5 de setembro de 2013
Espionagem
A mídia se ocupa através de todos os meios disponíveis, sobre a possibilidade de que autoridades brasileiras, foram e/ou estão sendo espionadas pelos órgãos de inteligência do grande país da America Setentrional, ou melhor, da terra do Tio Sam. Para compreender essa complexidade - Henry Kissinger - no prefácio do seu livro, lançado pela Editora Objetiva – Sobre a China – assim escreveu: “ O excepcionalismo americano é missionário. Segundo a doutrina , os Estados Unidos tem a obrigação de disseminar seus valores em todas as partes do mundo”. Está evidenciado o caráter oficial desse país, que prega ser o paladino da verdade. A nação norte-americana assim se considera, e por isso, que se envolve em grande parte nos conflitos no mundo. Atentamos para a perspectiva de se invadir a Síria, por um suposto uso de armas químicas. Se faz mister a aprovação do Congresso norte-americano, para se efetivar a intervenção pelas armas, a esse país de origem árabe. E por ser assim, forte e poderoso - Washington - intervém nas soberanias de outros povos, e por essa razão, tem sido a nação americana, a maior vítima, (considerando históricamente, os olhares da adversidade) dos (in)justificados atentados terroristas. A intervenção nem sempre é militar, sendo que muitas das vezes se reveste de robustos investimentos em países com maiores dificuldades, sugando-lhes na maximização dos lucros, e não permitem, ou não são facilitadores da transferência tecnológica. A práxis intervencionista contraria frontalmente a tradicional e norteadora Doutrina Monroe, editada na primeira metade do séc.18, e sancionada pelo então presidente, James Monroe. Alegam os americanos do norte, que as espionagens são para conter os ataques de grupos terroristas, todavia há controvérsias, pois nessa esteira de justificativas, é provável que, escarafunchem negociações comerciais, e/ou estratégicas no setor energético( por exemplo o pré sal) e geopolítico. Não cabem bravatas. Recomendar-se-ia o exercício de uma eficaz diplomacia. Pressionar o governo "yankee", junto aos organismos internacionais, tais como a ONU –Organização das Nações Unidas, OEA - Organização dos Estados Americanos(com sede na Costa Rica) Tribunal de Haia, Organização Mundial do Comércio e outros. Os Estados Unidos pensam e agem diametralmente contrário ao modus vivendi" da China, que não possui a prática expansionista tradicional, e que convive com a universalidade cultural. Exceto, a sua intransigência inaceitável em manter o Tibet sob o domínio dela.
1 de setembro de 2013
Herois anônimos
Sete de setembro de 1889, data simbólica, que se torna importante para a formação da cidadania brasileira, começando desde cedo essa atividade cognitiva tendo como conteúdo a "terra brasilis". Em todas as escolas do país dever-se-ia cantar o Hino Nacional, e ter conhecimento do significado da semiótica que emoldura os símbolos nacionais, oriundos da história. É na fase infanto-juvenil que se impregna, a idéia da valoração dos signos nacionais. Do respeito à Pátria, a República e seus poderes constituídos. E por se tratar de civismo, por aqui, nesse pacato condado, o poder público resgata a história e ergue-se um modesto - contudo - um cosmopolita memorial, para que se lembre dos heróis, que lutaram pela democracia na Segunda Grande Guerra Mundial, e que tal fato nunca mais se repita. Os filhos de Mimoso do Sul que convocados pelo Exército Brasileiro, não arrefeceram e embarcaram em 1944, para a Itália, na época, aliada dos alemães. Corajosos “pracinhas” foram lutar contra o nazi-fascismo, salvando o mundo da loucura assassina do alemão Adolfo Hitler, e coadjuvado pelo italiano Benito Mussolini. Alguns bravos conterrâneos, voltaram com as sequelas da guerra, outros morreram. Essas legítimas homenagens são prestadas aos heróis de todos os países envolvidos, na Segunda Grande Guerra Mundial. No Rio de Janeiro, Paris, Londres e Moscou e agora em Mimoso do Sul, localizado no extremo sul do Espírito Santo, que conquista lugar de destaque na galeria dos povos que reconhecem e cultuam seus bravos soldados. Parabenizo os Poderes Legislativo, que votou e aprovou o projeto de lei, e a sensibilidade do poder executivo que sancionou a citada lei, de cunho cívico-cultural-histórico e educativo. Dia 06 de setembro, resgata-se a história , ao se inaugurar na Praça Cel. Paiva Gonçalves o memorial desses heróis .
17 de agosto de 2013
China (1)
A China é por demais misteriosa, e encantadora. A mística dessa raça, dita amarela, conta com cinco mil anos aproximados de existência, e habita uma área de nove milhões e meio de quilômetros quadrados. As provas dessa existência são produzidas pela arqueologia, através do teste carbono 14. Na China de Zhou Enlai, as dinastias prevaleceram como forma de governo, que são dirigidos por familiares e parentes, sendo que alguns casos, duraram mais de dois mil anos. Como paradigma, a dinastia Shang (séc.18 até 1025 a.C), não foi a primeira, contudo foi a mais longa. A escrita chinesa é verticalizada, e a linguagem do ideograma exprime uma ideia ou objeto. A sintaxe chinesa é composta de milhares de sinais gráficos, carregados de farta simbologia. Kuo-Mo-Jo, um sábio das hostes do PCC - Partido Comunista Chinês, conheceu 50.000 ideogramas. Para se ler um jornal se faz mister dominar tres mil, um professor, sete mil, e um erudito, cerca de dez mil ideogramas. O viés místico, possui um exemplo clássico: a serpente tem o significado da renovação da vida. As conjecturas sobre a origem chinesa foram calcadas em cima de heróis culturais, destaque para o Imperador Amarelo considerado o fundador da China, contudo o entendimento, no mito fundador, na realidade ele foi o restaurador. A China o antecede: ela avança rumo a consciência histórica, como um Estado estabelecido, necessitando de restauração, e não de criação. É um paradoxo da cultura desse povo. Confúcio não inventou uma cultura, ele revigorou os princípios da harmonia que haviam existido num outro momento histórico da China, mas que haviam se perdido na era do caos político...Parece haver uma cultura atávica no “inconsciente coletivo” desse povo asiático.
