4 de janeiro de 2015

Pedra Azul




A escravatura  - maior trauma social do país – estava por terminar, e a monarquia necessitava de mão de obra para substituir os escravos na agricultura. O emissário imperial foi enviado a Itália, que estabeleceu tratativas com o governo para se proceder a imigração. O segmento social  contatado,  na  sua maioria foi oriundo da parte alta da “bota” do mapa daquele país, ou seja do norte.  Vieram do campesinato, das aldeias de Treviso, Trento, Rimili, Modena, Brescia, Piemonte e de outras então aldeias. Se irmanaram nessa aventura a vizinha República de San Marino. Escolheram as terras conhecidas  como terra fria,  as quais se assemelhavam ao habitat dos mesmos, bem como a menor incidência de doenças tropicais.  No Espírito Santo uma parte “sentou praça” em Pedra Azul com 1150 metros acima do mar, e chegaram à região há quase um século e meio. Em torno da Pedra Azul se radicaram os  Peterle, Bellon, Dorderoni, Marzocco, Grecco, Pianzoli, Lorenzzoni, Canal, Ulliana, Bravim e Modolo. São as famílias guardiães da Pedra Azul. Curiosamente esse ponto culminante torna-se  azul na lua cheia,  pelos reflexos luminosos sobre os pigmentos florais azulados e incrustados na rocha. E com o  mesmo efeito,  vê-se o perfil de uma escultura natural com a similitude de um lagarto escalando os 1892 metros. A Pedra Azul está protegida enquanto Parque Estadual, o que não é suficiente para impedir à sanha dos argentários destruidores do patrimônio natural, camuflado sob o pseudomanto do  “progressio”

25 de dezembro de 2014

Namíbia



Há muito estava desejoso de escrever sobre a cromática e sofrida mãe África, da qual nós brasileiros herdamos hemácias, e todo o conjunto  do que é possível  encerrar ou não,  o ciclo das  tratativas ontológicas e/ou antropológicas.  O que vale na realidade é o sentimento que consegue atingir o pertencimento, pela  importância da pessoa afro-descendente na formação geral do povo brasileiro. Dissertar a respeito da vitimização do continente africano pelos europeus, se simbolizado por um  pêndulo em movimento, entre marchas e contramarchas,  inexoravelmente levaria em  torno de um século. Eis uma pequena amostragem histórica da  Namíbia. O topônimo Namíbia  vem de namibi que é igual a “escudo”. É uma nação composta majoritariamente pelos grupos étnicos dos nama e herero.  O povo namíbio fala inglês e afrikanner (herança dos colonizadores  böers), contudo se pesquisou cerca de 37 (trinta e sete) linguagens no país. A população é  estimada em 2 (dois) milhões de habitantes. Infortunadamente conquistou a independência através das armas em 1990. Os  alemães invadiram a Namíbia em 1905, pelo interesse nas jazidas de metais estratégicos como urânio, cobre, chumbo e petróleo E soma-se aos diamantes e metais comuns. E dispensaram maus tratos aos africanos, tendo construído cinco(5) campos de concentração com o objetivo de eliminar toda etnia da região. Inicialmente  se contabiliza cerca de 30 (trinta mil) pessoas entre homens, mulheres e crianças “sepultadas” em valas rasas e coletivas. Os restos mortais (ossos) afloram à terra nos dias atuais. Foi um genocídio, que seria continuado 40 ( quarenta) anos  depois pelos mesmos alemães, quando assassinaram 6(seis) milhões de judeus, nos 52(cinquenta e dois) campos de concentração  espalhados pela Europa ocupada, durante a Segunda Guerra(1939/1945). Há na Alemanha, crânios de fetos, mulheres e crianças enviados para se praticar as “experiências científicas para provar a superioridade da raça alemã e outras”, tais experimentos laboratoriais na vigência da Segunda Guerra, ficava à cargo do monstro nazista travestido de médico – Josef Mengele -  que em 1979,  foi preso  em terras brasileiras.

23 de dezembro de 2014

A saga do povo brasileiro



O Brasil é um país deliberadamente desmemoriado, pois em 14 de outubro de 1890, Rui Barbosa então Ministro e Secretário de Estado dos Negócios da Fazenda e Presidente do Tribunal no Tesouro Nacional, caracterizando-se  um super ministro, determinou que todos os documentos referentes ao período escravagista, que durou cerca de trezentos anos, assim decretou “... dirigirá a arrecadação dos referidos livros e papeis e procederá à queima e destruição imediata deles...” E dessa maneira incinerou toda a história da escravatura –  maior trauma da história do Brasil -  que foi a última a ser erradicada no Brasil. Tal qual os vestígios culturais dos indígenas, destaque para a tribo dos puris dizimada pelos colonizadores, e  habitavam o sul do Espírito Santo e a Zona da Mata das Minas Gerais. Nada se conhece sobre os Puris,  não há registro, exceto anotações de pesquisadores e  viajantes estrangeiros, tais como Hans Staden que em 1554 foi aprisionado pelos índios tupinambás,  Von Martius(1794/1868), Saint Hilaire(1799/1853) e outros, que levantaram dados sobre os costumes, glotologia e a mística dos indígenas. E a maioria desse rico acervo ontológico se encontra “perdido” em museus, universidades e centros culturais europeus. Câmara Cascudo, famoso folclorista, antropólogo e historiador potiguar, num esforço hercúleo conseguiu reunir textos importantes em livros, para dar conhecimento da saga do povo brasileiro.

