27 de abril de 2013
Amizade
Mario Quintana, poeta e escritor dos pampas, deixou-nos essa pérola: a amizade é um amor que nunca morre. A amizade é um mistério, pois ela é sempre leve, e se veste de diversas tonalidades. A afirmativa que as amizades do passado eram mais sinceras e duradouras, isso não vem ao caso. A indicação, é que possuir amigos, é ter a posse de uma riqueza. A amizade virtual, pertence aos tempos cibernéticos, e se interage pelos caminhos da mágica do computador. São os notebooks e ipads, acessando os facebooks, google e outros mecanismos à disposição, nas chamadas redes sociais digital. Essa matéria, faz-me viajar através da máquina do tempo, no imaginário que aterrisa no núcleo da minha infancia, a mais bem vivida do mundo, nas terras dos indios puris. Naquele tempo, recordo meu pai doente, submeteu-se a cirurgia na Santa Casa da Misericódia do Rio de Janeiro. O curador da Santa Casa, era Darci Monteiro, ascendente de Jeronimo Monteiro, que por duas vezes foi presidente no Espirito Santo, durante a Velha República. Meu pai, por lá permaneceu durante um bom período, no pós-operatório. E por esse tempo, a familia sem renda, precisava de adquirir gêneros alimentícios. E por amizade, e somente por esse amor que nunca morre, que Clarindo Vivas, num ato insígne de solidariedade, abriu crédito no seu modesto empório. Em tempo, agradeço por genuina gratidão, a nobreza desse ato atemporal. Eis o paradígma que se fixa no bronze da história, é inamovível e implacável. Biograficamente, Clarindo Vivas, foi casado com Yolanda, filho de Constancio Vivas e Augusta Calegari, e neto do patriarca íbero-brasileiro-sãopedrense Constantino Vivas.
20 de abril de 2013
História regional 3 ( extremo sul do Espírito Santo)
A primeira igreja edificada em território dos puris, cujo a homenagem se presta a São Pedro, digo do Itabapoana, foi em 1860, na Vila da Limeira do Itabapoana. E dentre os primeiros beneméritos desse templo católico, destaca-se o Capitão José Ferreira, doador do terreno, e então proprietário da fazenda Mimoso, na qual, posteriormente se originou a cidade de Mimoso do Sul. O Capitão acima referido, é o precursor da família do Gil Monteiro Leite. Eis alguns outros nomes que concorreram: Antonio Ferreira da Silva (possivelmente parente do Capitão) José Ribeiro da Silva Castro, Dona Maria Angélica de Abreu Lima, Capitão José Carlos de Azevedo Lima e outros. A freguesia de São Pedro do Itabapoana, foi criada oficialmente pela Lei 04, de 26 de novembro de 1863, e regulamentado pelo decreto nº 444. E sua geo-jurisdição atingia até São José do Calçado. Com essa medida imperial, São Pedro desmembra-se da Vila do Itapemirim de São Pedro do Cachoeiro do Itapemirim e de N.S. da Conceição do Alegre, contudo desde 1850, registrava uma pequena população na região. Em 1865, em pleno regime escravagista, num censo local apurou-se o seguinte: brasileiros 3113, estrangeiros 114, escravos brasileiros 2225, escravos africanos 239. Observe que a população escrava é muito numerosa em relação a população local. Essa tendencia se confirmará, quando da fuga para o Brasil, da familia real portuguesa em 1808, pois, temia a invasão de Portugal, por Napoleão Bonaparte que a fez, com um exército jovem e em frangalhos. Na então côrte no Rio de Janeiro, registrou-se que a população escrava era igual a população, dita branca. Acredita-se que cerca de cinco milhões de escravos vieram para o Brasil. Na Bahia, se faz a previsão de ter recebido 1.400.00 escravos vindos da mãe África. No Espirito Santo, se calcula que tenha por aqui desembarcado cerca de 700.000 africanos. No extremo sul do Espirito santo, havia intenso trânsito fluvial através de pequenos barcos e vapores entre o Porto da Limeira e a atual cidade de Barra de São Francisco. E a concessão do transporte, ficou sob a direção do Comendador Carlos Pinto de Campos Figueiredo.
Fonte: "Páginas da nossa terr " autor: Grinalson Medina/ 1808 Laurentino Gomes, Editora Planeta
13 de abril de 2013
História Regional 2 ( extremo sul do Esp.Santo)
Quando Francisco José Lopes da Rocha, primeiro posseiro de São Pedro do Itabapoana, ferido gravemente pelas flechas dos índios puris em 1837, partiu na busca de tratamento, e desceu as alterosas sãopedrenses , e embarcou no porto da Pratinha, com destino ao porto da Limeira, em Dona América. Daí embarcou para a Barra de São Francisco, para alcançar Campos dos Goitacás, ou Goitacazes. Assim se registra no arquivo implacável da história, quer da sua oralidade, quer pelos documentos, a ponta do fio da saga do povo sãopedrense. A partir de 1850, vindas das Minas Gerais, começaram a chegar as famílias pioneiras em São Pedro, para o povoamento da localidade. O expediente inicial era preencher o formularío para requerer a posse da terra. A atividade era direcionada para a agricultura. Eis alguns desses clãs familiares: Olimpio Ribeiro de Castro, Comendador Leopoldino Gonçalves Castanheira, Manoel João da Silva Oliveira, Ana Carapina de Oliveira, os irmãos Antonio, Manoel e Jacinto de Oliveira, Faustino José Bittencourt (família fundadora do famoso Colégio Bittencourt em Campos dos Goitacazes), Joaquim Aquino Xavier, José Joquim Ribeiro Paiva, Nicolau Xavier Monteiro da Gama, e tantos outros... A freguesia de São Pedro do Itabapoana, foi inaugurada oficialmente no dia 11 de junho de 1856, e pertencia a Sesmaria de Cachoeiro do Itapemirim, bem como as vilas de N.S. da Penha do Alegre, São Miguel do Veado ( atual Guaçui) Aldeamento do Castelo, Porto da Limeira, em Dona América, São José do Calçado, N.S. da Conceição do Aldeamento Afonsino, N.S. da Conceição do Muqui. Oficialmente o start, ou o início da altiva Mimoso do Sul, começa em Ponte do Itabapoana, criado pela legalidade em 13 de junho de 1857, com o nome de distrito de Cachoeiro Itabapoana, com sede no Arraial da Limeira, em função do porto fluvial com o mesmo nome, ou aldeia de Camapuana.