Referencias: Henry Kissinger - Sobre a China / Dicionário de simbologia - Manfred Lurker / Navegação de Cabotagem - Jorge Amado
10 de agosto de 2013
Orlando Orfei e o circo
O circo é uma atividade artística, todavia metálica, pois resiste ao longo do tempo, desde os espetáculos patrocinados pelos romanos, nas suas largas arenas. Isso ocorreu na Idade Antiga no enfrentamento de guerreiros versus guerreiros e/ou bandidos e feras de todas as espécies da época. O povo estava sempre presente, nessa diversão, bem como o rei, os sátrapas e outros. Assim era o costume, segundo a história. Todavia a multicultural China, do alto dos seus cinco mil anos (ou mais) de existência, quiçá, há muito cultivasse o circo. Recentemente tomei conhecimento de um procedimento: Porque o elefante dança quando se executa uma determinada música no picadeiro? Ora pois, esse mesmo elefante foi “treinado” ao ser colocado sobre uma chapa de aço quentíssima. O animal sofria com a temperatura, e "sapateava", pela dor intensa, e concomitantemente ouvia-se uma música. O animal diante dessa perversidade, condicionou-se; e nas apresentações, a mesma sonorização quando tocada, o elefante dançava. Esperamos todos, que esse tipo de espetáculo, não deve ser apresentado. Contudo o circo, é o palhaço e suas brincadeiras, o jogo dos malabares, a travessia nos fios de arame, trapezistas(com rede de proteção ou não) globo da morte e outros números, fazem do circo um espetáculo lúdico e atemporal, quer para a petizada, quer para o público adulto, que se veste do espírito infantojuvenil e banqueteia-se na alegria. No passado o circo encenava peças teatrais, dentro do roteiro da dramaturgia universal, peças como Romeu e Julieta de Shakespeare, Carmem de Bizet e outros. E uma pequena orquestra fazia a sonoplastia de acordo com andamento do drama. O circo é paixão e amor. A atividade circense é franciscana, despojada como exige toda e qualquer arte. O entretenimento tem algo diferenciado, é por demais apreciado. O circo enriquece a alma, e o imaginário das crianças em especial. O grande diretor circense – Orlando Orfei – não resistiu a pós-modernidade do circo, tal qual o de Soleil, ou melhor: Cirque de Soleil, com a participação de adonis, narcisos(as) e efeitos especiais, que lembram os filmes ficcionais, disponibilizados pelas novas tecnologias cibernéticas. Orfei não reside em Miami ou em Madagascar, e muito menos em Paris. Com dificuldades, vivia modestamente em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, no Estado do Rio de Janeiro, e atualmente mudou-se para Vésper, no espaço cósmico.
6 de agosto de 2013
Um papa da ordem dos jesuitas?
O Papa Francisco chefe da igreja católica, de inspiração judaico-cristã visitou recentemente o Brasil. Deixou no seu rastro fios condutores de esperança, por ter verbalizado corajosas idéias, num mundo conservador e a cada dia mais consumista. O povo vive na expectativa de dias melhores. E deposita nos seus ícones a capacidade em alavancar mudanças, preferencialmente estruturais. Há no ar além do desejo de transformação, um pueril entusiasmo quando escutam líderes da magnitude do Papa Francisco, Dalai Lama, Angela Merkel ou Barack Hussein Obama. O sumo sacerdote, afirmou que não trazia nem ouro e nem prata, era portador da emoção por ter trazido Jesus Cristo no coração dele. E mais à frente, interpretou, que é parte da juventude, a atitude do protesto, e "en passant" alfinetou os bispos, que não devem se sentir como príncipes. A primeira assertiva, traduz que a emoção da fé transcende a práxis de se acumular riqueza. Em segundo lugar, reconhece o direito de reivindicar, é um pressuposto inerente aos jovens. E por último, deu um “puxão nas orelhas” nos bispos que vivem encastelados e distantes dos fiéis. O Papa Francisco é um jesuíta, que inexoravelmente é a ordem religiosa mais culta e avançada da igreja católica. Não há hierarquia entre os membros da secular Companhia de Jesus, fundada pelo espanhol Inácio de Loyola. A sua representação no Vaticano, é de um Cardeal, por exigência do dogma. No passado era conhecido como o papa negro, pelo uso de paramentos de cor escura nos conclaves. Um papa com formação jesuítica, não agrada a “direita“ da instituição, tanto é fato, que me parece ser o primeiro prelado de inspiração inaciana, em toda a história da Santa Sé, a ocupar o cargo máximo. E para finalizar, se autodenominou de Francisco, o mais significativo paradigma da igreja católica, face ao despojamento pleno dos bens materiais.
21 de julho de 2013
Pretos...
As prisões aqui, e no resto do mundo estão apinhadas de putas, pretos e pobres, essa tríade é sempre lembrada, por alguém que escreve ou fala, e inexoravelmente deve ser possuidor de uma aguçada sensibilidade, pois, consegue solidarizar-se com o semelhante na sua mais simplória similitude, ou seja, a de ser humano, mesmo com tinturas ou não, de doutrinas, seitas ou religiões de origem judaico-cristão, budista, muçulmano, xintoista, candomblé. Nas manifestações das ruas, as mídias tem sido hostilizadas, os bancos comerciais são atacados, os palácios dos governos idem, as assembleias estaduais, congresso nacional, e outros próprios públicos. As instituições são simbólicas, e o povo as nomeia, tanto quanto os franceses identificaram a Bastilha (1789), o mais forte emblema que significava como o algoz do povo. A monarquia ruiu, e junto com ela, a igreja católica, e os privilégios absurdos foram abolidos e se convocou uma histórica Assembleia Constituinte, cujo o lema foi a fraternidade, igualdade e a liberdade. O dia 14 de julho, é o mais importante feriado da França. Os três poderes “ definidos pelo francês Montesquieu, que são harmônicos entre si, todavia, servem tão somente a elite. “ O povo é melhor do que as elites “, assim afirmou o jurista Afonso Arinos de Mello Franco, do alto da sua sabedoria. Numa tentativa em contextualizar, eis um exemplo abjeto, acontecido na terra de Borba Gato: o jornalista Pimenta Neves, então diretor do poderoso matutino "O Estadão", matou pelas costas a sua namorada. Um crime que chocou a opinião pública. A lei faculta aos endinheirados, a recorrerem em liberdade. Quase dez anos depois, é que o supracitado assassino foi recolhido para o presídio de Tremembé(SP). O outro descalabro, é a prática dos juros escorchantes, o valor pago nas aposentadoria, é uma vergonha, as benesses abusivas dos parlamentares, as licitações viciadas, caixas pretas intocáveis, policia truculenta, enfim, um rosário de injustiças, privilégios incompreensíveis, abuso de poder, e tantas outros infortúnios praticados há séculos. Pode ser que essas manifestações são como uma demanda há muito reprimida, tal qual o reservatório de uma grande barragem, quando as comportas se rompem pela pressão das águas.
