Dia 12, é o dia dos namorados, nesse mesmo
dia, o futebol de invenção inglesa, se dá o início da Copa do Mundo de
2014, aqui nesse Brasil, rumo para ser hexacampeão do mundo. Os romanos
permaneceram no poder por 1400 anos, ou seja, até a queda de
Constantinopla, em 1453. Para mitigar as possíveis reivindicações populares, os
imperadores romanos seguiam uma "sábia" receita: panis et
circenses, ou pão e circo. Dar o pão, significava alimentação farta para
todos, e também o circo, que se materializava nas arenas romanas, na luta, quer entre
eles, quer com ferozes animais. Nos tempos modernos, o futebol esse esporte tão
popular, tem a função do circo. E a Europa paga rios de dinheiro para os
craques, muito deles, brasileiros. Os europeus, ascendentes dos bárbaros:
huguenotes, godos, visigodos, francos e outros, tem no viés do futebol, um dos
seus importantes "circos". Aliás, os ascendentes dos povos bárbaros
produziram duas guerras mundiais, sendo que na última (1937/1945) morreram cerca de
quarenta e cinco milhões de pessoas, sendo seis milhões judeus, nas câmaras de
gás. Mas eles se aculturaram, e construiram países, com uma justa distribuição de renda. Na atual Seleção Brasileira, sete dos atletas convocados, são
"estrangeiros", ou seja, jogam no exterior. Alguns deles resolveram
optar pela nacionalidade dos países, onde vivem. Os estádios estão
prontos, e são confortáveis, todavia custaram muita verba pública. Se as
escolas públicas tivessem a importância, igual aos estádios de futebol,
talvez esse Brasil continental não seria tão desigual. Sonhar não é
proibido.
4 de junho de 2014
11 de maio de 2014
Cárcere privado - segunda parte
Desceu rapidamente a escadaria da casa de Nagib Ahmed, e empreendeu a fuga. Foi sofregamente em busca de um taxista no ponto, e encontrando, perguntou-lhe se poderia
levá-la ao Rio de Janeiro. Ele respondeu-lhe
que não conhecia a aquela cidade, contudo prometeu levá-la, se desejasse, a pequena cidade de Casimiro de Abreu,( nome em homenagem ao
poeta e um ativista republicano), próxima ao destino escolhido. Adiantou-lhe que há poucas semanas havia viajado para aquele modesto município. Sem alternativa, e ansiosa para não ser descoberta, de pronto
concordou com o motorista-de-praça, que
atendia pelo surreal apelido de “Pouca roupa”. Marialice, serena, representou bem no "script" de fugitiva, que lhe parecia ter sido um crime de morte. Não tinha conhecimento que Nagib Ahmed tinha sobrevivido. Na ocasião não demonstrou
nenhum desequilíbrio, quer no inicio ou durante as seis horas de viagem, até ao destino que lhe foi imposto, que pelas
circunstâncias, foi a melhor saída. Uma única parada foi realizada, numa desses bares de pouca assepsia,
encontrados pelas margens das BR’s, para
se tomar um café, com a broa de milho. Pouca Roupa era um “gourmant”, sendo que as broas com coco ralado, essas eram as suas preferidas. Degustou sem cerimônia, meia dúzia de robustas broas. Em dado momento, estacionou em frente ao botequim
uma viatura da polícia. Nenhum pânico tomou conta Marialice, diante dos inesperados gendarmes. Enquanto
bebia o café, observou discretamente que um deles a encarava insistentemente.
Será que a conhecia? Ou era o "faro" policialesco, desconfiando de todos. Marialice manteve-se tranquila diante do
inusitado. Nenhum músculo da face
retezou-se. E os olhares do recém chegado continuaram, até que o Bira da Dorinha, notando desconforto dela, a
inquiriu: a senhora conhece aquele moço?
Ela respondeu não. Quando ela sem dirigiu ao caixa afim de pagar a conta, o "sherlokiano" policial interpôs-lhe, e de forma autoritária, foi lhe perguntando: o cara de cabeça branca é seu marido? Ela
suavemente, disse-lhe que não era marido dela. Diante dessa assertiva o
policial se apresentou, dizendo ser o detetive Percival dos Santos. Ele respondeu-lhe: muito prazer, e em seguida, pediu-lhe
licença, indo ao banheiro. Dentro do toalete respirou aliviada. Pois tratava-se de um “conquistador
de plantão”, talvez em busca de mais uma aventura amorosa. Ao se encaminhar para em direção ao táxi, para continuar a fuga, polidamente despediu-se do policial, que
com a habilidade de um “Don Juan”,
passou-lhe um cartão com o endereço completo. O estresse foi vencido.
