2 de setembro de 2015

O incenso



O incenso se entrelaça com a história da humanidade. É uma resina de cor esbranquiçada que brota no caule da “árvore de copal”. Essas árvores são originadas nas terras áridas da península arábica próxima a Omã, na divisa com o Iêmen. Alguns desses arvoredos  possuem mais de quinhentos anos, e um dos locais da produção artesanal do incenso, chama-se Dophar. O incenso é também conhecido como olíbano. Foi nessas imediações que se inspirou no instigante conto “As mil e uma noites de Sherazade”.  O incenso já foi cotado igual ao ouro, pela escassez e a  grande distância para se atravessar o deserto, um imenso território  separando os mercados consumidores. O incensação é de multiuso, pois é utilizado em quase todas as religiões, e também pela prática da magia, e para referenciar as diversas divindades. Os cristãos primitivos usavam o incenso  nas reuniões junto as  catacumbas. A lenda afirma que o  aroma do incenso agrada a Deus, e  antepassados. Confira ou não o "bilhete".

14 de agosto de 2015

Pedrinha

A Pedrinha é um patrimônio material, com viés imaterial, pois é um ponto de encontro que se realiza há quase cem anos. O remetente é a memória, sempre nos verões causticantes, que o  Mimoso do Sul abraça-os sem cerimônias. Recentemente, criaram a nomenclatura -  sensação térmica -  maior do que a temperatura real registrada nos termômetros. A Pedrinha ainda é um charme, e em priscas eras  o cantor Roberto Carlos foi usuário desse pequeno "balneário fluvial". Há fortes indícios dele ter nascido em Santo Antonio simpático distrito de Mimoso do Sul. Mais  acima se encontram as corredeiras dos Pocitos, que  no passado se banhava nas correntezas das águas entre as pedras arredondadas pelo desgaste do tempo. Era também local de piqueniques, a professora de português Leonor Pereira Cheibub apreciava o sinônimo convescote em vez do neologismo piquenique. A banqueta datada do fim do século 19,  era "show" conforme a linguagem da juventude. Na parte de cima eram duas piscinas, uma delas tinha uma longa e assustadora  tubulação por onde a água descia por gravidade para  movimentar o moinho de milho. Na parte lateral, numa larga escadaria desciam as águas formando   pequenas e maravilhosas cachoeiras, quase igual as hidromassagens da atualidade.  O progressio através do poder publico municipal de então,  ordenou que todo esse complexo fosse literalmente  aterrado, como  um cadáver contaminado pelo vibrião do cólera.  E a  máquina de pilar arroz e armazéns com altíssimos pés direitos foram  demolidos. E para substituir o histórico próprio, ergue-se uma construção de estética duvidosa. E assim caminha a humanidade.

15 de junho de 2015

Rio 450 anos



O Rio de Janeiro nos 450 anos,  se reveste com frequência tal qual uma mulher de gosto apurado.  O Rio se regenera, como se fosse uma planta mãe de uma linda flor. O jardim de Burle Marx  apelidado de Aterro do Flamengo,  é uma obra que agrada a todos os olhares, quer sejam daqui ou alhures.  O glamour do Copacabana Palace é único. Nasceu com a  finalidade de hospedar o Rei Alberto da Bélgica e a entourage dele. A Taberna da Glória foi demolido para dar passagem ao metrô, mas antes a frequentou Clementina de Jesus, Herivelto Martins, Winston Moreira, os irmãos Marco Antonio e Paulo Cezar, Jarbas e Caludio Vieir, Bruzzi e Hermínio Bello de Carvalho entre  outros amantes da noite carioca. O tradicional Lamas quando est localizado no coração do Largo do Machado expunha caixas de frutas na entrada, e só fechava na alta madrugada.  Resistente mudou-se para a Marques de Abrantes, e sobrevive até hoje. O Lamas faz-me lembrar  o Vieira,  o garçon-gentleman, que oferecia o suculento prato conhecido como  entrecôte (carne próxima à costela),  devidamente guarnecido  Atravessando o Túnel Novo, à esquerda o Sereia do Leme, frequentado pelo Humberto, Lino e o imortal Manuel Bandeira somente nos finais de semana. O Degrau no Leblon era o must da boemia, o último reduto dos notívagos. Acrescente-se o Tio Sam no Leblon, cuja a figura do imortal João Ubaldo de Oliveira estava sempre presente. Há um fato curioso a narrar.  O amigo baiano Ivan Tourinho, velho conhecido do escritor - além de mim, estava   acompanhado do amigo comum Manoel Moulin -  desde a  Ilha de Itamaracá, apresentou-nos e em seguida perguntou-lhe repentinamente sobre o Cecé, irmão dele. João Ubaldo “fechou a cara”, pois detestava  comentar  sobre o Cecé, pois era quase sempre motivo de chacota. O nome de batismo do irmão do escritor baiano é ou era,  Sete de Janeiro. A conversa foi encerrada pelo famoso escriba  e fomos embora. Ivan ria igual  a criança diante de um palhaço. Há outros bares famosos que se descaracterizaram, e dentro do surrealismo carioca o acarajé está sendo também produzido por baianas evangélicas. Será que deixou de ser prato dos orixás? Ou ecumenizou-se? Aleluia ou  saravá?

