primeira de Dona Neuma, Cartola e Nelson Cavaquinho – São Cristóvão, a Feira Nordestina e o grande poeta cordelista Raimundo Sant'Helena, com o São
Januário lusitano. Salve o Vasco da Gama. E ao centro na Praça Onze, a lendária Rua
Pinto de Azevedo, frequentada pela juventude e todas as faixas etárias, que buscavam aventuras erótico-amorosas. Na rua da Carioca o Bar Luiz, ex-Adolfo,
que oferece chopp schnitt e salsichon. E antes de “pegar” o Aterro
do Flamengo, eis o Amarelinho na Cinelândia de frente para o Teatro Municipal - a lembrança do tenor carioca Paulo Fortes – e a ausência do Palácio Monroe, (onde funcionava o Senado Federal, e em 1930 Getulio Vargas amarrou os cavalos, e arrebatou o poder por 15 anos), um "pulo" no Capela que foi reduto do cantor Blecaute, para degustar um guisado de cabrito, com chopp na meia-pressão. Um breve retorno desembarquei na original Taberna da
Glória, para encontrar o amigo Winston Garcia Moreira, com a intenção de visitar a AME – uma surreal
Associação Matogrossense dos Estudantes – no Catete. Eis que na Taberna da Glória,
lá estava o ícone do samba de roda, descoberta tardiamente (ainda bem) pelo historiador
e compositor Hermínio Belo de Carvalho – a querida e saudosa Clementina de
Jesus. En passant no Bar do Hotel Argentina, e encontrar Olimpio José de Abreu, e beber a cristalina inteligência dele, e em
seguida visitar o restaurante Lamas que
não fechava suas portas, e estando sempre de plantão o gentil garçon Vieira, a servir Botafogo, esse é
o mais simpático bairro do Rio, quer pelo nome, quer por ter acolhido o Fofoca,
bar que foi uma casa de bambas do samba de raiz. Roberto Luiz Santos Silva foi sempre assíduo. Ao lado o Humaitá, tendo a Cobal - com aprazível praça de alimentação - bairro da Márcia, Rachel, Ricardo e meu também. O Aurora na época do “Seu Manel”, foi restaurante de pratos honestos e disputados. Com Aurélio,
Roberto, Ignácio e o tricolor Reinildo - morador do simpático Moneró na Ilha do Governador - foram várias as tertúlias na boca da noite. Foi n'Aurora que Miucha, filha do sociólogo e historiador Sergio Buarque de Hollanda, informou à mesa que o pai dela tinha vivido em 1932, na cidade de Cachoeiro do Itapemirim, na casa dos Veira Cunha . Copacabana é
de Rubem Braga, Manuel Bandeira, Antonio Maria e Carlos Alberto Ferreira Braga,
também conhecido como Braguinha, compositor da música- hino: “ Copacabana" a princesinha do mar. Do Leme ao Pontal, assim cantou Tim Maia,
carioca da rua do Matoso. O Leme se destaca por ser um bairro em que “todos se conhecem”, assim
dizia Artur da Távola na sua meteórica estada pelo bairro. Não tive a oportunidade de frequentar o bar-restaurante - Sereia do Leme - onde o poeta Manuel Bandeira, por lá aparecia de forma bissexta, diferentemente do Humberto, de quem foi amigo. Ao fazer o retorno, eis o Beco das Garrafas, onde nasceu a Bossa-Nova, e depois
surgiram algumas “casas de saliência”, como a New Monique, Don Juan e outras. Pela Rua Sá
Ferreira, acima o Pavão Pavãozinho, vi pela primeira vez (in live) um individuo da
comunidade portar um moderno fuzil-metralhadora. Nessa rua morou Lady Laura
durante muitos anos, no Edifício Lisboa. Ipanema é a “jóia da coroa”. Tendo como testemunha o amigo Debret, morador há anos na rua Vinicius de Moraes, vindo diretamente de Morro do Côco. Ipanema não se comparação em todo o universo, ressaltando
infelizmente a violência, é um bairro que se encontra de tudo, desde o Veloso (hoje é Garota de Ipanema) até cerzideira. Certa vez a vi um cartaz anunciante essa invulgar profissão. Um lugar encantador, com muitas livrarias, teatro e
cafés culturais. E o Leblon com seus metros quadrados mais caros do Brasil,
é um bairro muito chique onde morou o escritor baiano-carioca – João Ubaldo Ribeiro -
que assinava
o ponto no bar Tio Sam na gastronômica Rua Dias Ferreira. E no butiquin Clipper, chopps emergenciais e cremosos com o amigo Marco Gifoni. Pela avenida
Niemeyer se encontra o simpático Vidigal, que depois de pacificado é moda entre muitos estrangeiros, artistas, arquitetos, quer pelo magnífico visual,
quer pelo peculiar modus-vivendi da
comunidade, sem contar com o samba. O Rio é de todos, de Hilton Abi-Rihan, Tom, Vinicius e de Moreira da Silva.