15 de julho de 2013
Sinopse sobre São Pedro do Itabapoana
O primeiro posseiro a chegar em São Pedro, tem o seu registro histórico em 1837, contudo as primeiras famílias vindas dos estados das Minas Gerais (maioria), e do Rio de Janeiro, se fixaram nesse condado em 1850. No caso das Minas Gerais, credita-se a esse movimento o chamado "refluxo das bandeiras”, podendo ter sido motivado pela rigorosa proibição do Império português, de que os mineiros não adentrassem as matas, pelo fato que nelas se supunha haver, ouro em profusão. A comunidade floresceu, tendo instalado fábricas de seda, e de ferraduras destinadas aos muares-de-carga. Em 1887, conquista-se a independência de Cachoeiro do Itapemirim, e por decreto provincial, galga a condição de freguesia, com o seguinte topônimo: São Pedro de Alcântara do Itabapoana. A região vocacionada para a cafeicultura, possuía uma intensa vida social e cultural. Em 1929, assim era o censo da população na região sul do estado: São Pedro: 44.054 / Cachoeiro 36.541 / Vitória (capital) 28.828. De todos os ilustres são-pedrenses, se me permitem, destacaram-se: José Coelho dos Santos, médico, filho do escravo alforriado - Mestre Silvestre - que conquistou o 1º lugar nas provas da Academia Nacional de Medicina e recebeu o cobiçado premio Torres Homem. Deputado estadual por duas vezes, e na condição de Presidente da Assembléia, exerceu o cargo de governador. Esteve como médico-correspondente da Academia Francesa de Medicina. Outro ícone,foi Grinalson Medina, poeta e escritor que demonstrou inequívoca tenacidade, pois em comissão com outros são-pedrenses, dirigiu-se ao interventor na época. Essa comissão tentou reverter o golpe militar, quando da tomada de São Pedro em 02 de novembro de 1930. A invasão militar, estava amparada na deposição de Washington Luiz, por Vargas, através das armas nos dias finais de outubro de 1930, que se auto-proclamou ditador, e por 15 anos governou o Brasil. A partir desse evento, a sede transfere-se para Mimoso que na época se chamava João Pessoa, em homenagem ao candidato a vice-presidente na chapa derrotada de Getulio Vargas, e após treze anos, retornou com o topônimo original - Mimoso - acrescentando-se “Sul”, por estar localizada no extremo sul capixaba. E para finalizar, assim narrou Olympio José de Abreu: “ São Pedro foi nos alvores do séculos XIX/XX, uma das mais importantes cidades do Espírito Santo. Por iniciativa do poder público (leia-se ex-Prefeito Ronan Rangel) há 16 anos, consolidou-se um processo cultural, de transcendência nacional conhecido como “Festival de sanfona e viola”, que mantém rigorosamente a tradição do cancioneiro caipira emoldurado pelo bucolismo das alterosas são-pedrenses.
Referencias: “São Pedro do Itabapoana – Páginas de nossa terra – 1534 a 1931” de Grinalson Francisco Medina
Mimoso do Sul 1951 – Um município em revista – Diretores: Newton Braga e Ormando de Moraes
6 de julho de 2013
A casa da gente
A casa da gente.
Calma! Dizia ele ao chegar em Brasília vindo do Rio. E continuava: o corpo chegou, mas a alma, demora um pouco para se reincorporar... a velocidade do avião é supersônica. E sorria. Paciência, alertava êle. E com passos levemente trôpegos, se encaminhava a uma confortável cadeira giratória, e refastelava-se, cerrando os cílios, afirmando que estava em “alfa”. Após o processo da “reincorporação”, estaria apto a discutir a agenda. Êle Artur da Távola, jornalista, escritor e senador, também vaticinava que a casa da gente sente a nossa falta quando nos ausentamos. Pode parecer uma bobagem, mas ao contrário, isso ocorre. No meu retorno de pequenas viagens, fico a admirar a jabuticabeira , que é moradora do quintal do meu tugúrio, ou da minha modesta residência. No seu tempo, se enfeita elegantemente de colares de contas negras. Não tive a honraria de presenciar a sua primeira florada anual. A cadeira e a mesa de cerejeira, emudecida foi palco e testemunha de muitas conversas interessantes. E a confortável poltrona, presente de “mi hija”, é uma coadjuvante nas audições quase diárias de Bach e outros. A pequena biblioteca, onde se hospedam além das lembranças atávicas ( e de dentro da casa vejo a flor do hibisco, que adormece, para despertar com sol do amanhecer”), o computador, e as viagens de Swift através de Gulliver, sem falar das crônicas de Rubem Braga, ou do “Aleph” de Jorge L.Borges, ou o mapa do blues, de Bessie Smith, ou o som do sax de Lester Young,o trumpete de Wilton Marsallis e a big-band de Duke Ellington e tantos outros jazzistas. E na sequência o livro da história da Portela, ou do G.R.E.S. - Gremio Recreativo Escola de Samba da Portela, do legendário Paulo Benjamin de Oliveira – Paulo da Portela - e do sambista Monarco. A Portela nasceu na querida Madureira, a “meca” da zona norte no Rio de Janeiro. Vasculhar as estantes e encontrar sem querer(querendo), os versos intemporais do bardo Patativa do Assaré, ou do outro nordestino cultíssimo folclorista, etnólogo, historiador, antropólogo, ou tudo que ele queira ser, aqui ou Harvard, Oxford ou na Sorbonne – Câmara Cascudo – um dos ícones da terra brasilis, junto com o baiano Jorge Amado, merecedor do premio Nobel, como foram agraciados, o chileno Pablo Neruda e o guatemalteco Miguel Angel Asturias, e muitas outras constelações de poetas e escritores. E por fim, relembrado, a Flip - Feira Literária Internacional de Paraty, homenageia Graciliano Ramos, preso político na Ilha Grande, por ser filiado ao Partido Comunista, durante a vigência do Estado Novo. Na prisão escreveu "Memórias do Cárcere" narrando a sua infortunada experiência, o qual se transformou num dos livros mais lidos pelos brasileiros. Na casa gente, os objetos tem vida, e são os fantasmas materializados pelo imagético de cada um...