30 de maio de 2015

Arara-vermelha-grande

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  Desanimado com as notícias que abastecem as mídias globalizadas,  encontrei o lúdico ao pesquisar  sobre o bioma (fauna e flora) brasileira,  em especial  os encantadores periquitos, primos dos tucanos, pela plumagem e a formação dos bicos aduncos, ambos de curvatura descendente. Na zona rural é comum, a família papagaial  estar representada nos  bandos das maritacas que na mudez das tardes, rasgam o silêncio e o céu. Voam em direção as árvores-aeroporto, grazinando em alto e bom som.  É uma população respeitável, onde se destacam o periquito estrela, que pelas cores lembra-se  da bandeira brasileira, com o ventre amarelado, branco no pescoço e a nas extremidades das asas esverdeadas, os debruados azuis. O periquito-estrela é minimalista, pois reaproveita os ninhos abandonados nos troncos das árvores, e tomam posse. Acrescentam-se os periquitos do sertão, jandaia, papacú, asa amarela, curica-verde e a arara-vermelha-grande (Ara chloroptera Gray,1859)  que é considerada a mais bonita da família(foto) e por isso, infelizmente é a mais caçada por traficantes da fauna silvestre. O Brasil é o mais cromático, de todos os países do planeta.

16 de maio de 2015

BB King



 O blues é a base da musicalidade dos americanos do norte, mais conhecido como a terra do Tio Sam ou Estados Unidos da América do Norte. Os escravos vindos d'África tal qual o Brasil, também  foram torturados,  nas terras frias dos homens de olhos azuis. A escravatura americana se inicia no século 17,  e  foi abolida em 1863/65, com o fim da Guerra de Secessão. O blues é uma  canção de lamento, remetendo a distância das terras africanas. A saudade batia forte. Então eles cantavam o Blues, que quer dizer azul ou triste. Registra-se o Blues em 1890, e entre os ícones  destacam-se Bessie Smith,  Muddy Waters. John Lee Hooker e  BB King, que significa - Jovem rei do Blues -  que morreu semana passada em Las Vegas aos 89 anos, nascido em Indianápolis.  Teve entre seus seus admiradores os guitarristas Jimmy Hendrix, e o inglês Eric Clapton, e vários outros. Preferia viajar de ônibus nas longas programações, pois se identificava com as estradas e o rio Mississippi. Era um iron man, pela resistência física  cumpria 100(cem) contratos anualmente. Deixou vários filhos, fruto dos seus inúmeros casamentos. Era simplório e  amável. Apresentou-se  no Brasil inúmeras vezes. BB King é uma vitória da negritude americana, tais como Mohammad Ali,  Barack Obama, Martin Luther King, Michael Jackson e outros.

