18 de outubro de 2014

Se o diabo me levar



Meu pai teve a data de nascimento adulterada  para se incorporar às forças armadas. Imagino que meus avós paternos,  por terem inúmeros  filhos as dificuldades financeiras eram presentes, agravando o sustento deles. Creio, ser o artifício  de antecipar a maioridade uma das alternativas para abrandar  a fome.   Ele possuía duas certidões datadas respectivamente de 1911/1913. Natural do Alegre(ES), foi  ao quartel militar no Rio de Janeiro e lá aprendeu a tocar saxofone, na banda daquela unidade castrense. Após a baixa, residiu  numa pensão no  bairro do legendário  Paulo da Portela,  - Madureira chorou de dor -  e acabou tomando diversas direções pela vida afora. Com a embocadura em dia, empunhou o sax-alto pelas casas noturnas, (era irmão de instrumento de John Coltrane)  - da Praça Mauá, e nas gafieiras Estudantina e Elite, até hoje a primeira,  na  Praça Tiradentes e a segunda na Praça da  República. Por razões  de foro íntimo ou não,  acompanhou por longos  anos o circo, cujo a razão social era Companhia de Circo e Teatro-Irmãos Temperani de bandeira húngara. Conheceu diversas cidades do Brasil, como circense. O circo apresenta um caleidoscópio cultural, contudo ele me alertava para as peças  de teatro encenadas no  circo. Infortunadamente  o circo está derretendo, esse é o mesmo circo que polvilhou o imaginário popular nesse país,   por um longo período. Contou-me certa vez que na ausência do palhaço, o substituía. Era um fac-totum. E o mais surreal, ele disse a um amigo - Hudson Festa -  que numa ocasião, na falta do pagamento a  ele devido, recebeu como indenização trabalhista um paquiderme, representado por robusto elefante. O gran-finale dessa estória, não sei. E depois de dez anos,  quando a internacional Companhia retornou ao leste europeu, ele foi convidado a seguir com os húngaros, mas  declinou o convite e por aqui permaneceu
 na terra brasilis. Numa tarde morna acusou uma severa dor, tendo adoecido, que é o prenúncio do final  de quase todos mortais. Internou  na  secular Santa Casa da  Misericórdia na rua Santa Luzia, no centro do  Rio de Janeiro. Antes do mágico efeito do anestésico, para em seguida "entrar" na adaga cirúrgica ( dessa vez saiu ileso), confidenciou-me assim: se o diabo me levar, quero lhe dizer (a mim, filho dele): confesso que vivi intensamente.

11 de outubro de 2014

Malála Yousafzai

A paquistanesa Malala Yousafzai, cujo o país é islâmico e se localiza no no sul Ásia, conquistou o Premio Nobel da Paz. Esse famoso prêmio existe há mais de cem anos, e foi criado pelo sueco Alfredo Bernardo Nobel, inventor da dinamite. Há dois anos no seu país, Malala Yousafzai desafiou os talibãs – facção radical do islamismo – que proibia as meninas paquistanesas de frequentarem as aulas regulares. Pela bravura da atitude, Malala Yousafzai levou um tiro na cabeça, e esteve entre a vida e a morte. Foi levada para o University Hospitals de Birmingham, na Inglaterra e sobreviveu, onde atualmente reside. Nessa última sexta-feira dividiu o prêmio, com o indiano Kailash Satyarthi, incansável defensor das crianças envolvidas no trabalho infantil. Malala Yousafzai aos dezessete anos, está na mesma galeria ombreada com Nelson Mandela, Madre Tereza de Calcutá, Martin Luther King, Mahatma Ghandi e outros, de altíssima moral e ética exemplar.

29 de setembro de 2014

MacDonald



Há quem afirme ser o sistema  da escolha dos candidatos, ultrapassado. Essa questão remete as instâncias do primeiro andar, a saber a  ONU – Organização das Nações Unidas, e outros institutos internacionais. No Brasil do escritor Machado de Assis, há trinta e dois partidos, e um parlamento com quinhentos e treze  deputados e oitenta e um senadores, que compõem o Congresso Nacional, é a representação do povo. A ausência  do  legislativo, é a ditadura, quer seja civil, quer seja castrense. Alguns pesquisadores defendem  a tese  que a escolha de parlamentares, seja através do mérito. Com quais critérios, ainda não se sabe. Os partidos sabem da necessidade de uma reforma, mas faltam-lhe coragem cívica para dar partida a essa mudança estrutural. Por certo, essa modificação contrariará os prepostos dos "grotões" eleitorais,  sejam  urbanos ou periféricos, patrocinados pelo fisiologismo oficial. Enquanto os governos não investirem no aprendizado por vinte ou trint'anos ininterruptos, o Brasil continuará  exportando  soja em grão,  e comprando óleo, vendendo o minério de ferro, e pagando pelos manufaturados, por fim negociando carne in natura e consumindo "hamburguer" no MacDonald.

