O incenso se entrelaça com a história da humanidade. É uma resina de cor
esbranquiçada que brota no caule da “árvore de copal”. Essas árvores são
originadas nas terras áridas da península arábica próxima a Omã, na divisa com
o Iêmen. Alguns desses arvoredos possuem mais de quinhentos anos, e um dos locais da produção artesanal do incenso, chama-se Dophar. O incenso é também conhecido como
olíbano. Foi nessas imediações que se inspirou no instigante conto “As mil e
uma noites de Sherazade”. O incenso já
foi cotado igual ao ouro, pela escassez e a grande distância para se atravessar o deserto,
um imenso território separando os
mercados consumidores. O incensação é de multiuso, pois é utilizado em quase todas
as religiões, e também pela prática da magia, e para referenciar as diversas divindades. Os cristãos primitivos usavam o incenso nas reuniões junto as catacumbas. A lenda afirma que o aroma do incenso agrada a Deus, e
antepassados. Confira ou não o "bilhete".
2 de setembro de 2015
14 de agosto de 2015
Pedrinha
A Pedrinha é um patrimônio material, com viés imaterial, pois é um ponto de encontro que se realiza há quase cem anos. O remetente é a memória, sempre nos verões causticantes, que o Mimoso do Sul
abraça-os sem cerimônias. Recentemente, criaram a nomenclatura -
sensação térmica - maior do que a temperatura real registrada nos
termômetros. A Pedrinha ainda é um charme, e em priscas eras o cantor Roberto Carlos foi usuário desse pequeno "balneário fluvial". Há fortes indícios dele ter nascido em Santo Antonio simpático distrito de Mimoso do Sul. Mais acima se encontram as corredeiras dos
Pocitos, que no passado se banhava nas correntezas das águas entre as
pedras arredondadas pelo desgaste do tempo. Era também local de
piqueniques, a professora de português Leonor Pereira Cheibub apreciava o sinônimo convescote em vez do neologismo piquenique. A banqueta datada do fim do século 19, era "show" conforme a linguagem da
juventude. Na parte de cima eram duas piscinas, uma delas tinha uma longa
e assustadora tubulação por onde a água descia por gravidade para movimentar o moinho de milho. Na parte lateral, numa larga escadaria desciam as águas formando pequenas e maravilhosas cachoeiras, quase igual as hidromassagens da atualidade. O progressio através do poder publico municipal de então, ordenou
que todo esse complexo fosse literalmente aterrado, como um cadáver contaminado pelo vibrião do cólera. E a máquina de pilar arroz e armazéns com altíssimos pés direitos foram demolidos. E para substituir o histórico próprio, ergue-se uma construção de estética duvidosa. E assim caminha a
humanidade.
15 de junho de 2015
Rio 450 anos
O Rio de Janeiro nos 450 anos, se reveste com frequência
tal qual uma mulher de gosto apurado. O Rio se regenera, como se fosse uma planta mãe de uma linda flor. O jardim de Burle Marx apelidado de Aterro do
Flamengo, é uma obra que agrada a todos os olhares, quer sejam daqui ou alhures. O glamour do Copacabana Palace é único. Nasceu
com a finalidade de hospedar o Rei
Alberto da Bélgica e a entourage
dele. A Taberna da Glória foi demolido para dar passagem ao metrô, mas antes a frequentou
Clementina de Jesus, Herivelto Martins, Winston Moreira, os irmãos Marco Antonio e Paulo Cezar, Jarbas e Caludio Vieir, Bruzzi e Hermínio Bello de
Carvalho entre outros amantes da noite carioca. O tradicional Lamas quando est
localizado no coração do Largo do Machado expunha caixas de frutas na entrada, e só fechava na alta madrugada. Resistente mudou-se para a Marques de Abrantes, e sobrevive até hoje. O Lamas faz-me lembrar o Vieira, o garçon-gentleman, que oferecia o suculento prato conhecido como entrecôte (carne próxima à costela), devidamente guarnecido Atravessando o Túnel
Novo, à esquerda o Sereia do Leme, frequentado pelo Humberto, Lino e o imortal Manuel
Bandeira somente nos finais de semana. O Degrau no Leblon era o must da boemia, o último reduto dos notívagos. Acrescente-se o
Tio Sam no Leblon, cuja a figura do imortal João Ubaldo de Oliveira estava sempre presente.