26 de abril de 2015

O cachorro, a televisão e Parsival

Parsival chegou  na casa  da Dona Clara, acompanhado do esposo dela  que atendia pelo apelido de Gemiano, herança da sua avó, a robusta e respeitada  Gimiana. Quando Getulio morreu em 1954, com um porrete nas mãos exigiu que os comerciantes(alguns udenistas) cerrassem as portas das lojas. A sala da casa bem iluminada, ostentava uma pós-moderna aparelhagem  de televisão ligada na novela das oito, que começa às nove horas da noite.  Escarrapachado  no tapete,  um grande cachorro, também  participava do convívio familiar. Parsival ao chegar na casa de Gemiano  saudou a família com um cordial – boa noite – infelizmente não foi correspondido. Repetiu a gentileza, e outra vez não foi   bem sucedido. Parsival sentou-se no canto da sala num tamborete, e nada mais falou. Gemiano entrou no clima e passou a assistir também  a novela, cuja pergunta entre os assistentes era: Quem matou Odete Rothman? Parsival, homem de hábitos simplórios, continuou silente assistindo a novela.  Num momento inusitado o cachorro latiu alto! Como se desse uma ordem aos tutores dele.  E todos quase unânimes falaram: Antonio está com fome! Gemiano,  dê ração ao Antonio (era o nome do animal), bradou Dona Clara para o marido. Gemiano respondeu que somente atenderia a ordem matriarcal, quando do intervalo. A novela acabou,  Antonio recebeu a ração e  Parsival continuou ignorado. 

17 de abril de 2015

Carta a um amigo

 A arguta exegese do douto advogado,  é uma bela defesa do sistema capitalista, o qual " está dando certo", mesmo registrando uma desigual e perversa distribuição de renda. Karl Marx argumenta que somente a força da economia de mercado, sequer mitiga a miséria humana. As tinturas socialistas na prática existem há mais de 100 anos nos países escandinavos, sob o manto da social-democracia, na qual é compulsório pagar mais impostos àqueles que lucram por demais, cujo objeto é financiar os consolidados e legítimos programas sociais. Os experimentos sociológicos ocorridos em Cuba, na área da educação e saúde são reconhecidamente meritórios, contudo a ausência de liberdade na ilha cubana, é lamentável. Em contraponto a prisão de Guantánamo, é uma pedra no sapato para o governo norte-americano, pois fere o mais elementar pressuposto dos direitos humanos. Quanto a ex-União Soviética e os países do Leste Europeu, no plano dos direitos humanos, ambos os blocos, contabilizaram um total desrespeito aos mais elementares direitos do cidadão durante longos anos. Nas franjas do paradoxo,  ressalte-se que morreram 25 milhões de russos no combate travado na  Segunda Guerra, durante a  gestão do mais perverso ditador russo - José Stálin - e depois vergonhosamente eles dividiram (Roosevelt+Churchill e Stalin) a Europa entre eles, como uma ação entre amigos. Em nome da sua respeitável intelectualidade resolvi me manifestar. Vivemos sob à égide do capitalismo, pois até o momento, nada se apresentou, contudo acredito na evolução da história, e por isso acredito que o sistema está se exaurindo...como exauriram os impérios de Genghis Khan e o de Roma. Deixo-lhe a minha admiração pela sua augusta pessoa.

13 de abril de 2015

São Jorge guerreiro

São Jorge é da Capodócia, que fica na atual Turquia. Todavia São Jorge pertence aos brasileiros, ingleses, russos, portugueses  e de tantas outras nações do mundo. A crença de  São Jorge aqui chegou pelos portugueses,  e  por imposição  se  transformou na Bahia de Jorge  Amado, pelos braços dos orixás do candomblé, incorporado em  Oxóssi,  e pelos pretos velhos da  umbanda no  Rio de Janeiro é  Ogum. É o sincretismo afro-brasileiro dentro do misticismo, que é um mix das crenças,  as quais se debitam aos colonizadores que  impediam  os escravos cultuassem a mística deles  trazida da mãe África. São Jorge é conhecido como Santo  guerreiro. Na República da Rússia é padroeiro e a imagem dele está  brasão nacional, tal qual na Inglaterra,  no pavilhão  britânico. Em Portugal o Castelo de São Jorge é uma das atrações de Lisboa. As homenagens destacam-se em personalidades importantes, como George Washington, primeiro presidente dos Estados Unidos George Orwell, famoso escritor,  e o compositor teuto-ingles George Handell. E por aqui nas terras puris, o craque de futebol, George Vigneron. Há quem afirme que São Jorge ressuscitou trezenos mortos e salvou a filha de um rei das garras do dragão, na cidade de Selem na Líbia.  São Jorge foi preso e torturado e depois decapitado, no dia 23 de abril de 303, que é feriado no Rio de Janeiro. Salve São Jorge guerreiro, saravá !

