27 de abril de 2012

Roberto Carlos, settanta uno


No dia 15 de julho de 1953, aconteceu uma das festas magnas da cidade de Mimoso do Sul, localizada no extremo-sul espiritossantense. Após dezessete anos, inspirado, assim versejou o poeta Orlando Martins:

Salve Mimoso do Sul,
Cidade-mulher,
Eterno amor
De quem aqui vier!

roberto carlos
Imagem: jocluis via Photopin CC

E dessa quadra se originou o hino oficial da cidade. No dia acima citado, o rei Roberto Carlos cantou e encantou a todos que o assistiram. Ele estava com doze anos, e infelizmente a sua perna direita já tinha sido amputada pelo trem em Cachoeiro do Itapemirim, quase em frente ao inesquecível cinema Broadway, numa manhã de domingo do dia 29 de junho de 1947 – dia de São Pedro. Era de costume Roberto Carlos passar as férias escolares na modesta – Mimosa, salve Mimoso do Sul – com a sua bem-aventurada tia – Antonica Moreira Luz – irmã da sua mãe, Lady Laura. No tempo e no espaço, há quem afirme, contudo, ainda carecendo de documentação comprobatória, que o rei tenha nascido em Santo Antônio, distrito desse condado. Os pais do rei casaram-se no distrito supracitado, de acordo com a certidão do cartório local. Há verdadeiras chances de ele ter vindo ao mundo nas terras do bucólico Santo Antônio, até porque Lady Laura e seus numerosos familiares são todos da região. Cachoeiro do Itapemirim,tornou-se a segunda alternativa, quando ela casou-se com o relojoeiro Robertino Braga. Aguardamos uma outra versão à moda "Dan Brown", para esclarecer o fato, ou não. Quem poderia colaborar na elucidação desse "imbróglio" teria sido a sua mãe, que viajou ao zênite, e, em vida, nunca foi questionada sobre o assunto. Enquanto isso, por serem tantas as emoções, ainda na validade, o mais popular cantor brasileiro, comemora, as suas, setenta e uma primaveras. Parabéns Roberto Carlos!

17 de abril de 2012

Moral pública

O poder judiciário começa a dar sinais  sobre o julgamento do "mensalão".  Pois se pretende julgar esse volumoso processo,  antes do início das tratativas oficiais para as eleições,   para se escolher prefeitos e vereadores em todo o país. A informação veio do ministro Ayres de Brito,  de acordo com a sua entrevista, num importante matutino carioca.  Na próximo dia dezenove do corrente, o ministro será empossado como presidente  da mais alta corte de justiça do Brasil.  O Supremo tem demonstrado sintonia com a sociedade, quando  acatou a Lei da Ficha Limpa,  uma iniciativa - genuinamente popular.  Esse comportamento do Judiciario, em atender as reivindicações da sociedade civil,  é fruto da democracia na sua plenitude,  e que foi   conquistada pelo povo brasileiro.  É preciso fazer justiça ,  pois o mensalão, foi uma manobra inescrupulosa,  na compra dos votos de alguns parlamentares, com o dinheiro público, para votarem matérias de interesse do então governo. Confia-se na imparcialidade dos magistrados, pois no imaginário popular, esse segmento simboliza os bons costumes e a moral pública.

6 de abril de 2012

O numeral sete


O poeta Vinicius de Moraes, demonstra ser simpático ao setenarismo, no seu poema: A mulher que passa: tem sete cores nos seus cabelos/sete esperanças na boca fresca. Os números carregam desde a antiguidade, enígmas  e misticismos. Para dar partida a importância esotérica deste numeral, de inicio corresponde aos sete dias da semana, aos sete planetas, aos sete graus da perfeição, às sete esferas celestiais, as sete pétalas da rosa e mais alguns setenários , que para os egípcios é o símbolo da vida eterna. Cada período lunar dura sete dias, os quatros (número 4, também perfeito) períodos do ciclo, que é igual a 4 X 7, fechando o processo.. Filon, filósofo judeu, no séc. I dC, observa que a soma dos sete primeiros números (1+2+3+4+5+6+7) = a 28, ou seja, ao mesmo resultado . As voltas praticadas pelos muçulmanos, em torno da Meca, são sete. Na lenda antiga, o céu tem seis planetas, e o sol é o sétimo, e está no centro. O setenário resume igualmente a totalidade da vida moral, acrescentando as três virtudes teologais – fé, esperança e caridade –  mais as  quatro virtudes cardeais: prudência, temperança, justiça e a força, num somatório de sete. O arco-iris, é composto de sete cores, sendo o branco a síntese de todas as demais.  E  as sete notas musicais. Sete é a chave do apocalipse, onde aparece quarenta vezes: sete igrejas, sete estrelas, sete espíritos de Deus, sete selos, sete trombetas, sete trovões, sete cabeças, sete pestes, sete reis. Sete é o número dos céus búdicos, de Sidarta Gauthama. O árabe Ibn Sina ( Avicena, 980/1036) descreve os “sete arcanjos príncipes dos sete céus”, que são os guardiães de Henoc e remetem aos sete Rishi védicos(indianos). Eles habitam as sete estrelas da Grande Ursa(deusa mãe), com as quais os chineses relacionam as sete aberturas do corpo humano, as sete aberturas do coração. Observe que o Ioga, conhece os sete centros sutis, a saber, seis chakras e o sahasrârapadma. Quarenta e nove ( 7X7) é o número do Bardo, ou poeta. O estado intermediário, que se segue a morte, entre os tibetanos, dura quarenta e nove dias, dividido em sete períodos de sete dias. Acredita-se que as almas japonesas permanecem quarenta e nove dias sobre o teto das casas. A Bíblia cita o número sete em diversas ocasiões. No Velho Testamento aparece setenta vezes, o que passa ser um número mágico. Sete são os céus onde habitam as ordens angelicais, castiçais de sete braços, sete espíritos que repousam sobre o tronco de Jessé. Salomão construiu o templo em sete anos ( 1Rs 4,35). Os minaretes da Meca de Maomé são sete.Pela própria transformação que inaugura, o número sete passa a ter um poder extraordinário: quando da tomada de Jericó, sete sacerdotes, que levavam sete trombetas, deviam no sétimo dia, dar sete voltas em torno da cidade; Eliseu espirrou sete vezes, e a criança ressuscitou (2Rs 4,35). Um hanseniano se banhou sete vezes no rio Jordão e saiu curado ( Rs 5,14). O justo cairá sete vezes e se levantará ( Pr 24,16). Sete animais puros de cada espécie serão salvos do dilúvio. José interpretou o sonho, de sete vacas magras e sete vacas gordas, como sete anos de fatura e sete anos de dificuldades.  Sete é um numeral querido pela aritmética bíblica. Sete significa sempre a perfeição, o que a gnose denomina a pléroma, como “o que está completo”. No apocalipse 5,5, Cristo é o Leão de Judá, que venceu de tal maneira, que pode abrir o livro e desatar os sete selos. Sete configura a conclusão do mundo, e a plenitude dos tempos. Santo Agostinho, filho de Santa Mônica, indica ser o sete, medidor do tempo da história, que é o tempo da peregrinação terrestre do homem. O castelo de "Barba Azul", no corpo do texto  da ópera húngara de Béla Bartok,  existem sete quartos. E numa  outra ópera de Wagner - O Navio Fantasma - o comandante norueguês Daland, a cada sete anos ele desembarca em terra, para encontrar uma mulher para  ser-lhe fiel até a morte. A missa de sétimo dia vigorou até recentemente.  Eis outra curiosidade: sete vezes fui casada/ sete homens conheci/ E juro por fé de Cristo/ Inda estou como nasci. Essa quadra de origem nordestina, remete  a sagrada escritura, a seguinte história: Sara filha de Ragüel, se casara sete vezes, e seus maridos foram mortos por amodeu (diabo) nas noites nupciais. Exorcizado por Tobias, que em seguida a desposou. Isso aconteceu há sete séculos antes de Cristo.