14 de setembro de 2014

Ser pós-moderno



No conceito pós-moderno, apoiado em pesquisas de organizações internacionais, como a ONU, Unesco,  Clube de Roma  e universidades da magnitude de Cambridge, Oxford, Sorbonne e outras, poder-se-á  indicar que homens no sentido lato sensu, com elevadíssima moral ética, se destacaram somente alguns,  a saber: Nelson Mandela, Madre Tereza de Calcutá, Martin Luther King, Mahatma Ghandi e mais um ou dois, os quais não me lembro. Foram personalidades paradigmáticos.  Numa indicação contextualizada, há recomendações que  um homem pós-moderno, não deve lançar  o lixo no chão, rios e mares, não deveria  fumar, e somente beber vinhos tintos moderadamente,  e não usar drogas. E se ainda couber, atentar para o destino do lixo hospitalar, nuclear e eletrônico. Tomar consciência  ser a  água um bem escasso, finito e por isso deve ser compulsório a proteção dos mananciais das águas. Tomar conhecimento que o  uso do agrotóxico poderá infectar a água, gerando doenças severas, como o câncer. O homem pós-moderno, discretamente colabora com as instituições de idosos, crianças portadores de deficiência física e mental, e  outros. Pesquisa a vida do candidato,  que se pretende votar. O homem pós-moderno, se preocupa com a poluição sonora, do ar e da água. Solidariza-se com a  ausência da  acessibilidade aos cadeirantes, e deve  plantar árvores, e ensinar aos filhos, lições de como respeitar os mais velhos e os mestres,  e não matar os animais silvestres, incluindo os pássaros. O homem da atualidade, participa nas diversas instâncias da sociedade civil organizada, no desejo de cooperar com o poder público, e aprender o olhar holístico, ou seja, ver  além do próprio  umbigo. Enquanto indivíduo, esse mesmo homem, deve se  interessar pelo folclore da sua aldeia, na busca do encontro da   identidade cultural dele,  quer através da semiótica, quer através das crenças. Tolerar àqueles que optaram em se unir com indivíduos do mesmo sexo, e  também por escolherem  ou não seitas e/ou religiões consideradas fora dos padrões aceitáveis pela sociedade. E que não se esquecer: o homem sempre terá prioridade sobre a máquina.













26 de agosto de 2014

Folia de Reis


Quanto mais ou tanto mais se informa, chega-se a conclusão de que nada se sabe. Ou seja: " tudo que sei, é que nada sei". Aliás, o remetente dessa máxima filosófica, é Sócrates que viveu em Atenas há 400 anos, antes da era cristã. “A cultura não tem a ver com o conhecimento. A cultura e o conhecimento não são a mesma coisa. A cultura antecede ao conhecimento.” São afirmativas do poeta inglês T.S.Elliot. O conhecimento é uma forma superior nas relações do homem com a natureza, enquanto que a cultura é indispensável à própria vida do homem sobre a terra, é a cultura que estabelece as condições de diferença na sobrevivência. Para corroborar parcialmente o acima citado, dezenas de Folias de Reis, no último sábado e domingo, apresentaram em Muqui (ES), um espetáculo cromático, lúdico e uma rica demonstração cultural, de cunho diversificado, quer na indumentária simbólica, quer nos princípios do sincretismo afro-religioso. A etnia sobressaia desde os “palhaços” de olhos azuis, seguidor de uma tradição familiar, aos mestres com a melhor sabedoria apreendida, assimilada pela beleza do atavismo, néctar universal que alimenta o folclore.

