15 de dezembro de 2013

Nelson Mandela, ou Madiba


No último sábado que passou, dia 13de dezembro,  foi enterrado o Premio Nobel da Paz - Nelson Mandela, ou Madiba -  para os sul africanos. Foi enterrado em Qunu, onde passou boa parte da sua infância. A cultura da tribo Thembu - cuja a etnia Xhosa, é parte dessa origem -  determina que ele seja enterrado ao lado da casa onde viveu, e também acontecerá  o sacrificio de um boi. Os sacrificios dos animais não é um costume  dos povos africanos, na  Europa, na Grecia antiga já se sacrificavam animais, como na Roma dos césares. Está se descobrindo aos poucos, nas reflexões dos historiadores e cientistas sociais internacionais, que Nelson Mandela, está despontando como uma figura histórica impar, com escassos concorrentes no plano universal. Paradigma de  homem no espaço e no tempo,  e também como ser político e social. Um homem que passa vinte e sete anos na prisão, e grande parte desse tempo, numa cela solitária, por ter combatido  a perversa prática racista imposta aos negros sul africanos. E  ao ser libertado, iluminado, exerce na prática a virtude do perdão àqueles que foram seus algozes. Coordena a transição política sem derramamento de sangue. E depois conquista a presidência da Africa do Sul,  por um único mandato, e deixa a vida política, e se recolhe em casa, sendo que poderia  ter continuado como "ditador", conforme ocorre em grande parte do continente africano. Madiba se envolve na campanha de combate da Aids, no seu país, com índices elevados de contaminações. Nelson Mandela está na galeria de poucos, com altíssima moral, ao lado de Mahatma Ghandi, Tereza de Calcutá e Martin Luther King. O estadista Nelson Mandela, deixou a maior lição que qualquer cidadão deveria abraçar:  o perdão. Nelson Mandela, entra para a história, e que por certo terá a sua biografia apreciada nas escolas do mundo.

11 de dezembro de 2013

Vissi d'arte, vissi d'amore




Tosca, é a mulher-personagem da ópera que leva o mesmo nome, cujo o autor é  Puccini, e tal obra, teve a sua estréia em 1900, na Roma dos césares. Em suma, Tosca tem maioridade, pois é sucesso há mais um século. É  uma das óperas mais apresentadas e gravadas no mundo operístico.  A dramaturgia está para o teatro, assim como a paciência está para o monge tibetano. Desde as tragédias gregas – Édipo rei - passando pelo bardo inglês  Sir William Shakespeare,   quer na ópera ou na  antiga e tradicional representação teatral, o drama humano está presente com o seu “verissimo”, tramas ardilosas e tragédias febris e ferozes, o desejo desenfreado ao poder, corrupção, paixões individuais,  e as mais ignóbeis chantagens levadas à cabo pelas mentes humanas.  Todas convergentes ao binômio, amor e poder, creio ser oportuno, remeter  ao “affair” do general  romano Marco Antonio,  com a   rainha egípcia – Cleópatra – e depois  com Julio Cesar, que mereceu uma peça de Shakespeare. Essas torrentes de emoções, que originaram tantas peças de arte, se repetem no dia a dia, no tempo e no espaço diverso,  com tinturas da modernidade ou da pós-modernidade, de acordo com o gosto do freguês. E no vetor midiático, se colhe em profusão tais eventos metamorfoseados com indumentária  metafórica. Esse viés, não se repete, contudo, a verossimilhança é inconteste, até porque, parece que os autores acima citados,  e mais meia dúzia deles, passados  mais de dois mil anos, nada se apresentou, para sobrepor aos temas “esgotados” pelos gregos e seus seguidores, há quase cinco séculos. A  ênfase não é para essa possível  ausência de uma nova temática,  e/ou desdobramentos. Ressalta-se, é a presença inequívoca (enquanto voz) a denunciar,   “o quase igual nos tempos modernos”, a ferocidade das paixões,  a tortura moral, o diálogo feito a uma luta de feras, com urros, soluços e invectivas.  Tosca, antes  de matar o assassino do seu amor, refletiu : "vivi da arte, vivi do amor".  Em seguida,  suicida-se.

9 de novembro de 2013

Fernando Pessoa

Não tenho ambições, nem desejos.
Ser poeta, não é uma ambição minha,
é a minha maneira de estar sozinho.

Da minha aldeia vejo quanto da terra
se pode ver o universo...
por isso a minha aldeia é tão gande
como outra qualquer,
porque eu sou do tamanho do que vejo,
e não do tamanho da minha estatura.

A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas,
aponta-me todas as coisas que há nas flores,
mostra-me como as pedras são engraçadas
quando as tem nas mãos,
e olhe devagar para elas. 