Fonte: Do livro: "Páginas da nossa terra" de Grinalson Medina
4 de abril de 2013
História Regional 1 ( extremo sul do Esp.Santo)
Por ter colaborado com o financiamento às viagens do império portugues, em busca de novas terras, Pero de Gois, recebeu como pagamento, parte da capitania de São Tomé , absurdamente chamada, de hereditária, na margem direita do rio Itabapoana. Tal gleba de terra se localiza, no atual estado do Rio de Janeiro. Nessa freguesia se construiu em 1536, a Vila da Rainha, estendo-se até a sua foz, ou seja, até Barra de São Francisco. Por necessidade de mão de obra, Pero de Gois viajou a Portugal. Quando do seu retorno, a Vila da Rainha foi surpreendido, pois a Vilda da Rainha tinha sido destruída pelos bravos índios goitacá, mais conhecidos como goitacazes. Diante do ataque dos legítimos donos daquelas, mais acima, foi construída a dez léguas do mar, pelo leito do rio Itabapoana, a Vila da Limeira, ou Aldeia de Camapuana, junto à Cachoeira do Inferno, ou da Cachoeira da Fumaça, em 14 de Agosto de 1539. O jesuita Padre José de Anchieta foi nomeado para chefiar as missões no sul do Espírito Santo, em 1579, e a Igreja N.S. das Neves foi erguida em agosto de 1581. Esse templo de inspiração católica, está em perfeito estado de conservação. De acordo com essa informação, poder-se-á concluir, que pelas datas supraciatadas, deu-se o início do povoamento da região, nas proximidades de Ponte do Itabapona e Dona América. Em São Pedro do Itabapoana, a sua colonização é fruto da migração do povo mineiro, que diante da proibição para o cultivo das lavouras, buscaram as terras vizinhas no Espírito Santo. Tal impedimento, estava baseado na defesa das jazidas de ouro, que poderiam ser encontradas nas florestas das Minas Gerais. Por essa migração interna - duzentos e cinqüenta e seis anos - depois da construção da Igreja NS das Neves, é que surgiu o primeiro posseiro em 1837 - José Francisco Lopes da Rocha - que foi flechado pelos índios puris, que reagiram a invasão das terras deles.
Fonte: Grinalson Medina – do livro Páginas da nossa terra.
31 de março de 2013
Uma canção desesperada de amor
Desfruto de um crepúsculo dourado. Suave, e esmaecendo quase imperceptível, e os pássaros em revoada, buscam seus lares, seus ninhos, sendo alguns esféricos, tornando-os aconchegantes. É o arremate do dia, espetáculo cromático, é observar o dia morrediço, para renascer com o mesmo andamento harmônico, na alvorada das manhãs. Há um ambiente de solidão, próprio para a meditação, dita transcendental, que após anos na iniciação monástica, dizem que os monjes do Tibete conseguem separar o corpo da alma. Imagino voando feito falcões ou ninjas, rasgando os ares. No inicio do poente do movimento crespuscular, se apresenta com uma intensa luminosidade, energizada pelo sol oculto na linha do horizonte. Nuvens purpúreas matizam os céus como testemunhas do momento-ômega. As árvores, com as suas folhas, estão inamovíveis diante da chegança da escuridão, que desemboca na profunda boca-da-noite. Eis a noite soturna, sorrateira adentrando em todos ao espaços, camuflando as cicatrizes da alma, e a fauna e flora. E a noite-guardiã a proteger o direito natural ao "repouso" da mãe natureza. E o negrume de repente é emoldurado pela encabulada, romântica e discreta lua crescente, com algumas centelhas de luzes, anunciando-a no firmamento, feito uma vésper. Tudo está a meia-luz, lembrando um tango de Gardel. E nessa fase enluarada, é um “abat-jour”, que suaviza a intensidade da luz, e acaricia o olhar de quem procura ler uma poesia. E a noite é longa, como uma serenata, regada de versos, tal qual o sonho do trovador. A noite é insone, e não se cansa, e se regenera feito camaleoa, igual a uma canção desesperada de amor, vinda nas asas das brisas andinas.
23 de março de 2013
Cores e matizes
A roupa bonita disfarça a solidão, igual a vegetação que engana o deserto, e traz algum conforto. A indumentária possui esse efeito mágico e imagético. Há uma conspiração entre o estar só e a camuflagem da estética, fazendo bem aos olhares. Há um vazio na existência humana com todas as cores e matizes. No contexto do vácuo, se instala todos os tons...cinzas e lilases. Nessa ambiência, se desperta a dúvida, vizinha da consciência mais lúcida - viver não é preciso, navegar é preciso - como gravou o poeta lusitano, Fernando Pessoa. Eis a reedição da ação hamletiana, diante das disjuntivas da vida. Contudo a inação toma conta. A palavra perde o seu frescor. A (in)certeza, se deve seguir esse ou aquele atalho? ou desistir? Faz-se presente a inércia. É assim mesmo, o maestro rege melhor a orquestra conhecendo os músicos, e a obra. Há um instante profético, misterioso, de acordo com Sergiu Celibidache - talentoso maestro romeno - que não apreciava ser gravado, e justificava: uma audição ao vivo é algo ímpar, é o desfrute de uma oportunidade única. As sinfonias, árias e canções possuem almas, e adentram nas demais receptivas, pois é essencialmente sensitiva. E esse instante, não se permite ser reproduzido num pen drive. É como viver os grandes momentos, que não se reeditam. Há (in)decisões que devem ser realizadas. Tal qual a florescência dos arbustos, tal qual o luar, que são "realidades compulsórias", morredouras para renascerem. Na contextualização ora citada, inesgotáveis são as premissas das (in)coerências do ato de existir do ser humano. Não saber qual a estrada a seguir, poderá ser uma sábia direção. Ou não.
