3 de abril de 2015

A mediocridade está à solta

Num canal de televisão assisti  a entrevista  do escritor Heitor Cony.  Na ocasião afirmou que apreciaria de ter feito um voto de silêncio, tal como alguns monges. Acrescentou que se acontecesse, além de estar emudecido, não desejaria ouvir nada, tal qual um religioso no mosteiro próximo a Perugia, norte da Itália, que há trinta anos não ouvia a voz humana.  E finalmente informou que foi seminarista por dez anos, e que ninguém merece a salvação. Afirmações de alto teor filosófico partindo de um intelectual de escol, como o entrevistado,  remetem-se a conjecturas escutando os respeitadíssimos teólogo Santo Agostinho, e o pensador alemão Frederico Nietzsche. Quanto a salvação, me inclino a estar de acordo com a assertiva do escritor, pois o legado da miséria humana – que as crianças ainda não percebem –  é bicho feio, segundo o livro - Memórias de Brás Cubas - de Machado de Assis. Como merecer a remissão dos pecados,  se na porta  da igreja, templo, mesquita ou congá um mendigo pede pão, e todos dissimuladamente ignoram-no? Não ouvir nem a própria voz num voto de renúncia à convivência humana, é uma decisão que corta na carne, tal qual despojar-se dos bens materiais para servir ao próximo, igual fez Tereza de Calcutá, uma  raríssima e exemplar atitude. A mediocridade está à solta.

24 de março de 2015

O filhote do "pássaro mascarado"

Lá pelas quatro horas  da manhã, quando o dia envergonhado e suavemente tenta  raiar no espaço sideral, eis  que sob uma  frondosa  mangueira, produtora da saborosa manga-espada, uma avezita emitia um regorgeado tímido, e no final ouvia-se um leve trinado, pois ainda não dobrava o cântico, em se tratando de um filhote do pássaro mascarado: o  bem-te-vi. De repente adentram ao concierto a cambaxirra e a rolinha, ambas ruflando e harmonizam o ambiente lúdico-melômano. E por fim surge outro parceiro o - canarinho-da-terra -   chilreando por demais. Mas  eis que de repente o pássaro mascarado numa aterrissagem perfeita, chega para socorrer o filhote,  trazendo-lhe  no bico uma minhoca para  alimentar  o passarinho-rebento. Daí o sol mais intenso toma conta da manhã,  e a pequena camerata  se desfaz, quiçá prometendo voltar numa próxima oportunidade.

Divagação



Há fatos na vida, face  ao pensamento andarilho, que se transmutam em segredos inolvidáveis. Eles não se repetem, pois o tempo é ancho e providencial.  Comumente esses acontecimentos batem de repente na memória, como se fosse à porta de casa. Enfim, às circunstâncias nos leva a navegar em outros mares. Dentre esses fatos, um deles assaltou o hipocampo, o guardador da memória, e um filme  preto e branco rodou rapidamente. Tratava-se de uma mulher que havia traído o marido. A (in)fidelidade se mostrou inequívoca, pois foi testemunhada por um vizinho, que a documentou através de uma poderosa câmera. O marido traído diante do imbróglio ficou (im)potente para uma tomada de decisão imediata. A vítima ao ouvir a mulher dele, chegou a conclusão que tudo não passava de uma ardilosa intriga. E também, atenuava-se o fato de que ele,  no passado recente havia tido um tórrido affair com a filha da prima(pelo lado materno) da comadre da sogra do marido traído. Em pouco tempo, a amizade foi rompida com o vizinho,  e em seguida mudou-se para outra cidade. Poder-se-á  lembrar do aforisma: chumbo trocado não dói.