Referências: Guia da Ópera, Jeanne Suhamy, p.198,Ed.L&PM Pocket, Dicionário de Simbologia, Manfred Lurker,Ed. Martins Fontes.


26 de março de 2012

Rio+20

Em 1992, o Brasil sediou a maior cúpula mundial sobre o meio ambiente. Daqui a dois meses  se inaugura, após 20 anos, da conhecida Eco-92, a Rio+20, patrocinado pela ONU, Organização das Nações Unidas. A finalidade é discutir e propor soluções diante das grandes chagas mundiais,  a saber: a erradicação da miséria,  a defesa do meio-ambiente,  segurança alimentar,  escassez da água, saude pública, e saneamento básico.  Esse debate se dará com oitenta chefes-de-estado,  120 delegações e ONGS.  Isso totaliza aproximadamente,  cerca de 50.000 visitantes,  na busca de despertar   uma cultura empresarial sustentável.  As pesquisas indicam que cada individuo produz em média  um quilo de lixo/dia . O lixo, incorporou uma nova nomenclatura, e se convencionou a chamá-lo de residuos sólidos . E a prática da separação e reciclagem desses resíduos, por aqui,  infelizmente é quase zero . Diante do fato,  eis um bom exemplo:/ Na Alemanha de Wolfgang Goëthe, se reaproveita quarenta por cento dos resíduos sólidos. E uma certa empresa germanica, registrou o espetacular movimento de 13,3 milhões de euros, reciclando resíduos . Esse é um bom filão de negócios ainda adormecido, e que a classe empresarial desconhece. É  também necessário que cada cidadão e cidadã, conscientes, não colabore com a poluição. As futuras gerações certamente agradecerão . Pense nisso !

19 de março de 2012

Desastres ecológicos.

Em novembro de 2011, houve um gravíssimo  derramamento de óleo na Bacia de Campos. Foram despejados em alto mar, cerca de dois mil barris de óleo. Esse acidente foi provocado pela americana Chevron, batizada anteriormente como: "Standart Oil of California", conhecida com uma das 7 irmãs -  as maiores   exploradoras -  de petróleo no mundo. Em 1938, descobriu a maior reserva de petróleo do mundo na Arabia Saudita. Mais à frente, fundiu-se com a  Texaco. É  considerada a maior pesquisadora em energia geotérmica do mundo. Um novo vazamento ocorreu, no dia quatro de março, do ano em curso. Há uma pergunta no ar : má fé ou incompetencia ? A empresa adiantou que foram somente cinco litros de óleo derramados. O contraponto,  veio através da  vistoria executada pela Marinha de Guerra, que calculou, cerca de 1 km, de óleo espalhados no oceano. Diante da gravidade, os diretores da empresa estão proibidos de deixarem o país.  Algumas ações  foram ajuizadas pelo poder público.   Os técnicos suspeitam que na exploração, se produziu uma pressão bem maior, do que a área poderia suportar. E eles não possuem tecnologia disponível, para conter vazamentos. As autoridades brasileiras, no primeiro acidente, deveriam ter procedido uma severa varredura na Chevron. Eis a praxis, há muito vigente nas hostes governamentais: depois da  porta arrombada, se providencia o cadeado !  E vai mais além: afirmaram os especialistas, que esse segundo vazamento, poderá ter sido uma conseqüência do primeiro, que não foi cimentado corretamente. Mais uma razão, para o governo federal se empenhar , que os royalties do petróleo, não podem ser repartidos igualmente aos estados. Pois, nos momentos dos acidentes, infelizmente, não acontecerá nenhuma solidariedade.  Os ônus dos desastres ecológicos, caberão tão somente, aos estados produtores de petróleo.




12 de março de 2012

Nepotismo à vista

Novamente o poder legislativo na berlinda.  Mais uma vez, a imprensa recentemente apurou, que cerca de treze  senadores, empregam parentes e, ou amigos nos seus gabinetes.  São  considerados funcionários-fantasmas, pois lá no Senado federal não aparecem para trabalhar. Curiosamente,  um deles estava se aprimorando, os seus saberes,  num curso de extensão na Espanha.  É o conhecido nepotismo, que em latim, nepotis, nepto significa, “sobrinho filho de sobrinho”.  E tem mais:  oito desses sanguessugas, estão sendo investigados, e outros já foram condenados pelos tribunais,  a devolverem verbas publicas, quando exerceram cargos públicos. Não há critérios por parte do poder público, quando preenche esses cargos de confiança. Infelizmente, isso ocorre nos três poderes, no  legislativo, judiciário e executivo. Numa democracia, ressalta-se  a importância da  liberdade de imprensa,  e a sua   responsabilidade, quando apura os fatos que envolvem os desvios das verbas publicas,  e a postura ética dos seus agentes.  É preciso que cada cidadão,  se organize nas suas associações de moradores,  entidades de classe, ou em outras  instancias legais,  para reivindicar uma melhor qualidade de vida,  e cobrar dos seus representantes a prestarem contas das suas atividades. Certamente, dias melhores virão...

8 de março de 2012

Mulher: todos os dias

As mulheres, congratulo-as, pelo dia de hoje e todos os demais. Pelo encontro das águas que provocam, e todas  desaguam nos sete mares. A água, irmanada à terra, é feminina.  Pela capacidade do milagre de dar a luz, e criar seus rebentos com o amor incomparável da mãe... e isso ocorre com todas as marias, de todos os continentes. Ser mulher, é armazenar a intensa energia do afeto, e  pois só ela ilumina os labirintos da vida, e decifra os enígmas  das paixões (in)contidas. A mulher é a caverna, a casa que acolhe o guerreiro exangue, é a rainha das anfitriãs. A casa é o colo materno. Ela proporciona o calor e a proteção nas intempéries. É o côncavo, vaticinando  o  convexo.  Michelangelo personificava a noite por meio de uma mulher ( Capela do túmulo dos Médicis, Florença). É a mãe, a terra que fertilizada pelo orvalho e pela chuva, lhe gera frutos.   Há uma tradição nômade a vigorar até aos nossos dias, assim: " é a única ponte segura e reconhecida para os seus descendentes". Na morte, o ser humano retorna segunda a lenda, à sua mãe. A lua é a contrapartida celeste da mãe terra . A mulher é par, o céu, a luz e a vida.

6 de março de 2012

As Malvinas


O arquipélago das Malvinas, para os argentinos e Falklands para os ingleses. Essas ilhas são reclamadas pela Argentina, por se considerar herdeira, das colônias da coroa espanhola. Estão localizadas na parte austral desse país. Há controvérsias.  A Inglaterra ocupa essas ilhas desde 1833. Num conflito armado em 1982,  a marinha inglesa derrotou as forças navais argentinas,  afundando o cruzador General Belgrano,  e o saldo foi de, 649 soldados argentinos mortos, contra 255 britanicos. Há quem afirme haver combustíveis fósseis,  leia-se petróleo na região . Os historiadores,  sempre afirmam que toda guerra tem motivações econômicas.  A presidente Cristina Kirchner,  do pais vizinho  insiste em invadir militarmente  essas ilhas. E tenta envolver os paises do Mercosul, em especial o Brasil. Há quem afirme, que o povo argentino somente se une, em função de atos viris de civismo. E por isso,   se provoca outro conflito.  Se tal intenção for verdadeira,  repetirá o fiasco , empreendido por um "alcoolizado"  general portenho,  que logo após o conflito bélico,  foi preso e condenado . É preciso bom senso,  nesses momentos delicados,  pois a guerra só produz  sofrimentos, e em seguida,  lágrimas em profusão.