15 de março de 2013
Morro da Palha, comunidade afro-descendente
A simpática comunidade do Morro da Palha, foi fundada em 1955, em Mimoso do Sul, próximo do extremo sul capixaba. E as primeiras familias vieram da antiga Caixa D'àgua nas imediações do Usina Hidroelétrica construida pelo governador Rubens Rangel. Os retirantes se estabeleceram no lado direito, pela rua Crispim Braga acima, no sentido Rio de Janeiro pela via férrea. O casal, Manoel Pereira e sua esposa Elcia, lideraram esses novos moradores, na busca da felicidade, através de um abrigo, de uma casa, que é a simbologia maior, para se sentir dentro do princípio inicial da cidadania. E junto, com o casal, a ninhada de filhos, a saber: Margarida, Osvaldo, Maria da Penha, Luci, Manoelita, Jair e Marlene. Num sistema de mutirão, construiram meia duzia de barracas de pindoba e, e cobertas das palhas de sapê. Nessa embrionária comunidade, foi onde se deu origem ao toponomio: Morro da Palha. Vieram em seguida outras famílias, da Pequetita, Josefina(cujo a apelido era "Kalil Morreu"), Joaninha, auxiliar de enfermagem e rezadeira com fé, Filipina, Chico Pedro, Alcebíades, Dona Floripe mãe da Dona Sebastiana, casada com João Azevedo, e mãe do Avides Azevedo, e tantos outros (Dona Sebastiana, longeva, morreu com mais de 100 anos), Alberto Faustino, Lourdes esposa do professor Pitacus, que lecionava quimica, no colégio local. Alguns moradores afirmam, ter sido ele oficial da marinha grega, e que por aqui aportou. Lourdes deu-lhe uma filha. Essa narrativa, ainda criança fez-me lembrar do Quarentinha,(em homenagem ao craque do Botafogo) José Carlos (Tim), Dagmar, Xanfrado, Calango, ou Pé Redondo, e o Joci, que suportava sobre a cabeça, tres sacos de café. Era um hércules, pela sua força física, todavia, foi precocemente vencido pelo alcoolismo. O Morro da Palha com as suas casas de alvenaria, creche, ruas calçadas, luz, e água potável, está plenamente integrado ao conjunto da sociedade local. E para coroar a performance do bairro, o funcional sopão da Rosinha, com a ajuda de todos, alimenta os mais carentes, bem como o providencial asilo.
PS.: Essa matéria teve a inestimável colaboração do Bento.
12 de março de 2013
Papa Bento XVI, cardeal Ratzinger
A renúncia do cardeal José Ratzinger, foi uma surpreendente atitude, pois na idade moderna, há 600 anos, um papa não solicitava esse direito, que é de abrir mão do cargo mais importante da Igreja católica. Há diversas versões, contudo uma é inquestionável: o ex-papa não estava satisfeito, na condição de chefe da igreja católica. Algumas vísceras foram expostas, desde a corrupção no Banco do Vaticano, passando pela divulgação de documentos secretos, atribuído ao mordomo do papa - aliás o mordomo é sempre culpado em muitos filmes de suspense – e por fim a prática de pedofilia por alguns bispos. E assim caminha a humanidade. Os templos evangélicos não-pentencostais - são àqueles que não praticam o batismo – crescem em progressão geométrica. A cada semana se inaugura uma casa de oração. O povo tem a necessidade mística e mítica, ou seja, de acreditar em algo superior e ter o mito como paradígma. Se faz necessário ter fé, e acreditar em Deus, de acordo com o dogma. As doutrinas, seitas e o sincretismo afro-religioso através da umbanda ou candomblé, são menos dogmáticos, menos rigorosos com os seus fiéis. Esses líderes não-católicos, estão sempre disponíveis para atender os seguidores. A igreja católica hermética e encastelada, ainda amarga a crise das ausencias vocacionais para os seminários. Por outro lado, ditam severas condições para se ordenar um diácono, como se fosse um vestibular nas universidades de Harvard ou Oxford. A igreja católica, é recomendado se atualizar, e se não o fizer, metaforicamente, poder-se-á vaticinar o seu destino, tal qual do dinossauro que enquanto vida, não resistindo as intempéries do dilúvio, desapareceu. E para complementar, padre é um ser humano como outro qualquer, possuidor das fragilidades, e das necessidades fisiológicas, inclusive a sexual. Conforme diz a biblia: crescei-vos e multiplicai-vos...(menos os padres?). No dia 13 de março de 2013, o colégio eleitoral dos cardeais, escolheu o novo Bispo de Roma, é o cardeal argentino - Jorge Mário Bergoglio - que se autodenominou como Papa Francisco. A grande novidade é ser ele, o primeiro papa, pertencente aos quadros da ordem da Companhia de Jesus. Os jesuitas, possuem vida economica própria, e são considerados, muito intelectualizados. São mais de vinte mil, espalhados pelo mundo. E no passado recente, foram simpáticos a "teologia da libertação", de inspiração marxista.