Há um fato curioso a narrar. O amigo baiano Ivan Tourinho, velho conhecido do
escritor - além de mim, estava acompanhado do amigo comum Manoel Moulin - desde a Ilha de Itamaracá, apresentou-nos e em seguida perguntou-lhe repentinamente
sobre o Cecé, irmão dele. João Ubaldo “fechou a cara”, pois detestava comentar sobre o Cecé, pois era quase sempre motivo de chacota. O nome de batismo do irmão do escritor baiano é ou era, Sete de Janeiro. A conversa foi encerrada pelo famoso escriba e
fomos embora. Ivan ria igual a criança diante de um palhaço. Há
outros bares famosos que se descaracterizaram, e dentro do surrealismo carioca,
o acarajé está sendo também produzido por baianas evangélicas. Será que deixou de ser prato dos orixás? Ou ecumenizou-se?
Aleluia ou saravá?
30 de maio de 2015
Arara-vermelha-grande
Desanimado com as notícias que abastecem as mídias globalizadas, encontrei o lúdico ao pesquisar sobre o bioma (fauna e flora) brasileira, em especial os encantadores periquitos, primos dos tucanos, pela plumagem e a formação dos bicos aduncos, ambos de curvatura descendente. Na zona rural é comum, a família papagaial estar representada nos bandos das maritacas que na mudez das tardes, rasgam o silêncio e o céu. Voam em direção as árvores-aeroporto, grazinando em alto e bom som. É uma população respeitável, onde se destacam o periquito estrela, que pelas cores lembra-se da bandeira brasileira, com o ventre amarelado, branco no pescoço e a nas extremidades das asas esverdeadas, os debruados azuis. O periquito-estrela é minimalista, pois reaproveita os ninhos abandonados nos troncos das árvores, e tomam posse. Acrescentam-se os periquitos do sertão, jandaia, papacú, asa amarela, curica-verde e a arara-vermelha-grande (Ara chloroptera Gray,1859) que é considerada a mais bonita da família(foto) e por isso, infelizmente é a mais caçada por traficantes da fauna silvestre. O Brasil é o mais cromático, de todos os países do planeta.
16 de maio de 2015
BB King
O
blues é a base da musicalidade dos americanos do norte, mais conhecido como a
terra do Tio Sam ou Estados Unidos da América do Norte. Os escravos vindos
d'África tal qual o Brasil, também foram torturados, nas terras frias dos homens de olhos azuis. A
escravatura americana se inicia no século 17, e foi abolida em
1863/65, com o fim da Guerra de Secessão. O blues é uma canção de lamento,
remetendo a distância das terras africanas. A saudade batia forte. Então eles
cantavam o Blues, que quer dizer azul ou triste. Registra-se o Blues em 1890, e
entre os ícones destacam-se Bessie Smith, Muddy Waters. John Lee
Hooker e BB King, que significa - Jovem rei do Blues - que morreu semana passada em Las Vegas aos 89
anos, nascido em Indianápolis. Teve entre seus seus admiradores os guitarristas
Jimmy Hendrix, e o inglês Eric Clapton, e vários outros. Preferia viajar de ônibus
nas longas programações, pois se identificava com as estradas e o rio Mississippi. Era um iron man, pela resistência física cumpria
100(cem) contratos anualmente. Deixou vários filhos, fruto dos seus inúmeros
casamentos. Era simplório e amável. Apresentou-se
no Brasil inúmeras vezes. BB King é uma
vitória da negritude americana, tais como Mohammad Ali, Barack Obama, Martin Luther King, Michael
Jackson e outros.