5 de março de 2012

CINEMA PARADISO E JOSÉ MARIA DE OLIVEIRA


O cinema é um marco no processo de vida daqueles que vivenciaram Mimoso do Sul de 1953, data da inauguração do Cine Teatro São José, até ao final da década de 60, aproximadamente, quando se inicia a primeira diáspora. A maioria foi em direção ao Rio de Janeiro, depois alhures. A ausencia de perspectivas começa a cortar a própria carne. A cidade começa a perder os seus valores, incorporados em personagens  paradigmáticas, tal como José Maria de Oliveira entre outros, que em 1953 com uma visão de modernidade inaugura o Cine Teatro São José, tal qual o Cinema Paradiso, localizado numa pequena cidadezinha - Giancaldo - no interior da Itália, que foi tema de um belíssimo filme, dirigido por Giuseppe Tornatore. Tal fita conquistou o Oscar na categoria de melhor filme estrangeiro em 1989. José Maria é Giuseppe Tornatore, foi o diretor de um profícuo processo cultural, até quando pode resistir. Foi generoso e intrépido, sonhou e tornou realidade,  numa pequena cidade, um cinema e teatro para um povo, que pela proximidade, respirava os ares culturais bafejados pela então capital federal, Rio de Janeiro. Era  um momento impar, para  a região nesse período, uma respeitável produtora de café. Ele foi um  "apoena"  (em tupi-guarani, é aquele que enxerga ao longe )...Cultura não é saber quem foi Max Weber, ou Karl Marx ou qual a diferença entre josé germano e/ou gênero humano. Essa correlação é inócua. A sua Paris, poderá ser em São Pedro do Itabapoana, depende de você e das suas circunstâncias.  Isso não é uma apologia ao hermetismo, muito pelo contrário. De todas as definições sobre cultura, eis uma muito interessante : " ...é um conjunto de realidades regionais, que incorporadas, são importantes coadjuvantes na formatação da cidadania dos indivíduos. "  Ele sem saber vaticinou, pois estava ungido do  empreendedorismo em 1953. Participativo na atividade esportiva, entusiasta do esporte, destaque para o futebol.  Foi um abnegado desportista, e presidente do Independente Atlético Clube.  Ele ousou e chegou ao podium. A Rádio Nacional, era o must naqueles tempos, e única midia. Seus artistas eram a maximização do sucesso. A TV Tupi estava recém nascida em 1950. Em dado instante, resolveu contratar o mais famoso âncora dessa dessa emissora - Renato Murce - considerado hoje, legenda da radio-difusão brasileira. Para os mais jovens, mal comparando, o similar atual, talvez Pedro Bial, com severas restrições. Renato Murce, acumulava a função de apresentador e seu diretor. De eclética criatividade, o seu primeiro programa de calouros, era conhecido como "Papel Carbono ". A "entourage" desembarcou em Mimoso do Sul, para abrilhantar a inauguração do Cine e Teatro São José. E quem eram esses  ilustres artistas ? Um deles, talvez não soubesse, que carregava uma imensa  responsabilidade artística aos 16 anos de idade . Anos se passaram, e ele foi convidado, visitou a Rainha Elizabeth no Palácio Buckingham, e para a realeza compôs uma peça musical para violão e orquestra. Chamava-se Baden Powell de Aquino, violonista de sucesso internacional, que morou na França durante vários anos, tendo nascido na quase vizinha  Varre-e-Sai. Outra grande estrela de sucesso, foi a cantora Carminha Mascarenhas, junto com o ator Pato Preto da Rádio Tupi, e a intérprete Eliana, entre outros. José Maria foi para o zênite. Era riquíssimo de  filhos e de espírito, morreu pobre. Legou-nos bons exemplos, tendo sido coadjuvante na educação daqueles que respiraram cultura por ele veiculada. Sem medo de errar,  a fase de ouro de uma vida, é a infanto-juvenil. É nela que   mais se apreende. Foi-nos  proporcionado  desde a aventura-drama do inesquecível filme Ben-Hur,  até o espetacular suspense de Psicose. Dirigido pelo mestre Alfred Hitchcock, com  Anthony Perkins. Alguém disse: ..."quem não conhecer a sua história, estará obrigado a repetí-la, e se tal ocorrer será uma farsa "


4 de março de 2012

A queridinha ( segunda parte )

Eremildo, era o marido de Joana D'Arc. Não tinha profissão definida, e os familiares dela montaram-lhe uma quitanda, para ganhar o pão-de-cada-dia. O casal não pagava aluguel, pois morava de  favor na casa da sogra, num "puxadinho" construido pelos cunhados, que pela responsabilidade, conquistaram uma melhor posição na comunidade.  A quitanda não tinha horário para abrir. Eremildo assistia filmes até altas horas da madrugada. Gostava das películas picantes, melhor dizendo, eram fitas pornôs. Para acordar de manhã, era um suplicio. Alguns fregueses  reclamavam, pois abria o seu negócio muito tardiamente.  Eremildo começou a se interessar por Gracinha - babá da filha do seu  cunhado -   ela era graciosa e muito jovem. Começou a cortejá-la, contudo não recebia nenhuma contrapartida positiva, por parte dela. O assédio continuou, e por diversas  vezes abordou a jovem pájem. Certo dia, Eremildo encheu-se de coragem, e agarrou-lhe à força, tentando violentá-la.   Gracinha, desvencilhou-se do agressor, e em seguida denunciou-o junto a familia de Joana D'Arc. De nada adiantou.  A reclamação, foi considerada   uma denúncia vazia. Imediatamente "panos quentes"  foram colocados pela Eleutéria, e filhos. Estarrecidas, as noras assistiam a farsa.   A serviçal, foi estereotipada de mentirosa, oportunista e invejosa. E o prestigio dele  sequer foi arranhado,  por ter assediado uma menina de menor idade. E a vida transcorria sem intercorrencias, como se fosse um capitão-de-longo-curso, num mar de almirante. E para o coroamento desse união, a sua mulher engravida-se. Hosana, glória e júbilo. Todavia, ele não desistiu da prática  de seduzir. E numa tarde de um inverno rigoroso, na boca da noite, eis que  uma retardatária freguesa, foi em busca de  temperos básicos.  A cliente ao  entrar na birosca de Eremildo, num  ato repentino agarrou-a agressivamente. A vítima, se chamava Luanda, que lutou bravamente. Todavia,  não resistindo a  força dele,  foi  vencida   caindo por terra,  sem sentidos. Ele a possuiu sexualmente, se revelando um abjeto  necrófilo. O farsante foi  à rua e pediu por socorro, no qual  foi prontamente atendido. Moradores afluiram e aplicaram à vítima alcool canforado, friccionando-lhes os pulsos. O efeito foi imediato. Luanda recobrou os sentidos e foi-se embora.  Por se sentir envergonhada, e aviltada, resolveu guardar a sete chaves a ocorrencia. O tempo, relógio  implacável da vida, indicou que Luanda estava grávida. Não existia  exame de DNA na época. Luanda, reuniu suas forças e relatou tudo para Eleutéria, que  não acreditou na versão da mesma.  Igual  expediente  usado com a Gracinha.  Joana D'Arc vociferou, dizendo que existia uma perseguição ao marido dela.  E os irmãos apoiaram-na.  Mais uma vez, ele safou-se, e passou a se  sentir    acima do bem do mal. Um verdadeiro semi-deus  no Olimpo. E para atenuar a sua culpa, foi visitar um pastor, casado com uma das suas tias,  no interior de Goiás. Luanda não se conformava, com o descaramento dele e dos familiares da  Joana D'Arc. A filha de Luanda nasceu, num parto normal, sem nenhum problema. Resignada, aceitou a sua missão em silêncio, como se esperasse o veredicto de um impossível julgamento. Após tres anos, numa tarde madorrenta de domingo, a pequena Chora Morena, foi sacudida  inesperadamente pelas sirenes da  ambulância e da viatura da polícia, ambas vindas da cidade vizinha. Os moradores viram saindo  da casa de Eleutéria, numa maca, um corpo de homem, coberto por um lençol branco  e tisnado de sangue. E uma mulher de cor caucasiana, exangue e  cabisbaixa,e amparada por policiais, caminhava lentamente, em direção ao autómovel  dos gendarmes.  Era Maria do Carmo, uma das   noras de Eleutéria. Tendo sido abordada pelo garanhão, travou uma  ferrenha batalha física, e levou a melhor, ferindo-lhe de morte com uma faca de cozinha. Joana D'Arc a queridinha, desesperada avançava sobre Maria do Carmo, chamando-lhe de assassina. Maria do Carmo, foi absolvida pela unimidade dos jurados. Antes do julgamento, o marido dela pediu o divórcio. Maria do Carmo é zeladora numa escola de monges zen-budistas. A filha, cujo o nome é Esperança, vive com a avó materna.
" Qualquer semelhança , é mera coincidencia "
"
"