Calma! Dizia ele ao chegar em Brasília vindo do Rio. E continuava: o corpo chegou, mas a alma, demora um pouco para se reincorporar... a velocidade do avião é supersônica. E sorria. Paciência, alertava êle. E com passos levemente trôpegos, se encaminhava a uma confortável cadeira giratória, e refastelava-se, cerrando os cílios, afirmando que estava em “alfa”. Após o processo da “reincorporação”, estaria apto a discutir a agenda. Êle Artur da Távola, jornalista, escritor e senador, também vaticinava que a casa da gente sente a nossa falta quando nos ausentamos. Pode parecer uma bobagem, mas ao contrário, isso ocorre. No meu retorno de pequenas viagens, fico a admirar a jabuticabeira , que é moradora do quintal do meu tugúrio, ou da minha modesta residência. No seu tempo, se enfeita elegantemente de colares de contas negras. Não tive a honraria de presenciar a sua primeira florada anual. A cadeira e a mesa de cerejeira, emudecida foi palco e testemunha de muitas conversas interessantes. E a confortável poltrona, presente de “mi hija”, é uma coadjuvante nas audições quase diárias de Bach e outros. A pequena biblioteca, onde se hospedam além das lembranças atávicas ( e de dentro da casa vejo a flor do hibisco, que adormece, para despertar com sol do amanhecer”), o computador, e as viagens de Swift através de Gulliver, sem falar das crônicas de Rubem Braga, ou do “Aleph” de Jorge L.Borges, ou o mapa do blues, de Bessie Smith, ou o som do sax de Lester Young,o trumpete de Wilton Marsallis e a big-band de Duke Ellington e tantos outros jazzistas. E na sequência o livro da história da Portela, ou do G.R.E.S. - Gremio Recreativo Escola de Samba da Portela, do legendário Paulo Benjamin de Oliveira – Paulo da Portela - e do sambista Monarco. A Portela nasceu na querida Madureira, a “meca” da zona norte no Rio de Janeiro. Vasculhar as estantes e encontrar sem querer(querendo), os versos intemporais do bardo Patativa do Assaré, ou do outro nordestino cultíssimo folclorista, etnólogo, historiador, antropólogo, ou tudo que ele queira ser, aqui ou Harvard, Oxford ou na Sorbonne – Câmara Cascudo – um dos ícones da terra brasilis, junto com o baiano Jorge Amado, merecedor do premio Nobel, como foram agraciados, o chileno Pablo Neruda e o guatemalteco Miguel Angel Asturias, e muitas outras constelações de poetas e escritores. E por fim, relembrado, a Flip - Feira Literária Internacional de Paraty, homenageia Graciliano Ramos, preso político na Ilha Grande, por ser filiado ao Partido Comunista, durante a vigência do Estado Novo. Na prisão escreveu "Memórias do Cárcere" narrando a sua infortunada experiência, o qual se transformou num dos livros mais lidos pelos brasileiros. Na casa gente, os objetos tem vida, e são os fantasmas materializados pelo imagético de cada um...
25 de junho de 2013
Leon Tolstoi
Leon Tolstoi, escritor, de renome universal, um verdadeiro cossaco, disse do alto da sua sabedoria : ” ... se queres tornar-se universal, comece por pintar a sua própria aldeia... “ Nesse andamento, como se fosse uma sinfonia e seus movimentos, a escritora Karina Fleury, garimpa de forma arqueológica-literária a vida e a obra de Maria Antonieta Tatagiba, e transcende esse percuciente estudo, quando faz analogias e exegeses bem fundamentadas, ou quando denuncia com legitimidade histórica, o acorrentamento das mulheres pelos ditames da falocracia, lamentavelmente, ainda em pleno vigor ...E ancorando seu ideário na consistência dos versos e dos conceitos nele contidos, encontra a escritora Karina Fleury, paradigmas, desde Charles Baudelaire até o estilo modernista místico-melancólico de Cecília Meirelles, sem contar - Virginia Woolf - essa inglesa, sempre atemporal... Os escritores , além da imortalidade das suas obras, na realidade são as suas próprias e (in)contestes ânimas ! Isso vale para quaisquer outras artes. A mestra Karina Fleury, sua fidelíssima – ghost writer – discorre com cuidadoso equilibrio a saga da família, e a via crucis da autora de - Frauta agreste – incorporando sua admiração e reconhecimento da peculiar poética, digna de quaisquer galerias oficiais. Antonieta publicou seu livro acima citado em 1927, no Rio de Janeiro. De onde recebeu elogios ,através do “ O Jornal “, o então conceituadíssimo matutino, pertencente ao poderoso conglomerado dos Diários Associados. É a poetisa-primeira do pequeno estado do Espírito Santo, e morreu precocemente aos 33 anos...lutou bravamente contra o bacilo de Koch, e infelizmente não o venceu.
A intensa peregrinação empreendida pela autora, na abissal biografia, ao escrever – O papel da mulher e a mulher de papel - Editora Opção - é mais uma tentativa, espero seja frutífera, de tornar Maria Antonieta Tatagiba, num vate cosmopolita, que viveu na década da Semana da Arte, realizada em 1922, sob a batuta de Mário de Andrade e outros entusiastas colaboradores. A autora da – Frauta agreste - viveu nas alterosas sãopedrenses, no extremo sul do estado natal de Rubem Braga ...Se ela tivesse nascido francesa, certamente seria reconhecida, pois a França, possui um modelar respeito aos seus ícones, onde o padrão básico de conhecimento é compartido com todos, indistintamente. A este padrão pertencem naturalmente os escritores. Por essas bandas de cá, as coisas culturais não florescem, pelo estrabismo anacronico do poder público acanhado, e soturno. Não toma iniciativas, e não permite, em nome do obscurantismo, que outrem o façam...A Mestra Karina Fleury é uma bem-aventurada, ao se lançar no resgate de uma poetisa de escol, e injustamente olvidada. Não é para se colocar algodões entre os cristais, mas para refletir : o transcendental escritor e dramaturgo - Leon Tolstoi - até hoje, passados 110 anos, continua excomungado por ter colaborado com a revolução de 1917.