3 de novembro de 2013

A lucidez





Disse o poeta: sou lúcido, que tragedia. A origem da palavra lucidez, vem da luz, ou daquilo que alumia. Johann Wolfgang Von Goethe (1749/1832)  esse endeusado filósofo alemão, vaticinava, que é da discussão que nasce  a luz, ou a lucidez.  São vetores dialógicos e/ou dialéticos.  Quando a lucidez  habita o cérebro,  ele trabalha de maneira mais apurada, quiçá ativando as funções mentais superiores. Eis algumas “armadilhas” arquitetadas pelas circunstâncias da vida, as quais parecem ser  (in)sensatas. Ei-las, como por exemplo, o indivíduo que pára o automóvel  em frente a  garagem da sua casa, e na contramão. O vizinho antigo, arregimentou 3 ou quatro cachorros, e  pela proximidade das casas, os latidos são constantes e atrapalham a audição do  noticiário, ou de se conversar,  sem contar  a “fedentina”, quando nos dias de chuva.  Compra-se numa loja e/ou farmácia um produto, que  foi pago em espécie,  todavia, se o consumidor comprou por engano, e retorna  de imediato, e solicita a devolução do dinheiro,  a mesma lhe é negada.  Multas de trânsito são registradas errôneamente no  prontuário, se fazendo  necessário constituir-se um advogado,  tanto quanto com os cartões de crédito.  As calçadas não facilitam trânsito da gestante, idoso e/ou cadeirante. Os autos com potentes sonorizações, emitem decibéis acima da tolerância de acordo com a lei.  Tal qual o sino da igreja, que acorda a  todos, muito cedo,  em pleno domingo e/ou feriado. Direções perigosas acompanhadas de "fechadas" inesperadas, de veículos, como motocicletas e/ou automóveis. E a concessionária de energia elétrica interrompe o fornecimento compulsório sem aviso prévio, e danifica aparelhos elétrico/eletrônicos,  e "de quebra" desconfigura  o computador, quando não lhe causa danos e/ou prejuízos. E tantos outros abusos cometidos, em quaisquer partes desse  Brasil continental e tupiniquim, do qual me orgulho, mesmo com esses descalabros ora citados. Afinal de contas, são somente vinte e cinco de democracia ininterrupta...Há muito resgate a ser feito. E por estar na estrada do ocaso, é menos difícil, carregar um olhar “quase” holístico, todavia, o pedágio é caro, para se coexistir com essa disjuntiva. O que fazer?

20 de outubro de 2013

O solista


Solo quer dizer só, e na arte da música é o solista, que emoldura a obra musical, e dá-lhe voz e estética.
A arte, ainda pouco descortinada, habita os cérebros iluminados, onde quer que eles estejam. A arte  é um mistério, também magia. Ainda dentro do contexto, um amigo brindou-me com um presente, deu-me  um filme, cujo o título é " O solista". E se trata de uma história real, que se passou em Los Angeles na América  do Norte.
A película, o "Solista,  de certa forma busca humanizar os problemas sociais que o cidadão norte-americano, tende a ignorar. E nós, herdeiros da sífilis lusitana e do pecado original, até certo ponto a carapuça também nos serve. Dentro da máxima popular - quem não vive para servir, não serve para viver - eis que na rica e poderosa Los Angeles, registra-se,  que cerca de noventa mil pessoas dormem ao relento todos as noites, e há anos. Daí a supimpa inspiração de se rodar um documentário, baseado na rotina de vida de um sem-teto, que solitariamente tocava o seu violoncelo, e vivia entre mendigos, ladrões e prostitutas. Trata-se de Nathaniel Ayers Jr. Ele estudou na Julliard School, a meca das escolas de música do mundo, e o seu  contemporâneo, foi Yo-Yo Ma, de origem chinesa,  todavia, nasceu em Paris, e atualmente é considerado um dos virtuoses do cello. Respeitando o tempo, espaço e estilo, traz-me   a recordação de outro virtuose do mesmo instrumento,  o ibérico Pablo Casals. Nathaniel, assim o tratarei na narrativa, sem digressões, com a dignidade que lhe é legítima. Ele é americano, porém, é afrodescendente, assim os americanos tratam àqueles que não são genuinamente do núcleo das suas origens.  Nathaniel é vítima do descaso das autoridades daquele país. Carrega uma conhecida doença mental, a esquizofrenia, que em grego significa : skizo = separação e phrenos = espírito. Ou seja a esquizofrenia, é a separação do espírito ou da mente. A esquizofrenia é uma condição mental, onde o consciente e o inconsciente, não sabem exatamente, onde começa um, e termina o outro. É como partir uma maçã em dois pedaços e colocá-las em lados opostos, ou seja, nessa posição as metades não se encaixam. Assim ensina a douta psicóloga carioca Márcia Mendonça. O roteiro cinematográfico trata-o com dignidade e respeito. É como se fosse uma oportunidade para Nathaniel,  se erguer com uma  força  imaginária pelo viés da amizade,  e da arte, ambas  como mecanismo de cura. Acredita-se que, o simples fato de ser amigo de alguém, isso poderá mudar a química do cérebro de um esquizoide. Acredita-se melhorar a funcionalidade das suas faculdades mentais. Nathaniel foi encontrado pela primeira vez, pelo jornalista - Steve Lopez - numa Praça de Los Angeles, diante da estátua de Beethoven, de quem é um ardoroso admirador, desse falcão da música erudita. O jornalista impressionou-se, e tentou ajudá-lo de todas as formas que lhe foram possíveis.
Certa vez, Yo-Yo-Ma, foi convidado a se apresentar como solista, com a Filarmônica de Los Angeles. O jornalista Steve Lopes, proativo, acionou contatos com a direção da Sinfônica, e o levou na apresentação. No final, foi convidado a ir ao camarim se encontrar com o mago do violoncelo. Nessa ocasião Yo-Yo-Ma, o reconheceu e pediu-lhe que tocasse seu instrumento, que o fez.
Em seguida o abraçou e disse-lhe : Você e eu dividimos algo mágico. Somos irmãos, e também na música. Sabemos a verdade que ninguém mais sabe. E as lágrimas rolaram em ambos.
Os esquizofrênicos possuem muita intimidade com as artes, tais como : a pintura abstrata, música, artes plásticas e etc. Eles desejam ser como o são, pois, a  esquizofrenia mesmo em alto grau, mantém as suas capacidades intelectuais sadias e, são capazes de sentirem os estímulos diferenciados, como também, ao contrário, é possível também encontrar algo de esquizofrênico,  na vida espiritual em pessoas com boas condições mentais. A coragem de Nathanael, aliada a sua humildade e fé no poder da sua arte, é possível aprender com ele a ideia central de ser leal a algo que você acredita, e acima de tudo manter essa inabalável determinação, que poderá levá-lo um dia, quiçá,  para casa dele.
Nathaniel continua morando em Los Angeles, sob os viadutos, e as vezes num abrigo que o acolhe. Certa vez foi lhe perguntado - que ao executar o seu violoncelo, sob os viadutos - como consegue ouvir a sua música, com tanto barulho provocado pelos carros. E Nathaniel respondeu : as únicas coisas que escuto, além da música, são os aplausos dos pombos, quando batem as asas.