26 de abril de 2015
O cachorro, a televisão e Parsival
Parsival chegou na casa
da Dona Clara, acompanhado do esposo dela que atendia pelo apelido de Gemiano, herança da sua avó, a robusta e respeitada Gimiana. Quando Getulio morreu em 1954, com um porrete nas mãos exigiu que os comerciantes(alguns udenistas) cerrassem as portas das lojas. A sala da casa bem iluminada, ostentava uma
pós-moderna aparelhagem de televisão
ligada na novela das oito, que começa às nove horas da noite. Escarrapachado no tapete, um grande cachorro, também participava do convívio familiar. Parsival ao chegar
na casa de Gemiano saudou a família com
um cordial – boa noite – infelizmente não foi correspondido. Repetiu a
gentileza, e outra vez não foi bem sucedido. Parsival sentou-se no canto da sala num
tamborete, e nada mais falou. Gemiano entrou no clima e passou a assistir também a novela, cuja pergunta entre os assistentes era:
Quem matou Odete Rothman? Parsival, homem de hábitos simplórios, continuou
silente assistindo a novela. Num momento inusitado o cachorro latiu alto! Como se desse uma ordem aos tutores dele. E todos quase unânimes falaram: Antonio
está com fome! Gemiano, dê ração ao Antonio (era o nome do animal), bradou Dona Clara para o marido. Gemiano respondeu que somente atenderia a ordem matriarcal, quando do intervalo. A novela acabou, Antonio recebeu a ração e Parsival continuou ignorado.
17 de abril de 2015
Carta a um amigo
A arguta exegese do douto advogado, é uma bela defesa do
sistema capitalista, o qual " está dando certo", mesmo registrando
uma desigual e perversa distribuição de renda. Karl Marx argumenta que somente a força da
economia de mercado, sequer mitiga a miséria humana. As tinturas socialistas na
prática existem há mais de 100 anos nos países escandinavos, sob o manto da
social-democracia, na qual é compulsório pagar mais impostos àqueles que lucram
por demais, cujo objeto é financiar os consolidados e legítimos programas sociais. Os
experimentos sociológicos ocorridos em Cuba, na área da educação e saúde são
reconhecidamente meritórios, contudo a ausência de liberdade na ilha cubana, é
lamentável. Em contraponto a prisão de Guantánamo, é uma pedra no sapato para o
governo norte-americano, pois fere o mais elementar pressuposto dos direitos
humanos. Quanto a ex-União Soviética e os países do Leste Europeu, no plano dos direitos humanos, ambos os blocos, contabilizaram um total desrespeito aos mais elementares direitos do cidadão durante longos anos. Nas franjas do paradoxo, ressalte-se que morreram 25 milhões de russos no combate travado na Segunda Guerra, durante a gestão do mais perverso ditador russo - José Stálin - e depois
vergonhosamente eles dividiram (Roosevelt+Churchill e Stalin) a Europa entre
eles, como uma ação entre amigos. Em nome da sua respeitável
intelectualidade resolvi me manifestar. Vivemos sob à égide do capitalismo,
pois até o momento, nada se apresentou, contudo acredito na evolução da
história, e por isso acredito que o sistema está se exaurindo...como exauriram
os impérios de Genghis Khan e o de Roma. Deixo-lhe a minha admiração pela sua
augusta pessoa.
13 de abril de 2015
São Jorge guerreiro
São Jorge é da Capodócia, que fica na atual Turquia. Todavia São Jorge pertence aos brasileiros, ingleses, russos, portugueses e de tantas outras nações do mundo. A crença de São Jorge aqui chegou pelos portugueses, e por imposição se transformou na Bahia de Jorge Amado, pelos braços dos orixás do candomblé, incorporado em Oxóssi, e pelos pretos velhos da umbanda no Rio de Janeiro é Ogum. É o sincretismo afro-brasileiro dentro do misticismo, que é um mix das crenças, as quais se debitam aos colonizadores que impediam os escravos cultuassem a mística deles trazida da mãe África. São Jorge é conhecido como Santo guerreiro. Na República da Rússia é padroeiro e a imagem dele está brasão nacional, tal qual na Inglaterra, no pavilhão britânico. Em Portugal o Castelo de São Jorge é uma das atrações de Lisboa. As homenagens destacam-se em personalidades importantes, como George Washington, primeiro presidente dos Estados Unidos George Orwell, famoso escritor, e o compositor teuto-ingles George Handell. E por aqui nas terras puris, o craque de futebol, George Vigneron. Há quem afirme que São Jorge ressuscitou trezenos mortos e salvou a filha de um rei das garras do dragão, na cidade de Selem na Líbia. São Jorge foi preso e torturado e depois decapitado, no dia 23 de abril de 303, que é feriado no Rio de Janeiro. Salve São Jorge guerreiro, saravá !