20 de fevereiro de 2013
Vinicius de Moraes, poeta e diplomata
Vinicius de Moraes reafirmava que o melhor amigo do homem é o uísque, pois se trata do cachorro engarrafado. Se estivesse vivo estaria completando cem anos em 2013. Contemporâneo do seu amigo de sempre, o cachoeirense, Rubem Braga. Nas intermináveis conversas entre ambos, Vinicius, de tanto ouvir falar de Cachoeiro do Itapemirim, batizou-a como a “capital secreta do mundo”. Vinicius de Moraes foi poeta e diplomata. Serviu em diversas cidades, tais como Los Angeles e Paris. Em 1956, montou a peça “Orfeu da Conceição” no Teatro Municipal, no Rio, quando conheceu o então jovem pianista Tom Jobim. Desse encontro se formou uma parceria, que produziu músicas de sucesso internacional, como Garota de Ipanema. E outras como “Se todos fossem iguais a você, Chega de saudade, Eu não existo sem você, Água de beber “ etc e tal. Casou-se por nove vezes, e uma delas, com Christina Gurjão, com quem tive a honra de conviver, através do escritor e amigo Artur da Távola. Ela lhe deu uma filha, de nome Maria. O virtuose do violão Baden Powell de Aquino, musicou as letras dos sambas da Benção, (em) Prelúdio e Berimbau. Compôs a música “Arrastão” em parceria com Edu Lobo, tendo sido essa canção “imortalizada” pela voz de Elis Regina. E por último uma produtiva parceria com Toquinho, que durou até a sua morte em 1980. Vai o homem, e permanece a obra. Numa boa escuta, e um bom uísque, vou tocar, “ Por onde anda você, poetinha ?”
3 de fevereiro de 2013
Monarco oitenta e oito !
Hildemar Diniz, mais conhecido como Monarco, nasceu em Nova Iguaçu e se transferiu para Madureira, próximo da Portela em 1947. Homem de hábitos simples mora no Riachuelo, subúrbio da zona norte no Rio de Janeiro. É considerado um sambista de escol. Paulinho da Viola, também portelense se considera discípulo de Monarco. Compositor da respeitável da Velha Guarda da Portela, que é a memória viva da história do Brasil cultural e miscigenado. É a narrativa poética da sociologia brasileira. Monarco é patrimônio das cores azul e branco, do Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela, enquanto membro e compositor da Portela. As letras dos sambas de Monarco, nunca se esquece de discorrer sobre a biografia dos seus sambistas. Um autêntico guardião da memória da escola. Prestigia os ícones do passado, e do presente, através da sua poética musical. Reverencia também os compositores das outras escolas, por exemplo: aprendeu a técnica de composição de sambas-enredo, com o mestre Silas de Oliveira, fundador da Império Serrano. A voz de Monarco, é de inflexão metálica, fluente e suave. Nas suas entrevistas, reverencia Paulo da Portela, Antonio Rufino e Caetano, fundadores da Portela. A família de Monarco, tal qual Johann Sebastian Bach, resguardadas as proporções, tem nos filhos, sucessores da sua arte. Está na ativa, todavia, eclipsado pela mídia, mas continua cantando e encantando àqueles que lhe ouve. Parabéns Monarco. Ele Partiu ontem dia 11 de dezembro, em plena lua crescente, se foi para algum lugar ou não, não devo opinar. Intuo no meu imaginativo ser ele mais uma estrela a iluminar constelação tipo a de Orion, cuja porta de entrada será recebido por Bach,Ary Barroso, Pixinguinha e Tom Jobim. Saudade !
2 de fevereiro de 2013
Tragédia gaucha
Estranho país...o querido Brasil continental, que já não é mais a sexta economia do mundo, tomou providencias numa dimensão quase nacional, e está a fiscalizar todas as casas de shows, teatros, cinemas, centros culturais e de convenções, quer da iniciativa privada, quer os aparelhos públicos. A fiscalização, igual a fênix, ressurge das cinzas, e os estabelecimentos estão sendo lacrados, por não atenderem as mínimas condições de segurança aos seus frequentadores. O acontecimento de uma tragédia que repercutiu no mundo inteiro, onde morreram cerca de duzentos e trinta e cinco jovens, numa boate que incendiou-se em Santa Maria, cidade universitária no Rio Grande do Sul, e cem deles, ainda internados nos hospitais. Desde então, o poder público estava no imobilismo, e agora diante do caos, parece sentir-se motivado, e nas grandes capitais, deu-se inicio a uma severa cobrança aos seus proprietários e/ou representantes dessas casas, para implantarem as medidas de segurança de acordo com as recomendações. Suspeita-se que as razões desse infortúnio são muitos, desde a idiotice de se produzir show pirotécnico dentro de um ambiente fechado, a corrupção entre as partes para não se cumprir algumas medidas de segurança, e pelo "vil metal" receber mais frequentadores do que a casa comportaria, e até na ausencia de tirocinio para não se construir as portas de emergencia, como rota de fuga. Para agravar, a morte ronda a juventude, que é a maior vítima dos acidentes nas vias urbanas e nas rodovias. Vidas são ceifadas no ápice da vida. O poder público, deve buscar medidas que pelo menos matem menos os nossos jovens. Implantar campanhas educativas na mídia e nas escolas, maior eficácia da policia rodoviária e melhoria nas estradas, e outras recomendações. Infelizmente não existe uma legislação federal para orientar na construção das casas de espetáculos. A ABNT – associação brasileira de normas técnicas – é uma instituição privada, que recomenda alguns procedimentos, e nada mais. Não tem força-de-lei. Normas, não são leis. Enquanto não se votar uma lei no Congresso Nacional, claudica-se aqui e acolá, torcendo para que essa tragédia não se repita no Brasil e nem em quaisquer outras partes do mundo. Há um aforisma verbalizado na zona rural, desse modo: "viver é jeito, morrer é descuido "