15 de outubro de 2013

Dia mundial da alimentação

Em 1981, a ONU, criou o dezesseis de outubro como  o dia "mundial da alimentação"  A fome no mundo atinge 850 milhões de pessoas.  A causa principal é a desigual distribuição da riqueza do planeta. No Brasil cerca de treze milhões de despossuidos,  passam por gravíssimas  necessidades alimentícias, e  coincidentemente o mesmo quantitativo de analfabetos, ou de indivíduos com dificuldades de ler e/ou de escrever. Ressalta-se também a imensa quantidade do desperdício dos alimentos, destaque para as hortaliças, frutas e legumes. Perdem-se alimentos na colheita, armazenamento, resfriamento/conservação, transporte, restaurantes e nos lares...No  mundo o desperdício chega ao astronômico  volume de um bilhão e trezentas toneladas de alimentação, isto posto,  equivale a 250 m3 de água, o que é igual ao volume de água do rio Volga na Russia, que corre por 3700 km de extensão. Pense nisso...Daqui há 50 anos, teremos nove bilhões de habitantes. Como será o sistema produtivo na agricultura no Brasil? A população no  campo contabiliza-se  somente vinte por cento do povo brasileiro. O preço muito baixo do café por exemplo, está a provocar o êxodo rural, que sangra desde o governo da ditadura militar. Se faz necessário o subsídio para o café e o leite, para começar... essa práxis,  é velha conhecida no primeiro mundo.

6 de outubro de 2013

Premio Nobel



Esse prêmio existe há mais de um século. Quem o conquista recebe  1,2 milhão de dólares,  da coroa norueguesa, e por aqui nós do continente americano do sul  colecionamos meia dúzia de prêmios Nobel, e o Brasil, “neca-de-pitibiriba”.  Há algo de “podre no reino da Noruega” parafraseando W. Shakespeare,  mesmo sendo como referência a Dinamarca.  São todos vikings. As instituições como os  congressos de parlamentares, reitores de universidades, cortes  internacionais e outras entidades, estão autorizadas a indicarem personalidades para concorrerem as diversas premiações, física, química, literatura e o disputado premio Nobel da Paz. O líder pacifista Mahatma Ghandi  foi indicado por cinco vezes seguidas, até ser assassinado. A Academia não aprovou o nome do indiano. O poeta Carlos Drummond de Andrade, Jorge Amado, Jorge de Lima, Carlos Chagas, Adolfo Lutz e outros brasileiros foram cogitados,  mas por alguma razão, não lograram êxito.  Drummond é um caso isolado, pois não autorizou o seu tradutor sueco, a submeter a obra dele ao julgamento, igual tratamento foi dado a Academia Brasileira de Letras.  O baiano Jorge Amado, suspeita que o veto se efetivou por conta dele ser do partido comunista, conforme  a narrativa no seu livro – Navegação de Cabotagem – enfim, há uma nuvem cinzenta e densa nas   negativas supracitadas.  Um exemplo surreal, foi  a  teoria da relatividade, descoberta revolucionária  de Albert Einstein, que obteve a mesma resposta da comissão julgadora do Nobel, ou seja, não. Einstein era judeu. A (im)parcialidade entre os luminares, que ungem os premiados, é de difícil compreensão.

29 de setembro de 2013

Racismo no futebol (*)



O primeiro time de futebol a acolher um afro-descendente, foi o Bangu Futebol Clube, situado no bairro do mesmo nome, na zona oeste do Rio de Janeiro, e vizinho de Campo Grande e Santa Cruz. O Bangu era financiado pelos ingleses, então donos da fábrica de tecidos Bangu. Francisco Carregal, foi o primeiro afro-descendente a ser titular no Brasil, pelo Bangu. Depois Carregal foi craque do Flamengo Futebol Clube na modalidade do basquetebol. Parte dos Carregal moram em Copacabana, e se sentem legitimamente orgulhosos dessa ascendência atlética e genuinamente carioca. Quando o paulista Charles Muller, brasileiro, e filho de pai escocês, em 1894, trouxe da Inglaterra, primeira bola de futebol, e dois pares de chuteira para o Brasil, havia uma segregação, um preconceito racial, pois haviam os estádios de futebol dos brancos, e os negros em campinhos de futebol improvisados, nas várzeas. Entre 1920 e 1930, São Paulo chegou a ter 12 ligas informais, de pessoas de cor, que eram impedidas de participarem das ligas das elites da cor dito, brancas. Esses impedimentos dificultavam a ressocialização dos ex-escravos, recém libertados da masmorra. O Vasco da Gama Futebol e Regatas, foi um belíssimo exemplo, pois enquanto time de futebol, tentou disputar em 1924, a primeira divisão carioca, todavia teria que excluir doze jogadores negros, de acordo a exigência da preconceituosa Associação Futebolística. Não atendeu a pressão e não disputou. Salve o Vasco da Gama. (**)


(*) Matéria adaptada ao texto de Renato Grandelli, d'O Globo -  28/09/2013

(**) Como mestrando da UENF, por favor, afim de avalizar meu projeto, solicito os seguintes dados do prazeroso visitante:
Qual o sexo? Idade, escolaridade,  e a Unidade da Federação.  Muito obrigado.