19 de março de 2015

Malecón

Discorrer sobre a felicidade, é das tarefas a mais complexa. Talvez seja mais prudente  recolher-se ao tugúrio, e não se pronunciar sobre o tema.  Narrar  sobre isso, ou as misérias humanas, são matérias desconfortáveis,  sem falar do amor com os seus códigos e enigmas. Se existem esses enigmas,   se remete ao velho aforisma místico e ibérico:  “Jo no creo en las brujas, pero que las hay, hay". Há uma necessidade de se apegar sempre a algo para mitigar as carências. Alguns  se  conectam  a religião, doutrina, seita, sociedade secretas e atualmente, uma  pequeníssima parcela da  juventude,  se alia aos movimentos radicais armados. Há também a aliança com os pequenos animais, como gato, cachorro e pássaro. Há  todos os esportes, e todas as artes disponíveis para serem abraçadas. E os colecionadores desde chaveiros até aos filatelistas. Há também os andarilhos, verdadeiros  tuaregues  embrenhados pelas estradas afora. Há os que singram os  mares. E os aeronautas que vivem sob as turbulências vespertinas.   Se registra os  ermitões urbanos (que aumentam) e que  são parte da estatística, que  optam pela boa vida na casa dos pais, e não se preocupam com o casamento. Os ermitões rurais estão surgindo gradualmente, e timidamente defendem o meio ambiente. Aqui no Malecón, a  última notícia é que  a solidariedade humana a cada dia  mais escassa.

13 de março de 2015

Protesto

Dia 15 de março, parte do povo brasileiro sairá às ruas protestando contra os aumentos dos preços, e a investigação sob a direção das autoridades competentes, sobre a corrupção absurda que está ocorrendo  com a  joia da corôa, leia-se Petrobras,  É sabido que dinheiro público é sagrado, pois é o resultado da arrecadação dos impostos pagos pelo povo. Se a verba pública é desviada, é necessário rastrear para encontrar os responsáveis e aplicar-lhes a lei. A corrupção existe em todo o mundo, há alguns  poucos anos passados,  uma autoridade japonesa foi condenada por malversação,e  se auto-puniu diante das câmeras das televisões, praticando o haraquiri (suicídio). O HSBC na Suiça guarda uma imensa fortuna de origem obscura, de traficantes, ditadores, políticos e outros. O HSBC tem origem inglesa e recentemente o presidente dessa instituição banqueira recebeu o título de Lord (alto título nobiliárquico inglês). As punições por crimes de peculato e outras naturezas, nos países mais adiantados acontecem naturalmente. Infelizmente nas nações abaixo da linha do Equador, as penalidades são difíceis de serem cumpridas. Há sempre brechas na lei para mitigar as penas imputadas aos infratores. Quanto mais competente for o  causídico, mais aumenta a chance do cliente ter um happy end. Além da competência, ressalte-se que somente clientes abastados conseguem pagar  salgados honorários dos luminares. Há sempre uma esperança popular em verem nas prisões àqueles que furtam verba pública, daí a validade do protesto democrático, como legítimo  ferramental da democracia.