A viagem prosseguiu sem nenhum fato que merecesse ser gravado no "diário de bordo rodoviário". Ao chegar no destino final, ela pagou ao
taxista, e o agradeceu. E pensou, que teria que “zarpar” logo, pois, o motorista Pouca Roupa ao chegar na cidade deles, tomaria conhecimento que Nagib Ahmed tinha
sido ferido gravemente por Marialice. De maneira expedita como sempre, preferiu continuar a viagem de táxi. . O destino final
continuou sendo o Rio de Janeiro, no
simpático bairro de Botafogo. O novo
condutor tinha uns quarenta e cinco anos aproximadamente. Era uma matraca para falar. E
disse-lhe chamar-se Antonio Ubirajara Pereira Jaudis, mas poderia tratá-lo de
Bira, ou Bira da Dorinha. E declarou ser conhecedor do Rio de Janeiro, desde
Belford Roxo até ao Leblon. Deixou transparecer ser um verdadeiro "guia Rex", (que é catálogo
com as direções das ruas do Rio Janeiro, como facilitador para os
motoristas encontrar ruas menos conhecidas da metrópole). Ela achou-o
auto-referente, todavia divertido, o que lhe fazia esquecer por alguns momentos
a sua dramaturgia. E se questionava, como seria a sua nova vida. Como
conviveria com essa culpa, que por enquanto não a atormentava demais. E depois, nas
suas possíveis insônias e pesadelos? Nagib Ahmed tinha sido por demais perverso. Essa
clareza solar, foi que lhe deu coragem para se livrar do cárcere privado,
acreditando tê-lo matado. Não havia legítima defesa no seu ato, mas as condições pelas quais foi submetida eram desumanas e abjetas, assim ela intuía.. Estava Marialice, desesperadamente na solidão dos seus pensamentos. Por dentro, vulcânica...exteriormente, mansa feito a curva de um rio. E assim devia se comportar, diante da dramaturgia, a qual ora vivenciava.
27 de abril de 2014
Dia Internacional da Mãe Terra
Comentam os pesquisadores , ser a venda de livros um forte
indicativo para se medir o grau cultural de um povo. Por aqui os livros são caros, e o hábito da
leitura não caminha muito bem. A
ausência dessa prática não facilita, uma
escrita dentro da norma culta ou equivalente. Na América dita do Norte, os
livros de bolso ou “pocket book”, tem os
seus preços mais módicos, pois as páginas são de papel-jornal de
boa qualidade. Aqui o papel utilizado nos
livros é quase de luxo...e caro. Existem algumas poucas editoras que usam o
papel reciclado, uma demonstração racional
e econômica. Numa leitura recente, tomei conhecimento que a ONU – Organização das
Nações Unidas – aprovou o Dia Internacional
da Mãe Terra, cujo o dia escolhido a ser comemorado, é o dia 22 de
abril, em todo o mundo politizado ou não. A defesa do meio-ambiente é uma tarefa por demais perigosa, vide os assassinatos do ambientalista Chico Mendes (1944/1988), e da freira norte-americana Dorothy Stang (1931/2005), por lutarem contra os poderosos.
Segundo a jornalista croata-brasileira – Dorrit Harazim – que das 908 (novecentos e oito ) mortes registradas em 2012, de acordo com “Global Witness –
Testemunha Global”, foi de gente comum, em
luta contra mineradoras, madeireiras ou donos de terra, e o Brasil registrou
448 ( quatrocentos e quarenta e oito) assassinatos de defensores do meio ambiente, ou seja mais da metade
desses homicídios ocorreram nesse Brasil
continental. Carece uma reflexão.