19 de setembro de 2013

O ladrão de galinha, e o ladrão de casaca



Há um aforisma, de cunho popular, assim: "Para os amigos tudo, para os inimigos os rigores da Lei", essa máxima popularesca e (des)pretensiosa, remete a uma reflexão diante do julgamento dos protagonistas do julgamento, apelidado pela imprensa de "mensalão"(desvio de 141 milhões de reais dos cofres públicos) que foram beneficiados, coincidentemente, após da nomeação dos novos ministros, os quais votaram a favor da quadrilha, que segundo o Ministério Público Federal, construiu o valhacouto junto as hostes do alto poder público do país. O Brasil consciente está de luto... recolhido face ao desfavor que alguns patrícios cometeram contra a República brasileira. Não se deveria acreditar, que o país está abaixo da linha do Equador, um país periférico, não tão somente no recorte geográfico, mas naquilo que é ético e moral. A bandeira brasileira está à meio-mastro na consciência daqueles que incorporam sentimento cívico, diante dessa hecatombe, que vitimou grande parte da nação brasileira. A convicção de Cícero - grande tribuno romano - que do altíssimo saber, no seu terceiro livro do tratado "Dos deveres", citou os versos de Eurípedes, repetidos por Julio Caio César: "Se se há de violentar a justiça, é para reinar que se deve violentá-la. Nos demais casos, pratica-se a virtude". O julgamento desses juízes, que estão acima do e bem do mal, será através da história, contudo serão prisioneiros da suas próprias consciências, pois relembrarão dos seus votos, ao adentrarem nos teatros, cinemas e outros locais, quando serão recepcionados com insultos e vaias dos populares. Fica patenteado que a justiça é enviesada, a favor dos endinheirados. Se fosse um ladrão de galinhas, certamente já estaria algemado e trancafiado numa cela fétida, num desses rincões do Brasil tupiniquim e continental.

5 de setembro de 2013

Espionagem


A mídia se ocupa através de todos os meios disponíveis, sobre a possibilidade de que autoridades brasileiras, foram e/ou estão sendo espionadas pelos órgãos de inteligência do grande país da America Setentrional, ou melhor, da terra do Tio Sam. Para compreender essa complexidade - Henry Kissinger - no prefácio do seu livro, lançado pela Editora Objetiva – Sobre a China – assim escreveu: “ O excepcionalismo americano é missionário. Segundo a doutrina , os Estados Unidos tem a obrigação de disseminar seus valores em todas as partes do mundo”. Está evidenciado o caráter oficial desse país, que prega ser o paladino da verdade. A nação norte-americana assim se considera, e por isso, que se envolve em grande parte nos conflitos no mundo. Atentamos para a perspectiva de se invadir a Síria, por um suposto uso de armas químicas. Se faz mister a aprovação do Congresso norte-americano, para se efetivar a intervenção pelas armas, a esse país de origem árabe. E por ser assim, forte e poderoso - Washington - intervém nas soberanias de outros povos, e por essa razão, tem sido a nação americana, a maior vítima, (considerando históricamente, os olhares da adversidade) dos (in)justificados atentados terroristas. A intervenção nem sempre é militar, sendo que muitas das vezes se reveste de robustos investimentos em países com maiores dificuldades, sugando-lhes na maximização dos lucros, e não permitem, ou não são facilitadores da transferência tecnológica. A práxis intervencionista contraria frontalmente a tradicional e norteadora Doutrina Monroe, editada na primeira metade do séc.18, e sancionada pelo então presidente, James Monroe. Alegam os americanos do norte, que as espionagens são para conter os ataques de grupos terroristas, todavia há controvérsias, pois nessa esteira de justificativas, é provável que, escarafunchem negociações comerciais, e/ou estratégicas no setor energético( por exemplo o pré sal) e geopolítico. Não cabem bravatas. Recomendar-se-ia o exercício de uma eficaz diplomacia. Pressionar o governo "yankee", junto aos organismos internacionais, tais como a ONU –Organização das Nações Unidas, OEA - Organização dos Estados Americanos(com sede na Costa Rica) Tribunal de Haia, Organização Mundial do Comércio e outros. Os Estados Unidos pensam e agem diametralmente contrário ao modus vivendi" da China, que não possui a prática expansionista tradicional, e que convive com a universalidade cultural. Exceto, a sua intransigência inaceitável em manter o Tibet sob o domínio dela.

1 de setembro de 2013

Herois anônimos



Sete de setembro de 1889, data simbólica, que se torna importante para a formação da cidadania brasileira, começando desde cedo essa atividade cognitiva tendo como conteúdo a "terra brasilis". Em todas as escolas do país dever-se-ia cantar o Hino Nacional, e ter conhecimento do significado da semiótica que emoldura os símbolos nacionais, oriundos da história. É na fase infanto-juvenil que se impregna, a idéia da valoração dos signos nacionais. Do respeito à Pátria, a República e seus poderes constituídos. E por se tratar de civismo, por aqui, nesse pacato condado, o poder público resgata a história e ergue-se um modesto - contudo - um cosmopolita memorial, para que se lembre dos heróis, que lutaram pela democracia na Segunda Grande Guerra Mundial, e que tal fato nunca mais se repita. Os filhos de Mimoso do Sul que convocados pelo Exército Brasileiro, não arrefeceram e embarcaram em 1944, para a Itália, na época, aliada dos alemães. Corajosos “pracinhas” foram lutar contra o nazi-fascismo, salvando o mundo da loucura assassina do alemão Adolfo Hitler, e coadjuvado pelo italiano Benito Mussolini. Alguns bravos conterrâneos, voltaram com as sequelas da guerra, outros morreram. Essas legítimas homenagens são prestadas aos heróis de todos os países envolvidos, na Segunda Grande Guerra Mundial. No Rio de Janeiro, Paris, Londres e Moscou e agora em Mimoso do Sul, localizado no extremo sul do Espírito Santo, que conquista lugar de destaque na galeria dos povos que reconhecem e cultuam seus bravos soldados. Parabenizo os Poderes Legislativo, que votou e aprovou o projeto de lei, e a sensibilidade do poder executivo que sancionou a citada lei, de cunho cívico-cultural-histórico e educativo. Dia 06 de setembro, resgata-se a história , ao se inaugurar na Praça Cel. Paiva Gonçalves o memorial desses heróis .