A queridinha (primeira parte)

Joana D’Arc, assim se chamava a moçoila. Uma  das protagonista de uma dramaturgia de inspiração ítalo-tupiniquim, ocorrida há décadas, próximo a Açucena-Branca, uma pequena vila pertencente as alterosas mineiras, onde se registrava baixíssimas temperaturas. O local é conhecido pelo simplório topônimo de Chapéu de Palha. A grafia correta do seu nome, se baseia na leitura quase compulsória, nos antigos almanaques da Capivarol ou do fortificante Biotonico Fontoura. Essas publicações existiram há quase cinqüenta anos, e chegavam nos mais longínquos rincões desse Brasil continental. Era uma espécie de enciclopédia-guia, onde continham informações úteis a vida rural. Citava as fases da lua, para orientar algumas plantações, receitas fitoterápicas, dados biográficos de personagens históricos, anedotas e outras matérias. Numa casa modesta, morava Eleutéria, que durante a sua  gravidez,  leu no almanaque e admirou, ao saber da vida da heroina e santa,   Joana D’Arc(1412/1431). Após  dar a luz, e no ato do registro de nascimento da  filha,  levou pessoalmente o almanaque, para que o escrivão o copiasse “ipsis litteris”,  que passou a ser o  nome da menina recém-nascida. Joana D’Arc ao nascer, já tinha outros dois irmãos.  Eleutéria sempre foi  a maestrina desse pequeno clã familiar. O marido, era um homem pacato e passivamente aceitava as determinações autoritárias e dissimuladas da esposa. A matriarca, com sua mão-de-ferro,  fez ver a toda a familia, que a filha seria sempre a preferida  de todos.  Claro que houve um consenso geral. Há mães e ou  pais, que instrumentalizam os filhos em geral, para serem ou fazerem coisas que os mesmos  não lograram  êxitos, durante seus trajetos de vida. Talvez fosse, o caso de Eleutéria. Os desejos de Joana D'Arc, dentro das (im)possibilidades eram atendidos através da sua mãe, poderosa e protetora. Os irmãos tornaram-se adultos, e em seguida começaram a trabalhar nas lavouras existentes na região. Partes das remunerações de ambos, eram prazerosamente doadas a mãe, que se destinava as despesas pessoais da irmã. Ela tinha um comportamento de "riquinha", e as tarefas iniciadas, desde a lavagem de louças, até roupas para serem  passadas, jamais eram conclusas. Os irmãos se casaram. E Joana D’Arc se sentiu no desejo de imitá-los. Estava cansada da donzelice. No amor, é preciso alguma sagacidade na escolha , diziam os antigos. Poderá ser uma falácia, enquanto receita de felicidade. Ou não. Há controvérsias. Ela não  titubeou,  e "providenciou" um namorado. E o período de relacionamento  foi curto, e num pequeno lapso de tempo, contrairam-se núpcias. Eleutéria apoiou incondicionalmente a decisão do enlace. A situação financeira era precária, pois um dos seus irmãos, tinha se submetido a uma delicada operação intestinal, na qual dispendeu toda a  pequena economia familiar. A solução foi a de vender os  suínos, e caprinos e uma mula de trabalho. A casa foi pintada, meio que reformada, e fez-se a quermesse do enlace. O marido escolhido por  Joana D’Arc, revelou-se imediatamente avesso ao trabalho, e periculosamente um   sedutor de plantão. Pois, era dono do seu tempo, para arquitetar seus planos.
Continua na segunda Parte de "A queiridnha"



6 de fevereiro de 2012

Greve.

É difícil, porém toda a  greve deveria estar temperada, de pouca emoção e muita razão.  Pois,  o mais difícil de uma greve não é deflagrá-la, é sair-se dela. As lideranças desejam ampliar a credibilidade da categoria. E se saírem de mãos vazias, significa,  que os líderes do movimento fracassaram no seu intento. Se faz  necessário habilidade na condução do processo, de uma paralização. E, em se tratando, de policiais-militares -  categoria essencial - e impedida por lei de fazer greve, a questão torna-se por demais   delicada. O Brasil recentemente, elegeu e reelegeu  um sindicalista, como presidente da república,  que liderou, e apoiou durante vários anos, diversas greves no país. Consequentemente, a  praxis da greve, não é desconhecida da sociedade brasileira. Há um cheiro de demagogia  no ar ! A direção sindical deve saber, que o primeiro “mandamento”, é  esclarecer a população os motivos da paralização, e se possível, conquistando a  simpatia pelo movimento. Em seguida, denunciar  as  velhas  promessas não cumpridas, pelo governo baiano.  O movimento paredista, deveria  ter realizado, preliminarmente, por exemplo: operação-tartaruga, diminuir o efetivo, do policiamento ostensivo e outros expedientes.  Contudo, jamais poderiam deixar, a população desprotegida, à mercê dos bandidos. A situação é muito desconfortável,  pois o  turismo na Bahia é mais intenso no verão. Com a ausência da segurança pública, se ausenta também o turista ! Isso vai gerar um prejuízo geral. No frigir dos ovos, quem paga a conta, é sempre o povo em geral. Que o Senhor do Bonfim,  ilumine, as partes envolvidas !