24 de fevereiro de 2015

Rio 450 anos

O Rio comemora 450 anos.  Raro é o brasileiro que não tenha  um parente no Rio, por diversos fatores: êxodo rural, mercado de trabalho, oportunidade de  estudos técnico/científico, ou por um amor desesperado. O Rio acolhe gente de todo o Brasil e desde a Armênia até Xique-Xique na Bahia comentar. O carioca  é um contumaz bem humorado. Curiosamente foram editadas mais de 1500 músicas em homenagem a Cidade Maravilhosa. Pela BR 101, sentido Mimoso do Sul/Rio, aproximadamente, após  três horas e meia de viagem, aparece a placa indicativa -  Alcântara -  em seguida passando por São Gonçalo, em direção ao centro de Niterói,  despontam o "Caneco Gelado do Mário", Mercado São Pedro e mais recentemente na praia boa viagem o MAC - Museu de Arte Contemporânea -  obra de Niemeyer. Atravessando a ponte que conduz ao Rio, na descida o desvio pela Rodovia Washington Luiz, Duque de Caxias de Tenório Cavalcanti, Petrópolis, Teresópolis, Guapimirim e Xerém ( leia-se Zeca Pagodinho) e todos são cariocas.  No retorno Nova Iguaçu, outrora terra dos laranjais, Nilópolis da Beija-Flor. E depois o bairro que ostenta a homenagem ao poeta Vicente de Carvalho. Na sequência  Pavuna e mais à frente  chega-se a Avenida  Suburbana, rebatizada como Avenida Dom Helder Câmara (bela homenagem), e chega-se  na legendária Madureira, com o Mercadão e a Serrinha do Mestre Darci do jongo. No  jongo reside uma das mais significativas  origens do  samba. E  a tradicional Portela, de Paulo Benjamin de Oliveira, mais conhecido como Paulo da Portela. O cinema Imperator no Meier  se transformou em Centro Cultural João Nogueira, intérprete e compositor incluído na história do samba. Pela Dom Helder, os bairros de Cascadura, Pilares, Quintino, terra do Zico Galinho, Piedade, Abolição e o Clube River, palco de grandes bailes.  Num passe de mágica automotora, eis-me no Chopão de Ramos. No setor da  Leopoldina temos a Penha,  Alemão, Bonsucesso, Grotão e  retornando o bairro do Higienópolis, com a famosa e longa  Darke de Mattos. Na Praça da Bandeira, passando pela Tijuca, outrora dos riquinhos, depois do  Metro-Tijuca(cinema) em direção a Usina à direita da Conde de Bonfim,  junto ao Verinha(buteco) situa-se a  rua Uruguai, quase esquina com a rua Gen. Espirito Santo Cardoso, o Bar do Abrahão ( ex-Rei Momo do carnaval do Rio nos anos 1960), hoje frequentado por Osmar Frazão, a enciclopédia da música brasileira. A  Muda, e a  Praça  Xavier de Brito – dos cavalinhos e cabritinhos puxando charretinhos para as  crianças – e na Usina do Colégio Irmãos Maristas, próximo a estrada do Alto da Boa Vista. Antes um obrigatório “pit-stop”, no Bar das Pombas, que oferecia música, com um pequena nascente dentro do estabelecimento, dando-lhe um ar etílico-bucólico. E dirijo para a Barra da Tijuca,  indo para direto para a Cidade de Deus - comunidade do escritor Paulo de Deus - que é a entrada de Jacarepaguá com dezenas de largos  sub-bairros como  Tanque, Taquara, Pechincha, Estrada do  Pau-Ferro, Praça Jauru. Voltei pela Estrada dos Bandeirantes, via Curicica até a animada casa musical -  Balaio Grande -   encontrei os amigos Ivo e  Mara ouvindo – Ronda – e bebendo chopinhos. O amigo Ivo irmanou no Sindicato durante a ditadura militar, acrescentando-se os amigos  Olavo, João Álvares e outros. Com certeza, faltarão algumas citações, a Mangueira, ou a Estação Primeira de Dona Neuma, Cartola e  Nelson Cavaquinho – São Cristóvão, a Feira Nordestina e o grande poeta cordelista  Raimundo Sant'Helena, com o São Januário lusitano. Salve o Vasco da Gama.  E ao centro na Praça Onze, a lendária Rua Pinto de Azevedo, frequentada pela juventude e todas as faixas etárias, que buscavam aventuras  erótico-amorosas.  