17 de agosto de 2013

China (1)


A China é por demais misteriosa, e encantadora. A mística dessa raça, dita amarela, conta com cinco mil anos aproximados de existência, e habita uma área de nove milhões e meio de quilômetros quadrados. As provas dessa existência são produzidas pela arqueologia, através do teste carbono 14. Na China de Zhou Enlai, as dinastias prevaleceram como forma de governo, que são dirigidos por familiares e parentes, sendo que alguns casos, duraram mais de dois mil anos. Como paradigma, a dinastia Shang (séc.18 até 1025 a.C), não foi a primeira, contudo foi a mais longa. A escrita chinesa é verticalizada, e a linguagem do ideograma exprime uma ideia ou objeto. A sintaxe chinesa é composta de milhares de sinais gráficos, carregados de farta simbologia. Kuo-Mo-Jo, um sábio das hostes do PCC - Partido Comunista Chinês, conheceu 50.000 ideogramas. Para se ler um jornal se faz mister dominar tres mil, um professor, sete mil, e um erudito, cerca de dez mil ideogramas. O viés místico, possui um exemplo clássico: a serpente tem o significado da renovação da vida. As conjecturas sobre a origem chinesa foram calcadas em cima de heróis culturais, destaque para o Imperador Amarelo considerado o fundador da China, contudo o entendimento, no mito fundador, na realidade ele foi o restaurador. A China o antecede: ela avança rumo a consciência histórica, como um Estado estabelecido, necessitando de restauração, e não de criação. É um paradoxo da cultura desse povo. Confúcio não inventou uma cultura, ele revigorou os princípios da harmonia que haviam existido num outro momento histórico da China, mas que haviam se perdido na era do caos político...Parece haver uma cultura atávica no “inconsciente coletivo” desse povo asiático.

Referencias: Henry Kissinger - Sobre a China / Dicionário de simbologia - Manfred Lurker / Navegação de Cabotagem - Jorge Amado

10 de agosto de 2013

Orlando Orfei e o circo



O circo é uma atividade artística, todavia metálica, pois resiste ao longo do tempo, desde os espetáculos patrocinados pelos romanos, nas suas largas arenas. Isso ocorreu na Idade Antiga no enfrentamento de guerreiros versus guerreiros e/ou bandidos e feras de todas as espécies da época. O povo estava sempre presente, nessa diversão, bem como o rei, os sátrapas e outros. Assim era o costume, segundo a história. Todavia a multicultural China, do alto dos seus cinco mil anos (ou mais) de existência, quiçá, há muito cultivasse o  circo. Recentemente tomei conhecimento de um procedimento: Porque o elefante dança quando se executa uma determinada música no picadeiro? Ora pois, esse mesmo elefante foi “treinado” ao ser colocado sobre uma chapa de aço quentíssima. O animal sofria com a temperatura, e "sapateava", pela dor intensa, e concomitantemente ouvia-se  uma música. O animal diante dessa perversidade, condicionou-se; e nas apresentações, a mesma sonorização quando tocada, o elefante dançava. Esperamos todos, que esse tipo de espetáculo, não deve ser  apresentado. Contudo o circo, é o palhaço e suas brincadeiras, o jogo dos malabares, a travessia nos fios de arame, trapezistas(com rede de proteção ou não) globo da morte e outros números, fazem do circo um espetáculo lúdico e atemporal, quer para a petizada, quer para o público adulto, que se veste do espírito infantojuvenil e banqueteia-se na alegria. No passado o circo encenava peças teatrais, dentro do roteiro da dramaturgia universal, peças como Romeu e Julieta de Shakespeare, Carmem de Bizet e outros. E uma pequena orquestra fazia a sonoplastia de acordo com andamento do drama. O circo é paixão e amor. A atividade circense é franciscana, despojada como exige toda e qualquer arte. O entretenimento tem algo diferenciado,  é por demais apreciado. O circo enriquece a alma, e o imaginário das crianças em especial. O grande diretor circense – Orlando Orfei – não resistiu a pós-modernidade do circo, tal qual o de Soleil, ou melhor: Cirque de Soleil, com a participação de adonis, narcisos(as) e efeitos especiais, que lembram os filmes ficcionais, disponibilizados pelas novas tecnologias cibernéticas. Orfei não reside em Miami ou em Madagascar, e muito menos em Paris. Com dificuldades, vivia  modestamente em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, no Estado do Rio de Janeiro, e atualmente mudou-se para Vésper, no espaço cósmico.

6 de agosto de 2013

Um papa da ordem dos jesuitas?



O Papa Francisco chefe da igreja católica, de inspiração judaico-cristã visitou recentemente o Brasil. Deixou no seu rastro fios condutores de esperança, por ter verbalizado corajosas idéias, num mundo conservador e a cada dia mais consumista. O povo vive na expectativa de dias melhores. E deposita nos seus ícones a capacidade em alavancar mudanças, preferencialmente estruturais. Há no ar além do desejo de transformação, um pueril entusiasmo quando escutam líderes da magnitude do Papa Francisco, Dalai Lama, Angela Merkel ou Barack Hussein Obama. O sumo sacerdote, afirmou que não trazia nem ouro e nem prata, era portador da emoção por ter trazido Jesus Cristo no coração dele. E mais à frente, interpretou, que é parte da juventude, a atitude do protesto, e "en passant" alfinetou os bispos, que não devem se sentir como príncipes. A primeira assertiva, traduz que a emoção da fé transcende a práxis de se acumular riqueza. Em segundo lugar, reconhece o direito de reivindicar, é um pressuposto inerente aos jovens. E por último, deu um “puxão nas orelhas” nos bispos que vivem encastelados e distantes dos fiéis. O Papa Francisco é um jesuíta, que inexoravelmente é a ordem religiosa mais culta e avançada da igreja católica. Não há hierarquia entre os membros da secular Companhia de Jesus, fundada pelo espanhol Inácio de Loyola. A sua representação no Vaticano, é de um Cardeal, por exigência do dogma. No passado era conhecido como o papa negro, pelo uso de paramentos de cor escura nos conclaves. Um papa com formação jesuítica, não agrada a “direita“ da instituição, tanto é fato, que me parece ser o primeiro prelado de inspiração inaciana, em toda a história da Santa Sé, a ocupar o cargo máximo. E para finalizar, se autodenominou de Francisco, o mais significativo paradigma da igreja católica, face ao despojamento pleno dos bens materiais.