24 de janeiro de 2012

Túnel do tempo

Creio que o mundo todo, carrega no imaginário  popular, tipos interessantes, surrealistas e outros. No interior, esses personagens são mais presentes, pois, interagem de perto com  a comunidade. Os fatos e seus atores, habitam o insconsciente coletivo, tendo a memória ( que se perde ) como testemunha,  relatando aos descendentes, os contos  que se supõem, passam de geração a geração. Na década de 1960 em diante, uma personagem quase folclórica, de nome Etelvina, conviveu entre  essas terras, onde passou, presume-se,  o jesuita José de Anchieta em direção a Reritiba, hoje Guarapari. Daí, a vem a lembrança dos versos: Etelvina,  acertei no milhar, ganhei 500 contos, não vou mais trabalhar... como cantou Moreira da Silva. A Etelvina daqui, possuia um apelido, era conhecida jocosamente, como :  Kalil morreu, e urubu comeu. Kalil, era uma alusão a um imaginário “namorado”, que nunca existiu. Quando assim era chamada, em quaisquer ambientes, irritada dizia os palavrões mais arrepiantes possíveis. Hoje os ditos "palavrões" estão (des)moralizados, não produzem o efeito como no  passado, nem tão longínquo. Contemporaneo da Etelvina, foi o Puxavante, que claudicava da perna esquerda, e era da cor do ébano. De baixa estatura, possuia um porte físico atarracado e era quase corcunda. Nas noites, se abrigava sob as  largas portas da estação ferroviária. A sua cama era uma folha de jornal. Se alguém o provocasse, chamando-o, de Puxante ladrão de galinha. Ele não xingava, contudo, partia para cima, e com um mediano e roliço porrete para agredir o sujeito, que se não corresse, apanhava igual pandeiro na mão de Aleixo. O comunicador Hilton Abi-Rihan conta, que certa vez, Puxante  vagando pelas ruas, nas   altas horas da madrugada, falou para si mesmo : se eu achar uma moeda, prometo, doarei para a N.Senhora na gruta. Eis que de repente a encontrou depositada entre o meio-fio e o calçamento.  E retrucou : a gente não pode nem brincar.  No fim da sua vida, Puxavante, velho e adoentado, foi amparado pela generosa Nasle Acha, e sua filha Adélia e a governanta Leocádia. O  outro personagem , de fácil memória,  era o Sabugo Temperani, esquálido e de boa estatura, com algumas cicatrizes na face, parecendo serem sequelas de varicela ou catapora. A  mãe dele, atendia pelo bizarro apelido de Raposa, e morava no Alto San Sebastian. Sabugo possuía um olhar misterioso,  igual ao de Norman Bates  do filme – Psicose - película de terror, interpretado por Anthonny Perkins e dirigido pelo mestre da sétima arte - Alfred Hitchcock. Sabugo Temperani, andava noturnamente, e causava medo na molecada. As mães, diziam mais ou menos assim : meu filho,se você não se alimentar, vou chamar o Sabugo.  Nos dias atuais, não é uma  praxis educacional recomendada, mas era assim que funcionava. Curiosamente, chegou a trabalhar na construção da usina hidrelétrica local, pois sabia ler e uma invejável caligrafia. O canteiro de obras, ficava num lugar conhecido como "mata-fome", pela quantidade imensa de lambaris, que são as piabinhas, que fritas, e acompanhadas com angu mole, é uma iguaria da melhor qualidade e atual, dentro dos padrões dietéticos: uma proteina e um único carboidrato Certo dia Sabugo Temperani, que não dava  a mínima importancia para  dinheiro ( seu pagamento ficava na empresa, e não o recebia. Se alimentava e dormia no local do trabalho).  numa certa manhã, saiu com o seu bornal a tira-colo, e desapareceu nas estradas da vida, talvez sem destino. Ou foi para Katmandu.  E por último, nada melhor do que rememorar, outro tipo, cujo o apelido era  Papo Amarelo. Por ser beato, certa ocasião, acompanhando  uma procissão, na qual os fiés entoavam  cânticos litúrgicos. Eis que um gaiato, no  na pasagem do cortejo, o chamou em alto e bom som:  Papo Amarelo. Impávido, continuou caminhando, e o respondeu no mesmo tom do hino religioso, e sem desafinar, solfejou :” Bendito, louvado seja, Papo Amarelo, é a puta que pariu ...”