Na  rua da Carioca o Bar Luiz, ex-Adolfo, que oferece  chopp schnitt e salsichon. E antes de “pegar” o Aterro do Flamengo, eis o Amarelinho na Cinelândia de frente para o Teatro Municipal - a lembrança do tenor carioca Paulo Fortes –  e a ausência do Palácio Monroe, (onde funcionava o Senado Federal, e em  1930 Getulio Vargas amarrou os cavalos, e arrebatou o poder por 15 anos), um "pulo" no Capela que foi reduto do cantor Blecaute, para degustar um guisado de cabrito, com chopp na meia-pressão. Um breve retorno  desembarquei na  original Taberna da Glória, para encontrar  o amigo Winston Garcia  Moreira, com a intenção de visitar a AME – uma surreal Associação Matogrossense dos Estudantes – no Catete. Eis que na Taberna da Glória, lá estava o ícone do samba de roda, descoberta tardiamente (ainda bem) pelo historiador e compositor Hermínio Belo de Carvalho – a querida e saudosa Clementina de Jesus. En passant no Bar do Hotel Argentina, e encontrar Olimpio José de Abreu, e  beber a cristalina inteligência dele, e em seguida visitar o restaurante Lamas que não fechava suas portas, e estando sempre de plantão o gentil garçon Vieira, a servir  Botafogo, esse é o mais simpático bairro do Rio, quer pelo nome, quer por ter acolhido o Fofoca, bar que foi uma casa de bambas do samba de raiz. Roberto Luiz Santos Silva foi sempre assíduo. Ao lado o Humaitá, tendo a  Cobal - com aprazível praça de alimentação - bairro da Márcia, Rachel, Ricardo e meu também.  O Aurora na época do “Seu Manel”,  foi restaurante  de pratos honestos e disputados. Com Aurélio, Roberto, Ignácio e o  tricolor Reinildo -  morador do simpático Moneró na Ilha do Governador -  foram várias as tertúlias na boca da noite. Foi n'Aurora que Miucha, filha do sociólogo e historiador Sergio Buarque de Hollanda, informou à mesa que o pai dela tinha vivido em 1932, na cidade de  Cachoeiro do Itapemirim,  na casa dos Veira Cunha .  Copacabana é de Rubem Braga, Manuel Bandeira, Antonio Maria e Carlos Alberto Ferreira Braga, também conhecido como  Braguinha, compositor  da música- hino:  “ Copacabana" a princesinha do mar.  Do Leme ao Pontal, assim cantou Tim Maia, carioca da rua do Matoso. O Leme se destaca por ser  um bairro em que “todos se conhecem”, assim dizia Artur da Távola na sua meteórica estada pelo bairro.  Não tive a oportunidade de frequentar  o bar-restaurante -  Sereia do Leme -  onde o poeta Manuel Bandeira,  por lá aparecia de forma bissexta, diferentemente do Humberto, de quem foi amigo. Ao fazer o retorno, eis o Beco das Garrafas, onde nasceu a Bossa-Nova, e depois surgiram algumas “casas de saliência”, como a New Monique, Don Juan e outras. Pela Rua Sá Ferreira, acima o Pavão Pavãozinho, vi pela primeira vez (in live)  um individuo da comunidade portar um moderno fuzil-metralhadora. Nessa rua morou Lady Laura durante muitos anos, no Edifício Lisboa. Ipanema é a “jóia da coroa”. Tendo como testemunha o amigo Debret, morador há anos na rua Vinicius de Moraes, vindo diretamente de Morro do Côco. Ipanema não se comparação em todo o universo, ressaltando infelizmente a violência, é um bairro que se encontra de tudo, desde o Veloso (hoje é Garota de Ipanema)  até  cerzideira. Certa vez a vi um cartaz anunciante essa invulgar profissão. Um lugar  encantador, com muitas livrarias, teatro e cafés culturais. E o Leblon com seus metros quadrados mais caros do Brasil, é um bairro muito chique onde morou o escritor baiano-carioca – João Ubaldo Ribeiro -  que assinava o ponto no bar Tio Sam na gastronômica Rua Dias Ferreira. E no butiquin  Clipper, chopps emergenciais e cremosos  com o  amigo Marco Gifoni. Pela avenida Niemeyer se encontra o simpático Vidigal, que depois de pacificado é moda entre muitos estrangeiros, artistas, arquitetos,  quer pelo magnífico visual, quer pelo peculiar modus-vivendi da comunidade, sem contar com o samba. O Rio é de todos, de  Hilton Abi-Rihan, Tom, Vinicius e  de Moreira da Silva.