22 de junho de 2013
Cárcere privado - primeira parte
O fulcro da narrativa é de cunho verdadeiro, e chegou ao meu conhecimento por um confiável interlocutor. O contexto, mesmo emprenhado de algumas lentes de aumento, faz sentido, pelo conteúdo do relato, mesmo estando envolvido de compreensível ingrediente emocional. O fato ocorreu nos anos sesenta, no extremo sul capixaba, e se estendeu até ao Rio de Janeiro. Marialice era filha de Antonio e Berê, e irmã de Santinho, um cozinheiro de categoria, que harmonizava os temperos, como se fosse um maestro de uma orquestra sinfônica. Nunca soube da vetusta escola Cordon Bleu em Paris, contudo possuia “savoir-faire” na arte da cocção, quer para rei, quer para os amigos. Curiosamente afirmava que pimentão é uma hortaliça, e enquanto viveu, nunca "o convidou" para os seus marinados. Acusava ser o pimentão tão autoritário, que anulava os demais.
Marialice residia em Matilde, um vilarejo que pertencia ao Cachoeiro de Rubem Braga. Era um bela mulher. Impressionava os homens pelos seus olhos azuis, seios fartos e porte empertigado. Berê, sua mãe, sabidamente não podia arcar com despesas extras, além do teto, alimentação e um simplório guarda-roupa. E nada mais. Aos dezessete anos, na flor da idade, Marialice, segundo a sua mãe, já estava na hora de conseguir um casamento de conveniência, com um homem abastado.
Nagib Ahmed, na época, um bem sucedido ex-mascate, talvez um ascendente omíada, e patricio do escritor Gibran Khalil Gibran(1883/1931). Possuia um grande empório, considerando a sua geo-localização. O seu comércio funcionava na viela principal, num prédio antigo, com sete portas, e vendia de tudo um pouco. A mercadoria era sortida, pois oferecia desde as populares calças brim-coringa, até os mágicos tabletes de anil, alvejante das roupas encardidas.
Nagib Ahmed era o perfil exato que Berê desejava para sua filha. O mouro tinha uma vida regalada e opulenta. Era voz corrente entre os moradores, que era possuidor de um voraz apetite sexual, do alto dos seus cinqüenta e oito anos. Nunca se casou, pois o propósito era fazer fortuna. Órfão de mãe, não teve infância e muito menos juventude; pois começou na labuta aos nove anos com seu pai. O árabe Nagib Ahmed era quase da cor do ébano, seu perfil era a de um sujeito forte e atarracado, e sempre com a barba por fazer. Chamava seus fregueses de "brimo ou brima", com atenção e simpatia. Berê tomou coragem e foi até “ao lôja” do solteirão e rico comerciante. E fez-lhe a proposta de lhe apresentar a filha Marialice, podendo desposá-la, se lhe conviesse. O ex-mascate aceitou, e exultou-se com a oferta. Comunicada, Marialice entrou em desespero, e depressão. Perdeu os sentidos. Berê às pressas, saiu em busca de ajuda. Nesse ínterim, recobrou os sentidos e fugiu em direção a casa do seu tio, no qual depositava toda a confiança. Seu tio residia nas alterosas mineiras, e o lugarejo era conhecido como, Chora Morena. Passaram-se meses, e ela, infortunadamente foi descoberta. O parente não teve pulso suficiente, para impedir que ela partisse. E a desventura se concretizou, casando-se com o noivo que lhe foi absurdamente imputado. O casamento compulsório pelas circunstancias, foi matizado por desavenças diárias, pois Marialice rejeitava o estupro da sua dignidade, submetido-lhe por sua genitora.
Certa vez, fugiu diante de num descuido, desse ascendente bérbere.. Não tardou a ser descoberta e retornou a casa de Nagib Ahmed, que morava no andar de cima do “seu lôja". Era um prédio de sobrado. Pela fuga, o comerciante a puniu severamente. Primeiramente lacrou as janelas da frente da casa privando-a de ver à rua principal. E em seguida, acorrentou-lhe dentro de casa, limitando os seus movimentos. Um cárcere privado. E assim coexistia essa mulher com o infortúnio. Emudecida, servia ao seu impostor nas suas libações sexuais, esperando o dia “d” para conquistar a sua liberdade. E não tardou, surgindo uma impar oportunidade. Após um dia de intenso trabalho, e por demais cansado, estirou-se o beduino na sua costumeira cadeira de balanço. E com a bôca às escancaras, dormitou pesadamente. Marialice não perdeu tempo: com a água que preparava para o costumeiro café, jogou-lhe água fervente de goela abaixo. Urrou feito um javali ferido.
Em seguida, apanhou as chaves, abriu as algemas e o cofre. Fugiu, segundo se supõe, para a terra dos bandeirantes. Nagib Ahmed, gravemente ferido, não morreu.
A agenda nacional mudou
No dia 20 de junho de 2013, o Brasil desde o impeachment do Collor em 1992, não se registrava manifestação popular com 1,2 milhões de participantes, sendo que o Rio, colaborou com trezentos mil pessoas, que protestaram na larga avenida Presidente Vargas, no centro dessa cidade. Um movimento sem liderança, em nítido confronto com os postulados marxistas-leninistas, que preconizava, que movimento sem comando e sem propostas concretas, não leva a nada. Há controvérsias. O movimento foi "organizado" pelas redes sociais disponíveis na internet, com a ausência total de líderes carismáticos e/ou similares. A manifestação estava sob o manto apartidário. Não havia entidade de classe, ong ou partidária enquanto atores do evento. O mote foi o aumento da tarifa do transporte, com o qual os estudantes, da legendária USP, tomaram à vanguarda. Eles pertencem ao MPL - Movimento do Passe Livre - e segundo o jornalista Merval Pereira, publicou n'O Globo de 23/06/2013, que o movimento tem inspiração na esquerda radical. O MPL, perdeu o controle, e declararam que houve infiltração de "conservadores" no movimento. Eis alguns exemplos contraditórios: O MPL não condenou os vândalos, e foram contra a expulsão dos petistas na manifestação. O MPL perdeu o controle do movimento nacionalmente. A classe politica ficou atônita, pois foi atropelada pelos fatos. Aliás o povo está anos-luz à frente de todas as instituições da sociedade civil. A pauta de reivindicações dirigida ao poder público, felizmente transcendeu ao protesto do reajuste das passagens. Protestou-se contra o descaso, em respeito aos mínimos direitos dos cidadãos, desde o atendimento nas filas dos hospitais públicos, até a proposta do governo federal, da PEC 37 - Projeto de Emenda Constitucional - que retira poderes investigativos do Ministério Público, e a corrupção que gerou volumoso processo no Supremo Tribunal Federal, que julgou e condenou os "mensaleiros", os quais possuem a perspectiva de não serem recolhidos ao respectivo presidio. As autoridades por dever cívico, deveriam assumir a sua "mea culpa", e proceder a reforma política, e punir àqueles que dilapidam o bem público. Inclusive, investigar a variação patrimonial nos últimos anos, do ex-presidente Lula, e todos os demais suspeitos. A saúde e a educação, devem carrear verbas compatíveis com necessidade da população. Os valores nas reformas dos estádios, não indicam que o governo seja sensível quanto a saúde, e muito menos quanto a educação. Universidade pública continua sendo dos "riquinhos". O protesto poderá se repetir - quiçá reforçado pela classe "c", que aplaude, mas ainda não participa - caso o governo-paquiderme, continuar olhando somente para o seu próprio umbigo. O jornal a Folha de São Paulo procedeu uma pesquisa entre os manifestantes, que assim se pronunciaram, na escolha do candidato(a) a Presidencia da República: 30% Joaquim Barbosa, 22% Marina Silva e 10% Dilma Roussef. Cabe uma reflexão? ou não?