9 de abril de 2015

O homem de óculos escuros




Raras foram às vezes, que pelo meu trajeto não encontrava na beira da estrada, o homem de óculos escuros.  Sentava-se sob o alpendre de uma pequena casa meio colorida,  sob o signo de um  branco barroco e um azul colonial.  Ele remetia-me  sempre a impressão de que era um observador do mundo, no seu cockpit. Mesmo nos dias nublados, crepúsculos ou de sol inclemente, lá estava ele portando as lentes escuras. Será porque nunca o vi sem os óculos escuros?  Será que era um artifício  para ocultar a identidade dele? Um fugitivo que se evadiu de algum  presídio?  Ou não era nada disso. Simplesmente poderia ser um  costume dele. Ou quem sabe,  se esses óculos escuros  faziam-no ver o verde mais verde?  Ou esses óculos eram para contrapor a lucidez que lhe perseguia?  Notei,  que ao passar de carro, nunca também  o tinha visto caminhar. Pensei por diversas vezes em conversar com ele. Não sabia como justificar a mim mesmo essa  atitude. Invasão da privacidade, saber por que ele sempre usava óculos escuros? Mesmo nos dias nublados e ou chuvosos. Resolvi não ir ao encontro dele, a ansiedade foi dominada. E por canais de comunicação no campesinato, tomei conhecimento que o homem de lentes ray ban é cego. Tantas viagens nas asas do imagético.

3 de abril de 2015

A mediocridade está à solta

Num canal de televisão assisti  a entrevista  do escritor Heitor Cony.  Na ocasião afirmou que apreciaria de ter feito um voto de silêncio, tal como alguns monges. Acrescentou que se acontecesse, além de estar emudecido, não desejaria ouvir nada, tal qual um religioso no mosteiro próximo a Perugia, norte da Itália, que há trinta anos não ouvia a voz humana.  E finalmente informou que foi seminarista por dez anos, e que ninguém merece a salvação. Afirmações de alto teor filosófico partindo de um intelectual de escol, como o entrevistado,  remetem-se a conjecturas escutando os respeitadíssimos teólogo Santo Agostinho, e o pensador alemão Frederico Nietzsche. Quanto a salvação, me inclino a estar de acordo com a assertiva do escritor, pois o legado da miséria humana – que as crianças ainda não percebem –  é bicho feio, segundo o livro - Memórias de Brás Cubas - de Machado de Assis. Como merecer a remissão dos pecados,  se na porta  da igreja, templo, mesquita ou congá um mendigo pede pão, e todos dissimuladamente ignoram-no? Não ouvir nem a própria voz num voto de renúncia à convivência humana, é uma decisão que corta na carne, tal qual despojar-se dos bens materiais para servir ao próximo, igual fez Tereza de Calcutá, uma  raríssima e exemplar atitude. A mediocridade está à solta.

24 de março de 2015

O filhote do "pássaro mascarado"

Lá pelas quatro horas  da manhã, quando o dia envergonhado e suavemente tenta  raiar no espaço sideral, eis  que sob uma  frondosa  mangueira, produtora da saborosa manga-espada, uma avezita emitia um regorgeado tímido, e no final ouvia-se um leve trinado, pois ainda não dobrava o cântico, em se tratando de um filhote do pássaro mascarado: o  bem-te-vi. De repente adentram ao concierto a cambaxirra e a rolinha, ambas ruflando e harmonizam o ambiente lúdico-melômano. E por fim surge outro parceiro o - canarinho-da-terra -   chilreando por demais. Mas  eis que de repente o pássaro mascarado numa aterrissagem perfeita, chega para socorrer o filhote,  trazendo-lhe  no bico uma minhoca para  alimentar  o passarinho-rebento. Daí o sol mais intenso toma conta da manhã,  e a pequena camerata  se desfaz, quiçá prometendo voltar numa próxima oportunidade.