25 de janeiro de 2015

Cuba




Há mais de meio século estão congeladas as relações entre Cuba e os Estados Unidos, um longo bloqueio comercial que prejudica toda sociedade cubana. O possível  reatamento das relações diplomáticas entre Cuba X Estados Unidos, poderá acontecer num  breve futuro a regularização da atividade comercial  segundo a grande  imprensa internacional. O fato concretizado se creditará também ao simpático jesuíta Papa Francisco I e ao Presidente Barack Obama. O bloqueio econômico não funcionou, pois o povo cubano resistiu bravamente ao isolamento imposto. O comandante Fidel Castro desgastou-se durante o tempo, pois não se modernizou diante de um mundo globalizado e dinâmico. O muro de Berlim foi veio ao chão, a China rendeu-se ao capitalismo, União Soviética se derreteu e Cuba continuou refratária. Importante salientar que a ilha de Cuba apresenta um reflexivo contraponto  social calcado no binômio  saúde e educação, que funcionam com os melhores índices mundiais.  Quaisquer que sejam as mudanças, o povo cubano preservará as marcantes conquistas sociais. O tempo é um componente facilitador diante das mudanças ocorridas pelo mundo afora. Se a mudança se efetivar vai favorecer sobremaneira ao sofrido, contudo consciente povo cubano.

4 de janeiro de 2015

Pedra Azul




A escravatura  - maior trauma social do país – estava por terminar, e a monarquia necessitava de mão de obra para substituir os escravos na agricultura. O emissário imperial foi enviado a Itália, que estabeleceu tratativas com o governo para se proceder a imigração. O segmento social  contatado,  na  sua maioria foi oriundo da parte alta da “bota” do mapa daquele país, ou seja do norte.  Vieram do campesinato, das aldeias de Treviso, Trento, Rimili, Modena, Brescia, Piemonte e de outras então aldeias. Se irmanaram nessa aventura a vizinha República de San Marino. Escolheram as terras conhecidas  como terra fria,  as quais se assemelhavam ao habitat dos mesmos, bem como a menor incidência de doenças tropicais.  No Espírito Santo uma parte “sentou praça” em Pedra Azul com 1150 metros acima do mar, e chegaram à região há quase um século e meio. Em torno da Pedra Azul se radicaram os  Peterle, Bellon, Dorderoni, Marzocco, Grecco, Pianzoli, Lorenzzoni, Canal, Ulliana, Bravim e Modolo. São as famílias guardiães da Pedra Azul. Curiosamente esse ponto culminante torna-se  azul na lua cheia,  pelos reflexos luminosos sobre os pigmentos florais azulados e incrustados na rocha. E com o  mesmo efeito,  vê-se o perfil de uma escultura natural com a similitude de um lagarto escalando os 1892 metros. A Pedra Azul está protegida enquanto Parque Estadual, o que não é suficiente para impedir à sanha dos argentários destruidores do patrimônio natural, camuflado sob o pseudomanto do  “progressio”