13 de janeiro de 2013
Joaquim Domingos dos Santos, um anônimo
Os muares são uma antiga ferramenta de trabalho, desde a existencia do homem. Por esses brasis afora ainda se vê carroças puxadas por mulas e ou burros. Algumas são transportes da população rural, outras fazem fretes na zona urbana. Transportam pequenos apetrechos e até mudanças. Havendo necessidade, dão várias viagens, para completar a tarefa. Por essas terras, há um carroceiro chamado Joaquim Domingos dos Santos, simplório e de fala mansa, estatura baixa e físico forte, sua tez é morena e bronzeada pelo sol do dia-a-dia, na atividade de um meritório trabalho. O burro agregado ao seu veículo, tem o surreal nome de Tafarel. Há meio século exerce essa função e dela sustenta alguns membros da familia, pois tem doze filhos e alguns netos e bisnetos. É de famila de tradição longeva, pois o seu avô Francisco Gouveia viveu até os cento e um anos. Do alto dos seus quase noventa anos, acorda as cinco horas da manhã e trabalha até as dezesseis horas. Por ajudar todos os seus, não conseguiu adquirir a sua casa própria, símbolo maior da cidadania. Possui uma saúde impecável. Depois de ter enviuvado duas vezes, pretende conquistar uma outra companheira, e com certeza tem o apoio familiar segundo relatou a esse modesto cronista. Certa vez, o diretor de filmes inesquecíveis - Luis Buñuel - provocado por um repórter, ao se casar aos 76 anos, vaticinou assim: o sexo só lhe abandona, se você o abandonar. No seu cardápio alimentar, Joaquim excluiu o café, arroz e galinha. Prefere a carne suina, angu, e os feijões. Das frutas, no passado apreciava as laranjas, atualmente não dispensa as saborosas mangas: espada,carlotinha e aden. Divulga a sua filosofia de vida baseada na paciencia e respeito as crianças e aos idosos. Um anônimo, todavia um sábio, pois escolheu as duas pontas da sociedade, que mais necessitam de um olhar mais apurado de todos nós.
12 de janeiro de 2013
Rubem Braga - 100 anos
Discorrer, narrar sobre Rubem Braga, é como se reeditasse as doze tarefas de Hércules, filho de Zeus e heroi da mitologia grega. É um exercício de alta magnitude, pois os luminares da literatura já o fizeram, todavia, mesmo sendo amador, vou tentar reger essa "notável sinfonia".
Ele foi um cidadão do mundo, um "sujeito-homem" que não se intimidou, quando se aventurou como correspondente de guerra na Itália. Lá no campo de batalha, preferia conviver com os soldados, e deles, numa boa escuta, conseguia a informação e transformava-a em notícia, em suma; fazia história. Nunca se esqueceu do seu Cachoeiro, banhado pelo encachoeirado rio Itapemirim, o quais sempre lhe acompanharam como referencia da sua trajetória de vida. Morou e amou Paris, e por lá namorou a linda Tonia Carrero, então famosa atriz do teatro, TV e cinema. Bebeu bons vinhos e degustou saborosos pratos da terra de Saint Exupery. Entrevistou Thomas Mann, Jean Cocteau, Sartre e outros ícones da época. Depois foi consul no Marrocos...vestiu fraque ao apresentar credenciais ao sultão muçulmano. Na sua residencia oficial nesse país de cultura árabe; nas modorrentas tardes, no recesso da sua casa, observava os cânticos dos pássaros, e os comparava com os de Cachoeiro. Isso se deve em parte, o parentesco do jornalista, com a familia dos Coelho, tradicionais fabricantes de pios. Segundo ele, alguns entoavam dobrados que lembravam os curiós, outros com os melros e bem-te-vis. Depois foi para o Chile, e exerceu também funções diplomáticas. Seu acervo literário são quinze mil cronicas, e nunca escreveu um livro ficcional ou não. Sabia que não voltaria mais para a sua terra...a diáspora deixa sequelas, pois é um "exílio" (in)voluntário. Parte da sua vida, dedicou-se a boemia carioca, manteve amizades do calibre de Vinicius de Moraes, Paulinho Bertazzi, Fernando Sabino, Ligia e Olimpio José de Abreu, esse, foi professor e amigo dele desde quando lecionava no então colégio Pedro Palácios em Cachoeiro. Eis uma surreal curiosidade revelada pelo professor: numa noite foram ao Mangue, antiga zona do meretricio no centro do cidade, na Praça Onze, Rio de Janeiro. O cronista e o amigo-conterrâneo, após beberem algumas talagadas de uisque, o cachoeirense Rubem Braga, se aproximou de uma "donzela da noite", e por ter cometido alguma "saliencia", teve um sério entrevero com o cáften da mesma. Para se safar do imbroglio, do interior da casa de tolerância, numa tonitruante voz, bradou exageradamente assim : Abreu, Abreu estão querendo me matar!
Abn al-Rahman era um príncipe, ascendente das famílias bérbere e omíada; e por volta do ano 752, aos dezoito anos ou menos, perseguido, empreendeu uma longa caminhada, e atravessou o estreito de Gibraltar, e se estabeleceu com o seu povo na Espanha. ( E por lá permaneceu por oito séculos na península ibérica, convivendo harmonicamente com judeus e cristãos, até 1492, ocasião em que foram expulsos pelos reis católicos.) Tal perseguição e fuga, foram motivadas, pela morte dos pais de Abn al-Rahman; pelos abássidas em Damasco. Abn al-Rahman ao instalar do Califado de Córdoba, plantou fruteiras da sua terra natal ao redor do seu palácio, oriundas da sua terra natal, pois tamanha era a saudade da Siria. Assim Rubem Braga procedeu; plantou mangueiras, coqueiros, pitangueiras na sua cobertura em Ipanema. Mesmo com a sua cosmopolita mundividência, jamais ignorou a sua gênese. Alías, é uma admirável praxis cultivada durante a sua existencia. O rio Itapemirim, foi "incumbido" de conduzir as suas cinzas para os sete mares, contudo, passando antes, por Marataizes.