20 de janeiro de 2012

A minha rua

A rua onde morei, durante a minha infancia e parte da juventude, foi meu mundo mágico e particular.  É sabido que o interior, é o mais rico espaço para ter  uma divertida e bem vivenciada infancia.  Lá atrás, começaram os primeiros desenhos da  cidadania, na socialização, aprende-se o respeito ao outro. Nessa   fase, se dá    o surgimento das fantasias e descobertas surpreendentes. O lúdico, é o abre alas na escala de prioridades, a ser desfrutado intensamente.  Os mergulhos nos  rios, esses são inolvidáveis.  A retina arquivou muitos fatos interessantes, um deles era o Eca,  um apelido familiar.  Sujeito habilidoso, tomou a decisão de   passar  filmes à bordo de um cansado projetor, numa tela improvisada, num terreno desocupado. De pai lusitano, o qual vivia constantemente, assoviando canções  de Póvoa de Varzim, perto do Porto. Um portugues  de poucas palavras,  baixa estatura, e não abandonava  seu indefectível chapéu. Morreu sem saber que foi um artista-benfeitor. Salazarista convicto, Fernando Cardoso de Oliveira, por aqui arribou no Porto do Rio de Janeiro, no dia dois de maio de 1910, a bordo do vapor Barcelona. Os vizinhos o chamavam cerimoniosamente de "Seu Cardoso". Enfim, um doutor  "honoris causa”. Construia com engenho e  arte, a  maxambomba, ou carrosel, para a alegria da petizada. O espírito argentário não preponderava. Os ingressos eram baratíssimos. Tempos de ser, e não de ter. E para completar, na sua residencia, instalado na  parede frontal da sala, um curioso relógio cuco. Uma graça, pois, em diversas oportunidades esperava completar a hora-cheia, para ver a portinhola se abrir, e o pássaro- mecânico, emitir seu cântico. À direita de onde residia, morava um casal elegante. Ela, Elcir Bicudo, bonita, simpática e sempre trajada com esmero. Em contrapartida, ele Wilson Pessanha, seu marido, garboso, sempre com os sapatos engraxadíssimo e cabelo bem alinhado, e untado com a então famosa  brilhantina: madeiras do Oriente. Um verdadeiro dândi. E o caminhão da cor vermelha e marca Reo, para ganhar o pão de cada dia . Rogerinho, filho  manhoso, quase uma retrêta, reside há muito na Holanda, com Dona Isabel. É um violonista de alta categoria, pois estudou violão clássico na Espanha. E tem mais, a filha  Valéria, atualmente vivendo, na outrora terra dos ferozes indios goitacazes. Os piques-esconde eram noturnos, e se misturavam todos, meninos e meninas. A primeira e saborosa manteiga que degustei, era proveniente do leite das vaquinhas da Ilha de Jersey, e quem as processava era o casal Normanda e  Seu Doca. A poucos passos, a fábrica do gostoso guaraná Brotinho, o melhor refrigerante do mundo.  Alcebíades Gomes, era o seu diretor-presidente. Antes da fábrica do guaraná, uma casa se metamorfoseava  num pequeno clube doméstico. Na casa da Dona Ruth e Antoninho, haviam luvas de boxe, jogos de botões, ping-pong, xadrez, e um volei. E os meninos eram bons alunos, todos no dimunitivo, Marquinhos e Paulinho. O caçula dos homens, Carlos Alberto, depois, o  "rebatizaram" de  Beto Suê. Eram também frequentadores, Edson Yasegy, Miltinho,  Julio e muitos mais. Do outro lado, num quintal com muitas árvores frutíferas, destacava-se  o abio, de polpa muito doce e  ciquento.  Essa frutífera,  pertencia a Dona Mariinha, casada com o   Seu Raimundo, um experiente motorista, ou melhor dizendo: um chauffeur de praça. Vizinha da dona Mariinha, a professora Gilda Brandão,  foi uma das primeiras professoras desse condado, orientou  com têmpera e retidão as suas  filhas. No seu pequeno pomar,  um frondoso pé de pinha, ou fruta-do-conde, o qual  "visitava" com alguns amigos, nas noites iluminadas  da lua cheia! "Vis-à-vis" o Educandário Santa Isabel (externato e internato), por lá estudei por um curto lapso de  tempo, nele tive a grata satisfação de conviver com o Andiara Moreira Luz, Mandi e/ou Didi, Luis Carlos Pinto, entre outros contemporâneos. O Educandário era quase um quartel, sob o comando de uma madre, dita, superiora. As religiosas eram introspectivas e  feias. Eram da ordem do mal humor.  E a caridade, um dos pressupostos do santo e teólogo  Agostinho, nelas, certamente, não habitavam essa virtude. Todavia, o Educandário, movimentava o local, pois recebia jovens estudantes, que chegavam das cidades da circunvizinhança.  Elas causavam curiosidade nos rapazes da cidade, na esperança de um conhecimento e quiçá um futuro namoro. Desse cenário fazia parte um boiadeiro, que para ser notado, transformava essa via pública, numa praça de touros, como se fosse a Espanha de El Cordobés. O cavaleiro quase sempre estava entre os condutores do gado. E fazia malabarismos para sensibilizar o público feminino. Enfrentava as vacas bravias, e mordia-lhes o rabo, e outros sabidos truques quase o herói tropical.
Uma outra vizinha, com a  qual tive uma pequena, porém   prazerosa convivencia, possuia  uma  numerosa filharada, era a dos Fontanellas. A viuva Dona Margarida, lider natural, vinda de Marapé, os criou com denodo e amor. Um deles, José enquanto padre, pela vocação e sabedoria, prestou inestimáveis serviços ao Estado do Vaticano. Uma outra familia, tinha vindo de Belém do Pará,  com vários filhos.  Pela amizade travada com os filhos Paulo e Carlos, provei  uma guloseima industrializada, cujo o nome era mandiopã, por sinal, bem saborosos esses biscoitos  mandiopã, que pela fonética, poderá  ter fortes laços com a mandioca, que insistem em chamá-la de aipim. E os Monteiro de Barros? Que descendem do Barão de Paraopeba.  Chic hem ? Se transformaram em exímios doceiros, com destaque para a internacional Goiabada Vera.  Dona Zizi, lider inconteste dos Monteiro de Barros , está a merecer um capítulo à parte. Os  filhos gemeos,  José Cesário e Carlos Orlando, eram idênticos, e todos os confundiam. Inesperadamente, pela primeira vez surge uma camionete Studbaker, de cor preta. Pertencia a um agrônomo do então , Fomento agrícola, órgão do poder público.  Na década de 60, a modesta cidade,  foi seriamente castigada, por uma severa enchente. Foi a maior de todas as inundações, registradas na altiva Mimoso do Sul. As águas subiram silenciosas e rápidas. Apoplexia e impotencia geral, diante da imensa inundação. Os prejuízos foram incalculáveis, pois todos os moradores eram humildes, e viviam enganando as dificuldades. A enchente  penetrou no prédio do Fomento, e se misturou com os defensivos agrícolas, envenenando-a.  Existia um grande movimento, para se salvar  móveis e utensílios dos moradores. Usavam-se barcos, e homens que nadavam buscando ajudar àqueles mais necessitados.  E nessa manobra, um deles era o jovem estudante Ronaldo Silva, exímio nadador, que ao mergulhar, não voltou com vida. Pairou a suspeita, de que teria ingerido algumas golfadas, das águas contaminadas pelos agrotóxicos. Num gesto de solidariedade, os padres estrangeiros -  vindos da terra das mais belas tulipas negras -  abriram as portas da igreja para acolher os desabrigados. Outro fato marcante, foi quando o  do rio-Muqui do sul foi desviado, tirando-lhe uma curva, para aprimorar a fluencia do seu curso. Os caminhões começaram o aterramento. Os enormes GMC's, carregavam nas suas básculas, imensas quantidades de terra. E um deles era dirigido pelo Moacir Rangel recém chegado de Campos, e o seu auxiliar, Hélio Arara.  Participar desses eventos, foi um inenarrável privilégio, meio que, uma sonhadora filmagem, sob a direção do mestre  Federico Fellini.  Existiam dois  campinhos de futebol,  sendo um pequeno e o outro,  maior. As peladas eram diárias e imperdíveis. Os mais velhos sempre desvalorizando os jovens peladeiros. Contudo, a  vida era bela. Mangueiras seculares, em nome do progresso foram erradicadas impiedosamente. Nem o pé de  manga-rosa, foi poupado. A rua da qual estou  me referindo, se chama Doutor José Coelho dos Santos (1863/1923), negro, médico, filho do Mestre Silvestre - escravo alforriado - de São Pedro do Itabapoana. Deputado Estadual por duas vezes, tendo assumido o Governo do Estado na condição, de Presidente da Assembléia Legislativa do Espírito Santo. Graduou-se na Universidade do Brasil, na capital, Rio de Janeiro. Foi o primeiro da turma, e conquistou o premio Torres Homem. Enguanto médico, lutou bravamente no combate a peste bubônica, que se alastrou em Campos(RJ) após a inundação do rio Paraíba, em 1903. Foi membro correspondente da Academia Francesa de Medicina. Pertenceu ao Grande Oriente do Brasil - Loja Maçonica Ordem e Progresso.  Iniciado tal qual, o genio da música erudita, Wolfgang Amadeus Mozart. Sinto-me honradíssimo de ter residido  numa rua, cujo o homenageado foi esse ínclito personagem, que infortunadamente continua anônimo nesse  Brasil de Machado de Assis. "Não digam que isso é passado. Passado é o que passou. Se não passou, foi o que ficou na memória ou no bronze da história " de Ulisses Guimarães.

11 de janeiro de 2012

E as enchentes se repetem

O mundo todo, é vítima das enchentes. Algumas são tão violentas, que destroem uma cidade, e apagam as memórias, documental e patrimonial e artística. Em  2011, morreram 918 pessoas, e 215 estão desaparecidas. Tudo  isso aconteceu na região serrana, no estado do Rio de Janeiro. Os rios e riachos, não possuem  mais, a vegetação ciliar nas suas margens, que é a sua natural proteção, infelizmente elas foram destruídas. É preciso de verdade, preservar a natureza. E uma maior consciência do destino do lixo, produzido por cada um de nós. É sabido que o lixo entope os bueiros, e polui os mananciais de água. O primeiro mundo, leia-se os  Estados Unidos e a Europa, dizimaram todas as suas florestas. Eles desmataram imensas  glebas de terras. E não se tem notícia, de que eles começaram uma campanha de reflorestamento. Os estudiosos afirmam,  que poderiam ter aproveitado  as planicies para a agricultura e pecuária, evitando esse retumbante desastre no meio-ambiente.  Assim sendo, não é difícil concluir,  que o segmento rural, é  muito maior do que o necessário,  para suprir o  fornecimento alimentício. Consequentemente, os governos subsidiam "a peso de ouro" todos os produtos e sucedaneos agro-pastoris.  Caso  não o façam, as propriedades rurais tornar-se-ão inadimplentes. Isto posto,  é bem provável   acontecer, um gigantesco êxodo rural, gerando desemprego e um robusto inchaço nas cidades. Com  poderes economicos-financeiros abastados,  há séculos, eles sustentam  essa fantasia construida pelo sistema.   Por aqui, as migrações  internas - verdadeiras diásporas -  fazem parte da sociologia brasileira, infortunadamente "subsidiada" pela  ausencia , de uma séria e responsável politica pública  rural. Esse erro histórico, remonta a abolição da escravatura, onde  o poder público  na época, não planejou uma  política para realocar um volumoso contingente de mão-de-obra que seria disponibilizado. O império preferiu, a emigração  dos ítalos-teutonicos de olhos azuis . Contudo, os escravos libertos, ficaram por aí ! E estão por aí, até hoje.
      Vira e mexe, eles são vítimas de imensas inundações, provocados por intensas chuvas, que não tem por onde escoarem, e nem as matas para mitigar, a fúria das águas. É sempre bom lembrar, que é  dever de cada cidadão, deixar um mundo melhor, para as futuras gerações. Pense nisso.