21 de julho de 2013

Pretos...



As prisões aqui, e no resto do mundo estão apinhadas de putas, pretos e pobres, essa tríade é sempre lembrada, por alguém que escreve ou fala, e inexoravelmente deve ser possuidor de uma aguçada sensibilidade, pois, consegue solidarizar-se com o semelhante na sua mais simplória similitude, ou seja, a de ser humano, mesmo com tinturas ou não, de doutrinas, seitas ou religiões de origem judaico-cristão, budista, muçulmano, xintoista, candomblé. Nas manifestações das ruas, as mídias tem sido hostilizadas, os bancos comerciais são atacados, os palácios dos governos idem, as assembleias estaduais, congresso nacional, e outros próprios públicos. As instituições são simbólicas, e o povo as nomeia, tanto quanto os franceses identificaram a Bastilha (1789), o mais forte emblema que significava como o algoz do povo. A monarquia ruiu, e junto com ela, a igreja católica, e os privilégios absurdos foram abolidos e se convocou uma histórica Assembleia Constituinte, cujo o lema foi a fraternidade, igualdade e a liberdade. O dia 14 de julho, é o mais importante feriado da França. Os três poderes “ definidos pelo francês Montesquieu, que são harmônicos entre si, todavia, servem tão somente a elite. “ O povo é melhor do que as elites “, assim afirmou o jurista Afonso Arinos de Mello Franco, do alto da sua sabedoria. Numa tentativa em contextualizar, eis um exemplo abjeto, acontecido na terra de Borba Gato: o jornalista Pimenta Neves, então diretor do poderoso matutino "O Estadão", matou pelas costas a sua namorada. Um crime que chocou a opinião pública. A lei faculta aos endinheirados, a recorrerem em liberdade. Quase dez anos depois, é que o supracitado assassino foi recolhido para o presídio de Tremembé(SP). O outro descalabro, é a prática dos juros escorchantes, o valor pago nas aposentadoria, é uma vergonha, as benesses abusivas dos parlamentares, as licitações viciadas, caixas pretas intocáveis, policia truculenta, enfim, um rosário de injustiças, privilégios incompreensíveis, abuso de poder, e tantas outros infortúnios praticados há séculos. Pode ser que essas manifestações são como uma demanda há muito reprimida, tal qual o reservatório de uma grande barragem, quando as comportas se rompem pela pressão das águas.

15 de julho de 2013

Sinopse sobre São Pedro do Itabapoana




O primeiro posseiro a chegar em São Pedro, tem o seu registro histórico em 1837, contudo as primeiras famílias vindas dos estados das Minas Gerais (maioria), e do Rio de Janeiro, se fixaram nesse condado em 1850. No caso das Minas Gerais, credita-se a esse movimento o chamado "refluxo das bandeiras”, podendo ter sido motivado pela rigorosa proibição do Império português, de que os mineiros não adentrassem as matas, pelo fato que nelas se supunha haver, ouro em profusão. A comunidade floresceu, tendo instalado fábricas de seda, e de ferraduras destinadas aos muares-de-carga. Em 1887, conquista-se a independência de Cachoeiro do Itapemirim, e por decreto provincial, galga a condição de freguesia, com o seguinte topônimo: São Pedro de Alcântara do Itabapoana. A região vocacionada para a cafeicultura, possuía uma intensa vida social e cultural. Em 1929, assim era o censo da população na região sul do estado: São Pedro: 44.054 / Cachoeiro 36.541 / Vitória (capital) 28.828. De todos os ilustres são-pedrenses, se me permitem, destacaram-se: José Coelho dos Santos, médico, filho do escravo alforriado - Mestre Silvestre - que conquistou o 1º lugar nas provas da Academia Nacional de Medicina e recebeu o cobiçado premio Torres Homem. Deputado estadual por duas vezes, e na condição de Presidente da Assembléia, exerceu o cargo de governador. Esteve como médico-correspondente da Academia Francesa de Medicina. Outro ícone,foi Grinalson Medina, poeta e escritor que demonstrou inequívoca tenacidade, pois em comissão com outros são-pedrenses, dirigiu-se ao interventor na época. Essa comissão tentou reverter o golpe militar, quando da tomada de São Pedro em 02 de novembro de 1930. A invasão militar, estava amparada na deposição de Washington Luiz, por Vargas, através das armas nos dias finais de outubro de 1930, que se auto-proclamou ditador, e por 15 anos governou o Brasil. A partir desse evento, a sede transfere-se para Mimoso que na época se chamava João Pessoa, em homenagem ao candidato a vice-presidente na chapa derrotada de Getulio Vargas, e após treze anos, retornou com o topônimo original - Mimoso - acrescentando-se “Sul”, por estar localizada no extremo sul capixaba. E para finalizar, assim narrou Olympio José de Abreu: “ São Pedro foi nos alvores do séculos XIX/XX, uma das mais importantes cidades do Espírito Santo. Por iniciativa do poder público (leia-se ex-Prefeito Ronan Rangel) há 16 anos, consolidou-se um processo cultural, de transcendência nacional conhecido como “Festival de sanfona e viola”, que mantém rigorosamente a tradição do cancioneiro caipira emoldurado pelo bucolismo das alterosas são-pedrenses.