6 de janeiro de 2013
Buda é Siddharta Gautama
Buda nasceu na India no séc. VI/V a.C. Foi um príncipe, que vivia como se fosse numa redoma de vidro, fora da realidade, era a liturgia da realeza. Casou-se com uma prima que lhe deu um filho. Entediado com a vida palaciana; aos 29 anos abandonou o luxo e se transformou num mendigo. Experimentou o lado mais amargo da vida. A partir desse aprendizado, atingiu a iluminação, que é o mais alto grau da espiritualidade. Dai em diante conquistou adeptos, e o budismo espalhou-se inicialmente, pelo extremo Oriente. E todo o mundo tomou conhecimento, dos ensinamentos de Buda. No Brasil são 240 mil seguidores. Segundo o futuro Dalai Lama, que incorpora o espírito de Kalu Rinpoche, um "botsawa" - espírito de luz - nos seus vinte e poucos anos; afirma ser o budismo uma filosofia e não religião. Há controvérsias. O jovem e futuro Dalai Lama é modernoso, pois está conectado com nas suas redes sociais da internet. Aos dezoito anos, o jovem mestre deu o grito de liberdade e fugiu do monastério e viveu seis meses na Tailandia. Foi em direção a esbórnia. Adentrou na vida, dita mundana. Manteve relações sexuais, e provou da marijuana. E postou no you Tube, uma mensagem bombástica: denunciou ter sido vítima de abuso sexual por parte de alguns monjes que envergonham os ensinamentos Buda, Hare Krishna e tantos outros budistas. Superado o trauma, retornou ao internato monasterial. Há muitas cortinas de fumaças, que aos poucos estão se diluindo... religiosos da igreja na católica Irlanda, praticavam a ignóbil pedofolia. Certa vez um experiente professor, numa conversa reservada, adiantou que a libidinagem, é tão antiga quanto a prostituição. Por ter vivido na Europa, relatou que nos palácios, mesmo guardados com soldados, e com altíssimas grades, se praticavam atos sexuais, entre as grades. As seitas, doutrinas, religiões, sociedades secretas e quaisquer outras, por serem dirigidas pelo homem, consequentemente estão sujeitas a graves desvios, poder-se-á encontrar provas de atos e atitudes inenarráveis; em outras instituições; tais como, a perversidade sexual; da qual foi vítima o jovem monge Kalu Rinpoche, lider do budismo tibetano,
14 de dezembro de 2012
O jongo - parte 2
Há uma interação interdependente entre o lúdico e o místico, em se tratando do jongo. No lado místico, conta-se que aquele que tem "vista forte", ou seja; um iniciado com a patente próxima de um Obá (sábio em Iorubá); dizem que durante uma roda de jongo, é possível plantar à meia-noite no terreiro uma muda de bananeira. E durante a madrugada, ela cresce e produz frutos que eram distribuidos entre os presentes. A festa-mística dos jongueiros, é composta por uma fogueira e diversas tochas espalhadas. Ao lado, ergue-se uma barraca de bambu para a dança dos casais, ao rítmo do calango; e ao som de uma sanfona de oito baixos e pandeiro. Silenciosamente, à meia noite a negra mais velha, talvez a mais sábia, sai da barraca e caminha lentamente em direção ao terreiro de "terra batida". É o momento solene, de acender a fogueira e formar a roda. Ela se benze entre os tambores sagrados, e pede licença aos pretos velhos que já se foram rumo ao zênite, para iniciar os trabalhos. Canta o primeiro ponto, que é o de abertura. Todos respondem, cantando alto e batendo palmas num clima de alegria. Os tambores rufam. Nas fogueiras, assam-se na brasa a batata doce, milho verde e amendoim. Bebem cachaça, caldo de cana quente ou café, nas noites de frio intenso. O jongo é também uma festa, sobremaneira animado e só termina ao raiar do dia. No amanhecer saudam o dia, com um "saravá a barra do dia". Dia 13 de maio é uma data consagrada dos pretos-velhos. Os jongueiros dançam descalços, vestidos com roupas do dia a dia. É uma dança de roda e de umbigada. A umbigada se dá de longe. No jongo da Serrinha existe um passo que se chama "tabiá", que é uma pisada forte com o pé direito, curiosamente, tal qual os indios da região do Xingu, na festa do Quarup.