25 de janeiro de 2015
Cuba
Há mais de
meio século estão congeladas as relações entre Cuba e os Estados Unidos, um
longo bloqueio comercial que prejudica toda sociedade cubana. O possível
reatamento das relações diplomáticas entre Cuba X Estados Unidos, poderá
acontecer num breve futuro a regularização da atividade comercial segundo a grande imprensa internacional. O fato concretizado se
creditará também ao simpático jesuíta Papa Francisco I e ao Presidente Barack
Obama. O bloqueio econômico não funcionou, pois o povo cubano resistiu
bravamente ao isolamento imposto. O comandante Fidel Castro desgastou-se
durante o tempo, pois não se modernizou
diante de um mundo globalizado e dinâmico. O muro de Berlim foi veio ao chão, a
China rendeu-se ao capitalismo, União Soviética se derreteu e Cuba continuou
refratária. Importante salientar que a ilha de Cuba apresenta um reflexivo
contraponto social calcado no binômio saúde e educação, que funcionam com os melhores índices
mundiais. Quaisquer que sejam as
mudanças, o povo cubano preservará as marcantes conquistas sociais. O tempo é
um componente facilitador diante das mudanças ocorridas pelo mundo afora. Se a
mudança se efetivar vai favorecer sobremaneira ao sofrido, contudo consciente povo
cubano.
4 de janeiro de 2015
Pedra Azul
A escravatura - maior trauma social do país – estava por
terminar, e a monarquia necessitava de mão de obra para substituir os escravos
na agricultura. O emissário imperial foi enviado a Itália, que estabeleceu tratativas com o governo para se proceder a imigração. O segmento social contatado, na sua maioria foi oriundo da parte alta da
“bota” do mapa daquele país, ou seja do norte. Vieram do campesinato, das aldeias de Treviso,
Trento, Rimili, Modena, Brescia, Piemonte e de outras então aldeias. Se irmanaram nessa aventura a vizinha
República de San Marino. Escolheram as terras conhecidas como terra fria, as quais se assemelhavam ao habitat dos mesmos, bem como a menor incidência de doenças tropicais. No Espírito Santo uma parte “sentou praça” em Pedra Azul com
1150 metros acima do mar, e chegaram à região há quase um século e meio. Em
torno da Pedra Azul se radicaram os Peterle, Bellon, Dorderoni, Marzocco, Grecco,
Pianzoli, Lorenzzoni, Canal, Ulliana, Bravim e Modolo. São as famílias
guardiães da Pedra Azul. Curiosamente esse ponto culminante torna-se azul na lua cheia, pelos reflexos luminosos sobre os pigmentos florais azulados
e incrustados na rocha. E com o mesmo efeito, vê-se o perfil de uma escultura natural com a similitude de
um lagarto escalando os 1892 metros. A Pedra Azul está protegida enquanto
Parque Estadual, o que não é suficiente para impedir à sanha dos argentários destruidores do patrimônio natural, camuflado sob o pseudomanto do “progressio”
25 de dezembro de 2014
Namíbia
Há muito estava desejoso de
escrever sobre a cromática e sofrida mãe África, da qual nós brasileiros herdamos
hemácias, e todo o conjunto do que é
possível encerrar ou não, o ciclo das
tratativas ontológicas e/ou antropológicas. O que vale na realidade é o sentimento que
consegue atingir o pertencimento, pela
importância da pessoa afro-descendente na formação geral do povo brasileiro.