25 de dezembro de 2014

Namíbia



Há muito estava desejoso de escrever sobre a cromática e sofrida mãe África, da qual nós brasileiros herdamos hemácias, e todo o conjunto  do que é possível  encerrar ou não,  o ciclo das  tratativas ontológicas e/ou antropológicas.  O que vale na realidade é o sentimento que consegue atingir o pertencimento, pela  importância da pessoa afro-descendente na formação geral do povo brasileiro. Dissertar a respeito da vitimização do continente africano pelos europeus, se simbolizado por um  pêndulo em movimento, entre marchas e contramarchas,  inexoravelmente levaria em  torno de um século. Eis uma pequena amostragem histórica da  Namíbia. O topônimo Namíbia  vem de namibi que é igual a “escudo”. É uma nação composta majoritariamente pelos grupos étnicos dos nama e herero.  O povo namíbio fala inglês e afrikanner (herança dos colonizadores  böers), contudo se pesquisou cerca de 37 (trinta e sete) linguagens no país. A população é  estimada em 2 (dois) milhões de habitantes. Infortunadamente conquistou a independência através das armas em 1990. Os  alemães invadiram a Namíbia em 1905, pelo interesse nas jazidas de metais estratégicos como urânio, cobre, chumbo e petróleo E soma-se aos diamantes e metais comuns. E dispensaram maus tratos aos africanos, tendo construído cinco(5) campos de concentração com o objetivo de eliminar toda etnia da região. Inicialmente  se contabiliza cerca de 30 (trinta mil) pessoas entre homens, mulheres e crianças “sepultadas” em valas rasas e coletivas. Os restos mortais (ossos) afloram à terra nos dias atuais. Foi um genocídio, que seria continuado 40 ( quarenta) anos  depois pelos mesmos alemães, quando assassinaram 6(seis) milhões de judeus, nos 52(cinquenta e dois) campos de concentração  espalhados pela Europa ocupada, durante a Segunda Guerra(1939/1945). Há na Alemanha, crânios de fetos, mulheres e crianças enviados para se praticar as “experiências científicas para provar a superioridade da raça alemã e outras”, tais experimentos laboratoriais na vigência da Segunda Guerra, ficava à cargo do monstro nazista travestido de médico – Josef Mengele -  que em 1979,  foi preso  em terras brasileiras.

23 de dezembro de 2014

A saga do povo brasileiro



O Brasil é um país deliberadamente desmemoriado, pois em 14 de outubro de 1890, Rui Barbosa então Ministro e Secretário de Estado dos Negócios da Fazenda e Presidente do Tribunal no Tesouro Nacional, caracterizando-se  um super ministro, determinou que todos os documentos referentes ao período escravagista, que durou cerca de trezentos anos, assim decretou “... dirigirá a arrecadação dos referidos livros e papeis e procederá à queima e destruição imediata deles...” E dessa maneira incinerou toda a história da escravatura –  maior trauma da história do Brasil -  que foi a última a ser erradicada no Brasil. Tal qual os vestígios culturais dos indígenas, destaque para a tribo dos puris dizimada pelos colonizadores, e  habitavam o sul do Espírito Santo e a Zona da Mata das Minas Gerais. Nada se conhece sobre os Puris,  não há registro, exceto anotações de pesquisadores e  viajantes estrangeiros, tais como Hans Staden que em 1554 foi aprisionado pelos índios tupinambás,  Von Martius(1794/1868), Saint Hilaire(1799/1853) e outros, que levantaram dados sobre os costumes, glotologia e a mística dos indígenas. E a maioria desse rico acervo ontológico se encontra “perdido” em museus, universidades e centros culturais europeus. Câmara Cascudo, famoso folclorista, antropólogo e historiador potiguar, num esforço hercúleo conseguiu reunir textos importantes em livros, para dar conhecimento da saga do povo brasileiro.

5 de dezembro de 2014

A dança



A dança é de todas as artes, a mais expressiva da humanidade.  É um encantamento multifacetado, que celebra a alegria de viver pelo vetor sedutor  quer do tango de L. Pêra e Gardel, quer do samba no pé do Paulinho da Viola, ou o ballet   Quebra Nozes de Tchaikovsky. A dança  é a celebração da alegria,  é a linguagem onde as palavras se esgotam, então se dança. É nela  que os corações pulsam e se atinge o frenesi. É uma mágica de corpos iluminados que se transmutam. Dançar é comungar o instinto maior da vida.  Há um mistério no ato de dançar.  É o mesmo mistério do  enigma do amor .  Ela transforma a dor em  lúdico. Desde povos ditos primitivos  a dança é praticada, sendo que a maioria com fortes tinturas do místico-religioso. Andiamo ballare.