18 de maio de 2013
Transpiração
O mundo é mágico, feérico. E a cada dia se torna mais pequeno, para uma, ainda, minoria, através da ciência da cibernética...todavia na África poucos tem água potável e energia, ou aqui, nesse Brasil continental, o saneamento básico(água e esgoto) está ausente em quarenta por cento na população brasileira. São muitos os brasis, e certa vez o renomado economista Edmar Bacha, o chamou o Brasil de “belindia”, pois uma metade se localizava na Bélgica, representada por parte do sudeste/sul e centro oeste, e a India, simbolizada por grande parte pelo norte/nordeste. Isso me faz relembrar, as palavras do Antonio, ferroviário politizado e assíduo nas assembléias do seu combativo sindicato, que certa vez assim vaticinou: ...” tenho pouca leitura, mas acredito, que só a educação tira o povo do buraco ”. Simplória afirmativa, e plena de sabedoria. O aprendizado é a mola mestra de um país, e para confirmar, eis o aforisma de um outro herói brasileiro, o escritor Monteiro Lobato: “ Um país se faz com homens e livros ”. O viés educacional não é valorizado como se devia, pois o ensino básico, deveria ser seriamente encarado, e sob a égide do governo federal, como um objetivo permanente no aprendizado. Instalar uma política pública educacional inamovível no seu conceito, podendo sofrer ajustes quando necessários, desde que não se desviasse o núcleo do seu foco. Esses pressupostos acima citados, pertencem ao ex-Reitor da UNB, e insígne senador Cristovão Buarque, do alto da sua autoridade didático-pedagógica. Mas enquanto esse sonho não se materializa, é mister, “fazer de uma laranja, uma laranjada”, isso significa que cabe ao educador, em primeiro lugar, abraçar a tese do filósofo francês – Henri Wallon – ao defender que “ a emoção gera a afetividade, a qual é coadjuvante no desenvolvimento da inteligencia infantil”. No mais, é apreender e estender todas as teses disponíveis nas pesquisas psico-didático-pedagógico, desde Jean Piaget, Vigotsky, Wallon e outros, na busca do aprimoramento da ensinagem, em resumo: muita transpiração e inspiração.
9 de maio de 2013
Botafogo Futebol e Regatas
Futebol também é cultura? Claro que é. Recentemente, o técnico Joel Santana, por sinal, nascido entre Muqui e Cachoeiro do Itapemirim, recebeu do ex-presidente da Academia Brasileira de Letras, Marcos Vilaça todas as homenagens da fechada, da vetusta Academia, conhecida com a casa de Machado de Assis, o grande escritor brasileiro. O futebol tem as suas raízes no Reino Unido, melhor dizendo na Inglaterra, contudo conquistou a sua maioridade no Brasil e em outros países latino-americanos. E o Brasil enquanto penta-campeão do mundo, é possuidor de legitimidade diante desse esporte tão popular em todo o mundo. E para ratificar, o discreto Botafogo de Futebol e Regatas, time de João Saldanha, Garrincha, Nilton Santos, Zagalo, Amarildo, e tantos outros craques. E o Glorioso, após uma meritória campanha, com onze vitórias, inclusive vencendo os três grandes times cariocas – Flamengo, Vasco e Fluminense – sagra-se campeão carioca de 2013, tendo à frente, o técnico Osvaldo Marques, e uma equipe irrepreensível, como Seedorf, esse elegante afro-holandes, que dentro do campo, se comporta como um técnico e líder, orientando o time. Seedorf foi uma aquisição acertada, também pudera, ele jogou no Ajax, Real Madrid e Milan, que o convidou recentemente, para ser o seu técnico. No jogo decisivo de domingo passado (05.05.2013), perdeu o penalty contra o Fluminense, mas isso não o diminuiu, em nada sequer. Rafael Marques num cruzado certeiro, compensou esse deslize, e colocou a bola nas redes do Tricolor. Foi criticado pela imprensa, pois estava sem fazer gols... aliás tal qual na vida, um individuo para ser reconhecido na sociedade, é preciso matar um leão por dia. Uma metáfora ainda na validade. O time jogou harmonicamente, até porque a estima dos jogadores está em alta, e isso dá-lhe a necessária segurança para enfrentar a peleja. Eis a escalação vitoriosa: Jefferson(goleiro), Lucas, Bolivar, Dória e Julio Cesar, Marcelo Mattos e Felipe Gabriel, Lodeiro, Seedorff e Rafael Marques. Parabéns aos botafoguenses e aos desportistas em geral. Salve o glorioso.
29 de abril de 2013
O Clube de Regatas Flamengo e Altamiro Carrilho
O som da flauta segunda a lenda, tem o lamento da saudade do junco, por ter sido cortada dessa árvore. A sonoridade da flauta pertence a suavidade, pois não agride os ouvidos mais sensíveis, e encanta a todos. Na mística oriental, o som desse instrumento, encanta até as serpentes. O solos da clarineta, do flautin e de outros instrumentos de sopro, tem a sua origem melódica na flauta, um dos mais antigos do mundo. E a importância desse instrumento, foi demonstrada por W.Amadeus Mozart (1756/1791) que deu-lhe vida na ópera A Flauta Mágica, uma das óperas mais executadas do mundo. E dentre os geniais flautistas, um deles nasceu em Santo Antonio de Pádua, no estado do Rio de Janeiro, e se chamava Altamiro Aquino Carrilho, um virtuose da flauta. Tocou os temas regionais, se tornando universal, pois jamais renunciou a sua origem. Dentre os grandes flautistas do cancioneiro popular, juntam-se ao Altamiro, o mestre Pixinguinha, um dos pais do Chorinho, Benedito Lacerda entre outros. Curiosamente, de autoria de Bonfiglio Oliveira, há um chorinho, cujo título é Flamengo, e no final dessa peça musical, ouve-se alguns poucos acordes, do Hino do Flamengo, de Lamartine Babo.