9 de abril de 2015
O homem de óculos escuros
Raras foram às vezes, que pelo meu trajeto não encontrava na beira da estrada, o homem de óculos escuros. Sentava-se sob o alpendre de uma pequena casa meio colorida, sob o signo de um branco barroco e um azul colonial. Ele remetia-me sempre a impressão de que era um observador do mundo, no seu cockpit. Mesmo nos dias nublados, crepúsculos ou de sol
inclemente, lá estava ele portando as lentes escuras. Será porque nunca o vi sem os
óculos escuros? Será que era um artifício para ocultar a identidade dele? Um fugitivo que se evadiu de algum presídio? Ou não era nada disso. Simplesmente poderia ser um costume dele. Ou quem sabe, se esses óculos escuros faziam-no ver o verde mais verde? Ou esses óculos eram
para contrapor a lucidez que lhe
perseguia? Notei, que ao passar de carro, nunca também o tinha visto caminhar. Pensei por diversas vezes em conversar com ele. Não sabia como justificar a
mim mesmo essa atitude. Invasão da privacidade, saber por
que ele sempre usava óculos escuros?
Mesmo nos dias nublados e ou chuvosos. Resolvi não ir ao encontro dele, a ansiedade foi dominada. E por canais de comunicação no campesinato, tomei
conhecimento que o homem de lentes ray ban é cego. Tantas viagens nas asas do imagético.
3 de abril de 2015
A mediocridade está à solta
Num canal de televisão assisti a entrevista
do escritor Heitor Cony. Na
ocasião afirmou que apreciaria de ter feito um voto de silêncio, tal como
alguns monges. Acrescentou que se acontecesse, além de estar emudecido, não desejaria ouvir nada, tal qual um religioso no mosteiro próximo a Perugia, norte
da Itália, que há trinta anos não ouvia a voz humana. E finalmente informou que foi seminarista por
dez anos, e que ninguém merece a salvação. Afirmações de alto teor filosófico
partindo de um intelectual de escol, como o entrevistado, remetem-se a conjecturas escutando os respeitadíssimos teólogo Santo Agostinho, e o pensador
alemão Frederico Nietzsche. Quanto a salvação,
me inclino a estar de acordo com a assertiva do escritor, pois o legado da
miséria humana – que as crianças ainda não percebem – é bicho feio, segundo o livro - Memórias de Brás Cubas - de Machado de Assis. Como merecer a remissão dos pecados, se na porta da igreja, templo, mesquita ou congá um mendigo
pede pão, e todos dissimuladamente ignoram-no? Não ouvir nem a própria voz num
voto de renúncia à convivência humana, é uma decisão que corta na carne, tal
qual despojar-se dos bens materiais para servir ao próximo, igual fez Tereza de Calcutá, uma raríssima e exemplar atitude. A mediocridade está à solta.
24 de março de 2015
O filhote do "pássaro mascarado"
Lá pelas quatro horas da manhã, quando o dia envergonhado e suavemente tenta raiar no espaço
sideral, eis que sob uma frondosa
mangueira, produtora da saborosa manga-espada, uma avezita emitia um regorgeado tímido, e no final ouvia-se um leve trinado, pois ainda não dobrava o cântico, em se
tratando de um filhote do pássaro
mascarado: o bem-te-vi. De repente adentram ao concierto a
cambaxirra e a rolinha, ambas ruflando e harmonizam o ambiente lúdico-melômano. E por fim surge
outro parceiro o - canarinho-da-terra - chilreando por demais. Mas eis que de repente o pássaro
mascarado numa aterrissagem perfeita, chega para socorrer o filhote, trazendo-lhe no bico uma minhoca para alimentar o passarinho-rebento. Daí o sol mais intenso
toma conta da manhã, e a pequena camerata se desfaz, quiçá prometendo voltar numa
próxima oportunidade.