8 de janeiro de 2012

O gavião e sua familia




Os gaviões, são uma bonita e numerosa familia. E a memória  remete a letra da música do nordestino/carioca João do Vale (1934/1996), na popular e maviosa poética, que assim versejou: carcará pega, mata e come/ tem um bico volteado que nem gavião/ É a águia lá do meu sertão/. É sabido que a águia não é nativa do continente sul-americano.  As águias, depois dos falcões, são  como se fossem, verdadeiras aeronaves de caça. Elas   foram significativas enguanto símbolos, gravadas nos estandartes de guerra, durante o  longo período do império romano. As águias jamais  por aqui passaram, a não ser nos filmes, e na gloriosa  Escola de Samba, do saudoso Paulo Benjamin de Oliveira(1901/1949), mais conhecido como "Paulo da  Portela", que  estampa nos seus adereços, uma infinidade de pinturas de águias (des)necessárias, pois, poderiam escolher um dos  nossos  garbosos gaviões, e todos nativos  há séculos na hiléia brasileira. Certa vez perguntei ao portelense de alta patente - Carlos Monte -  membro da Velha Guarda dessa agremiação, a razão das águias "estrangeiras"  nesse tradicional e campeoníssimo Gremio Recreativo. Ele respondeu-me, que já havia pesquisado entre os sambistas históricos, e nenhum resultado foi apurado. Mitigando a situação, eis a questão: se a poderosa igreja católica, copiou os " Ave Cesar" que saudavam as vitórias dos imperadores, para  os "Ave-Maria",  o Gremio Recreativo Escola de Samba Portela, tem a licenciosidade de pintar nos seus pavilhões as águias azuladas, com  suas aletas abertas. E para completar, até o Barão de Drummond, na apresentação dos bichos,  prestigia a águia, ao colocá-la no grupo 1, dando início a sua coleção.
Eis as espécies  disponíveis nos alfarrábios confiáveis, e seus  respectivos apelidos populares, a saber : Gavião Azul, Gavião Asa-de-telha, Gavião Belo, Gavião Bico-de-gancho, Gavião Bombachina(grande), Gavião Branco, Gavião Caboclo, Gavião Caçador, Gavião Caburé, Gavião Caipira, Gavião Caracoleiro, Gavião Cova( dizem ser do mau-agouro), Carcará (esse tem patente nordestina), Gavião Caramugeiro, Gavião Caranguejeiro, Gavião Caranguejeiro-Negro, Gavião Carijó(foto acima), Gavião Carrapateiro (cata os carratos nos pelos do gado), Gavião Cinzento, Gavião Europa, Gavião de Anta, Gavião Asa-Larga, Gavião Bico-de-Gancho,  Gavião Cara-Preta, Gavião Cabeça-Cinza, Gavião Cauda-Curta, Gavião de Coleira,  Gavião das costas vermelhas, Gavião Gola, Gavião da Mata, Gavião Pintado, Gavião Pé-Preto, Gavião Pé-Curto, Gavião Pescoço-Branco, Gavião Rabadilha-Branca, Gavião de Rabo-Branco, Gavião de Sobrancelhas, Gavião do Igapó, Gavião do Mangue, Gavião do Mississipi, Gavião Miudo, Gavião Quiri-Quiri, Gavião Papa-Gafanhoto, Gavião Pato, Gavião Pedrês, Gavião Penacho, Gavião Pega-Mocó, Gavião Pega-Macaco ou Urutaurama, Gavião Peneira, Gavião Pernilongo, Gavião Pombo-grande, Gavião Pombo-pequeno, Gavião Rapina, Gavião Sauveiro, Gavião Shikra, Gavião Vermelho, GaviãoTesoura, Gaviãozinho e Gavião Real ! É possível a existencia de muitos outros gaviões, ainda não catalogados. O gavião de nome carijó, encontrado nas enciclopédias como - Buteo magnirostris ou Rupornis  magnirostris -  da familia dos acipitricteos, é localizado também na região leste,  do país.   Ele mede cerca de trinta e seis centímetros de comprimento, e a sua plumagem varia de cinza, marron e negro na parte superior. Seu peitoril é cinza, e borradas da cor da canela, e a cauda possue quatro a cinco faixas escuras. As suas asas são tingidas da cor da ferrugem. As partes inferiores, leia-se ceroma, iris e tarsos(dedos), de tons amarelados. Eles se  alimentam de insetos, aracnídeos(aranhas),invertebrados, frutas etc. Destemidos, podem içar no ar, cobras de tamanho médio, como uma iguaria-do-dia. São monogâmicos, não cortejam seus semelhantes. O gaviões,  são onívoros.  Em suma, são bons  de boca. Seus ninhos são tamanho tipo "king", ou  rei, amplos e confortáveis. Põem em média 2 a 3 ovos. Curiosamente, quando encontram ninhos de outras aves, os desapropriam autoritariamente. O Gavião-da-mata, é o mais comum no Brasil, e voam em casal. Abaixo, o Gavião real(harpia), que não fica nada a dever, as águias dos césares.












3 de janeiro de 2012

500 milhões de consumidores

As bolsas de valores perderam 6,7 trilhões de dólares, em 2011, quase equivalente a tres vezes o Produto Interno Bruto do Brasil. E o cenário para esse ano de 2012, não é dos mais animadores. Há pesadas nuvens de incertezas sobre o desfecho da crise, que afeta a todos. Há no velho mundo, um contingente de 500 milhões de consumidores. Segundo os especialistas na matéria,esse foi o pior resultado desde 2008. A Bolsa de Valores de Frankfurt na Alemanha, registrou a menor queda de 15%, e a maior na terra dos gregos, com perdas de 61%. Eis um exemplo : o Produto Interno Bruto do Espírito Santo, é composto por 50%,  referente aos resultados das suas exportações, é uma economia exógena, ou aberta. Sendo que em  média 24%, da exportação se destina a Europa. Diante da propalada crise, a economia capixaba  manteve-se estável. Infortunadamente esse comércio internacional, é pautado pela venda de bens primários, que lá são industrializados e nós o compramos de volta.  Desde o Brasil-colonia sustentamos a Europa. Há fundamentadas afirmativas,  que a Revolução Industrial, marco histórico do mundo,  foi financiada com ouro brasileiro enviado para Portugal, que sempre praticou genuflexão diante do  Palácio Buckingham.
Os europeus vivem acima dos seus meios. Por que é preciso pagar pelos seus desejos de consumo. Toda a Europa impõe altas taxas fiscais. Um drama para àqueles que constroem riqueza.  São muitos  os funcionários públicos, que mesmo com as vantagens  e direitos, continuam fazendo greves.  Qualquer semelhança, é uma mera coincidencia. Eis um vaticinio : pressente-se,  que em vinte anos aproximados,  a China continental vai ultrapassar o Velho Mundo ! Quem viver verá !



25 de dezembro de 2011

O poder judicário na berlinda.