10 de dezembro de 2012
O Jongo - parte 1
É muito provável que o samba tenha a sua paternidade creditada ao jongo. A dança do jongo se concentrou nos morros cariocas antes do surgimento do samba, porque na abolição da escravatura, a colonia não reservou sequer pequenas glebas para os ex-escravos. Em nome da preservação desse patrimonio cultural, em 1960 foi criado o Jongo da Serrinha, em Madureira no Rio de Janeiro. Seu incentivador, foi o mestre Darcy Monteiro, profundo conhecedor da prática dessa dança, carregada com fortes tinturas místicas e respeitáveis mistérios. Criou-se uma Escola de Jongo, que inicialmente foram matriculadas 500 crianças, e jovens de diversas idades até o limite de 21 anos. Além das aulas de dança e da música do jongo, há do estudo do afro-primitivo, se ensina capoeira angolana, maculelê, teatro, artes plásticas e cidadania. O jongo, conhecido também como caxambu, veio do Congo e de Angola. Eles eram bantos, que são membros do grupo linguístico nígero-congolês oriental. Esses escravos foram enviados para as fazendas de café no Vale do Paraiba(RJ), Minas Gerais e São Paulo. Há informações que o jongo se estendeu até ao Espirito Santo. No passado somente os mais velhos podiam entrar na roda para dançarem. Os líderes eram necessariamente rígidos, por exemplo: na passagem das "mirongas" (segredos) e ao informar os fundamentos dos pontos. Os cânticos do jongo são simbólicos, pois é uma linguagem cifrada, exigindo uma boa experiencia para decodificá-los. Os jongueiros são verdadeiros poetas-feiticeiros, que se desafiam na roda do jongo. É a disputa das sabedorias entre as duplas. Com o poder das palavras e uma forte concentração, buscavam encantar o outro, por meio da poesia dos seus pontos. Aquele que recebesse um ponto enigmático, deveria decifrá-lo na hora e respondê-lo imediatamente( a esse fato dá-se o jargão: desacatar o ponto). Caso não consiga responder "a tempo e a hora", ficará enfeitiçado, "amarrado", podendo desmaiar, e a perdre a voz. E para agravar, se embrenhará na mata, e não saberá como retornar. Até vir a morrer. Há quem sustente, que atualmente esses fatos não se repetem. A conferir. O jongo é uma dança atávica. Pertence aos pretos velhos escravos, do povo da cativeiro, e por conseguinte pertence a " linha das almas".
aguardem: O Jongo (2)
aguardem: O Jongo (2)
4 de dezembro de 2012
Um quilo mais aquilo
Há tempo para tudo. Coexisto com as (in)certezas. Às vezes sinto um vazio "glauberiano" por dentro, que me entorpece. Sabidamente, a lucidez faz sofrer mais. Retirando as viciadas lentes de aumento, o fantasma parece menos assustador. Na fase atual, no balancete da vida, viver é um premio. Melhor viver no Leblon? A conferir. Tive filhos, e não os tenho... pertencimento deles não é meu, como Khalil Gibran vaticina nos seus aforismas, que os filhos são do mundo. Há seriíssimas controvérsias. Distanciei-me pela dor... e aqui não se dá o (des)encontro das águas, Não importa onde estou, pode ser nas margens do rio Itabapoana, Ipanema ou na Croácia. Onde estou há escassos episódios indicativos, de que é possível estabelecer fluídas relações, e algumas conversas-fiadas com os moradores, e também com os frequentes ciganos, que faz-me lembrar da infancia. Dentro das reminiscências, vem-me o som do violão de Django - Reinhardt, Jean Baptiste (1910/1953) - guitarrista cigano-belga, tido como um dos virtuoses desse instrumento, e lhe faltava um dedo. Jamais havia ouvido falar de Django. E o mestre da música erudita, Artur da Távola também, o que é compreensível. Fiquei intrigado, pois achei que Django era uma farsa, enfim, um "fake". E fui à cata de um disco de Django. E fui na então loja, Modern Sound em Copacabana. E lá encontrei alguns discos. Numa zona de (des)confortável, para compensar, parece que há algo leve no ar, feito um falcão planando dentro de uma providencial corrente de ar. E viajo silente junto ao falcão, igual aos passarins, que na "muda", não cantam, contudo pelas plumagens, encantam. O existencial ermitão declarou que só acontece "o agora", e só. E nada mais. Então, pode ser uma pintura que só o autor identifica. Uma obra-cabeça. No mais, pode ser "um quilo mais aquilo, não é nada disso...eu quero é, botar o meu bloco na rua", como versejou e cantou o poeta Sergio Sampaio.
5 de novembro de 2012
A conferir
As definições de cultura são tantas e infinitas, mas uma delas, se sobressai: cultura é um conjunto de realidades regionais. Faz tempo que os arqueólogos chamam de Tupiguarani a um determinado modo de fazer e ornamentar cerâmica, atribuindo essa atividade aos falantes da lingua da família com o mesmo nome. Alguns historiadores sugerem que os colonizadores ibéricos, quer os espanhóis quanto os portugueses, chamavam de índios, os habitantes das terras descobertas, pois julgavam que estavam na India. Na época, os que não fossem europeus, eram nominados de índios, se reportando equivocadamente a India de Mahatma Ghandi. A cultura brasileira tem a sua gênese no encontro das três etnias: Os troncos tribais, Taquará-Itararé vinculada aos jês do sul, centrais e macro-jês. Aos históricos Puris e Cataguás, e outros. O toponômio Cataguases(MG), tem a sua origem na tribo Cataguás. E o colonizador, de ascendência moçárabe,( que eram os cristãos que viviam na península ibérica, leia-se, Portugal e Espanha, ocupada pelos árabes e judeus durante oito séculos, e de convivência pacífica com os católicos até 1492, ano em que foram inexplicavelmente expulsos por Isabel e Fernando, reis de Espanha) o colonizador, e os escravos vindos da mãe África, sendo a escravatura, o período mais traumático e vergonhoso da história do Brasil. É o único pais do mundo com essa formação racial daí a sua riquíssima diversidade cultural. Para ratificar essa prática cultural, contextualiza-se: “ Deve-se lembrar que existem dois modos pelos quais os homens transmitem suas características a seus descendentes : há aquelas cuja a transmissão é regulada pelas leis da genética; há outras como a língua, costumes, crenças, hábitos, que o individuo vai recebendo pouco a pouco pelo aprendizado, formal ou informal, intencional ou não, com os outros membros da sua sociedade. Ao conjunto desses elementos que não são transmitidos de modo biológico, dá-se o nome de cultura.” (Melatti, Julio Cezar, pág.33). Por aqui, nesse sudeste, quase nordeste, nas paragens da tribo dos Puris, se herdou o uso do “urucum” como ingrediente em diversos pratos da culinária brasileira, desde o arroz, e inexoravelmente na moqueca da terra de Rubem Braga. Há quem afirme que na então Sesmaria do Barão do Itapemirim, o peixe-moqueca, desde antanho era acompanhado de banana-da-terra. De usn tempos pra cá, proliferou-se o uso banana. Outro processo cultural, refere-se aos reis magos, os astrônomos que seguiram a estrela até a Jesus Cristo, e lhe ofereceram presentes. Eles são inspiradores da Folia de Reis. É uma tradição oriunda da península ibérica. O palhaço, o grande protagonista, nas comemorações declama os versos, em grande parte do tempo, incluindo algumas passagens da Biblia. Na vizinha e simpática Muqui, essa manifestação cultural existe desde 1950. A colônia sírio-libanesa contribuiu ricamente para gastronomia local, desde os merches, quibes e humus terrine, e até na práxis da ética e do respeito ao próximo. Nos anos dourados desse condado, dos anos 40 até o final dos anos 60, inaugurou-se em 1953, o cine teatro S.José, e a trouppé da Rádio Nacional desembarcou por aqui, e a tira-colo, o Renato Murce, mal comparando era o Pedro Bial, o acompanhava - Baden Powell de Aquino - um dos maiores violonistas mundo. Certa vez, a pedido do Palácio Buckingham, onde reside a Rainha Elizabeth, ele compôs uma peça musical para violão e orquestra, e foi o solista, quando da apresentação, para a realeza. Outras bandas famosas se apresentaram no Municipal Litero Clube, tais como Waldir Calmon, Cassino de Sevilha, Windsor e outras. Essa cidade é musical, pode ser um lastro deixado por aqueles que antecederam. A conferir.