Divagação
Há fatos na vida, face ao pensamento andarilho, que se transmutam em segredos inolvidáveis. Eles não se repetem, pois o tempo é ancho e providencial. Comumente esses acontecimentos batem de repente na memória, como se fosse à porta de casa. Enfim, às circunstâncias nos leva a navegar em outros mares. Dentre esses fatos, um deles assaltou o hipocampo, o guardador da memória, e um filme preto e branco rodou rapidamente. Tratava-se de uma mulher que havia traído o marido. A (in)fidelidade se mostrou inequívoca, pois foi testemunhada por um vizinho, que a documentou através de uma poderosa câmera. O marido traído diante do imbróglio ficou (im)potente para uma tomada de decisão imediata. A vítima ao ouvir a mulher dele, chegou a conclusão que tudo não passava de uma ardilosa intriga. E também, atenuava-se o fato de que ele, no passado recente havia tido um tórrido affair com a filha da prima(pelo lado materno) da comadre da sogra do marido traído. Em pouco tempo, a amizade foi rompida com o vizinho, e em seguida mudou-se para outra cidade. Poder-se-á lembrar do aforisma: chumbo trocado não dói.
19 de março de 2015
Malecón
Discorrer sobre a felicidade, é das tarefas a mais complexa. Talvez seja mais prudente recolher-se ao tugúrio, e não se pronunciar
sobre o tema. Narrar sobre isso, ou as misérias humanas, são matérias desconfortáveis, sem falar do amor com os seus
códigos e enigmas. Se existem esses enigmas, se remete
ao velho aforisma místico e ibérico: “Jo
no creo en las brujas, pero que las hay, hay". Há uma necessidade de se apegar
sempre a algo para mitigar as carências. Alguns se conectam a religião, doutrina, seita, sociedade
secretas e atualmente, uma pequeníssima parcela
da juventude, se alia aos movimentos radicais armados. Há
também a aliança com os pequenos animais, como gato, cachorro e pássaro. Há todos os esportes, e todas as artes
disponíveis para serem abraçadas. E os colecionadores desde chaveiros até aos
filatelistas. Há também os andarilhos, verdadeiros tuaregues embrenhados pelas estradas afora. Há os que singram os
mares. E os aeronautas que vivem sob as turbulências vespertinas. Se registra os ermitões urbanos (que aumentam) e que são
parte da estatística, que optam pela boa
vida na casa dos pais, e não se preocupam com o casamento. Os ermitões rurais estão surgindo gradualmente, e timidamente defendem o meio ambiente. Aqui no Malecón, a última notícia é que a
solidariedade humana a cada dia mais escassa.
13 de março de 2015
Protesto
Dia 15 de março, parte do povo brasileiro sairá às ruas
protestando contra os aumentos dos preços, e a investigação sob a direção das
autoridades competentes, sobre a corrupção absurda que está ocorrendo com a joia da corôa, leia-se Petrobras, É sabido que dinheiro público é sagrado, pois é o resultado da arrecadação dos impostos pagos pelo
povo. Se a verba pública é desviada, é necessário rastrear para encontrar os
responsáveis e aplicar-lhes a lei. A corrupção existe em todo o mundo, há
alguns poucos anos passados, uma autoridade japonesa foi condenada por malversação,e se auto-puniu diante das câmeras das televisões, praticando o haraquiri (suicídio). O HSBC na Suiça
guarda uma imensa fortuna de origem obscura, de traficantes, ditadores,
políticos e outros. O HSBC tem origem inglesa e recentemente o presidente dessa instituição banqueira recebeu o título de Lord
(alto título nobiliárquico inglês). As punições por crimes de peculato e
outras naturezas, nos países mais adiantados acontecem naturalmente. Infelizmente nas nações abaixo da
linha do Equador, as penalidades são difíceis de serem cumpridas. Há sempre brechas na lei para mitigar as penas imputadas
aos infratores. Quanto mais competente for o causídico, mais aumenta a chance do
cliente ter um happy end. Além da
competência, ressalte-se que somente clientes abastados conseguem pagar salgados honorários dos luminares. Há sempre uma esperança popular em verem nas prisões
àqueles que furtam verba pública, daí a validade do protesto democrático, como legítimo ferramental da democracia.