Divagação



Há fatos na vida, face  ao pensamento andarilho, que se transmutam em segredos inolvidáveis. Eles não se repetem, pois o tempo é ancho e providencial.  Comumente esses acontecimentos batem de repente na memória, como se fosse à porta de casa. Enfim, às circunstâncias nos leva a navegar em outros mares. Dentre esses fatos, um deles assaltou o hipocampo, o guardador da memória, e um filme  preto e branco rodou rapidamente. Tratava-se de uma mulher que havia traído o marido. A (in)fidelidade se mostrou inequívoca, pois foi testemunhada por um vizinho, que a documentou através de uma poderosa câmera. O marido traído diante do imbróglio ficou (im)potente para uma tomada de decisão imediata. A vítima ao ouvir a mulher dele, chegou a conclusão que tudo não passava de uma ardilosa intriga. E também, atenuava-se o fato de que ele,  no passado recente havia tido um tórrido affair com a filha da prima(pelo lado materno) da comadre da sogra do marido traído. Em pouco tempo, a amizade foi rompida com o vizinho,  e em seguida mudou-se para outra cidade. Poder-se-á  lembrar do aforisma: chumbo trocado não dói.

19 de março de 2015

Malecón

Discorrer sobre a felicidade, é das tarefas a mais complexa. Talvez seja mais prudente  recolher-se ao tugúrio, e não se pronunciar sobre o tema.  Narrar  sobre isso, ou as misérias humanas, são matérias desconfortáveis,  sem falar do amor com os seus códigos e enigmas. Se existem esses enigmas,   se remete ao velho aforisma místico e ibérico:  “Jo no creo en las brujas, pero que las hay, hay". Há uma necessidade de se apegar sempre a algo para mitigar as carências. Alguns  se  conectam  a religião, doutrina, seita, sociedade secretas e atualmente, uma  pequeníssima parcela da  juventude,  se alia aos movimentos radicais armados. Há também a aliança com os pequenos animais, como gato, cachorro e pássaro. Há  todos os esportes, e todas as artes disponíveis para serem abraçadas. E os colecionadores desde chaveiros até aos filatelistas. Há também os andarilhos, verdadeiros  tuaregues  embrenhados pelas estradas afora. Há os que singram os  mares. E os aeronautas que vivem sob as turbulências vespertinas.   Se registra os  ermitões urbanos (que aumentam) e que  são parte da estatística, que  optam pela boa vida na casa dos pais, e não se preocupam com o casamento. Os ermitões rurais estão surgindo gradualmente, e timidamente defendem o meio ambiente. Aqui no Malecón, a  última notícia é que  a solidariedade humana a cada dia  mais escassa.

13 de março de 2015

Protesto

Dia 15 de março, parte do povo brasileiro sairá às ruas protestando contra os aumentos dos preços, e a investigação sob a direção das autoridades competentes, sobre a corrupção absurda que está ocorrendo  com a  joia da corôa, leia-se Petrobras,  É sabido que dinheiro público é sagrado, pois é o resultado da arrecadação dos impostos pagos pelo povo. Se a verba pública é desviada, é necessário rastrear para encontrar os responsáveis e aplicar-lhes a lei. A corrupção existe em todo o mundo, há alguns  poucos anos passados,  uma autoridade japonesa foi condenada por malversação,e  se auto-puniu diante das câmeras das televisões, praticando o haraquiri (suicídio). O HSBC na Suiça guarda uma imensa fortuna de origem obscura, de traficantes, ditadores, políticos e outros. O HSBC tem origem inglesa e recentemente o presidente dessa instituição banqueira recebeu o título de Lord (alto título nobiliárquico inglês). As punições por crimes de peculato e outras naturezas, nos países mais adiantados acontecem naturalmente. Infelizmente nas nações abaixo da linha do Equador, as penalidades são difíceis de serem cumpridas. Há sempre brechas na lei para mitigar as penas imputadas aos infratores. Quanto mais competente for o  causídico, mais aumenta a chance do cliente ter um happy end. Além da competência, ressalte-se que somente clientes abastados conseguem pagar  salgados honorários dos luminares. Há sempre uma esperança popular em verem nas prisões àqueles que furtam verba pública, daí a validade do protesto democrático, como legítimo  ferramental da democracia.