Dissertar a respeito da vitimização do continente africano pelos europeus, se simbolizado
por um pêndulo em movimento, entre
marchas e contramarchas, inexoravelmente
levaria em torno de um século. Eis uma
pequena amostragem histórica da Namíbia. O topônimo Namíbia vem de namibi que é igual a “escudo”. É uma nação composta majoritariamente
pelos grupos étnicos dos nama e herero. O povo namíbio fala inglês e afrikanner
(herança dos colonizadores böers),
contudo se pesquisou cerca de 37 (trinta e sete) linguagens no país. A
população é estimada em 2 (dois) milhões
de habitantes. Infortunadamente conquistou a independência através das armas em
1990. Os alemães invadiram a Namíbia em 1905,
pelo interesse nas jazidas de metais estratégicos como urânio, cobre, chumbo e
petróleo E soma-se aos diamantes e metais comuns. E dispensaram maus tratos aos
africanos, tendo construído cinco(5) campos de concentração com o objetivo de
eliminar toda etnia da região. Inicialmente se contabiliza cerca de 30 (trinta mil)
pessoas entre homens, mulheres e crianças “sepultadas” em valas rasas e
coletivas. Os restos mortais (ossos) afloram à terra nos dias atuais. Foi um
genocídio, que seria continuado 40 ( quarenta) anos depois pelos mesmos alemães, quando assassinaram
6(seis) milhões de judeus, nos 52(cinquenta e dois) campos de concentração espalhados pela Europa ocupada, durante a
Segunda Guerra(1939/1945). Há na Alemanha, crânios de fetos, mulheres e
crianças enviados para se praticar as “experiências científicas para provar a
superioridade da raça alemã e outras”, tais experimentos laboratoriais na vigência da Segunda Guerra, ficava à cargo do monstro nazista travestido de médico – Josef Mengele
- que em 1979, foi preso em terras brasileiras.
23 de dezembro de 2014
A saga do povo brasileiro
O Brasil é um país deliberadamente
desmemoriado, pois em 14 de outubro de 1890, Rui Barbosa então Ministro e
Secretário de Estado dos Negócios da Fazenda e Presidente do Tribunal no
Tesouro Nacional, caracterizando-se um
super ministro, determinou que todos os documentos referentes ao período
escravagista, que durou cerca de trezentos anos, assim decretou “... dirigirá a
arrecadação dos referidos livros e papeis e procederá à queima e destruição
imediata deles...” E dessa maneira incinerou toda a história da escravatura – maior trauma da história do
Brasil - que foi a última a ser
erradicada no Brasil. Tal qual os vestígios culturais dos indígenas, destaque
para a tribo dos puris dizimada pelos colonizadores, e habitavam o
sul do Espírito Santo e a Zona da Mata das Minas Gerais. Nada se conhece sobre os Puris, não
há registro, exceto anotações de pesquisadores e viajantes estrangeiros, tais como Hans
Staden que em 1554 foi aprisionado pelos índios tupinambás, Von Martius(1794/1868), Saint Hilaire(1799/1853)
e outros, que levantaram dados sobre os costumes, glotologia e a mística dos
indígenas. E a maioria desse rico acervo ontológico se encontra “perdido” em
museus, universidades e centros culturais europeus. Câmara Cascudo, famoso
folclorista, antropólogo e historiador potiguar, num esforço hercúleo conseguiu reunir textos
importantes em livros, para dar conhecimento da saga do povo brasileiro.
5 de dezembro de 2014
A dança
A dança é de todas as artes, a
mais expressiva da humanidade. É um
encantamento multifacetado, que celebra a alegria de viver pelo vetor
sedutor quer do tango de L. Pêra e
Gardel, quer do samba no pé do Paulinho da Viola, ou o ballet Quebra Nozes de Tchaikovsky. A dança é
a celebração da alegria, é a linguagem onde as palavras se esgotam, então se dança. É nela que os corações
pulsam e se atinge o frenesi. É uma mágica de corpos iluminados que se
transmutam. Dançar é comungar o instinto maior da vida. Há um mistério no ato de dançar. É o mesmo mistério do enigma do amor . Ela transforma a dor em lúdico. Desde povos
ditos primitivos a dança é praticada, sendo que a maioria com fortes tinturas do
místico-religioso. Andiamo ballare.
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