27 de abril de 2013
Amizade
Mario Quintana, poeta e escritor dos pampas, deixou-nos essa pérola: a amizade é um amor que nunca morre. A amizade é um mistério, pois ela é sempre leve, e se veste de diversas tonalidades. A afirmativa que as amizades do passado eram mais sinceras e duradouras, isso não vem ao caso. A indicação, é que possuir amigos, é ter a posse de uma riqueza. A amizade virtual, pertence aos tempos cibernéticos, e se interage pelos caminhos da mágica do computador. São os notebooks e ipads, acessando os facebooks, google e outros mecanismos à disposição, nas chamadas redes sociais digital. Essa matéria, faz-me viajar através da máquina do tempo, no imaginário que aterrisa no núcleo da minha infancia, a mais bem vivida do mundo, nas terras dos indios puris. Naquele tempo, recordo meu pai doente, submeteu-se a cirurgia na Santa Casa da Misericódia do Rio de Janeiro. O curador da Santa Casa, era Darci Monteiro, ascendente de Jeronimo Monteiro, que por duas vezes foi presidente no Espirito Santo, durante a Velha República. Meu pai, por lá permaneceu durante um bom período, no pós-operatório. E por esse tempo, a familia sem renda, precisava de adquirir gêneros alimentícios. E por amizade, e somente por esse amor que nunca morre, que Clarindo Vivas, num ato insígne de solidariedade, abriu crédito no seu modesto empório. Em tempo, agradeço por genuina gratidão, a nobreza desse ato atemporal. Eis o paradígma que se fixa no bronze da história, é inamovível e implacável. Biograficamente, Clarindo Vivas, foi casado com Yolanda, filho de Constancio Vivas e Augusta Calegari, e neto do patriarca íbero-brasileiro-sãopedrense Constantino Vivas.
20 de abril de 2013
História regional 3 ( extremo sul do Espírito Santo)
A primeira igreja edificada em território dos puris, cujo a homenagem se presta a São Pedro, digo do Itabapoana, foi em 1860, na Vila da Limeira do Itabapoana. E dentre os primeiros beneméritos desse templo católico, destaca-se o Capitão José Ferreira, doador do terreno, e então proprietário da fazenda Mimoso, na qual, posteriormente se originou a cidade de Mimoso do Sul. O Capitão acima referido, é o precursor da família do Gil Monteiro Leite. Eis alguns outros nomes que concorreram: Antonio Ferreira da Silva (possivelmente parente do Capitão) José Ribeiro da Silva Castro, Dona Maria Angélica de Abreu Lima, Capitão José Carlos de Azevedo Lima e outros. A freguesia de São Pedro do Itabapoana, foi criada oficialmente pela Lei 04, de 26 de novembro de 1863, e regulamentado pelo decreto nº 444. E sua geo-jurisdição atingia até São José do Calçado. Com essa medida imperial, São Pedro desmembra-se da Vila do Itapemirim de São Pedro do Cachoeiro do Itapemirim e de N.S. da Conceição do Alegre, contudo desde 1850, registrava uma pequena população na região. Em 1865, em pleno regime escravagista, num censo local apurou-se o seguinte: brasileiros 3113, estrangeiros 114, escravos brasileiros 2225, escravos africanos 239. Observe que a população escrava é muito numerosa em relação a população local. Essa tendencia se confirmará, quando da fuga para o Brasil, da familia real portuguesa em 1808, pois, temia a invasão de Portugal, por Napoleão Bonaparte que a fez, com um exército jovem e em frangalhos. Na então côrte no Rio de Janeiro, registrou-se que a população escrava era igual a população, dita branca. Acredita-se que cerca de cinco milhões de escravos vieram para o Brasil. Na Bahia, se faz a previsão de ter recebido 1.400.00 escravos vindos da mãe África. No Espirito Santo, se calcula que tenha por aqui desembarcado cerca de 700.000 africanos. No extremo sul do Espirito santo, havia intenso trânsito fluvial através de pequenos barcos e vapores entre o Porto da Limeira e a atual cidade de Barra de São Francisco. E a concessão do transporte, ficou sob a direção do Comendador Carlos Pinto de Campos Figueiredo.
Fonte: "Páginas da nossa terr " autor: Grinalson Medina/ 1808 Laurentino Gomes, Editora Planeta
13 de abril de 2013
História Regional 2 ( extremo sul do Esp.Santo)
Quando Francisco José Lopes da Rocha, primeiro posseiro de São Pedro do Itabapoana, ferido gravemente pelas flechas dos índios puris em 1837, partiu na busca de tratamento, e desceu as alterosas sãopedrenses , e embarcou no porto da Pratinha, com destino ao porto da Limeira, em Dona América. Daí embarcou para a Barra de São Francisco, para alcançar Campos dos Goitacás, ou Goitacazes. Assim se registra no arquivo implacável da história, quer da sua oralidade, quer pelos documentos, a ponta do fio da saga do povo sãopedrense. A partir de 1850, vindas das Minas Gerais, começaram a chegar as famílias pioneiras em São Pedro, para o povoamento da localidade. O expediente inicial era preencher o formularío para requerer a posse da terra. A atividade era direcionada para a agricultura. Eis alguns desses clãs familiares: Olimpio Ribeiro de Castro, Comendador Leopoldino Gonçalves Castanheira, Manoel João da Silva Oliveira, Ana Carapina de Oliveira, os irmãos Antonio, Manoel e Jacinto de Oliveira, Faustino José Bittencourt (família fundadora do famoso Colégio Bittencourt em Campos dos Goitacazes), Joaquim Aquino Xavier, José Joquim Ribeiro Paiva, Nicolau Xavier Monteiro da Gama, e tantos outros... A freguesia de São Pedro do Itabapoana, foi inaugurada oficialmente no dia 11 de junho de 1856, e pertencia a Sesmaria de Cachoeiro do Itapemirim, bem como as vilas de N.S. da Penha do Alegre, São Miguel do Veado ( atual Guaçui) Aldeamento do Castelo, Porto da Limeira, em Dona América, São José do Calçado, N.S. da Conceição do Aldeamento Afonsino, N.S. da Conceição do Muqui. Oficialmente o start, ou o início da altiva Mimoso do Sul, começa em Ponte do Itabapoana, criado pela legalidade em 13 de junho de 1857, com o nome de distrito de Cachoeiro Itabapoana, com sede no Arraial da Limeira, em função do porto fluvial com o mesmo nome, ou aldeia de Camapuana.