24 de fevereiro de 2015

Rio 450 anos

O Rio comemora 450 anos.  Raro é o brasileiro que não tenha  um parente no Rio, por diversos fatores: êxodo rural, mercado de trabalho, oportunidade de  estudos técnico/científico, ou por um amor desesperado. O Rio acolhe gente de todo o Brasil e desde a Armênia até Xique-Xique na Bahia comentar. O carioca  é um contumaz bem humorado. Curiosamente foram editadas mais de 1500 músicas em homenagem a Cidade Maravilhosa. Pela BR 101, sentido Mimoso do Sul/Rio, aproximadamente, após  três horas e meia de viagem, aparece a placa indicativa -  Alcântara -  em seguida passando por São Gonçalo, em direção ao centro de Niterói,  despontam o "Caneco Gelado do Mário", Mercado São Pedro e mais recentemente na praia boa viagem o MAC - Museu de Arte Contemporânea -  obra de Niemeyer. Atravessando a ponte que conduz ao Rio, na descida o desvio pela Rodovia Washington Luiz, Duque de Caxias de Tenório Cavalcanti, Petrópolis, Teresópolis, Guapimirim e Xerém ( leia-se Zeca Pagodinho) e todos são cariocas.  No retorno Nova Iguaçu, outrora terra dos laranjais, Nilópolis da Beija-Flor. E depois o bairro que ostenta a homenagem ao poeta Vicente de Carvalho. Na sequência  Pavuna e mais à frente  chega-se a Avenida  Suburbana, rebatizada como Avenida Dom Helder Câmara (bela homenagem), e chega-se  na legendária Madureira, com o Mercadão e a Serrinha do Mestre Darci do jongo. No  jongo reside uma das mais significativas  origens do  samba. E  a tradicional Portela, de Paulo Benjamin de Oliveira, mais conhecido como Paulo da Portela. O cinema Imperator no Meier  se transformou em Centro Cultural João Nogueira, intérprete e compositor incluído na história do samba. Pela Dom Helder, os bairros de Cascadura, Pilares, Quintino, terra do Zico Galinho, Piedade, Abolição e o Clube River, palco de grandes bailes.  Num passe de mágica automotora, eis-me no Chopão de Ramos. No setor da  Leopoldina temos a Penha,  Alemão, Bonsucesso, Grotão e  retornando o bairro do Higienópolis, com a famosa e longa  Darke de Mattos. Na Praça da Bandeira, passando pela Tijuca, outrora dos riquinhos, depois do  Metro-Tijuca(cinema) em direção a Usina à direita da Conde de Bonfim,  junto ao Verinha(buteco) situa-se a  rua Uruguai, quase esquina com a rua Gen. Espirito Santo Cardoso, o Bar do Abrahão ( ex-Rei Momo do carnaval do Rio nos anos 1960), hoje frequentado por Osmar Frazão, a enciclopédia da música brasileira. A  Muda, e a  Praça  Xavier de Brito – dos cavalinhos e cabritinhos puxando charretinhos para as  crianças – e na Usina do Colégio Irmãos Maristas, próximo a estrada do Alto da Boa Vista. Antes um obrigatório “pit-stop”, no Bar das Pombas, que oferecia música, com um pequena nascente dentro do estabelecimento, dando-lhe um ar etílico-bucólico. E dirijo para a Barra da Tijuca,  indo para direto para a Cidade de Deus - comunidade do escritor Paulo de Deus - que é a entrada de Jacarepaguá com dezenas de largos  sub-bairros como  Tanque, Taquara, Pechincha, Estrada do  Pau-Ferro, Praça Jauru. Voltei pela Estrada dos Bandeirantes, via Curicica até a animada casa musical -  Balaio Grande -   encontrei os amigos Ivo e  Mara ouvindo – Ronda – e bebendo chopinhos. O amigo Ivo irmanou no Sindicato durante a ditadura militar, acrescentando-se os amigos  Olavo, João Álvares e outros. Com certeza, faltarão algumas citações, a Mangueira, ou a Estação Primeira de Dona Neuma, Cartola e  Nelson Cavaquinho – São Cristóvão, a Feira Nordestina e o grande poeta cordelista  Raimundo Sant'Helena, com o São Januário lusitano. Salve o Vasco da Gama.  E ao centro na Praça Onze, a lendária Rua Pinto de Azevedo, frequentada pela juventude e todas as faixas etárias, que buscavam aventuras  erótico-amorosas.  