23 de abril de 2014
São Pedro - Primeira parte
Ensina-nos
o escritor e poeta sãopedrense Grinalson Medina, no livro " Páginas da
nossa terra" que o primeiro posseiro aportou em 1837, nas alterosas
de São Pedro do Itabapoana, e as primeiras familias oriundas das Minas Gerais e
do Vale do Paraiba, chegaram em 1850. Consequentemente São Pedro vivenciou meio
século de escravatura, o qual é considerado o maior trauma da história do país,
e curiosamente o médico José Coelho dos Santos, filho do Mestre Silvestre -
escravo alforriado - por duas vezes Deputado Estadual, e na condição de
Presidente da Casa Legislativa, de acordo com a Loja Maçonica Ordem e
Progresso de Campos dos Goitacazes, onde foi membro, assumiu interinamente
Presidência do Estado do Espirito Santo, durante a República Velha. Ao se
confirmar tal afirmativa, Mimoso do Sul, além de Rubens Rangel, poder-se-ia
acrescentar Dr.José Coelho dos Santos, como governador oriundo de São Pedro, na
época, sede de Mimoso do Sul. A região de São Pedro está a 500(quinhentos)
metros acima do nível marítimo, por isso vocacionada para a cultura cafeeira, e
" São Pedro foi nos alvores do século XIX, uma das mais importantes
cidades do Espirito Santo" conforme declarou José Olympio de
Abreu, então Secretário de Cultura do governo Carlos Lindenbergh. E para
acrescentar, se faz necessário ratificar as assertivas acima citadas, pois em
1929, ano crack da Bolsa de Nova York, eis o censo polulacional do Espirito
Santo: São Pedro 44.054 habitantes, Cachoeiro do Itapemirim 36.541 e Vitória
28.828. É inequívoca a importância histórica de São Pedro do Itabapoana até o
dia 02 de novembro de 1930, quando 13(treze) caminhões com soldados armados,
num golpe militar, incineraram documentos oficais em praça pública, e
transportaram os livros do notário público para a Mimoso, cujo o toponômio na
época, mudou-se para João Pessoa. Se faz supor que tal golpe estava respaldado
na deposição de Washinton Luiz, por Getulio Vargas, que tomou posse no dia 03
de novembro de 1930. Essa manobra golpista provocou uma autêntica
diáspora, guardadas as proporções, tal qual o povo judeu foi
vítima na Segunda Grande Mundial.
São Pedro do Itabapoana / última parte
Segunda
Parte (última)
O Sitio
Histórico de São Pedro do Itabapoana, possui o seguinte acervo: 41
(quarenta e um) imóveis residenciais, o prédio "Câmara e Cadeia",
igreja católica e o calçamento central em "pé-de-moleque" que
pela importância histórica, foram tombados pelo Conselho Estadual de Cultura,
em 17 de fevereiro de 1987. O Sítio ora em tela, tem no seu casario o registro
sociossemiótico do poder econômico da segunda metade do século 19, em diante.
Nas fachadas dos casarios, de plantas retangulares, se observa que as portas
mantém a nobreza de suas ombreiras de madeira, sendo que algumas com soleira em
pedra. Os primeiros onze anos do tombamento "nada aconteceu" até o
surgimento do Primeiro Festival de Inverno da Sanfona e Viola, em 1998, no
interior do Sitio Histórico, tendo sido a primeira ação impactante. Foi uma
iniciativa de alto valor para a comunidade, no viés da autoestima dos
moradores. A partir de 2005, o governo municipal local, com o apoio da
Secretaria de Estado da Cultura, implanta uma política de desenvolvimento sustentável
calcada na na valoração e no acolhimento às características de um Sitio
Histórico, interpretando-o, a imperiosa necessidade e a possibilidade do
desenvolvimento a partir da semiótica que contextualizado nas suas
originalidades, demonstrem inequivocamente a diferença cultural. E no
arquétipo emoldurado pela iconografia do Sitio Histórico, se consolida também
como um bem turístico, e vaticina-se um futuro desenvolvimentista, desde que se
preserve a sua identidade. Dessa maneira que nasce o Núcleo de Música da
Sanfona e da Viola, fundado em 29 de julho de 2005, durante o III Festival de
Inverno e Sanfona, com parte do Projeto de Desenvolvimento Sustentável, através
do resgate da arte musical da viola e da sanfona, que deu inicio pelas
Oficinas Musicais", que na atualidade já se tornou um processo cultural
permanente, tanto o Festival quanto a Orquestra de Sanfona e Viola,
ambos repercutem em todo o Brasil e no exterior.
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