Referencias: “São Pedro do Itabapoana – Páginas de nossa terra – 1534 a 1931” de Grinalson Francisco Medina
Mimoso do Sul 1951 – Um município em revista – Diretores: Newton Braga e Ormando de Moraes

6 de julho de 2013

A casa da gente

A casa da gente.

Calma! Dizia ele ao chegar em Brasília vindo do Rio. E continuava: o corpo chegou, mas a alma, demora um pouco para se reincorporar... a velocidade do avião é supersônica. E sorria. Paciência, alertava êle. E com passos levemente trôpegos, se encaminhava a uma confortável cadeira giratória, e refastelava-se, cerrando os cílios, afirmando que estava em “alfa”. Após o processo da “reincorporação”, estaria apto a discutir a agenda. Êle Artur da Távola, jornalista, escritor e senador, também vaticinava que a casa da gente sente a nossa falta quando nos ausentamos. Pode parecer uma bobagem, mas ao contrário, isso ocorre. No meu retorno de pequenas viagens, fico a admirar a jabuticabeira , que é moradora do quintal do meu tugúrio, ou da minha modesta residência. No seu tempo, se enfeita elegantemente de colares de contas negras. Não tive a honraria de presenciar a sua primeira florada anual. A cadeira e a mesa de cerejeira, emudecida foi palco e testemunha de muitas conversas interessantes. E a confortável poltrona, presente de “mi hija”, é uma coadjuvante nas audições quase diárias de Bach e outros. A pequena biblioteca, onde se hospedam além das lembranças atávicas ( e de dentro da casa vejo a flor do hibisco, que adormece, para despertar com sol do amanhecer”), o computador, e as viagens de Swift através de Gulliver, sem falar das crônicas de Rubem Braga, ou do “Aleph” de Jorge L.Borges, ou o mapa do blues, de Bessie Smith, ou o som do sax de Lester Young,o trumpete de Wilton Marsallis e a big-band de Duke Ellington e tantos outros jazzistas. E na sequência o livro da história da Portela, ou do G.R.E.S. - Gremio Recreativo Escola de Samba da Portela, do legendário Paulo Benjamin de Oliveira – Paulo da Portela - e do sambista Monarco. A Portela nasceu na querida Madureira, a “meca” da zona norte no Rio de Janeiro. Vasculhar as estantes e encontrar sem querer(querendo), os versos intemporais do bardo Patativa do Assaré, ou do outro nordestino cultíssimo folclorista, etnólogo, historiador, antropólogo, ou tudo que ele queira ser, aqui ou Harvard, Oxford ou na Sorbonne – Câmara Cascudo – um dos ícones da terra brasilis, junto com o baiano Jorge Amado, merecedor do premio Nobel, como foram agraciados, o chileno Pablo Neruda e o guatemalteco Miguel Angel Asturias, e muitas outras constelações de poetas e escritores. E por fim, relembrado, a Flip - Feira Literária Internacional de Paraty, homenageia Graciliano Ramos, preso político na Ilha Grande, por ser filiado ao Partido Comunista, durante a vigência do Estado Novo. Na prisão escreveu "Memórias do Cárcere" narrando a sua infortunada experiência, o qual se transformou num dos livros mais lidos pelos brasileiros. Na casa gente, os objetos tem vida, e são os fantasmas materializados pelo imagético de cada um...

25 de junho de 2013

Leon Tolstoi



Leon Tolstoi, escritor, de renome universal, um verdadeiro cossaco, disse do alto da sua sabedoria : ” ... se queres tornar-se universal, comece por pintar a sua própria aldeia... “ Nesse andamento, como se fosse uma sinfonia e seus movimentos, a escritora Karina Fleury, garimpa de forma arqueológica-literária a vida e a obra de Maria Antonieta Tatagiba, e transcende esse percuciente estudo, quando faz analogias e exegeses bem fundamentadas, ou quando denuncia com legitimidade histórica, o acorrentamento das mulheres pelos ditames da falocracia, lamentavelmente, ainda em pleno vigor ...E ancorando seu ideário na consistência dos versos e dos conceitos nele contidos, encontra a escritora Karina Fleury, paradigmas, desde Charles Baudelaire até o estilo modernista místico-melancólico de Cecília Meirelles, sem contar - Virginia Woolf - essa inglesa, sempre atemporal... Os escritores , além da imortalidade das suas obras, na realidade são as suas próprias e (in)contestes ânimas ! Isso vale para quaisquer outras artes. A mestra Karina Fleury, sua fidelíssima – ghost writer – discorre com cuidadoso equilibrio a saga da família, e a via crucis da autora de - Frauta agreste – incorporando sua admiração e reconhecimento da peculiar poética, digna de quaisquer galerias oficiais. Antonieta publicou seu livro acima citado em 1927, no Rio de Janeiro. De onde recebeu elogios ,através do “ O Jornal “, o então conceituadíssimo matutino, pertencente ao poderoso conglomerado dos Diários Associados. É a poetisa-primeira do pequeno estado do Espírito Santo, e morreu precocemente aos 33 anos...lutou bravamente contra o bacilo de Koch, e infelizmente não o venceu.
A intensa peregrinação empreendida pela autora, na abissal biografia, ao escrever – O papel da mulher e a mulher de papel - Editora Opção - é mais uma tentativa, espero seja frutífera, de tornar Maria Antonieta Tatagiba, num vate cosmopolita, que viveu na década da Semana da Arte, realizada em 1922, sob a batuta de Mário de Andrade e outros entusiastas colaboradores. A autora da – Frauta agreste - viveu nas alterosas sãopedrenses, no extremo sul do estado natal de Rubem Braga ...Se ela tivesse nascido francesa, certamente seria reconhecida, pois a França, possui um modelar respeito aos seus ícones, onde o padrão básico de conhecimento é compartido com todos, indistintamente. A este padrão pertencem naturalmente os escritores. Por essas bandas de cá, as coisas culturais não florescem, pelo estrabismo anacronico do poder público acanhado, e soturno. Não toma iniciativas, e não permite, em nome do obscurantismo, que outrem o façam...A Mestra Karina Fleury é uma bem-aventurada, ao se lançar no resgate de uma poetisa de escol, e injustamente olvidada. Não é para se colocar algodões entre os cristais, mas para refletir : o transcendental escritor e dramaturgo - Leon Tolstoi - até hoje, passados 110 anos, continua excomungado por ter colaborado com a revolução de 1917.