Na  rua da Carioca o Bar Luiz, ex-Adolfo, que oferece  chopp schnitt e salsichon. E antes de “pegar” o Aterro do Flamengo, eis o Amarelinho na Cinelândia de frente para o Teatro Municipal - a lembrança do tenor carioca Paulo Fortes –  e a ausência do Palácio Monroe, (onde funcionava o Senado Federal, e em  1930 Getulio Vargas amarrou os cavalos, e arrebatou o poder por 15 anos), um "pulo" no Capela que foi reduto do cantor Blecaute, para degustar um guisado de cabrito, com chopp na meia-pressão. Um breve retorno  desembarquei na  original Taberna da Glória, para encontrar  o amigo Winston Garcia  Moreira, com a intenção de visitar a AME – uma surreal Associação Matogrossense dos Estudantes – no Catete. Eis que na Taberna da Glória, lá estava o ícone do samba de roda, descoberta tardiamente (ainda bem) pelo historiador e compositor Hermínio Belo de Carvalho – a querida e saudosa Clementina de Jesus. En passant no Bar do Hotel Argentina, e encontrar Olimpio José de Abreu, e  beber a cristalina inteligência dele, e em seguida visitar o restaurante Lamas que não fechava suas portas, e estando sempre de plantão o gentil garçon Vieira, a servir  Botafogo, esse é o mais simpático bairro do Rio, quer pelo nome, quer por ter acolhido o Fofoca, bar que foi uma casa de bambas do samba de raiz. Roberto Luiz Santos Silva foi sempre assíduo. Ao lado o Humaitá, tendo a  Cobal - com aprazível praça de alimentação - bairro da Márcia, Rachel, Ricardo e meu também.  O Aurora na época do “Seu Manel”,  foi restaurante  de pratos honestos e disputados. Com Aurélio, Roberto, Ignácio e o  tricolor Reinildo -  morador do simpático Moneró na Ilha do Governador -  foram várias as tertúlias na boca da noite. Foi n'Aurora que Miucha, filha do sociólogo e historiador Sergio Buarque de Hollanda, informou à mesa que o pai dela tinha vivido em 1932, na cidade de  Cachoeiro do Itapemirim,  na casa dos Veira Cunha .  Copacabana é de Rubem Braga, Manuel Bandeira, Antonio Maria e Carlos Alberto Ferreira Braga, também conhecido como  Braguinha, compositor  da música- hino:  “ Copacabana" a princesinha do mar.  Do Leme ao Pontal, assim cantou Tim Maia, carioca da rua do Matoso. O Leme se destaca por ser  um bairro em que “todos se conhecem”, assim dizia Artur da Távola na sua meteórica estada pelo bairro.  Não tive a oportunidade de frequentar  o bar-restaurante -  Sereia do Leme -  onde o poeta Manuel Bandeira,  por lá aparecia de forma bissexta, diferentemente do Humberto, de quem foi amigo. Ao fazer o retorno, eis o Beco das Garrafas, onde nasceu a Bossa-Nova, e depois surgiram algumas “casas de saliência”, como a New Monique, Don Juan e outras. Pela Rua Sá Ferreira, acima o Pavão Pavãozinho, vi pela primeira vez (in live)  um individuo da comunidade portar um moderno fuzil-metralhadora. Nessa rua morou Lady Laura durante muitos anos, no Edifício Lisboa. Ipanema é a “jóia da coroa”. Tendo como testemunha o amigo Debret, morador há anos na rua Vinicius de Moraes, vindo diretamente de Morro do Côco. Ipanema não se comparação em todo o universo, ressaltando infelizmente a violência, é um bairro que se encontra de tudo, desde o Veloso (hoje é Garota de Ipanema)  até  cerzideira. Certa vez a vi um cartaz anunciante essa invulgar profissão. Um lugar  encantador, com muitas livrarias, teatro e cafés culturais. E o Leblon com seus metros quadrados mais caros do Brasil, é um bairro muito chique onde morou o escritor baiano-carioca – João Ubaldo Ribeiro -  que assinava o ponto no bar Tio Sam na gastronômica Rua Dias Ferreira. E no butiquin  Clipper, chopps emergenciais e cremosos  com o  amigo Marco Gifoni. Pela avenida Niemeyer se encontra o simpático Vidigal, que depois de pacificado é moda entre muitos estrangeiros, artistas, arquitetos,  quer pelo magnífico visual, quer pelo peculiar modus-vivendi da comunidade, sem contar com o samba. O Rio é de todos, de  Hilton Abi-Rihan, Tom, Vinicius e  de Moreira da Silva.