17 de agosto de 2014

Dancing Avenida e Brasil



Coronel Clarindo Lino da Silveira, era irmão de José Lino da Silveira, que foi proprietário dos  “dancings” mais famosos do Brasil. O Dancing Avenida e o Dancing Brasil no coração do Rio de Janeiro, na  avenida  Rio Branco, em frente da Cinelândia.  Depois se tornou a badalada  Boite Assirius, ou Casa Vermelha para os mais íntimos, a qual era  freqüentada pelos executivos do centro da cidade, em especial os operadores da Bolsa de Valores que ficava na Praça Quinze. Eram os finais dos anos 1960, e a Assirius atravessou várias décadas em atividade. Depois virou Café Nice. Os Lino da  Silveira tinham a vocação para negócios.  Entre 1858 a 1930 - o Coronel  Clarindo Lino, assim que era conhecido -  em São Pedro do Itabapoana, no extremo sul capixaba, foi proprietário das única  fábricas: a de ferraduras para os muares que transportavam o café, açúcar outros bens,  para o porto fluvial da Limeira, e no setor têxtil , a sêda. Ele foi um homem poderoso, e chegou a emprestar dinheiro ao empresário-deputado – Camilo Cola – dono da Viação Itapemirim, como me informou Marcos Lino Ramos, seu neto, e com quem morou por alguns anos. O latifúndio dele deve ter chegado  a 5000(cinco) mil alqueires de terra, na região. Suas fazendas eram São Pedro, Parada Ilidia, Pastinho (onde nasceu o ator Global, Stenio Garcia), Barra Mansa, Pedra Riscada, Sitio dos Marques, Cachoeira Alta, Lava-Pé, União, Bocãinha, Retiro, Rumo, Santa Rosa e Batatal. Esse foi o império do Coronel Clarindo Lino, era por demais econômico, pois  não viajava de primeira no trem, conhecido como misto, preferia viajar de segunda, pois a passagem era mais barata. Esse era o estilo dele.

11 de agosto de 2014

Cristo Redentor e curiosidades

 Cristo, o  Redentor,  é aquele que redime ou  reabilita,  em quem Nele crê. Esse é o dogma. O monumento do Cristo Redentor de Mimoso do Sul, extremo sul do Espírito Santo,   foi construído, em 1982,   por Antonio Francisco  Moreira, que  era da simpática cidade vizinha  de  Guaçui(ES), terra do ator Fernando Torres.  Erigiu outros "cristos", como o  de Colatina e de Itaperuna no Estado do Rio. Antonio Francisco  Moreira,  há cerca de 3 anos, numa queda de  bicicleta veio a morrer. Curiosamente era convictamente  ateu. E, em  contraponto, o  Cristo Redentor do Rio de Janeiro,  datado de 1920,  teve a sua construção  gerenciada por um judeu – Heitor Levy – que durante  as obras civis se converteu ao catolicismo e selou no concreto – na altura "coração" do Cristo Redentor -  uma oração,  com os nomes dos seus familiares. Tal como o ator agnóstico - Nelson Xavier -    representando o médium Chico Xavier, e que durante as filmagens sobre a vida do mesmo, se converteu a doutrina kardecista. Há algo no ar além dos aviões de carreira.

4 de agosto de 2014

Ariano Suassuna





Em 1930, o pai de Adriano Suassuna -  João Suassuna  - foi  assassinado. Era então governador de Pernambuco. Ariano tinha três anos. Adriano foi um folclorista, além das  três versões para o cinema do  – Auto da Compadecida -  de grande sucesso.  Um pesquisador  do frevo, maratu e outros ritmos pernambucanos. Criou o Movimento Armorial, o qual  se juntava os acordes populares com os da música erudita.  Era possuidor de uma vasta cultura, quer a popular, quer a de maior complexidade. Considerava  que a arte existia para aumentar a beleza e a alegria do mundo.  Afirmava que a  imaginação e a realidade estão conectadas.  Caminhou entre a poesia ao romance, e de quebra o teatro. Mergulhava nas raízes populares nordestinas e, retornava  universal, feito o escritor russo  Leon Tolstoi, que disse: “ Se quer se tornar universal, comece por pintar a sua própria aldeia.” Conhecia  profundamente o teatro grego e Camões. A caetana, nome que se dá a morte no sertão nordestino, o levou  Suassuna  de repente...Antes a mesma caetana levou João Ubaldo, e Itaparica e o Brasil ficaram  tristes
...