Fonte: Do livro: "Páginas da nossa terra" de Grinalson Medina
4 de abril de 2013
História Regional 1 ( extremo sul do Esp.Santo)
Por ter colaborado com o financiamento às viagens do império portugues, em busca de novas terras, Pero de Gois, recebeu como pagamento, parte da capitania de São Tomé , absurdamente chamada, de hereditária, na margem direita do rio Itabapoana. Tal gleba de terra se localiza, no atual estado do Rio de Janeiro. Nessa freguesia se construiu em 1536, a Vila da Rainha, estendo-se até a sua foz, ou seja, até Barra de São Francisco. Por necessidade de mão de obra, Pero de Gois viajou a Portugal. Quando do seu retorno, a Vila da Rainha foi surpreendido, pois a Vilda da Rainha tinha sido destruída pelos bravos índios goitacá, mais conhecidos como goitacazes. Diante do ataque dos legítimos donos daquelas, mais acima, foi construída a dez léguas do mar, pelo leito do rio Itabapoana, a Vila da Limeira, ou Aldeia de Camapuana, junto à Cachoeira do Inferno, ou da Cachoeira da Fumaça, em 14 de Agosto de 1539. O jesuita Padre José de Anchieta foi nomeado para chefiar as missões no sul do Espírito Santo, em 1579, e a Igreja N.S. das Neves foi erguida em agosto de 1581. Esse templo de inspiração católica, está em perfeito estado de conservação. De acordo com essa informação, poder-se-á concluir, que pelas datas supraciatadas, deu-se o início do povoamento da região, nas proximidades de Ponte do Itabapona e Dona América. Em São Pedro do Itabapoana, a sua colonização é fruto da migração do povo mineiro, que diante da proibição para o cultivo das lavouras, buscaram as terras vizinhas no Espírito Santo. Tal impedimento, estava baseado na defesa das jazidas de ouro, que poderiam ser encontradas nas florestas das Minas Gerais. Por essa migração interna - duzentos e cinqüenta e seis anos - depois da construção da Igreja NS das Neves, é que surgiu o primeiro posseiro em 1837 - José Francisco Lopes da Rocha - que foi flechado pelos índios puris, que reagiram a invasão das terras deles.
Fonte: Grinalson Medina – do livro Páginas da nossa terra.
31 de março de 2013
Uma canção desesperada de amor
Desfruto de um crepúsculo dourado. Suave, e esmaecendo quase imperceptível, e os pássaros em revoada, buscam seus lares, seus ninhos, sendo alguns esféricos, tornando-os aconchegantes. É o arremate do dia, espetáculo cromático, é observar o dia morrediço, para renascer com o mesmo andamento harmônico, na alvorada das manhãs. Há um ambiente de solidão, próprio para a meditação, dita transcendental, que após anos na iniciação monástica, dizem que os monjes do Tibete conseguem separar o corpo da alma. Imagino voando feito falcões ou ninjas, rasgando os ares. No inicio do poente do movimento crespuscular, se apresenta com uma intensa luminosidade, energizada pelo sol oculto na linha do horizonte. Nuvens purpúreas matizam os céus como testemunhas do momento-ômega. As árvores, com as suas folhas, estão inamovíveis diante da chegança da escuridão, que desemboca na profunda boca-da-noite. Eis a noite soturna, sorrateira adentrando em todos ao espaços, camuflando as cicatrizes da alma, e a fauna e flora. E a noite-guardiã a proteger o direito natural ao "repouso" da mãe natureza. E o negrume de repente é emoldurado pela encabulada, romântica e discreta lua crescente, com algumas centelhas de luzes, anunciando-a no firmamento, feito uma vésper. Tudo está a meia-luz, lembrando um tango de Gardel. E nessa fase enluarada, é um “abat-jour”, que suaviza a intensidade da luz, e acaricia o olhar de quem procura ler uma poesia. E a noite é longa, como uma serenata, regada de versos, tal qual o sonho do trovador. A noite é insone, e não se cansa, e se regenera feito camaleoa, igual a uma canção desesperada de amor, vinda nas asas das brisas andinas.
23 de março de 2013
Cores e matizes
A roupa bonita disfarça a solidão, igual a vegetação que engana o deserto, e traz algum conforto. A indumentária possui esse efeito mágico e imagético. Há uma conspiração entre o estar só e a camuflagem da estética, fazendo bem aos olhares. Há um vazio na existência humana com todas as cores e matizes. No contexto do vácuo, se instala todos os tons...cinzas e lilases. Nessa ambiência, se desperta a dúvida, vizinha da consciência mais lúcida - viver não é preciso, navegar é preciso - como gravou o poeta lusitano, Fernando Pessoa. Eis a reedição da ação hamletiana, diante das disjuntivas da vida. Contudo a inação toma conta. A palavra perde o seu frescor. A (in)certeza, se deve seguir esse ou aquele atalho? ou desistir? Faz-se presente a inércia. É assim mesmo, o maestro rege melhor a orquestra conhecendo os músicos, e a obra. Há um instante profético, misterioso, de acordo com Sergiu Celibidache - talentoso maestro romeno - que não apreciava ser gravado, e justificava: uma audição ao vivo é algo ímpar, é o desfrute de uma oportunidade única. As sinfonias, árias e canções possuem almas, e adentram nas demais receptivas, pois é essencialmente sensitiva. E esse instante, não se permite ser reproduzido num pen drive. É como viver os grandes momentos, que não se reeditam. Há (in)decisões que devem ser realizadas. Tal qual a florescência dos arbustos, tal qual o luar, que são "realidades compulsórias", morredouras para renascerem. Na contextualização ora citada, inesgotáveis são as premissas das (in)coerências do ato de existir do ser humano. Não saber qual a estrada a seguir, poderá ser uma sábia direção. Ou não.
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