24 de fevereiro de 2015
Rio 450 anos
O Rio comemora 450 anos. Raro é o brasileiro que não tenha um parente no Rio, por diversos
fatores: êxodo rural, mercado de trabalho, oportunidade de estudos técnico/científico, ou por um amor desesperado. O Rio acolhe
gente de todo o Brasil e desde a Armênia até Xique-Xique na Bahia comentar. O carioca é um contumaz bem humorado. Curiosamente foram editadas mais de 1500 músicas em homenagem a Cidade Maravilhosa. Pela BR 101, sentido Mimoso do Sul/Rio, aproximadamente, após três horas e meia de viagem, aparece a placa indicativa - Alcântara - em seguida passando por São
Gonçalo, em direção ao centro de Niterói, despontam o "Caneco Gelado do Mário", Mercado São
Pedro e mais recentemente na praia boa viagem o MAC - Museu de Arte Contemporânea - obra de Niemeyer. Atravessando a ponte que conduz ao Rio, na descida o desvio pela Rodovia Washington Luiz, Duque de Caxias de Tenório Cavalcanti, Petrópolis, Teresópolis, Guapimirim e Xerém ( leia-se Zeca Pagodinho) e todos são cariocas. No retorno Nova
Iguaçu, outrora terra dos laranjais, Nilópolis da Beija-Flor. E depois o bairro que ostenta a homenagem ao poeta Vicente de Carvalho. Na sequência Pavuna e mais à frente chega-se a Avenida Suburbana, rebatizada como Avenida Dom Helder Câmara (bela
homenagem), e chega-se na legendária Madureira, com o Mercadão e a Serrinha do Mestre Darci do jongo. No jongo reside uma das mais significativas origens do samba. E a
tradicional Portela, de Paulo Benjamin de Oliveira, mais conhecido como Paulo da Portela. O cinema Imperator no Meier se transformou em Centro Cultural João
Nogueira, intérprete e compositor incluído na história do samba. Pela Dom Helder, os bairros de Cascadura, Pilares, Quintino, terra do Zico Galinho, Piedade,
Abolição e o Clube River, palco de grandes bailes. Num passe de mágica automotora, eis-me no Chopão de
Ramos. No setor da Leopoldina temos a Penha, Alemão, Bonsucesso, Grotão e retornando o bairro do Higienópolis,
com a famosa e longa Darke de Mattos. Na Praça da Bandeira, passando pela
Tijuca, outrora dos riquinhos, depois do Metro-Tijuca(cinema) em direção a Usina à direita da Conde de Bonfim, junto ao Verinha(buteco) situa-se a rua Uruguai, quase esquina
com a rua Gen. Espirito Santo Cardoso, o Bar do Abrahão ( ex-Rei Momo do
carnaval do Rio nos anos 1960), hoje frequentado por Osmar Frazão, a enciclopédia da música brasileira. A Muda, e a Praça Xavier de Brito – dos cavalinhos e cabritinhos
puxando charretinhos para as crianças – e na Usina
do Colégio Irmãos Maristas, próximo a estrada do Alto
da Boa Vista. Antes um obrigatório “pit-stop”, no Bar das Pombas, que oferecia música, com um
pequena nascente dentro do estabelecimento, dando-lhe um ar etílico-bucólico. E
dirijo para a Barra da Tijuca, indo para direto para a
Cidade de Deus - comunidade do escritor Paulo de Deus - que é a entrada de Jacarepaguá
com dezenas de largos sub-bairros
como Tanque, Taquara, Pechincha, Estrada do Pau-Ferro, Praça Jauru. Voltei pela Estrada dos Bandeirantes, via Curicica até a animada casa musical - Balaio Grande - encontrei os amigos Ivo e Mara ouvindo – Ronda – e bebendo chopinhos. O amigo Ivo irmanou no Sindicato durante a ditadura militar, acrescentando-se os amigos Olavo, João Álvares e outros. Com certeza, faltarão algumas citações, a Mangueira, ou
a Estação Primeira de Dona Neuma, Cartola e Nelson Cavaquinho – São Cristóvão, a Feira Nordestina e o grande poeta cordelista Raimundo Sant'Helena, com o São
Januário lusitano. Salve o Vasco da Gama. E ao centro na Praça Onze, a lendária Rua
Pinto de Azevedo, frequentada pela juventude e todas as faixas etárias, que buscavam aventuras erótico-amorosas. Na rua da Carioca o Bar Luiz, ex-Adolfo,
que oferece chopp schnitt e salsichon. E antes de “pegar” o Aterro