5 de dezembro de 2014

A dança



A dança é de todas as artes, a mais expressiva da humanidade.  É um encantamento multifacetado, que celebra a alegria de viver pelo vetor sedutor  quer do tango de L. Pêra e Gardel, quer do samba no pé do Paulinho da Viola, ou o ballet   Quebra Nozes de Tchaikovsky. A dança  é a celebração da alegria,  é a linguagem onde as palavras se esgotam, então se dança. É nela  que os corações pulsam e se atinge o frenesi. É uma mágica de corpos iluminados que se transmutam. Dançar é comungar o instinto maior da vida.  Há um mistério no ato de dançar.  É o mesmo mistério do  enigma do amor .  Ela transforma a dor em  lúdico. Desde povos ditos primitivos  a dança é praticada, sendo que a maioria com fortes tinturas do místico-religioso. Andiamo ballare.

27 de novembro de 2014

Itabapoana river



01 de março de 2013



Na parte subjacente da linha do Equador, no sudeste do país e no extremo sul capixaba, outrora nas terras dos índios puris,  surrupiadas em nome da civilização, se impõe como contraponto, a  majestade o rio Itabapoana, que em tupi guarani significa: pedra empinada, conectada com o barulho das águas,  nascendo nas bandas mineiras no maciço da Serra do Caparaó, junto ao Pico da Bandeira, terceiro no ranking nacional, com 2892 metros de altitude. O rio Itabapoana, mesmo tendo sido morta a protetora vegetação ciliar(tal qual os cílios, o  anteparo dos olhos), é receptor de resíduos de agrotóxicos e de esgotos in natura, e cambaleante segue impávido o seu curso. Não suportando perversidades das quais é vítima, nas chuvas intensas,  chora as suas lágrimas em profusão, e as águas sobem, e avisa: refloreste-me enquanto há tempo. Corre celeremente por duzentos e sessenta e quatro quilômetros, formando cachoeiras e suaves curvas. Irriga naturalmente as margens, e possui uma densa piscosidade, oferecendo cascudos, pacus, robalos, mandis, bocarras entre tantos outros. O condado de Mimoso do Sul(ES) teve a sua gênese na Vila da Limeira – em frente a Dona América - com o seu porto, enquanto facilitador na época, para escoar a produção da cana-de-açúcar e em seguida, o café, conduzidos a Barra de São Francisco(RJ). E através das toscas embarcações, esses produtos eram transportados para a então capital, Rio de Janeiro. A Vila da Limeira foi erguida após a invasão dos bravos índios da tribo goitacá, ocorrida na Vila da Rainha, localizada na margem direita do majestoso rio,  na capitania de São Tomé, no estado do Rio de Janeiro. Seu “dono” era Pedro de Góis, que após o massacre, determinou a construção da Vila da Limeira, a seis léguas acima da foz do rio Itabapoana, conforme “Páginas da nossa terra” do autor, Grinalson Medina. O Museu Nacional do Rio de Janeiro, ora pesquisando os vestígios da Vila da Rainha, estimou-se que a sua construção foi por volta de 1536. Tal nome da Vila destruída  homenageia Catarina, na época, rainha da Áustria, esposa de Dom João III, rei dos  portugueses.
Há simbologias sobre os rios que remetem a antiguidade. Na Grécia antiga, na sua respeitada mitologia, os rios eram conhecidos como cósmicos ou celestiais. O Nilo, o maior do mundo em extensão, desde os egípcios é considerado um ícone para o povo dos faraós. O Ganges na Índia  é considerado dadivoso e místico. E o rio Jordão, onde, segundo a Bíblia, Cristo foi batizado por João, que se tornou batista, que na sua etimologia tem origem no substantivo batismo (imersão), dentre tantos outros rios espalhados pelo mundo afora. Na tradição judaica, “o rio que vem do alto, é um rio das bênçãos, e das influencias celestiais”.
Encontrei uma pérola do filósofo grego Heráclito de Éfeso: para os que entram nos mesmos rios, outras e outras são as águas que correm por eles. Dispersam-se e reúnem-se e vem junto, e junto fluem... Aproximam-se e afastam-se. Assim são as águas dos rios e os fluxos da  vida.