O Poder Judiciário, está na berlinda ! Por conta da posição do Conselho Nacional de Justiça, órgão do mesmo poder, criado por emenda constitucional em dezembro de 2004. Em resumo, esse Conselho, tem a missão espinhosa, de fiscalizar os atos do poder judiciário. O país em 1990, começou a sua faxina, quando demitiu um Presidente da Republica, e o Congresso Nacional sofreu dois expurgos: os anões do orçamento e o mensalão dos deputados. E não parou, pois, governadores foram destituídos, e as policias estaduais, continuam afastando os maus servidores. E por fim, a Lei da Ficha Limpa, por iniciativa genuinamente popular. O processo de limpeza no judicário, esbarra no corporativismo,com a resistência das associações de juizes, que desejam impedir a ação do Conselho Nacional de Justiça, de indicar punições, aos juizes que comprometem a imagem, dessa importante símbologia da democracia. Pois é sabido, que onde há não justiça, não há liberdade ! Segundo alguns matutinos, o Conselho Nacional de Justiça, encontrou movimentações de muitos milhões de reais. Eis uma assustador notícia : três cidadãos em tribunais paulistas e baianos, movimentaram cerca de 116 milhões de reais, em um só ano. Por conta de quase quatro milhões, encontrados na casa de um contraventor, que deve ser punido, contudo, fez-se um retumbante estardalhaço, num horário nobre da midia. Igual tratamento, deve ser dado aos fatos de corrupção, em se tratando de verba pública, desviada por membros do poder judiciário. Se faz necessário investigar, e com provas bem fundamentadas,   praticar uma justiça imparcial e paradigmática




Estação Ferroviária














A estação ferroviária de Mimoso do Sul, foi inaugurada pelos ingleses em 1896. Eles eram os donos, e a empresa se chamava Leopoldina Railway. A gare, foi palco de alegrias e tristezas. Nos anos sessenta, o pioneiro trem de passageiro, era uma Maria Fumaça, movida à lenha, e se chamava de Noturno , não o de Chopin, mas tão importante quanto.  O comboio, saia à noite para o Rio, e voltava noutro dia, em torno das dez horas da manhã. Havia uma subdivisão de horários, e de categorias. Além do supracitado "noturno", circulavam o mixto, composto por vagões de carga, e um único vagonete de passageiros, com a primeira classe, de poltronas e a segunda, de compridos e duros bancos de madeira. O "misto" na sua simplicidade, tinha como freguês contumaz, o coronel Clarindo Lino, o mais opulento latifundiário da região. Segundo informações de polichinelo, só embarcava na classe mais barata. Eis uma pequena curiosidade: seu irmão, Severino Lino foi dono da Assyrius - a mais luxuosa boate do Rio de Janeiro - nos anos setenta, e se situava na avenida Rio Branco, de frente a Cinelândia. O outro trem, era o "expresso", o preferido de Almerinda Braga, saudosa tia e madrinha, nas suas viagens à Campos. O seu ponto de origem era Cachoeiro do Itapemirim, e passava compulsoriamente por Mimoso do Sul, às sete horas da manhã. O trem carregava a alegria, quer por retornar pessoas amadas, quer por trazer revistas, jornais e cartas românticas, e simbolizadas sempre na esperança . Transportava os jovens até ao Rio, na busca aventureira de um trabalho, ou para acrescer novos saberes. A despedida era sempre coberta de lágrimas, e longos e apertados abraços. Era como estivessem partindo para a "guerra". Os trens foram se modernizando, e inesperadamente  chegou um imponente trem de aço. Tal máquina jamais tinha sido vista, pelos simplórios olhares daqueles munícipes. Foi um verdadeiro "frisson". A locomotiva  era movida a óleo diesel. E para o orgulho civilista, era conhecido como, "cacique". Seus maquinistas-condutores envergavam elegantes uniformes, azul-marinho escuro, e quepe. Como se fossem trajes de gala, lembrando o almirantado inglês. O "Cacique", agregava um ou dois carros-leito. Contudo,a  grande novidade ficava por conta do carro-restaurante. Esse carro era o "must". A moda  era degustar à bordo, um bife à cavalo, que compreendia: um filet mignon com dois ovos estrelados, e a guarnição com arroz e fritas. Inexoravelmente, acompanhado por uma cerveja de casco-escuro  estupidamente gelada. Era o clássico pedido. Na ausência d'Orient Express, Agatha Christie, poderia ter se inspirado "n'O Cacique" emoldurado de sedução e glamour. O mistério ficaria por conta do riquíssimo imaginário da escritora. Na América do Norte e a Europa, trens velozes e confortáveis deslizam longas distancias a preços módicos. Aqui nesse Brasil continental, que por "razões de estado", teve precocemente sucateada a sua linha férrea, para dar lugar a alternativa rodoviária.  E la nave va !

21 de dezembro de 2011

AS MULHERES E AS SUAS CONQUISTAS !


 DESSA VEZ É A PRESIDENCIA DA VETUSTA E CERIMONIOSA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS, CUJO O CARGO MÁXIMO,  POR MÉRITO E DIREITO, COUBE A ESCRITORA - ANA MARIA MACHADO - COM FORTÍSSIMAS RAIZES CAPIXABAS ! A ESCRITORA-PRESIDENTE, ALÉM DOS SEUS, 18 MILHÕES DE LIVROS, ESPALHADOS PELO BRASIL E NO EXTERIOR, É DETENTORA DO COBIÇADO PREMIO, HANS CHRISTIAN ANDERSEN, EM HOMENAGEM AO FAMOSO ESCRITOR DINARMAQUES,  AUTOR DO  " SOLDADINHO DE CHUMBO ", QUE AINDA POVOA O IMAGINÁRIO PUERIL, E DEZENAS DE OUTRAS PUBLICAÇÕES.
ESSA PREMIAÇÃO É CONSIDERADA, COMO SE FOSSE O PREMIO NOBEL DA LITERATURA INFANTIL ! A NOVA PRESIDENTE, DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS, REAFIRMA O SEU COMPROMISSO COM A PRÁTICA DA LEITURA, COMO INICIATIVA CULTURAL, POIS, SE NINGUÉM ENSINAR AS CRIANÇAS A LEREM HABITUALMENTE, ELAS JAMAIS APRENDERÃO SOZINHAS ! E DEFENDE O FUNCIONAMENTO DAS BIBLIOTECAS, ESPAÇO PARA OS LIVROS, NAS CONCEPÇÕES DOS NOVOS APARTAMENTOS, E UMA MAIS APRIMORADA FORMAÇÃO DOS PROFESSORES. E VAI MAIS ALÉM, AO OPINAR SOBRE A LEITURA NOS HOSPITAIS, COMO UM ATO HUMANISTA. A ACADEMIA , COMO GUARDIÃ DA LINGUAGEM, ACOMPANHA PAR E PASSO AS METAMORFORSES INEXORÁVEIS, DA FONÉTICA E DA ORTOGRAFIA. É SEMPRE BOM LEMBRAR QUE A LINGUA PORTUGUESA, TEM A SUA GÊNESE NO LATIM , DITO VULGAR. A BEM DA VERDADE, SE FAZ MISTER UMA UNIFORMIDADE NA COMUNICAÇÃO, SEMPRE RESPEITANTO OS VÍCIOS REGIONAIS DO IDIOMA. É PRECISO ESTAR ATENTO AOS NOVOS NEOLOGISMOS QUE O SISTEMA IMPÕE, DESDE QUANDO SE INSTALA O "MACDONALD" OU NA IMPORTAÇÃO DE UM COMPUTADOR. EIS UM EXEMPLO: PORQUE USAR EXPRESSÕES ESTRANGEIRAS, COMO " DELIVERY ", EM VEZ DE ENTREGA À DOMICILIO ?  A CIBERNÉTICA, É DETERMINANTE QUANDO CRIA O SEU IMPERATIVO JARGÃO. EIS UM EXEMPLO:  EXIGE-SE O VERBO "INICIALIZAR" , EM VEZ DE INICIAR !  MAL COMPARANDO SÃO AS   "CORPORAÇÕES DE OFICIO DA IDADE MEDIA", COM OUTRO SIMULACRO.