do Flamengo, eis o Amarelinho na Cinelândia de frente para o Teatro Municipal - a lembrança do tenor carioca Paulo Fortes – e a ausência do Palácio Monroe, (onde funcionava o Senado Federal, e em 1930 Getulio Vargas amarrou os cavalos, e arrebatou o poder por 15 anos), um "pulo" no Capela que foi reduto do cantor Blecaute, para degustar um guisado de cabrito, com chopp na meia-pressão. Um breve retorno desembarquei na original Taberna da
Glória, para encontrar o amigo Winston Garcia Moreira, com a intenção de visitar a AME – uma surreal
Associação Matogrossense dos Estudantes – no Catete. Eis que na Taberna da Glória,
lá estava o ícone do samba de roda, descoberta tardiamente (ainda bem) pelo historiador
e compositor Hermínio Belo de Carvalho – a querida e saudosa Clementina de
Jesus. En passant no Bar do Hotel Argentina, e encontrar Olimpio José de Abreu, e beber a cristalina inteligência dele, e em
seguida visitar o restaurante Lamas que
não fechava suas portas, e estando sempre de plantão o gentil garçon Vieira, a servir Botafogo, esse é
o mais simpático bairro do Rio, quer pelo nome, quer por ter acolhido o Fofoca,
bar que foi uma casa de bambas do samba de raiz. Roberto Luiz Santos Silva foi sempre assíduo. Ao lado o Humaitá, tendo a Cobal - com aprazível praça de alimentação - bairro da Márcia, Rachel, Ricardo e meu também. O Aurora na época do “Seu Manel”, foi restaurante de pratos honestos e disputados. Com Aurélio,
Roberto, Ignácio e o tricolor Reinildo - morador do simpático Moneró na Ilha do Governador - foram várias as tertúlias na boca da noite. Foi n'Aurora que Miucha, filha do sociólogo e historiador Sergio Buarque de Hollanda, informou à mesa que o pai dela tinha vivido em 1932, na cidade de Cachoeiro do Itapemirim, na casa dos Veira Cunha . Copacabana é
de Rubem Braga, Manuel Bandeira, Antonio Maria e Carlos Alberto Ferreira Braga,
também conhecido como Braguinha, compositor da música- hino: “ Copacabana" a princesinha do mar. Do Leme ao Pontal, assim cantou Tim Maia,
carioca da rua do Matoso. O Leme se destaca por ser um bairro em que “todos se conhecem”, assim
dizia Artur da Távola na sua meteórica estada pelo bairro. Não tive a oportunidade de frequentar o bar-restaurante - Sereia do Leme - onde o poeta Manuel Bandeira, por lá aparecia de forma bissexta, diferentemente do Humberto, de quem foi amigo. Ao fazer o retorno, eis o Beco das Garrafas, onde nasceu a Bossa-Nova, e depois
surgiram algumas “casas de saliência”, como a New Monique, Don Juan e outras. Pela Rua Sá
Ferreira, acima o Pavão Pavãozinho, vi pela primeira vez (in live) um individuo da
comunidade portar um moderno fuzil-metralhadora. Nessa rua morou Lady Laura
durante muitos anos, no Edifício Lisboa. Ipanema é a “jóia da coroa”. Tendo como testemunha o amigo Debret, morador há anos na rua Vinicius de Moraes, vindo diretamente de Morro do Côco. Ipanema não se comparação em todo o universo, ressaltando
infelizmente a violência, é um bairro que se encontra de tudo, desde o Veloso (hoje é Garota de Ipanema) até cerzideira. Certa vez a vi um cartaz anunciante essa invulgar profissão. Um lugar encantador, com muitas livrarias, teatro e
cafés culturais. E o Leblon com seus metros quadrados mais caros do Brasil,
é um bairro muito chique onde morou o escritor baiano-carioca – João Ubaldo Ribeiro -
que assinava
o ponto no bar Tio Sam na gastronômica Rua Dias Ferreira. E no butiquin Clipper, chopps emergenciais e cremosos com o amigo Marco Gifoni. Pela avenida
Niemeyer se encontra o simpático Vidigal, que depois de pacificado é moda entre muitos estrangeiros, artistas, arquitetos, quer pelo magnífico visual,
quer pelo peculiar modus-vivendi da
comunidade, sem contar com o samba. O Rio é de todos, de Hilton Abi-Rihan, Tom, Vinicius e de Moreira da Silva.
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