22 de junho de 2013

Cárcere privado - primeira parte


O fulcro da  narrativa é de cunho verdadeiro, e chegou ao meu conhecimento por um confiável interlocutor. O contexto, mesmo emprenhado de algumas lentes de aumento, faz sentido,  pelo conteúdo do relato, mesmo estando envolvido de compreensível ingrediente emocional. O fato ocorreu nos anos sesenta, no extremo sul capixaba, e se estendeu até ao Rio de Janeiro. Marialice era filha de Antonio e Berê, e irmã de Santinho, um cozinheiro de categoria, que harmonizava os temperos, como se fosse um maestro de uma orquestra sinfônica. Nunca soube da vetusta escola Cordon Bleu em Paris,  contudo possuia “savoir-faire” na arte  da cocção, quer  para rei, quer para os amigos.  Curiosamente afirmava que pimentão é uma hortaliça, e enquanto viveu, nunca "o convidou" para os seus marinados. Acusava ser o pimentão tão autoritário, que anulava os demais.
Marialice residia em Matilde, um vilarejo que pertencia ao Cachoeiro de Rubem Braga. Era um bela mulher. Impressionava os homens pelos seus olhos azuis, seios fartos e porte empertigado. Berê, sua mãe, sabidamente não podia arcar com despesas extras, além do teto, alimentação e um simplório guarda-roupa. E nada mais. Aos dezessete anos, na flor da idade, Marialice, segundo a sua mãe, já estava na hora de conseguir um casamento de conveniência, com um homem abastado.
Nagib Ahmed, na época, um bem sucedido ex-mascate, talvez um ascendente omíada, e patricio do escritor Gibran Khalil Gibran(1883/1931). Possuia um grande empório, considerando a sua geo-localização. O seu comércio funcionava na viela principal, num prédio antigo, com sete portas, e vendia de tudo um pouco. A mercadoria era sortida, pois oferecia desde as populares calças brim-coringa, até os mágicos tabletes de anil, alvejante das roupas encardidas.
Nagib Ahmed era o perfil exato que Berê desejava para sua filha. O mouro tinha uma vida regalada e opulenta. Era voz corrente entre os moradores, que era possuidor de um voraz apetite sexual, do alto dos seus cinqüenta e oito anos. Nunca se casou, pois o propósito era fazer fortuna. Órfão de mãe, não teve infância e muito menos juventude; pois começou na labuta aos nove anos com seu pai. O árabe Nagib Ahmed era quase da cor do ébano, seu perfil era a de um sujeito forte e atarracado, e sempre com a barba por fazer. Chamava seus fregueses de "brimo ou brima", com atenção e simpatia. Berê tomou coragem e foi até “ao lôja” do solteirão e rico comerciante. E fez-lhe a proposta de lhe apresentar a filha Marialice, podendo desposá-la, se lhe conviesse. O ex-mascate aceitou, e exultou-se com a oferta. Comunicada, Marialice entrou em desespero, e depressão. Perdeu os sentidos. Berê às pressas, saiu em busca de ajuda. Nesse ínterim, recobrou os sentidos e fugiu em direção a casa do seu tio, no qual depositava toda a confiança. Seu tio residia nas alterosas mineiras, e o lugarejo era conhecido como, Chora Morena. Passaram-se meses, e ela, infortunadamente foi descoberta. O parente não teve pulso suficiente, para impedir que ela partisse. E a desventura se concretizou, casando-se com o noivo que lhe foi absurdamente imputado. O casamento compulsório pelas circunstancias, foi matizado por desavenças diárias, pois Marialice rejeitava o estupro da sua dignidade, submetido-lhe por sua genitora.
Certa vez, fugiu diante de num descuido, desse ascendente bérbere.. Não tardou a ser descoberta e retornou a casa de Nagib Ahmed, que morava no andar de cima do “seu lôja". Era um prédio de sobrado. Pela fuga, o comerciante a puniu severamente. Primeiramente lacrou as janelas da frente da casa privando-a de ver à rua principal. E em seguida, acorrentou-lhe dentro de casa, limitando os seus movimentos. Um  cárcere privado. E assim coexistia essa mulher com o infortúnio. Emudecida, servia ao seu impostor nas suas libações sexuais, esperando o dia “d” para conquistar a sua liberdade. E não tardou, surgindo uma impar oportunidade. Após um dia de intenso trabalho, e por demais cansado, estirou-se o beduino na sua costumeira cadeira de balanço. E com a bôca às escancaras, dormitou pesadamente. Marialice não perdeu tempo: com a água que preparava para o costumeiro café, jogou-lhe água fervente de goela abaixo. Urrou feito um javali ferido.
Em seguida, apanhou as chaves, abriu as algemas e o cofre. Fugiu, segundo se supõe, para a terra dos bandeirantes. Nagib Ahmed, gravemente ferido, não morreu.