2 de novembro de 2012
São Jorge
Na época traumática da escravatura brasileira; não era permitido professar quaisquer crenças que não fosse a católica, religião oficial do colonizador. Consequentemente a prática do sincretismo afro-religioso era proibido, e diante do veto imperial, os escravos rebatizaram seus ícones místicos; escamoteados sob o manto dos santos da época.
Ogum, entidade da Umbanda e do Candomblé, diante da rigorosa proibição, passou a ser cognominado no Rio de Janeiro de São Jorge, sendo que na Bahia é Santo Antonio, e curiosamente em Cuba, é São Pedro. A história remete à existência de São Jorge, na Turquia, na região da Capadócia, onde ele teria vivido e praticado um ato heróico e milagroso: o resgate de uma mulher das garras de um dragão.
No centro do Rio de Janeiro a igreja de São Jorge, no Campo de Santana, é sobremaneira concorrida, principalmente em 23 de abril, data santificada e feriado municipal na Cidade Maravilhosa. Jorge foi decapitado na cidade de Lida, Palestina por volta do ano de 303 dC. O seu feito correu o mundo, e desde então, a sua popularidade é alta. É aclamado nas liturgias católica, anglicana e ortodoxa. É "santo protetor" na Inglaterra, Portugal, Georgia, Catalunha e Lituania. Em sua homenagem, eis alguns homônimos: Jorge Washington, primeiro presidente dos Estados Unidos, e os escritores: o inglês Jorge Orwell, e o saudoso baiano Jorge Amado, um "Obá", iniciado nos terreiros de Menininha do Gantois. É um profundo conhecer da cultura e dos mistérios da Bahia. Para acrescentar, São Jorge é patrono da Cavalaria do Exército Brasileiro. Por ausência de provas o Santo Ofício ressuscitado, leia-se a Santa Sé, "cassou-lhe" a patente de santo. Contudo no imaginário coletivo, continua "vivo" para multidões que acreditam no seu poder milagreiro.
Pesquisa:
Os santos de cada dia - J.Alves - Ed.Paulinas
São Jorge - Rizzardo da Camino - Ed.Eco
19 de outubro de 2012
Mares das (in)certezas
Com o advento da internet, uma parte da sociedade do espetáculo se torna cosmopolita, e uma fração dessa mesma sociedade, conhecida pelos cientistas sociais, como "pequena burguesia" cuja a origem é judaico-cristã-ocidental, compõe esse arquétipo. A culpa, subjacente do pecado original, promove "caravanas da caridade" para a África, onde morrem milhares de crianças de fome endêmica, citando-a, creio, dar-se-á um cunho universalizado a narrativa.. A realização do individuo, se dá por diversos atalhos. O viés da solidariedade é um indicativo do “homo sapiens”. É essa a práxis, o paradígma que o homem deveria se comprazer consigo mesmo. A mística religiosa, hoje avaliada por aproximação, em dez milhões ou mais de religiões, dogmas e ou seitas espalhadas pelo planeta, tem a China de Confúcio ( 551/479 a.C) com um bilhão e trezentos milhões de habitantes, e a India de Mahatma Ghandi ( 1969/1948), com somente duzentos milhões a menos do que a China. Esses países com mais de cinco mil anos, são também recordistas de um politeísmo caleidoscópico. Lamentavelmente, essas regiões amargam altos índices de mortalidade de crianças. Talvez se couber uma reflexão, arriscar-se-ia o seguinte: o misticismo resolve a problemática da miséria humana? Todos sabemos da resposta. A busca da humanização das relações, é um tema em voga. Contudo, encontra uma abissal dificuldade para se tornar eficiente e eficaz, pelo contraponto exercido pelo sistema. Aplicam-se e/ou despertam sonhos humanísticos, alguns capitaneados por organismos internacionais, como a FAO, ONGS, Clube de Roma e outros. As teorias marxistas estão fora de moda, pois se mostraram improdutivas ao mundo contemporâneo. Há controvérsias. Todavia o marxismo continua eclipsado pelas macro-forças do capitalismo. O homem está condenado a lutar pela liberdade, como a sua mais importante reivindicação, que é própria razão da existência humana, mesmo navegando os mares das (in)certezas.
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